Sol sabia que iria começar um novo dia, um novo começo e uma nova vida. Longe de Liberdade, a região de São Paulo onde teve que aprender a possuir uma maturidade suficiente para compreender os termos e critérios de ser mãe solteira, um lugar em que viveu por 3 anos, aprendendo a sofrer, a lidar com a falta dos pais, o desaparecimento repentino, angústia de ser a única longe de toda a família que nunca teve a chance de conhecer, onde também aprendeu a superar tudo isso, provavelmente deixou todo o seu passado por lá, e naquele momento precisava afrontar o presente. Ao lado de um total desconhecido.
“Desconhecido”, É uma palavra muito abrangente para haver um significado útil, de certa forma Sol o conhecia, mas também tinha um breve conhecimento do seu lado totalmente oposto do que os seus olhos consequentemente mostravam, o vago mistério da sua expressão facial.
Estava agarrada na mão do filho ao seu lado, subindo o elevador principal após ter falado com a recepcionista, com um coração latejando pela euforia, algo que já deveria ter se acostumado ao decorrer dos anos.
Caio parecia contente por estar num lugar totalmente diferente do que era acostumado ver, mas também sabia o motivo da sua vasta felicidade, estar indo ver o seu “pai”. No fundo, Sol tinha a sua certeza de que estava fazendo errado com filho, com a amiga, com Isac que não respondeu às suas 3 mensagens daquela manhã e com os pais do homem que iria se casar em pouco tempo, e que ainda não conheceu.
Tudo era errado, novo e extremamente excitante.
o elevador abriu-se, cai logo correu na direção da porta fechada, o que deixou algumas funcionárias altamente curiosas pela criança elétrica naquele local.
Sol caminhou atrás do filho, mas era tarde demais quando ele bateu na porta com a sua incrível educação para alguém com apenas 4 anos. A porta foi aberta, e antes que pudesse impedir a criança, a viu pular nos braços de Hales com fervor. Ele abraçou-o também, sem parecer estranho ou indiferente com o ato do menino.
— Eu trouxe um presente para você. — Hales disse passando a mão no cabelo escuro do menino, deixando os olhos verdes dele mais contente. — Estava esperando por você.
“Ele sabe lidar com criança.”, pensou Sol.
— Bom dia, querida. — Hales disse erguendo o corpo na direção de Sol, beijando a sua bochecha.
No primeiro instante, arrebatadores para ela, pensou em questionar o seu comportamento inusitado e irracional, violando a regra de tocá-la, mas percebeu o motivo compreensível por sua mudança de humor.
Do outro lado da sala, que só agora ela pôde ver, havia três pessoas sentadas. De primeiro, uma linda mulher com o cabelo cortado rente a cabeça, usava belos brincos nas orelhas e um elegante vestido bege. Ao seu lado, não muito velho, um homem de barba desorganizada e de terno cinza. De canto, um rapaz bonito, com a pele escura e os olhos castanhos, vestido numa camiseta (xadrez) e um jeans com as duas pernas dobradas, aparentemente estiloso.
— Bom dia. — Sol falou, com calma, envergonhada.
Hales entregou o presente para Caio, coberto por um papel azul enquanto ele o agarrou e correu para a poltrona, extremamente feliz. Logo após, ele virou na direção dos três e segurou a cintura de Sol, um ato involuntário e quase corrupto.
Sol sentiu um arrepio tremer nas suas costelas, mas tentou não transparecer.
— Pessoal, essa é a minha noiva, Solare. — Hales comentou.
Os três arregalaram a boca, perplexos e surpresos na direção dele. Com isso, mesmo sabendo que ele diria para as pessoas, ela ficou meramente embaraçada e recatada pela form que ele pronunciou a sua mentira, articularmente feliz.
— O QUÊ? MEU DEUS!!!
— Isso é fantástico!
— Que repentino! Isso é muito bom!
Todos eles estavam quase gritando, mas não era exatamente o que estava chamando a atenção de Sol naquele instante, naquele pequeno, reduzido e terrível instante.
Nas suas costas, antes seca e agora suada, estava ocupada pelas mãos de Hales Alexandre, tão morna quanto a sua pele. Não se lembrava de quando havia ficado daquela maneira, perdidamente sem chão, sem saber o que fazer ou o que dizer, ou se simplesmente ficasse imóvel, imobilizada.
Mentir, ela iria mentir para pessoas desconhecidas iria provar que ia conseguir, mas a euforia nas suas veias estavam mostrando o rumo totalmente diferente.
Os minutos iam passando e não conseguia pensar em como Hales ainda não tirava a sua mão dela, mas manteria a calma.
— Eu sou a Bianca, melhor amiga desse traste. — Ela disse, beijando a bochecha de Sol e ela assentiu, ainda sem saber o que dizer. — Pode me chamar de Bia, serei a sua amiga também.
— Certo, Bia...
— Eu sou o Josué. — O homem mais velho falou. — Namorado de Bia.
— Sou Jonas, o mais bonito da turma. — O moreno disse e Sol sorriu. — Parece que sou o único solteiro aqui, já que Gabriel não me quis.
Sol sorriu.
— De novo? — Hales tirou a mão das costas de Sol e ela fechou os olhos, um pouco aliviada. — Arrume um cara que preste.
— Eu queria você, mas não sabe o que é melhor. — Jonas revirou os olhos.
Todos riram.
— Eu gosto de mulheres, JJ. — Hales sorriu. — "Mulher", agora. Tenho apenas essa linda e maravilhosa mulher ao meu lado até os últimos dias da minha vida. — Falou, virando o olhar para Sol.
Ela estremeceu, corando as bochechas. Era uma declaração falsa, nada daquilo era real e ela sabia disso. Mesmo com a realidade diante dela, ouvir tais coisas foram o bastante.
— O que você tem que milhares de mulheres não conseguiram com Hales Alexandre? — Bia agarrou o braço de Sol. — Conte-me o segredo.
— Bom... eu...
O que Sol diria, afinal? Conhece Hales apenas uma semana e não sabia nada sobre ele, como responder algo que não sabe o rumo da resposta? O único detalhe que estava nela naquele instante, é que ele sabia mentir muito bem.
O seu humor estava totalmente diferente do comum, sorridente e brincalhão, algo que ela nem imaginava que fosse acontecer.
— Eu...
— Ela é ótima na cama. — Hales respondeu por ela e os três pularam de alegria, deixando-a totalmente envergonhada e desconfortável. — Faz uma coisa muito boa com a língua... ela...
— Detalhes íntimos para nós, apenas, Hales... — Sol o interrompeu.
Na verdade, estava imaginando demais algo que jamais iria acontecer.
— Verdade, querida, deixe para hoje a noite. — Hales sussurrou.
— Temos que ir, irmão. — Jonas disse, sorrindo. — Se divirtam a noite.
— O seu filho é lindo. — Bia disse.
— Obrigada...
— Nosso filho. — Hales corrigiu, os três olharam para ele. — Ele é meu filho.
— O quê? — O três perguntaram, ao mesmo tempo.
A mais falsa e completa mentira.
— Solare foi minha namorada, só agora apareceu. Caio é meu filho.
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Atualizado até capítulo 69
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