Capítulo onze

Assim que Sol entrou na empresa, ela passou a mão sobre a calça e o casaco, caminhando na direção da recepção, tudo isso ao lado de Mário Elias Andrade como segurança. Ela sentia um pequeno desconforto por estar sendo seguida, mas também não tentou dizer nada sobre isso, pois era desnecessário.

A mulher, bem-vestida, logo levantou-se para atender Sol.

— Sra. Campos. — Ela berrou entusiasmada para a menina que se aproximou. — Sr. Alexandre está esperando.

— Obrigada, mas não precisa dessa formalidade toda...

— Sr. Alexandre pediu para que a tratasse da melhor forma.

— Qual o seu nome? — Sol perguntou.

— Carina, senhorita. — Ela falou e ajeitou-se por trás do balcão, um pouco mais alta que Sol.

— Me chame de Sol, Carina. — Sol disse, correndo na direção do elevador.

Sol e Mário entraram no elevador, com o cartão de acesso, e esperou para chegar no décimo segundo andar, o que não durou muito.

Assim que entraram no destino, Sol rolou os seus olhos na direção da porta de Hales Alexandre e sentiu o estar angustiado, o sangue esquentar nas veias e um impulso alarmante a levando para aquele inusitado e calmo caminho. Era de se impressionar, aquela exatidão constante na sua pele por alguém tão improvável e desconhecido como aquele.

Enquanto caminhava lentamente para a porta, os seus nervos tremeram amargamente. Não só por ele, mas pelo medo de assinar um contrato que a tornaria dele, mesmo que não seja verdade. Em outras palavras, ela sentia que estava fazendo o mesmo que os seus pais fizeram quando a venderam para a máfia, entretanto, dessa vez, com o total e completo consentimento seu. A decisão de aceitar foi inteiramente dela e isso a assustava.

Estava fazendo o certo?

Do outro lado daquela porta, alinhada e limpa, Hales Alexandre conversava abertamente ao telefone, com raiva e exasperado pela ansiedade no momento. Gritava no telefone, enquanto observava a vidraça grossa e a cidade de São Paulo diante dos seus olhos.

Vestia um Ralph Lauren, na cor azulada como um tempo escuro em um dia chuvoso. O seu cabelo estava penteado para trás, envolvido num gel caro que o deixava estritamente alinhado no couro cabeludo, com a barba bem-feita, a sobrancelha desenhada e um belíssimo relógio importado de couro legítimo no braço direito.

Talvez ser o mais renovado e jovem empresário de São Paulo estava o deixando um pouco cansado, mesmo gostando que estava fazendo.

Ouviu o bater na porta e desligou o celular rapidamente, pedindo para entrar.

Continuou sério, tentando esconder os problemas do seu dia e não deixar transparecer as consequências que estavam aparecendo ultimamente.

Assim que a menina entrou, ao lado do seu segurança profissional, ele virou-se para ela e encarou-a com atenção. Ela fazia parte do seu plano, imaginou porque demorou tanto para ir até ela no Ravioli e teve que comprar aquele lugar para poder chamar a sua atenção de alguma maneira. Fez parecer que a conheceu há quatro dias, para manter a sua máscula reputação. O mais importante: saber mais sobre ela antes de dizer as primeiras palavras.

Enfiou a mão com o celular no bolso da calça e caminhou na direção dela.

Tudo o que encontrou sobre ela na Internet foi apenas uma conta antiga, de 2016. Se perguntou o motivo de não querer usar a mídia social como todas as garotas da idade dela, no auge dos seus vinte e dois anos. Não tinha nada sobre ela nas mangas, tudo o que encontrou sobre ela foi a inclusão na faculdade, o emprego e o filho na escola. Sem antecedentes, sem contas sociais e muito menos namorado. Nenhum que soubesse.

Quem era Solare Campos e, porque apenas ela, entre tantas em São Paulo, o cativou tanto?

Era muito bonita, uma beleza extraordinária, mas também conhecia muitas mulheres com tamanho beleza por todos os lugares que largaria tudo para ter um filho com ele. Mas, unicamente ela, foi o que o deixou assustadoramente curioso.

Tinha tudo o que ele queria: sozinha, pai do filho ausente, precisando de dinheiro e carente. Conhecia bem alguém ao olhar nos olhos, mas o que ele queria saber, ela não deixava transparecer.

Percebeu os olhos distraídos da garota para ele, cambaleando por cada traço que tinha. Não negaria que, apesar de não de vestir tão bem, era extremamente bonita, sensual e singela.

— Boa tarde, Sra. Campos. — Hales falou, caminhando até ela e erguendo a mão na sua direção.

Ela demorou pegar, mostrando uma pequena resistência ao seu ato.

— Boa tarde, Sr. Alexandre.

— Terá que me chamar de Hales a partir de hoje. — Falou na direção dela que assentiu. — Venha, mostrarei o que faremos e darei os papéis para assinar. Em um mês casarei com você e passarei o nome de Caio para o meu...

— O quê? Caio? Precisa disso? — Ela perguntou e ele assentiu.

— Se ele é o meu filho, terá que ter o nome sobrenome nele por direito.

— Ele não é o seu filho. — Ela berrou na direção dele.

— Mas é o que dirá para qualquer um que perguntar. — Alfinetou. — Assim também serve para quem perguntar quem é você.

— O que eu terei que dizer?

— Sente-se. — Ele disse e ela sentou-se, ele fez o mesmo do outro lado da mesa e empurrou a papelada para ela. — Dirá ser a minha noiva. Está preparada para isso?

Os olhos dela estavam inteiramente na direção dele, tanto ansiosa quanto assustada.

— Sim, senhor... bom, Hales.

— Ótimo. Leia com atenção e assine em baixo. — Ele falou e ela assentiu.

Segurou os papéis nas mãos e movimentando na direção dos seus olhos, lendo as primeiras linhas e sentindo o embrulho no estômago.

Solare assinou, mas ergueu os olhos na direção de Hales, ainda com os olhos confusos e amedrontada.

— Um ano?

Hales olhou para ela, assentindo.

— Os meus pais irão pesquisar sobre você. Depois do casamento, irá nos supervisionar para ter certeza de que estamos apaixonados.

— Com razão. — Ela Insistiu. — Não posso ter nenhum tipo de relacionamento?

— Não. — Ele berrou num impulso. — Sou um homem muito conhecido. O que irão dizer sobre mim quando observarem a minha esposa com qualquer um?

— Então, ficarei todo esse ano sem conversar com ninguém?

Ele observou ela.

— Não pode ter relações com ninguém, simplesmente pelo fato histórico da minha reputação. Pode falar com quem quiser, mas lembrando que estará sempre com um guarda ao seu lado.

— Sendo vigiada?

— Protegida. — Ele corrigiu. — Mais alguma dúvida?

Ela olhou para a folha entre os seus dedos, respirando fundo.

— Então, não posso tocar, conversar, opinar ou qualquer coisa com você? — Ela perguntou, quase inaudível, então ele ficou em silêncio por um tempo.

Hales se ajeitou na sua cadeira, observando os lábios de Solare enquanto lia as linhas do contrato, atenciosa. Ela não estava olhando para ele, cambaleando a caneta preta sobre os seus lábios, o que indicava vergonha. Ela estava envergonhada de ter que fazer aquela pergunta e por um segundo, o mínimo possível, ele gostou de saber daquilo.

Passou as mãos sobre a mesa e ficou a olhando por mais alguns segundos, esperando algo a mais.

— Você quer? — Ele perguntou, ela levantou o olhar no mesmo segundo enquanto Hales observou o seu nervosismo. — Quer me tocar?

Ela negou, sem dizer nada. Então, voltou para a folha.

— Por que diz que você terá todo o direito dos meus atos? — Ela perguntou, agora com os olhos para ele.

Hales tirou as mãos da mesa e as colocou sobre a sua perna, apoiando-as. Depois ficou reto e encarou a garota com veracidade e seriedade, causando nela todo o sentimento carnal que havia tentado não sentir durante a sua vinda para a empresa.

Então, com aqueles passados segundos, Hales afirmou com todas as palavras a sua verdade:

— Por que você será minha.

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Essa frase me acaba de amores

2023-01-28

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