"Por que você será minha"
Foi uma frase que Sol não conseguiu tirar da cabeça. Soava possessividade, contudo, estranhamente confortante. Ele havia dito que precisaria sair com ela, conhecer Caio de mais perto e ter uma convivência com o menino. Ela, toda confusa, aceitou e foi para casa.
Os telefones foram trocados. Hales havia mandado uma mensagem depois que Solare chegou em casa, informando aonde iriam e que Mário iria buscá-la mais tarde para passearem juntos no parque mais visitado de São Paulo, permitindo que alguns fotógrafos anônimos fotografem os dois e mostrem ao país alguém novo na vida de Hales.
Sentia-se estranha quando entrou no seu apartamento velho, um sentimento de desconforto e agonia.
O porteiro cumprimentou com educação, enquanto ela se despediu de Mário e subiu as escadas. Quando entrou no corredor, de longe, pôde perceber o homem de terno sair de dentro do seu lugar. Ela parou de andar, para observar quem poderia ser.
Vestia um terno de marca, preto, com o cabelo claro e pouco na cabeça. Os ombros eram grandes, retos. Assim que ele ergueu os olhos, percebera o quão bonito era. Com a barba rala, as sobrancelhas feitas e os olhos tensos, transmitia confusão e rigidez.
O coração de Sol travou, por um sentimento desconhecido sobre o corpo dela. A mesma sensação amarga de quando havia fugido há quatro anos, o medo nas veias eram ensurdecedoras. Tudo o que veio na sua cabeça no momento foi o seu filho.
O homem estreitou os olhos na direção dela e levantou as sobrancelhas, mostrando a sua surpresa rouca e crucial nela.
Ele havia travado, mas permaneceu em silêncio. Estava atento em Sol de uma maneira rústica e alarmante, ele alinhou-se e caminhou na direção dela, mas passou por ela assim que se aproximou.
O perfume era meramente conhecido, mas Sol simplesmente correu na direção do apartamento assim que o homem desceu as escadas.
— Elisa!!!
Gritava.
— Elisa! Elisa...
— Sol? O que foi? — Elisa correu na direção da porta e a amiga cambaleou os olhos pelo quarto.
— Onde está Caio?
— Na vizinha, foi brincar faz um tempo. Que susto! O que houve? — Elisa caminhou na direção de Sol e segurou as suas mãos, trêmulas e frias. — O que aconteceu?
— Eu senti uma coisa estranha em mim quando constatei o homem lá fora. Um homem alto... saindo daqui.
— Heitor? — A amiga sorriu. — Calma amiga, ele só veio deixar o convite para a festa de aniversário dos pais. Ele é uma boa pessoa.
— Heitor Alexandre? Meu Deus! Que vergonha. — Sol passou as mãos no rosto.
— Pensei que acabou com o trauma. — Elisa cochichou.
— Acabou... eu só... não sei...
— Vem aqui. — Elisa abraçou a amiga.
Mais tarde, Hales Alexandre conversava abertamente com o empreendedor ‘designer’ gráfico da emprega, sobre os cálculos e taxas baixas que adquiriram naquele mês. Um percentual menor que o mês passado, abaixo das médias e muito menor que a meta que deveriam ter lucrado.
Hales se ajeitou na cadeira e passou as mãos pelos braços, ouvindo os outros três colaboradores do assunto, analisando estatisticamente todos os percentuais feitos durante aquele mês, incluindo contas bancárias, boletos pagos, transações financeiras internacionais, agente da transportadora particular e as transações diárias de renda fixa no nome da empresa.
Sentia haver algo de errado com tudo aquilo, pois com as demais demandas dos aviões e os transportes marítimos, estavam tudo certo e com um bom aumento de volume.
— Os gráficos estão incorretos, senhor. — Willie respondeu, autêntico.
Hales se remexe na cadeira, pensativo.
— Há algo que não bate. O que o meu pai disse sobre isso?
— Ele não viu ainda, senhor. — Um dos colaboradores disse.
Ouviram o bater na porta, Hales pediu para entrar e os quatro homens levantaram-se, organizando as papeladas.
— Hales, querido irmãos. — Heitor abriu os braços, entrando.
— Onde esteve esses dois dias? A empresa precisou de algumas assinaturas suas. — Hales rebateu.
— Estava no Rio De Janeiro, sabe como eles me amam.
Sorriu, sentando-se na cadeira que antes estava ocupada por Hales e rodopiou para os lados, dando uma volta e levantando-se novamente, apoiou as duas mãos sobre a mesa e encarou os homens, enquanto também estava sendo encarado por todos.
O sorriso de Heitor desapareceu, percebendo os homens caminharem ao rumo da porta.
— Por que não me chamou para a reunião? — Heitor berrou virando o rosto para o rumo de Hales, que estava reto e fixando a sua atenção no irmão mais velho. — Acredita que não posso ser digno de estar aqui? Eu sou o irmão mais velho, Hales.
— Sei que é. — Alfinetou, caminhando para a porta de reunião. — Enquanto o nosso pai não decidir quem irá herdar a empresa, eu sou o responsável geral.
— Eu dei a vida pela empresa!
— Não foi o bastante. — Hales virou para Heitor. — Não teve nem a coragem e nem a audácia de fazer o que eu fiz para estar onde estou.
— Você é um imbecil, Hales Alexandre. — Retrucou. — Herdarei tudo o que tenho por direito e você irá para Nova York, resolver a gerência de longe.
— Estou um passo a frente, Heitor.
Fechou a porta, deixando-o sozinho na sala.
Hales, com raiva, caminhou na direção do elevador e desceu para o térreo, procurando por Mário. Deveria ter tido uma vida completamente diferente se não fosse as suas atitudes precoces na sua adolescência, se arrepende das muitas vezes em que o seu pai teve que o buscar em bares de esquinas ou ruas abandonadas, sem um tostão no bolso.
Lembrava das manchetes dos jornais a Folha de São Paulo, permitindo a sua decadência no outro dia: "O filho mais novo e herdeiro das empresas H.A. é visto pela quinta vez nas ruas de metrópoles" ou "Pacaembu ficou pequena com a festa de drogas ilícitas com Hales Alexandre, o herdeiro das maiores empresas de São Paulo".
Era triste só de imaginar com o que teve que passar para abrir os olhos e enxergar o quão estava longe da sua realidade, perdendo o melhor amigo Jonas num acidente.
Coisas que teria que lidar e enfrentar para seguir a sua vida.
Após todos esses acontecimentos, Rudolfo Alexandre, o seu pai, perdera a confiança e o propôs mudar a empresa em cinco anos ou tudo seria de Heitor, o perfeito mentiroso para a família. Hales teve que mudar as suas atitudes, distanciar de alguns amigos e deixar de frequentar certos lugares.
Solare foi o vislumbre da sua salvação e a usaria para isso a custo de tudo.
Chegou no seu apartamento de luxo, tomou um banho e preparou-se para ir ao parque, vestindo apenas uma calça, jeans, deixando-o mais simples, colocou uma t-shirt branca de manga e um sapato preto social. Colocou o relógio importado no pulso e passou o seu perfume caminhando para o elevador e descendo rumo à portaria.
Mário já estava na frente do apartamento, esperando-o. Caminhou rumo ao carro e o segurança abriu a porta, permitindo que ele entrasse. Logo sentiu o perfume feminino pendurado no carro, virou o rosto e dobrou o corpo para a direção dela, tendo os seus olhos redondos e amarelados sobre ele.
O silêncio havia pendurado, mas ele logo rolou os olhos para o menino, agarrado no braço de Sol.
— Você deve ser o Caio, parece grande para uma criança de quatro anos. — Hales abriu um sorriso.
— Você é o meu papai? — Caio perguntou, calmo e contente.
Sol arregalou os olhos, envergonhada.
— Caio!!!
— Sim, eu sou o seu pai agora. — Hales falou, depois rolou os olhos para Sol. — Não é, Solare?
— Sim, Hales.
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Atualizado até capítulo 69
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