Capítulo três

— O que houve aqui? — Eduardo perguntou ao entrar.

As duas entreolharam-se. Sol transmitia confusão e medo através dos olhos na direção de Elisa, então ela assentiu e voltou a olhar para o médico, que esperava atentamente pela resposta das duas.

Sol sentia tanto medo, com os olhos lacrimejados, segurando o filho nos braços com tanta força e determinação.

— Sol foi vendida pelos pais biológicos para mafiosos imbecis, para ela engravidar, depois ela fugiu com o bebê. Precisamos da sua ajuda para sair desse hospital por que eles estão aqui para tirar o nenem dela. Por favor. — Elisa despejou.

O médico arregalou os olhos.

Solare quase enfartou de medo.

— ELISA!

— Desculpa, Sol. Eu retiro o que eu disse sobre ele ser falso. — Elisa alfinetou.

— O quê? — Eduardo entrou, confuso.

— Precisamos sair do hospital, não posso deixar que levem o meu filho de mim. — Sol implorou na direção de Eduardo.

Ele sentiu medo no peito, pensando sobre as suas diretrizes que deveria seguir e regras de seguranças, mas também sabia a dor de perder um filho e nenhuma das suas diretrizes e regras poderiam salvar o seu filho.

Olhou para os olhos desesperados de Sol e assentiu, sem poder muito conversar.

— Venham comigo. — Ele chamou.

Elisa pegou as sacolas e segurou nas costas da amiga, caminhando na direção dos corredores dos hospitais. O meu de Sol estava inteiramente voltado para Caio, dormindo no mesmo colo como se nada tivesse a acontecer.

As duas estavam quase correndo, com os seus pertences pessoais e uma criança recém-nascida nos braços.

No final do corredor, observou um homem de costas, pedindo informações para a recepcionista. Mas assim que ela apontou na direção do corredor, as duas logo viraram as costas, no vislumbre de um pequeno segundo perturbador. O coração de Sol começou a diminuir os batimentos e por uma fração de segundos, imaginou o seu filho sendo levado para longe dela.

Os meios de tê-lo não foi perfeito, mas o tinha e o amava mais que qualquer coisa. Não imaginava ter que viver longe dele.

— Por aqui. — Eduardo abriu uma porta estreita e as duas entraram, rapidamente, aliviadas.

Logo ele ligou a luz e havia um pequeno corredor, com escadas para o térreo. Começaram a seguir o médico, convicta de que iriam conseguir passar por aquele dia.

Assim que avistou a porta de saída, Eduardo parou de correr e virou para as duas, especificamente para Sol, e pausou por um momento.

— Aqui é saída dos fundos, ninguém estará do outro lado. — Ele disse.

— Muito obrigada, Eduardo. Eu nem como agradecer. — Sol começou a falar, ainda agoniada. — Você salvou a vida do meu filho.

— A nossa, no caso. — Elisa passou as mãos sobre o peitoral, eufórica.

— Obrigada mesmo. — Sol abraçou o homem, de lado.

— Aqui. — Ele enfiou a mão no jaleco branco e retirou um pequeno cartão da mesma cor, erguendo na direção dela. — É o meu número particular, pode me ligar quando quiser.

— Eu...

— Ela vai ligar. — Elisa interrompeu abrindo a porta. — Vamos.

As duas correram para fora, observando o sol bater sobre os três. Poucos carros estacionados, então as deu a oportunidade de ir até o carro de Elisa e entrar.

O coração das duas estava a flor da pele, acelerados. Assim que deu partida no veículo, o corpo de Sol voltou a se aliviar. Abaixou os olhos para o filho e acariciou a pele sensível do mesmo, observando os dele abrir e mostrar os lindos olhos amarelados na sua direção.

O primeiro ato de Caio foi um pequeno sorriso de lado, inocente e transbordando uma fração de felicidade. No outro segundo, abriu a boca e começou a chorar, um pequeno e fino choro de um RN esfomeado. Sol abriu um sorriso e ergueu a mão esquerda, enfiando no vestido vermelho e deixando o seu sëio direito para fora. Cio sugou-o com vontade, enquanto ela sentia a ardência das suas sugadas.

— Eu havia visto isso apenas em televisão. — Elisa disse, depois prestou atenção no caminho.

— Nunca viu uma mãe amamentar?

— Já até fizeram, mas nunca prestei atenção. — Explicou. — Machuca?

— As primeiras sugadas, um pouco. — Sol sorriu. — Agora apenas um pequeno desconforto.

— Lucas suga o meu com carinho.

— Tem um filho? Você não me falou. — Sol abriu um sorriso.

— É o menino que estou ficando, sua maluca. — Gargalhou, olhando para o caminho.

— Você é imprevisível nas histórias. — Sol gargalhou também.

— Vai conhecer os meus amigos, não que eu tenha tantos. Vai se encaixar muito rápido. Ter uma vida melhor, seguir.

— Isso tudo graças a você, não se esqueça disso.

— Não esqueço, o meu cartão de crédito vai lembrar-me daqui trinta dias. — Brincou.

— Que eu vou pagar.

— Nada disso! É o meu presente para o Caio, pare de ser teimosa e egoísta e deixe que eu lhe ajude. — Berrou entediada.

— Você é uma ótima amiga, Lisa.

— Diz isso para os que me abandonaram, ninguém me suporta.

— Eu te suporto. — Sol observou os carros.

— Só me conhece há dois dias.

A avenida Paulista não estava atolada pelos manifestantes carros coloridos, vislumbrando as cores em branco, preto, cinza, vermelho, azul-escuro e até mesmo o amarelo toscamente. Paravam na faixa de pedestres educadamente, permitindo garotos com balas, picolé, doces e objetos artesanais nos braços, oferecendo para os motoristas sobrecarregados de serviços e problemas pessoas. Não chegam a ser cinco reais, vendiam metade em três sinais vermelhos e ganhavam o dia com aquilo.

Do outro lado da Avenida Paulista, a rua Santo António de Oliveira, onde situava o Hospital Salinas, tinha os seus visitantes encapados naquela manhã, trazendo consigo armas por trás dos paletós escuros e óculos pretos tampando os olhos.

Um passo, mais importante dentre os demais, batia o solado sobre o piso com tanta comodidade que parte dos que passavam por lá, mantinha os olhares sobre ele. O terno era bem-passado, de marca desconhecida para qualquer um que tentasse identificar, os óculos escuros impediam que observassem os seus olhos, enquanto caminhava na direção da recepção, austero, rígido e neutro.

Pousou um dos braços sobre o balcão e já tinha a atenção da recepcionista, vidrado nele e na sua pose rígida.

— Olá, senhor, como posso ajudá-lo? — Ela engoliu em seco, quase rasgando a sua garganta.

— Quero que me dê uma informação, sobre uma garota. — Ele começou a dizer. — Grávida, oitavo mês gestacional. Um dos meus homens identificou alguém parecida entrar neste hospital há dois dias.

— Desculpe, senhor, mas seguimos protocolos. Preciso de nomes, nada menos que isso, não terei como ajudar.

— Solare Campos. — Ele informou. — Tem dezoito anos, cabelo alaranjado.

A mulher levantou as sobrancelhas, surpresa. O homem percebeu a sua inquietação e ergueu os ombros, esperando por resposta.

— Ela está aqui, sim, senhor. Me lembrei agora. — Ela contou.

O homem prestou atenção, curioso.

— Irei chamar o médico que a atendeu...

— Não será preciso. — Eduardo apareceu na recepção, passando a mão pelo jaleco e enfiando as duas mãos nos bolsos da frente, erguendo os olhos na direção do homem de terno. — Como posso ajudá-lo?

— Estou procurando Solare Campos, grávida de oito meses.

O homem de terno ergueu a mão direita na direção do médico, que permaneceu sem mover um músculo, encarando-o.

— Dei alta nesta manhã, infelizmente o bebê não resistiu por falta de oxigênio no cérebro. O cordão umbilical estava enrolado no pescoço da criança. — Ele respondeu, mantendo os olhos retos no homem. — Sinto muito.

O homem fechou os olhos, indignado com a resposta.

Antes de virar as costas, olhou para o médico e esperou alguma ação dele, mas nada conseguiu.

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K. Demes

K. Demes

sorte da poha, e se ele investigar em ja tava pensando que o coitado do medico iria morrer

2022-12-07

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