Longe das avenidas lotadas de São Paulo, um homem dirigia loucamente pelo caminho alinhado da Costa Rica Florestal, próximo de Itaquaquecetuba, alinhado pela encosta verde.
O seu carro estava tão rápido quanto a de um corredor profissional, esgueirando-se ao lado da morte, arriscando a vida enquanto confundia um carro com um avião.
Logo atrás, uma viatura ressoava na mesma intensidade brusca que aquele homem, voando sobre o asfalto e deixando o seu rastro pelo caminho. A sirene, ao invés de tocar pelos quatro ventos, estava desligada ou estragada, mostrando um azul-escuro sem luz e um vermelho sem qualidade. As pessoas que não deveriam estar por aquelas redondezas, corria de longe daquele lugar para não ser atropeladas por aqueles dois motoristas sobrecarregados pela fúria de perseguição.
A curva que faziam, eram parcialmente as suas últimas se não fossem profissionais capazes daquela prática perigosa. O indivíduo que estava na frente, perdeu a direção do freio e cambaleou pelo asfalto entre as árvores, o carro voou pela grama e deslizou sobre o capim até o canto de uma árvore, batendo a traseira e causando um barulho ensurdecedor na floresta.
O policial, meramente feliz com o acontecido, pegou a rádio e apertou o botão, freando o carro no mesmo instante.
— Na escuta?! — O policial, carregando uma arma calibre 38 na mão direita e o rádio na mão esquerda, caminhava na direção do carro batido. — Na escuta?!
— Sim, senhor. Qual a emergência?
— Setor sul. Costa Risca. Suspeito abatido. É o vigilante.
— Duas viaturas a caminho, desligando.
O policial desligou e guardou o rádio de comunicação no bolso da frente do seu uniforme, agarrando a 39 e caminhando na direção do carro.
Chegando lá, o homem estava quase desmaiado. O policial observou o carro e guardou a arma, abrindo a porta enquanto o homem despendeu nos seus braços. Puxou-o para longe do veículo, que acabou explodindo no mesmo instante em que os dois chegaram na estrada.
O impacto os fez cair, com a cabeça do policial batendo no meio-fio e o deixando zonzo. O homem, mesmo com dificuldade, pegou a arma do policial e destravou ela, na direção dele.
— Por favor.. Por favor.. — O policial começou a implorar.
— O meu chefe fará pior se eu o deixar vivo, sinto muito. — Ergueu a arma com mais força. — Não posso deixar que me prendam, muito menos observarem o meu rosto.
Sem delongas, o indivíduo apertou o gatilho e a cabeça do policial abriu-se em duas partes, ensanguentando o piso de brita. O vigilante, sentindo pena por aquele homem, abaixou o corpo e pegou o celular do corpo, colocando a digital do seu dedo no celular e desbloqueando.
Caminhou na direção da viatura e entrou, dando partida rapidamente pela estrada, seguindo a sua fuga, mesmo que a sua cabeça estivesse sangrando pela batida do carro.
Segurou o celular firme e digitou os números decorados na sua cabeça, chamando logo a seguir.
— Quem é? — Ouviu do outro lado, eufórico.
— Sou eu, senhor. — O vigilante respondeu. — Consegui o pen-drive. Duas pessoas teve que ser descartadas.
— Seu imprestável! Eu disse para não deixar rastros. — Berrou enfurecido do outro lado com a voz grave.
— Não deixei, senhor.
— Onde está? Quero que me encontre e entregue o pen-drive.
— Estou à caminho, Sr. Alexandre. Terei que pegar outro carro e o encontrarei assim que puder.
— O meu irmão será a próxima vítima ou eu arranco a sua cabeça.
Desligou e o vigilante acelerou o carro, jogando o celular pela janela.
Em Liberdade, um setor mais agitado e menos engarrafamento, três dias se passou, Sol se preparava para as suas aulas, escrevendo uma redação de apresentação e uma introdução sobre famosos psiquiatras da atualidade. Os seus pensamentos estavam inteiramente na tela do seu notebook antigo e outros deles na tela do seu celular, ao lado.
Caio estava no colégio naquela manhã, enquanto passou metade do seu tempo limpando o apartamento e fazendo o almoço mais cedo, para escrever com mais tranquilidade. Faltava apenas sete dias para o seu último período na faculdade, e precisava se empenhar em conseguir passar.
Desde que foi na empresa de Hales Alexandre, os seus pensamentos se manteve inteiramente voltados para o seu futuro. Não contou para Elisa, muito menos para o filho de que teria um pai por um breve e curto tempo, mesmo que ainda não tenha maturidade suficiente para compreender toda aquela loucura.
Imaginou em rejeitar toda aquela tragédia, mas não tinha escolhas. Elisa ficaria no apartamento com Caio enquanto ela iria para a empresa H.A., ler o contrato dos dois e os termos um do outro. O seu medo não era simplesmente estragar tudo, mas estava inteiramente ligado no desejo carnal por aquele homem, em que viveria um falso romance.
Quando as horas se passaram, Sol tomou banho e vestiu uma calça, com um blazer azul e uma camiseta por baixo, branca. Fez uma trança simples no seu cabelo, deixando dois cachos alaranjados soltos no rosto. Não passou maquiagem, apenas um batom rosada.
Assim que Elisa chegou, ao lado de Caio, beijou a amiga.
— Pelo amor de Deus, arrume um apartamento que não tenha escadas como essas. — Elisa passou a mão no rosto. — Pedirei ao porteiro mandar uma carta de recomendação para o dono dessa espelunca, colocar uma escada volante.
— Pare de ser preguiçosa! Deixei o almoço de vocês preparado. — Sol falou. — Não sei que horas voltarei.
— Tomara que consiga o emprego, amiga. — Elisa sussurrou. — Que cheiro bom. Eu estava morrendo de fome.
— Tchau, mamãe. — Caio beijou a bochecha de Sol e ela fez o mesmo nele. — Trás sorvete.
— Trarei sim, meu amor. As nossas vidas irão mudar daqui pra frente, eu prometo.
— Secretária particular não ganha mais de dois mil, "Alice". — Elisa berrou do outro lado da cozinha e Sol revirou os olhos. — Boa sorte, mesmo assim.
— Obrigada, cuide de Caio com amor. — Ela brincou. — Se cuide, filho. Obedeça a titia, tabom?
— Tabom, mamãe.
Sol fechou a porta e desceu as escadas velhas.
O "Bom dia" do porteiro foi cheio de entusiasmo, Sol respondeu na mesma intensidade. Quando virou o rosto na direção da rua, uma linda BMW Série 3, preta, estava estacionada na sua frente. Um homem de terno preto estava mantido ao lado do veículo de luxo, com a mão direita na porta do passageiro aberta e a outra na direção de Sol, com o intuito de pedi-la para entrar.
Sol, assustada com aquilo, ignorou as mulheres na calçada observarem aquela ação, e ficou encarando o homem careca.
— O que é tudo isso?
— Sr. Alexandre pediu para buscá-la, Sra. Campos. — O homem respondeu.
— Qual o seu nome, moço? Não vou entrar nesse carro sem saber pelo menos o seu nome.
O homem olhou para ela, surpreso.
— Mario Elias Andrade, Sra. Campos. Sou o motorista pessoal de Sr. Alexandre e guarda de confiança.
— Ótimo, Mario Elias, pode me chamar de Sol. — Ela caminhou na direção do homem e segurou a sua mão, abraçando ele e logo depois entrando no carro.
O homem ficou estupefato pela ação da menina, fechando a porta e entrando na BMW.
Sem dizer mais nada, ele ligou o carro e dirigiu para a empresa H.A.
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Atualizado até capítulo 69
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