— Eu gosto de ter um papai. — Caio disse, Sol ficou em silêncio.
Hales parecia estar sério, mas também parecia tentar obter a atenção de Caio. Solare observou ele segurar a mão do filho, sair de dentro do carro e caminhar pelas trilhas da praça.
Ele estava muito bonito, foram os longos segundos que Sol percebeu que ele parecia ser uma boa pessoa, sem as mentiras sujas que esconderia da família dele. Só de imaginar que ela teria que fingir ser alguém que não era, a jogava para o rumo do precipício por agir de uma forma totalmente contrária dos seus princípio e éticas.
A praça estava lotada de pessoas. Mães com os seus filhos correndo pelo relvado, pais e casais com os seus animais de estimação. Tinha também um grupo de jovens colegiais, ensaiando alguma peça ou uma apresentação. Sol sentia falta daquilo, de sair num fim de tarde e observar o sol desaparecer no horizonte.
O sol ainda estava alto, em pouco tempo ele iria desaparecer e dormir noutro lugar. Talvez se ela continuasse a pensar assim, não teria a sua total atenção em Hales Alexandre, ao lado do filho como alguém que esteve sempre com ele, sorrindo e entusiasmado. Nunca havia percebido o quão Caio sentiria a falta de uma figura masculina na sua vida, tendo momentos juntos como estão agora, jogando uma bola fina de um lado para o outro, um objeto que ela não havia notado, até Mário se aproximar com outros nos braços.
Sol sorriu, ela não tinha muito o que dizer, ou se ao menos poderia expressar a sua opinião naquele instante.
Ela permaneceu parada, ouvindo a risada dos dois enquanto Mário corria com todos os brinquedos nos braços, na direção deles. Caio começou a correr com um avião na não direita e Mário foi atrás, enquanto Hales ficou de pé e virou-se na direção de Sol, que tentou não expressar nenhuma afeição para o corpo extremamente perfeito dele.
Hales sacudiu a cabeça no intuito que ela fosse até ele, então Sol obedeceu e caminhou para o relvado, na direção do corpo masculino.
— Terá um evento importante na casa dos meus pais essa semana, quero que vá comigo. — Hales falou, de frente para ela.
— O aniversário dos seus pais. — Sol disse, passando a mão pelo vestido floral.
— Como você sabe sobre isso?
Sol pensou, antes de dizer.
— Vocês são conhecidos. — Ela mentiu, deixando de mencionar que Heitor esteve no seu apartamento. — Não acredita ser cedo demais?
— É o momento perfeito para apresentar a minha futura esposa. — Ele falou, rápido, e Sol sentiu as bochechas queimarem. — Terá que usar outras categorias de vestimentas.
— Está dizendo que me visto mal? — Ela berrou, irritada, e ele negou.
— Os meus pais são exigentes, apenas quero dar uma boa impressão.
— Então, não posso impressionar alguém da forma que estou? — Ela retrucou e ele ficou em silêncio.
Ao contrário de Sol, Hales estava se divertindo naquela situação. Achava engraçado o modo que ela agia, sempre eufórica e ansiosa. Boa parte dele imaginava que ela não teve algumas aulas de etiquetas, mas que poderia dar um jeito naquilo com o passar dos dias.
Ergueu a cabeça e observou algumas pessoas passarem com câmeras fotográficas, outros com o celular na direção deles. Uma "discussão" não seria a primeira notícia dos dois, então Hales deu dois passos na direção de Sol e ela ergueu os ombros, parecendo assustada.
— O que está fazendo? — Ela perguntou de imediato, assim que Hales ergueu uma das mãos e segurou o rosto de Sol, com calma. — Esqueceu das regras?
— Estão nos observando. Está preparada para sair em algum jornal amanhã? — Ele inquiriu-lhe, aproximando o seu rosto com mais suavidade.
Sol segurou a respiração e ficou em silêncio, erguendo os olhos e percebendo a altura máxima dele. Teve que levantar a cabeça para poder olhar nos olhos verdes de Hales, que estavam tão próximos que a assustava.
O cheiro masculino ficou empregando os seus nervos, cada vez mais intenso, conforme a distância entre os dois.
— Não pensa que está perto... demais? — Ela fechou os olhos, tentando ignorar ele.
— Abra os seus olhos. — Ele ordenou e ela não o fez. — Abra os seus olhos, Solare.
Ela obedeceu, sentindo o nariz de Hales tocar no dela, num movimento extremamente íntimo e quieto. O seu corpo disparou em aflição, nervosismo.
Hales ergueu a outra mão e segurou o outro lado do seu rosto. Ela se perguntava se ele estava sentindo a pele quente dela, fervendo aos seus toques. Ele estava cada vez mais perto e ela queria que não se afastasse, para poder beijá-lo naquele momento. Ele parecia saber bem o que estava fazendo, passando a ponta do seu dedo sobre a sua pele.
Sol rastejou os seus olhos para os detalhes de Hales, guardando-lhe um momento em que tinha quase a certeza de que não iria acontecer novamente. Hales apenas queria que os dois fossem fotografados, e não se aproximaria mais.
— Por que está nervosa? — Hales perguntou, sobre a boca de Sol.
Ela não respondeu.
— Tente manter os seus olhos nos meus, isso soa que gosta de mim.
Sol ainda ficou em silêncio, quase gritando por dentro, até porquê ela estava vidrada nele.
Hales aproximou o rosto e beijou a bochecha de Sol, deixando-a totalmente sem saber o que fazer. Então, fechou e abriu os olhos diversas vezes, quando ouviu o grito do filho em felicidade.
Ela recompôs-se e passou as duas mãos sobre o vestido, vendo Hales se afastando.
— Me desculpe por fazê-la deixar que eu a tocasse. — Hales disse, ficando ao seu lado e observando Caio e Mário. — Eles estavam tirando fotos.
— Está tudo bem...
— Mário irá levar algumas roupas para você amanhã, não quero que apareça assim na casa dos meus pais. — Ele foi rude e ela permaneceu em silêncio. — Arrume o que for necessário que irei mandar um motorista ao anoitecer de amanhã e mudar para o seu novo apartamento.
— O que mais quer que eu faça, Hales?
Ela foi irônica.
— Leve Caio na empresa na sexta a tarde. Quero que ele mude de escola urgentemente. — Alfinetou.
— O quê?
— Exatamente o que eu disse. — Hales bradou e virou o rosto na direção dela. — Seja refinada, elegante e tente não ser tão... nervosa.
— Não sou nevrosa!
— Tente ser menos teimosa também. — Foi rude novamente. — Com licença.
Hales virou as costas, Sol parou e observou ele caminhar na direção do seu filho.
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Atualizado até capítulo 69
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