Capítulo quinze

Mário foi o primeiro a entrar na porta giratória. Era um apartamento localizado no centro, alcançando quase seis quarteirões de largura e mais de trinta metros de comprimento. Era um lugar extremamente perfeito, luxuoso e, certamente, muito caro.

Sol jamais teria dinheiro para pagar um mês naquele espaço e pensava a quantidade disso que Hales estaria gastando para tê-la ao seu lado. Embrulhou o estômago por imaginar que ela parecia uma prostituta de luxo, então fechou os olhos e respirou fundo antes de entrar com uma pequena caixa com os seus pertences pessoais.

Caio correu por baixo dos braços de Sol, feliz e empolgado, quase derrubando-a. Sorriu, mesmo estando com um medo incomum nas veias, e andou para dentro do prédio. O balcão era num ângulo reto da entrada, com poucas poltronas vermelhas e dois tipos de elevadores. Havia a porta que levava para as escadas, mas imaginaria que tivesse teias de aranhas (se não fosse limpa diariamente) por nunca ser a opção de subida.

Sol não sabia onde seria o seu quarto, então subiu o elevador com o Mário e Elisa ao seu lado, com a boca aberta de surpresa pelo lugar ser tão sofisticado e bonito. Quando chegaram no penúltimo andar, o estômago de Sol embrulhou novamente pelo medo. O corredor era grande, muito grande, dividido por apenas dois quartos de cada lado, duas portas de diferença na frente do outro.

— Eu não me importo de incomodar, irei buscar as minhas coisas amanhã mesmo. — Elisa falou assim que entrou no apartamento de Sol, com Mário e Caio ao seu lado.

Sol sorriu.

Ela entrou pela porta e deixou os seus olhos surpresos pelo lugar, mostrando cada detalhe que jamais havia visto na vida. A sala estava na sua frente, com três sofás grandes cinzas, uma mesa no centro, com o tapete aveludado cor cinza também. Logo tinha ao lado a cozinha, com o balcão de mármore branca, uma gigantesca geladeira cinza, o fogão grande, a pia do mesmo tamanho e o armário embutido no lugar.

— Meu Deus!

— Mamãe... mamãe... O meu quarto. — Caio entrou num pequeno corredor, sorridente.

— Não corra, Caio. Você vai cair. — Sol tentou alertar o filho.

— Aqui tem quatro quartos? Meu Deus! — Elisa berrou colocando a caixa no chão e correndo na direção de Caio, entrando nos quartos. — Isso é o paraíso!

— Bem-vinda à sua nova residência, Sra. Campos. — Mário falou, abrindo um sorriso e colocando sobre o sofá, na sala.

— Apenas Sol, Mário. Por favor.

Sol observou a sua vista e respirou fundo, deixando o seu rastro de medo vislumbrar o local. Tudo já estava mobiliado e ela se mantinha exasperadamente atenta nos detalhes, admirando a beleza surreal daquele espaço, um lugar que seria dela por direito. Por um ano inteiro.

Caminhou com uma pequena caixa nas mãos, rumo ao corredor. Havia três portas no começo, ela olhou para a direita e viu Caio com alguns ursos de pelúcia, segurando um carrinho de brinquedo ma outra mão. Ela arregalou os olhos e enxergou o quarto infantil, como se fosse preparado especialmente para o seu filho, azul-claro com detalhes de nuvens e bolas de futebol, ao lado uma pequena instante de livros infantis e uma cama baixa de solteiro, coberta pelo cobertor azul e alguns mimos sobre ela.

Sentiu-se desconfortável ao observar o seu filho num momento que ela nunca teria a possibilidade de proporcionar, por mais que tentasse. Tudo estava perfeito demais para quem iria ter que fingir uma vida que também nunca teria.

Abaixou os olhos e virou na direção do outro quarto, pouco maior que o outro, com uma cama grande, um guarda-roupa branco e Elisa se admirando no espelho, passando as mãos no cabelo e fazendo alguns bicos nos lábios para ela mesma. Sol sorriu e caminhou rumo ao outro quarto, com outras duas portas emparedadas.

Ela abriu uma e observou um quarto maior que os outros dois, com uma cama de casal grande numa cor neutra, um guarda-roupa maior e um tapete castanho. Entrou na beira e passou os seus olhos por dentro, onde percebeu um banheiro com a porta fechada e o ar-condicionado ao lado, com as cortinas fechadas, cinza. Havia alguns livros bem organizados sobre a cabeceira escura da cama, trazendo um ar menos mórbido para aquele quarto.

Era o dele?

Ela deu um passo para trás e fechou o quarto, caminhando para o último, que provavelmente seria o dela. A euforia nas suas veias causava um arrepio apavorante nela, ansiosa e inadequadamente feliz.

Abriu a porta castanho e tudo o que viu foi o vislumbre de um quarto perfeito, decorado da forma que ela sempre quis a vida inteira. Com uma tremenda quantidade de livros organizados na prateleira própria para aquilo, ao lado uma mesa de canto com um notebook novo e a cadeira de plástico, num formato quadrado. O tapete cobria quase o quarto inteiro, com um guarda-roupa incrivelmente largo e alto, cor nude. Pisou no aveludado tapete nude e colocou a caixa sobre a cama, com o lençol vermelho, passando as pontas dos dedos sobre ele e sentindo a maciez daquele pano.

O seu peito parecia que iria explodir.

Caminhou para o outro lado do quarto e viu uma porta, para o banheiro, depois segui até a enorme cortina e ergueu os braços, puxando-as com calma, a porta de vidraça foi o que vira, teve que abri-las também, para observar São Paulo diante de uma linda varanda.

Já era noite, a luz da lua estava ofuscada por tantas lanternas humanas, carros, prédios alinhados e as luzes incandescentes da cidade grande seguindo o seu ritmo comum.

Caminhou para fora e tocou as pontas dos dedos sobre o ferro branco e gelado, agarrando a varanda para não cair, depois olhou para baixo e sentiu a sua visão ficar zonza. O seu peito bateu mais rápido e jogou o seu corpo para trás, no intuito de se proteger daquele medo de altura, com as pernas trêmulas.

Inconsequentemente o seu corpo bateu noutro, nas suas costas. O seu grito de susto foi menos desesperador que se sentir caindo daquela altura, então, agarrou os outros braços e ergueu os olhos ainda com a pequena e sádica amedrontada pelo desespero ao ver os minúsculos carros e pessoas logo abaixo.

Hales segurou os ombros de Sol e ela sentiu o outro medo a dominar com a mesma intensidade paralela da varanda, o desespero eminente de que estava completamente prestes a cair do penhasco.

— Sra. Campos? Algum problema?

A voz de Hales era calma, neutra e confortável.

— Hales...

Capítulos
1 Capítulo um
2 Capítulo dois
3 Capítulo três
4 Capítulo quatro
5 Capítulo cinco
6 Capítulo seis
7 Capítulo sete
8 Capítulo oito
9 Capítulo nove
10 Capítulo dez
11 Capítulo onze
12 Capítulo doze
13 Capítulo treze
14 Capítulo quatorze
15 Capítulo quinze
16 Capítulo dezesseis
17 Capítulo dezessete
18 Capítulo dezoito
19 Capítulo dezenove
20 Capítulo vinte
21 Capítulo vinte e um
22 Capítulo vinte e dois
23 Capítulo vinte e três
24 Capítulo vinte e quatro
25 Capítulo vinte e cinco
26 Capítulo vinte e seis
27 Capítulo vinte e sete
28 Capítulo vinte e oito
29 Capítulo vinte e nove
30 Capítulo trinta
31 Capítulo trinta e um
32 Capítulo trinta e dois
33 Capítulo trinta e três
34 Capítulo trinta e quatro
35 Capítulo trinta e Cinco
36 Capítulo trinta e seis
37 Capítulo trinta e sete
38 Capítulo triste e oito
39 Capítulo trinta e nove
40 Capítulo quarenta
41 Capítulo quarenta e um
42 Capítulo quarenta e dois
43 Capítulo quarenta e três
44 Capítulo quarenta e quatro
45 Capítulo quarenta e cinco
46 Capítulo quarenta e seis
47 Capítulo quarenta e sete
48 Capítulo quarenta e oito
49 Capítulo quarenta e nove
50 Capítulo cinquenta
51 Capítulo cinquenta e um
52 Capítulo cinquenta e dois
53 Capítulo cinquenta e três
54 Capítulo cinquenta e quatro - HOT (+16)
55 Capítulo cinquenta e cinco
56 Capítulo cinquenta e seis
57 Capítulo cinquenta e sete
58 Capítulo cinquenta e oito
59 Capítulo cinquenta e nove
60 Capítulo sessenta
61 Capítulo sessenta e um
62 Capítulo sessenta e dois
63 capítulo sessenta e três
64 Capítulo sessenta e quatro
65 Capítulo sessenta e cinco
66 Capítulo sessenta e seis
67 Capítulo sessenta e sete
68 Capítulo sessenta e oito
69 Capítulo sessenta e nove
Capítulos

Atualizado até capítulo 69

1
Capítulo um
2
Capítulo dois
3
Capítulo três
4
Capítulo quatro
5
Capítulo cinco
6
Capítulo seis
7
Capítulo sete
8
Capítulo oito
9
Capítulo nove
10
Capítulo dez
11
Capítulo onze
12
Capítulo doze
13
Capítulo treze
14
Capítulo quatorze
15
Capítulo quinze
16
Capítulo dezesseis
17
Capítulo dezessete
18
Capítulo dezoito
19
Capítulo dezenove
20
Capítulo vinte
21
Capítulo vinte e um
22
Capítulo vinte e dois
23
Capítulo vinte e três
24
Capítulo vinte e quatro
25
Capítulo vinte e cinco
26
Capítulo vinte e seis
27
Capítulo vinte e sete
28
Capítulo vinte e oito
29
Capítulo vinte e nove
30
Capítulo trinta
31
Capítulo trinta e um
32
Capítulo trinta e dois
33
Capítulo trinta e três
34
Capítulo trinta e quatro
35
Capítulo trinta e Cinco
36
Capítulo trinta e seis
37
Capítulo trinta e sete
38
Capítulo triste e oito
39
Capítulo trinta e nove
40
Capítulo quarenta
41
Capítulo quarenta e um
42
Capítulo quarenta e dois
43
Capítulo quarenta e três
44
Capítulo quarenta e quatro
45
Capítulo quarenta e cinco
46
Capítulo quarenta e seis
47
Capítulo quarenta e sete
48
Capítulo quarenta e oito
49
Capítulo quarenta e nove
50
Capítulo cinquenta
51
Capítulo cinquenta e um
52
Capítulo cinquenta e dois
53
Capítulo cinquenta e três
54
Capítulo cinquenta e quatro - HOT (+16)
55
Capítulo cinquenta e cinco
56
Capítulo cinquenta e seis
57
Capítulo cinquenta e sete
58
Capítulo cinquenta e oito
59
Capítulo cinquenta e nove
60
Capítulo sessenta
61
Capítulo sessenta e um
62
Capítulo sessenta e dois
63
capítulo sessenta e três
64
Capítulo sessenta e quatro
65
Capítulo sessenta e cinco
66
Capítulo sessenta e seis
67
Capítulo sessenta e sete
68
Capítulo sessenta e oito
69
Capítulo sessenta e nove

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!