Na manhã seguinte Leonel acordou bem cedo, ele tomou um banho quente e se vestiu para o café da manhã, como ainda estava cedo e ele não queria acordar sua sereia que dormia tranquilamente e de forma serena, ele fez o mínimo de barulho possível. Se aproximou de leve e acabou passando as pontas dos dedos nos fios macios de Tássala.
— Eu vou fazer você se apaixonar por mim minha sereia arisca.
Disse baixinho contemplando a beleza da moça, num gesto corajoso ele acabou acariciando as bochechas dela e passou o polegar nos lábios rosados e carnudos de Tássala, relembrando o beijo que roubou dela.
O coração do Capitão estava um tanto acelerado por aquele atrevimento de tocar sua ferinha, mas ele não resistiu precisava sentir a maciez de sua pele novamente. Com esse gesto tão imprudente correria o risco dela acordar bem ali e matá-lo de vez, já que dormirá bufando de raiva dele.
— Você é uma droga sereia, que estava me fazendo um dependente de você. Sabe a primeira vez que te vi algo em mim despertou, e desde então eu soube que esse velho coração que você tanto esnoba só pertencia a você.
— Hum...
Tássala gemeu virando-se de lado fazendo o coração de Leonel parar ali mesmo, pois se ela abrisse os olhos e pegasse ele velando seu sono e fazendo carícias ia arrancar suas mãos fora, ou pior pensar que ele estava se aproveitando dela.
Ele tentou sair, mas Tássala agarrou a mão dele segurando a fazendo de apoio sobre o travesseiro, ele podia sentir a respiração dela fazer cócegas nas duas mãos.
— Camarões e agora como vou puxar minha mão sem acordá-la?
Disse aflito, Tássala ronronou algumas palavras fazendo Leonel dar algumas risadas.
— Capitão você é muito sínico.
Ele não se conteve e teve que abrir aquela boca, não pensando nas consequências, se ela acordasse e ele estará ali a centímetros do rosto dela.
— Por que fala isso sereia?
— Hum...
Grunhiu soltando a mão dele e abraçando o travesseiro, Leonel suspirou pesado por não ter mais o contato com suas mãos delicadas. Ele então achou melhor sair dali ou poderia ser isca de tubarão se por infeliz eventualidade ela acordasse e lhe pegasse naquela situação. Ele abriu sua gaveta a chaves e pegou seu diário de bordo, sentou na varanda para aproveitar o sol e começou a escrever.
Ali ele desabafou, falou de suas inseguranças em relação ao rumo que estava dando a sua vida e de sua farsa com Mirella. Escrever fazia bem ao Capitão, ele queria guardar tudo de sua vida, suas aventuras em alto amar, suas conquistas, pois tinha medo de um dia esquecer.
Sua família era portadora de uma doença genética que ninguém queria herdar, e por infeliz coincidência esse mal cairá em seu avô, seu pai e seu tio. Essa uma disfunção genética que o Alzalmir pode trazer para sua vida é algo assustador e por tanto tempo se fechou para o amor, não queria aos poucos esquecer dos filhos e de seu grande amor, assim como viu seu pai fazer com ele e sua mãe. Mas Tássala o encantou de um jeito que o medo de perdê-la é muito maior que o medo de esquecê-la. É por isso que ele costuma guardar tudo, todas as memórias em diários, ali é como se fosse seu refúgio, ele eternizar para sempre suas memórias.
Ele estava tão concentrado escrevendo que não notou Tássala acordar, ela despertou se espreguiçando ainda meio sonolenta quando abriu os olhos direito pode focar no Capitão concentrado no seu caderninho secreto.
— O que está fazendo aí?
Ele virou-se para ela fechando rapidamente seu diário, Tássala ainda estava na cama, o Capitão caminhou até sua gaveta e guardou seu diário trancando a chaves e a guardando no bolso, em seguida virou-se pra ela que estava toda enrolada com o lençol e falou:
— Nada de mais, é eu vou sair pra você se sentir mais a vontade para se preparar para o café da manhã, seja rápida que daqui a pouco vou te levar para comprar roupas, você não pode passar o tempo todo só com uma roupa.
Saiu sem esperar ela falar, Tássala calçou os chinelos e foi até o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Ao se olhar no espelho viu sua imagem refletir, e pode notar o colocar de conchas que Cassiano havia lhe dado, ela acariciou o colar, em seguida lembrou do beijo do seu lindo pescador.
— Meu Deus, o que está acontecendo comigo? Por que eu não estou sentindo tanta a falta do Cassiano como eu deveria? Por que eu fiquei com raiva do Capitão ontem?
Ela abriu a torneira e molhou o rosto tentando parar de pensar nessas incógnitas, não queria dar margens a especulações que fazia em sua cabeça. Tássala estava se sentindo terrível, confusa e principalmente traída pelo seu pai, a raiva que sentia dele ainda não tinha passado, mas a saudade era maior que tudo. Afinal era sua única família e mesmo com tantos defeitos ele era seu pai.
Ao pegar a tolha para enxugar o rosto ele deixou cair no chão e quando se abaixou para pegar, sentiu uma das pontas da estrela que estava no seu bolso lhe dar uma espetada. Ela enfiou a mão no bolso e retirou a estrela-do-mar que o Capitão havia jogado no lixo. Quando encarava objeto marinho, sua mente vagou no maldito beijo roubado, a fazendo dar soquinhos na pia praguejando.
— Merda! Por que agora eu dei para pensar no beijo Capitão? Aff! Eu tenho que me livrar desses pensamentos, aquele velho é um lobo em pele de cordeiro, primeiro fingiu ser meu amigo, depois me raptou, agora quer invadir meus pensamentos.
Na mesa do café, Leonel olhava constantemente os minutos, e estranhou o fato de Tássala demorar tanto para descer.
Um pouco aflito com tanta demora, chegou pensar até que ela pudesse ter inventado de pular a janela para tentar fugir, mas se isso acontecesse não teria êxito, pois os seguranças que havia contratado para ficar de olha nela já teria o avisado.
— Catarina você pode ver o que tanto Tássala faz no quarto? Já era para ela ter descido há muito tempo.
— Claro senhor eu já vou subir, vou só pegar o suco de laranja que estava na cozinha.
— Estou aqui dona Catarina não precisar ir ver seu eu fugi.
Disse olhando para o Capitão.
— Até porque se eu tentasse aqueles brutamontes que está no portão iriam me pegar, eu estou presa nessa casa em cárcere de privado mesmo.
— Não seja dramática sereia, só basta ontem que você ficou nervosinha por me ver chegar tarde.
Imediatamente as bochechas de Tássala ficaram coradas ao lembrar da cena patética que fez ontem, agora o Capitão estava achando que ela estava com ciúmes dele.
— Que história é essa como assim está presa? O que está acontecendo aqui que não estou sabendo senhor?
Leonel arranhou a garganta sorrindo fraco para Catarina que permanecia encarando os dois bastante intrigada.
— Vá pegar o suco por favor Catarina, não é nada de mais só uma brigada de casal, daqui a pouco nem vamos lembrar mais desse episódio quando tivermos nos amando no nosso ninho de amor.
Com essa Tássala arregalou os olhos castanhos e suas bochechas ficaram quentes, pela ousadia de Leonel, que apenas ria da situação. Dona Catarina havia saído sem jeito da sala deixando os dois sozinhos.
— Como ousa a falar isso? Ela vai pensar que nós dois fazemos essas coisas de adulto.
Leonel caiu na risada.
— Uer é melhor ela pensar que fazemos que é bem natural, do que cair na boca dos empregados que eu durmo no chão. Já pensou o que vão falar da minha virilidade?
— Vão pensar que você já estava velho de mais pra fazer subir alguma coisa senhor.
Tássala retrucou fazendo o Capitão ficar pistola, pois sempre quando ela falava que ele era velho, ele queria mostrar o que o velho é capaz de fazer a ela.
— Não deve julgar sem antes testar a potência do motor menina, mas se quiser ver o velho em ação é só pedir. Se bem que eu prefiro mulheres mais experientes do que às que mal saíram das fraudas.
— Pois não é o que parece me prendendo na sua casa desse jeito, parece até desesperado.
Enquanto os dois discutiam feito cão e gato, a campainha tocou e uma das empregadas foi abrir. Era Mirella, como ela já era conhecida pelos empregados foi recebida super bem sendo acompanhada até onde o Capitão estava com Tássala. Ao chegar Leonel enrugou a testa ao ver Mirella bem cedo em sua casa.
— O que está fazendo aqui?
Perguntou surpreso, ela caminhou até ele e deu um abraço sussurrando no seu ouvido.
— Te ajudando horas, agora fecha essa boca de surpreso e dança conforme a música.
— Tá bom, mas nem pense em me beijar.
Ela deu risadas animando Tássala que parecia surpresa ao vê-la ali.
— Até porque se eu fizer isso sua garota me mata. Olha a cara dela pra mim!
Leonel deu uma olhada de relance e logo se levantou tirando uma cadeira para Mirella sentar ao lado dele.
— Que deselegante deixa eu apresentar as duas, Mirella essa é minha futura noiva Tássala, sereia essa é minha minha melhor amiga Mirella.
Mirella sorriu animada pensou até em ir cumprimentar Tássala, mas pela carranca que ela estava fazendo achou melhor ficar ali mesmo.
— Ficou muda Tássala? Cumprimenta a Mirella ela vai tomar café conosco.
— Tomar café e ir ao shopping com vocês, eu posso ajudar a Tássala a escolher o vestido de noiva se ela quiser, você sabe que o noivo não pode ver o vestido antes da hora.
Leonel mostrou os dentes para Mirella, e pensou em fazer picadinho dela. Ele balbuciou baixinho só para ela ouvir.
— Assim que terminar esse café você vai embora, olha a cara dela ela vai me matar e talvez o terno que eu vou comprar vai ser o do meu velório.
Disse aflito ao olhar para Tássala, sua cara não era das melhores. Tássala ao ver o Capitão sussurrando baixinho no ouvido de Mirella se sentiu desconfortável, eles pareciam ter afinidade, ela era bem jovem até, desconstruindo a figura de uma senhora madura que imaginou com o Capitão.
— Tássala você é muito linda, como você se sente em ser a escolhida do Capitão?
— Da mesma forma que você se sente em prestar o papel de amante.
Falou sem pensar deixando Mirella de boca aberta e o Capitão com as sobrancelhas enviesadas, Tássala levantou da mesa e jogou o guardanapo longe e correu subindo as escadas. Leonel ao ver sua atitude passou a mão no rosto achando que dessa vez fez merda.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Roze Cleia
se fez capitao
2025-04-01
0
Gilvanise Azevedo
Eita.....
2024-10-20
0
Luzia Nogueira
KKK tessa nem parece a mesma,ela tinha que fazer isso com aquelas pessoas malditas da vila
2024-09-17
1