— Hales...
— Você está bem? Quer que eu chame um médico? — Hales perguntou e Sol afastou-se dele, num impulso. — Está branca.
— Eu sou branca. — Sol falou, passando a mão no vestido e jogando o cabelo desalinhado para trás.
Os seus olhos cambalearam de repente rumo aos verdes olhos de Hales, que a encarava na mesma posição alfa e neutra desde a primeira vez. Sol sentia que já o conhecia, mesmo nunca tendo pesquisado sobre ele.
O que teria na Internet sobre Hales Alexandre? Alguns segredos vazados ou alguma namorada íntima?
Uma família importante, aparentemente coberta por segredos e problemas pessoais. O que Hales estava prestes a fazer, sobre todas as mentiras sujas, era horrivelmente tóxico. Nenhuma família aceitaria algo tão baixo, e o coração de Sol se estremecia em medo. Medo de estar prestes a fazer o que mais odiava: mentir.
O seu peito levantava devido à sua respiração pesada, enquanto ainda mantinha sorrateiramente a sua atenção para ele.
— Você está péssima. — Hales sussurrou, observando-a.
— O que está fazendo aqui? — Interrogou assustada, mudando o assunto.
— Eu disse que viria...
— Estou falando no quarto. — Ela caminhou até a porta, passando por ele como fogo, da varanda, e virou-se outra vez, erguendo os pés e olhando a cidade por cima dos ombros de Hales.
Ele prestou atenção nela, curioso. Olhou para trás e voltou a olhar para ela, alinhando os pensamentos e ligando os pontos.
— Tem medo de altura, Solare? — Ele demandou, sondando com uma minuciosa moderação.
Ela negou com a cabeça. Mesmo que mentir fosse o que mais detestava, dizer a verdade para Hales Alexandre parecia tão errado quando.
No momento, por um segundo apenas, lembrou de Isac, como diria para ele sobre Hales? Tudo o que aconteceu naquela semana foi demais para ela, agora teria que explicar e elaborar uma boa mentira. Estava prestes a tentar algo com Isac e agora estava noiva de Hales Alexandre, como ele entenderia aquele assunto?
Soltou o ar da garganta.
— Creio que se lembre do contrato, não quero que minta para mim.
— O que os meus sentimentos tem a ver com o nosso contrato? — Ela perguntou, ainda eufórica, preocupada.
Ele pareceu gostar da resposta dela quando riu.
— Parece que ainda está sobre efeito anestésico do medo. — Ele abriu um sorriso, ainda parecendo rude, soando uma breve ironia. — Vim perguntar-lhe se há algo que não tenha gostado na casa, que eu possa urgentemente mandar retirar.
Sol levantou as sobrancelhas.
— Não.
— Não o quê? Que não gostou ou que não precise de mudança? — Hales enfiou as mãos no bolso da calça preta social, esperando.
— Não precisa mudar nada, aqui não tem nenhum defeito. — Ela disse, calma. — Os outros irão pensar besteira se não sairmos logo daqui.
Ele assentiu, caminhando na direção da porta e abrindo, depois virou o rosto para ela.
— Primeiro você...
Ela passou por ele, antes que terminasse a sua frase.
— E esse outro quarto? — Sol resolveu perguntar, observando a porta do quarto, então virou-se para ele que permaneceu em silêncio.
Ela esperou alguma resposta dele, enquanto o observava com atenção. Se perguntava: ele fica feio em algum momento?
Hales ergueu os ombros e tirou as mãos do bolso, liberando os dedos grossos para fora, enquanto mantinha os seus olhos fixos na mulher diante da sua visão. Os seus olhos abaixaram para a pequena brecha no seu vestido, formando um triângulo sobre o seu peitoral, limitando o espaço limpo da sua pele branca, e percebeu a simplicidade e cuidado que ela mantinha sobre preservar o seu corpo.
Ela sempre se vestia de modo natural, sem deixar as pernas para fora ou os seus sëios pequenos e redondos avantajados. Ele se perguntava como ela seria por baixo de tanta vestimenta, mas também tentava não ligar muito para isso.
— Não respondeu a minha pergunta sobre o quarto. — Ela voltou a dizer e Hales abaixou os ombros.
— É meu.
— Seu? Vai morar aqui? — Sol parecia surpresa e Hales levantou as sobrancelhas.
— Precisamos manter contato depois do casamento. Onde supõe que o seu marido iria dormir?
— Por um ano? — Sol ainda estava surpresa.
— Sim, Solare, por um ano inteiro. Mas não se preocupe, não iremos nos interagir ou manter contato o dia inteiro. Ficarei na empresa nesse meio tempo.
— Então, não estará em casa o dia inteiro? Apenas a noite?
Hales prestou atenção nela, curioso.
— Os seus pensamentos são confusos. — Hales sussurrou. — Presumo que...
— Boa noite!? — Elisa chegou por trás e Sol quase pula com o susto. — O que o seu chefe está fazendo aqui?
— Boa noite, Sra. Sande. — Hales cumprimentou.
— O que está fazendo aqui? Veio buscar algum documento? Por que se for aparecer o tempo todo... como iremos namorar os nossos homens dessa maneira? — Elisa começou e Sol estremeceu. — Chefe é na empresa, não nas casas das secretárias. Isso aqui não é um livro que eu costumo ler a noite, isso aqui é...
— Elisa! Chega! — Sol berrou, assustada.
— Calma, amiga, eu só estou tentando ajudar.
— "Nossos homens"? — Hales repetiu, como se fosse apenas aquilo que ela tenha dito.
— Elisa, ver se o Caio quer comer algo, por favor. — Sol mandou e ela revirou os olhos, virando as costas e saindo do corredor. — Me desculpe, Hales, ela fala demais.
— Há alguém na sua vida que possa nos afetar? — Hales perguntou, ignorando-a. — Não quero ter que resolver esse problema, não sou considerado piedoso ao resolver um assunto.
Sol assustou-se com a frase de Hales e ficou em silêncio, sem saber o que dizer. Não iria mentir para ele naquele instante, pois estava certo em saber sobre isso. Ela havia assinado um contrato e era o seu dever cumprir o que estava escrito naquele papel.
Arriou os ombros enquanto ele esperava atentamente.
— Eu tenho uma pessoa, mas ainda não chegamos a sair... então...
— Despache-o! — Hales falou, passando por Sol e caminhando rumo a sala. Mário assentiu para ele e Sol caminhou rapidamente para o local. — Você será o motorista pessoal dela até eu encontrar alguém de confiança. — Ordenou.
— Sim, senhor. — Mário sussurrou, sério.
Por um instante, mínimo possível, ela andou na direção dos dois num impulso. Queria poder explicar que não tinha nada com Isac, estava com medo de que ele pensasse que estaria com alguém e isso houvesse quebra de contrato.
— Hales. — Sol chamou, mas foi ignorada.
— Vejo os dois amanhã na empresa, com o menino.
Hales passou pela porta e fechou, deixando-a sem palavras.
— Precisa de algo... Sol? — Mário perguntou e ela virou-se para ele.
— Ele é sempre assim? Como se fosse o dono do mundo?
— Boa parte do dia, sim. — Mário respondeu. — A melhor parte dele só os pais veem.
— Ele é assustador, às vezes. — Sol cochichou.
— Assustador e gostoso. — Elisa abraçou a amiga pelas costas e Sol sorriu, envergonhada.
— Elisa!
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Atualizado até capítulo 69
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