Tássala saiu nadando deixando capitão Leonel no barco frustrado por não ter sido correspondido. Ele acariciou os lábios e falou furioso, pois até então nenhuma mulher havia o rejeitado. Deu um chute em desespero e por pouco não despedaça aquela canoa velha.
— Merda!
Disse entre dentes, e puxou o motor para voltar. Na medida que ia se aproximando da areia, ele pensava em como ia consertar tudo aquilo. Quando pisou em terra firme o seu celular tocou, assim que ele viu o visou bufou entediado, pois se tratava do advogado do seu falecido tio com a maldita herança que estava congelada.
— Alô Manoel, novidades?
— Leonel, infelizmente sim e não são boas, o prazo que seu tio lhe estendeu está se apertando e daqui pro final do mês se você não aparecer devidamente casado para cumprir com o último desejo do seu tio, a herança será de posse do governo.
— Que merda, quer saber eu estou me lixando pra essa herança.
Revirou os olhos, Leonel sempre foi um homem solitário quando o assunto era constituir uma família, sempre foi ele e o tio que o criou como filho e lhe despertou todo o gosto pela marinha. Mas sempre houve uma grande preocupação por parte do tio Aroldo, em relação ao Leonel, pois ele não queria que o sobrinho se tornasse um homem amargurado como ele. Aroldo teve a chance de ter uma linda família e filhos e desperdiçou por trocar o certo pelo duvidoso, e via o sobrinho ir pelo mesmo caminho.
Pelo menos ele teve sempre o sobrinho por perto até no seu leito de morte, isso fez com que sua velhice fosse menos caótica, e pensando no sobrinho que seguia seus mesmos passos, antes de morrer ele fez uma cláusula na herança só disponibilizando ao sobrinho após ele se afirmar com uma mulher a tornando sua esposa.
Leonel riu muito quando soube, pois nem depois de morto o tio o deixa quieto com essa loucura de arranjar uma chinela velha. Desde então o prazo vem correndo, ele contratou alguns advogados que nada puderam fazer, ao não ser prolongar mais o prazo, porém com tantas emendas o caso estava virando uma bola de neve e o governo estava cada vez mais pressionando para bater o martelo.
— Você sabe que a herança está incluso esse seu navio e mais cinco que você tem, então é melhor pensar direito Leonel.
Ele bufou em protesto, poderia muito bem pegar qualquer uma para um casamento arranjado, porém aquele não era seu fetio se realmente um dia fosse casar seria por amor. E em pensar nesse sentimento ele sentiu o rosto ainda latejar pelo tapa que levou da sereia, mordeu os lábios pensando uma loucura.
— Sabe só existe uma pessoa que eu talvez faria esse evento do ano.
Não deixou de dar risadas pensando em Tássala, o advogado na outra linha quase deixou cair os óculos do susto que levou.
— Sério? Então você não acha uma total insanidade essa ideia de casamento, estou certo?
— Bom, quem sabe eu me renda a essa causa nobre.
Gargalhou animado, depois daquele beijo roubado o capitão estava muito feliz, apesar do tapa é claro que ele já esperaria que iria levar, mas valeu o risco.
Desligou o telefone e pegou a tarrafa com o único peixe pescado por Tássala antes do beijo rouba, e é claro que iria levar para ela, como despista para vê-la novamente.
Chegando lá ele bateu na porta e quando ela abriu e viu que era ele tentou fechar a porta na sua cara, porém ele colocou a mão a impedindo.
— Por favor sereia me desculpa por ter te beijado a força, eu quero que saiba que não sou um aproveitador de mocinhas indefesas, só me deixei levar pelo desejo do momento.
— Não se aproxime mais de mim, e não me chame mais de sereia seu velho.
Disse sem pensar fazendo o capitão soltar fogo das narinas, e uma risada nervosa.
— Do que me chamou?
Perguntou muito ofendido.
— O que você ouviu um velho gagá sai da minha casa e nunca mais volte a me procurar, ou eu vou falar pro meu namorado te dar uma surra.
Tássala falou entre dentes, a fúria que saía dos olhos dela deixou o capitão mais louco ainda. Pois ninguém nunca havia feito passar tanta raiva como Tássala naquele momento, aquela boca atrevida merecia muito umas lições desse velho. — Ele pensou em meio o ódio.
— Quer saber vá se ferrar Tássala você e seu namoradinho.
Jogou a porcaria da tarrafa no chão e o peixe e saiu pisando duro e bufando de raiva. Hoje mesmo ia tratar de mandar os marujos embarcar a mercadoria e iriam dar o fora daquela maldita vila.
A forma pela qual o capitão a tratou não foi nada cavalheiro, e ele estava ciente disso, porém a sereia além de despertar algo novo em seu coração, também acabou de despertar muita raiva.
Na delegacia Viviana quase morre de felicidades ao ver a cara do filho de decepção em olhar as fotos que ela havia batido em seu celular. E é claro que não perdeu o momento para encher a cabeça do de Cassiano contra Tássala.
— Você está vendo? Agora acredita que Tássala é uma qualquer?— Disse de boca cheia.
Cassiano bufava de raiva ao ver nitidamente Tássala agarrada a outro homem.
— Eu não acredito que a Tássala fez isso comigo mãe.
— Não só fez como eu capturei tudo, olha filho como ela sorrir ao abraçar esse tal capitão, em seguida os dois entraram para dentro de casa e se trancaram lá dentro, pra fazer muito bem o que você sabe.
Cassiano chutou a parede furioso, pois Tássala se guardava tanto e foi se entregar ao primeiro que jogasse a carteira para ela. Ele colocou a mão na cabeça que estava borbulhando.
— Filho por favor se acalma eu consegui pagar sua fiança, vamos embora e não vá procurar Tássala, tenha pelo menos vergonha na cara, todos já estão comentando o tamanho do seu chifre.
— Rapaz te aconselho a não arranjar mais confusão se não quiser voltar pra cá.
Disse o delegado abrindo a cela para Cassiano sair, mal o homem tirou os cadeados ele saiu igual uma bala, Viviana correu atrás dele tentando alcançá-lo.
No meio do percurso que ele fazia, alguns morados o olhava sorrindo e fuxicando com os outros, ele vendo aquele movimento do povo apontando, trincou os dentes de raiva por ter virado motivo de piadas.
— Olha o Cornélio passando!
Gritou uma mulher dando gargalhadas da janela de sua casa, fazendo Cassiano ficar virado no cão, ele só não arrebentou a velha porque a mãe o segurou pelo braço.
— Filho por favor se controla, vamos para casa, amanhã cedo seu tio vai te deixar na rodoviária para pegar o ônibus e ir para capital. Vai ser melhor pra você depois da baixaria que Tássala fez.
— Me deixa mãe.
Saiu chutando areia em direção a casa de Tássala, ao chegar lá gritou como um louco para ela abrir a porta ou ele arrebentava. Ela que lavava as coisas do almoço, ficou surpresa com a voz de Cassiano e correu para abrir a porta, porém o sorriso murchou ao perceber que ele parecia furioso.
— Amor você está livre!?
Tentou abraçar ele, porém ele não moveu um músculo para abraça-la de volta. Dona Viviana ao ver o filho estático deu um sorriso triunfante com sabor de vitória, dessa vez não tinha como Tássala escapar, ela havia caído na sua própria rede.
— Não me toca Tássala.
Falou com os olhos marejados.
— Cassiano, amor me explica o que está acontecendo? Por que você está me tratando desse jeito?
Perguntou sem entender nada.
— Me diz você ficou com o velho do capitão? O que estão falando na vila é verdade, Tássala?
Ela abriu a boca e estufou os olhos incrédula.
— É mentira, amor, eu só levei o capitão para ajudá-lo a pescar e ele acabou me beijando, mas eu não correspondi o beijo e dei um tapa nele.
Falou em desespero fazendo Cassiano rir nervoso, pois quanto mais ele ficava sabendo daquela história mais louco ele ficava. Com muita raiva, ele desgrudou Tássala de seus braços e falou entre dentes.
— Me faz um favor Tássala, não me procura mais, eu estou cansado de servir de chacota para o povo de praia do mar. Enquanto eu estava preso por sua culpa você está se divertindo com outro, dando beijinhos e se entregando a qualquer miserável enquanto me fazia de bobo.
— Cassiano, você está entendendo tudo errado, eu não...
Soluçou em desespero, não conseguia nem completar a frase, pois o mundo estava despencando em sua cabeça.
— Me larga Tássala, antes que eu faça uma besteira.
Disse desgrudando ela dos seus braços, ele enxugou uma lágrima e fungou encarando a mãe que parecia sorridente, mas quando o filho a olhou guardou o sorriso.
— Vamos filho, e você Tássala se tiver o mínimo de vergonha nessa cara não procure mais meu filho.
A mulher pegou no braço de Cassiano o levando para fora que parecia atordoando, Tássala ao ver Cassiano partindo e pior acreditando nas mentiras que contaram sobre ela, principalmente no mal-entendido ela gritou em desespero.
— Cassiano, não faz isso amor, por favor não me abandona também.
Ele não olhou para trás, e aquilo fez Tássala entender que havia sido definitivo, ele acabará de deixá-la. Ela caiu na areia chorando em pensar que Cassiano o deixará para sempre e tudo por culpa do capitão.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luzia Nogueira
capitão não teve culpa de nd,a cobra da sogra que tem,mais espero que ela se apaixona pelo capitão
2024-09-17
2
Katia Lucas Gomes
pensa direito o culpado dessa bagunça e o pigunço do teu pai,que eu acho que já foi pra bem longe
2023-12-06
4
Ana Paula Oliveira Ferreira
tudo culpa do pai que roubou o dinheiro aí o barraco tava armado
2023-08-12
0