Na manhã seguinte, quando Tássala acordou, ela estranhou o fato do pai não ter batido na sua cama para fazer o café, e tão pouco reclamado de dores para não ir trabalhar.
Ela se espreguiçou procurando os chinelos e fez um coque nos cabelos, e foi procurar o pai na cozinha que também não estava.
— Uer ele caiu da cama hoje só pode, nem esperou para o café.
Bocejou ainda despertando quando seus olhos miraram na lata em que havia escondido o dinheiro que agora não estava no lugar no qual colocou, e sim em cima da mesa e destampada. Tássala rapidamente pegou a latinha com o coração em pulos e teve uma bela decepção quando percebeu que estava totalmente vazia.
— Eu não acredito, ele pegou o dinheiro no qual consegui com tanto sacrifício. Eu não acredito que o papai teve coragem de me roubar!
Falou em desespero, com o coração muito apertado, e uma lágrima de decepção escorregou dos seus olhos. Em seguida a tristeza começou a virar angústia, pois sem o dinheiro ela iria passar dificuldade. Ela rapidamente trocou de roupa e foi escovar os dentes para ir num lugar onde ela sabia bem onde o pai podia estar, com sorte ele não terá gastado tudo.— Pensou esperançosa.
Tássala saiu correndo tropeçando nos próprios pés, e quando chegou no bar de dona Gorete estava quase sem ar. Ela subiu as escadas e tentou procurar o pai, mas não o via ali.
— Por favor, alguém viu meu pai?
Perguntou para um e outro bêbado, que de tão bêbados não sabia responder e um deles agarrou no braço de Tássala a puxando para ele, querendo dar-lhe um beijo.
— Tassinha que cheirosa, olha bora subir comigo que te dou uma boa grana.
O velho falou sapecando o hálito de cachaça nela, e tentando agarrá-la a força, fazendo Tássala se desesperar e gritar em pânico.
— Me solta, me solta seu tarado!
Os outros bêbados gritavam animados ao ver um dos seus agarrando a mocinha.
— Beija, beija!
Tássala ao ver o velho fazendo bico para encostar em seus lábios, deu um chute debaixo de suas pernas se soltando dele.
O homem ficou furioso e agarrou nos cabelos dela a levando para perto da parede, Tássala gritou mais ainda despertando assim dona Gorete que ao ver a confusão se alastrar começou a brigar.
— Era só o que faltava a família velhaca, quando não é o pai é a filha fazendo escândalos no meu bar.
Tássala chorando e com nojo do beijo que o velho deu no pescoço dela, esfregou tirando o cheiro forte do álcool e falou em meio as lágrimas, estava se sentindo muito humilhada.
— Foi esse velho fubento que tentou me agarrar a força.
Apontou para o velho.
— Sua desgraçada, você vai me pagar Tássala. Aiiii!
Gemeu com a mão nas genitálias, dona Gorete tentava expulsar Tássala pelo braço quando Leonel e sua acompanhante da noite passada que ao ouvir os gritos saíram do quarto.
— O que está aconteceu aqui? — Falou furiosa encarando dona Gorete que empurrava Tássala para fora. — Largue a moça agora ou eu mando fechar essa espelunca.
Dona Gorete ao ouvir aquilo arregalou os olhos e no mesmo instante soltou Tássala tentando colocá-la contra o capitão.
— A culpa é dela capitão, fica se oferecendo para os meus clientes e depois faz doce.
— É mentira, eu não me ofereci, foi aquele velho que tentou me beijar a força.
Apontou em meio as lágrimas, Leonel virou o rosto e viu ao seu alcance o tal velho e partiu para cima dele dando um sono no rosto que ele cambaleou três passos, e só não caiu porque ele mesmo o pegou pela gola da camisa e o enforcou.
— Coff! Coff! Coff!
Tossiu sem fôlego, quando o velho estava quase nas últimas ele jogou ele em cima dos bancos que tentou recuperar o ar. O velho tarado encarou Tássala de um jeito diabólico como se ameaçasse pele olhar, fazendo ela se estremecer de medo.
— Vamos embora daqui.
Falou bravo pegando Tássala pelo braço, dona Gorete ao ver que ele ia sair sem pagar a contra correu na frente colocando o pé na saída o barrando.
— Capitão está esquecendo de alguma coisa?
Estendeu a mão sorridente, ele suspirou tateando os bolsos.
— Quanto estou devendo?
Perguntou abrindo a carteira fazendo os olhos de dona Gorete criar vida própria.
— 70 pela bebida da noite, 200 pela acompanharem e 20 reais pelo banho tomando.
Tássala encarou Flora sorridente, o capitão com cabelos molhados e constatou que foi com ela que ele havia passado a noite. Ela se abraçou com os braços ao lembrar do beijo asqueroso do velho Nicanor e por aquele lugar ser mais que um bar como ela suspeitava.
— Pegue, dê o troco para ela. — Apontou para Flora que se animou ao ver o bolinho de dinheiro que ele entregava para dona Gorete. — E você vem comigo!
Encarou Tássala apontando para fora. Assim que os dois pisaram na areia, dona Gorete guardou todo o dinheiro dentro do sutiã.
— Você não ouviu o que ele falou? O troco é meu.
Estendeu a mão para dona Gorete que deu um tapa colocando uma cara feia.
— Era só o que faltava Flora querer ficar com as gorjetas, sai da minha frente e não me absorva criatura.
Um pouco mais calma, Tássala tentava explicar tudo o que havia realmente acontecido para o capitão. Ele ouvia atentamente coçando a barba sem a interromper e pegou a carteira do bolso novamente.
— Olha eu não vi o seu pai no bar a noite passada nem hoje pela manhã, mas se isso for tirar um pouco sua preocupação aceite é de coração.
— Não, senhor eu não posso aceitar. Obrigada mais uma vez por ter me ajudado com o abusado do seu Nestor, eu vou até minha casa para ver se meu pai já chegou.
Saiu correndo sem deixar que ao menos Leonel a acompanhasse. Ao chegar em casa nada de seu pai, ela pegou seu chapéu de sol e foi para praia ou era capaz de dona Dorotéia vir até sua casa e levá-la arrastada, depois do pagamento de ontem no qual se quer teve o prazer de gastar.
Na coleta de algas os burburinhos estavam a solta, lugar pequeno como aquele o que não faltava era fofoca. Ao chegar, Tássala percebeu que aquilo estava mais movimentado de que de costume, e mal sabia ela que o motivo de tanta agitação era o nome dela que caiu na boca do povo.
— Chegou agora a desavergonhada, e nem adianta mentir que todos já sabem que você dormiu no cabaré da dona Gorete. Agora só falta você nos dizer se foi com o Capitão ou com o velho do Nestor, ou talvez com os dois sua puta.
Clara falou bem alto, fazendo todos ficar em volta dela para ver o barraco se formar. Tássala tremeu os lábios de raiva.
— Cala a boca sua dente de ferro, eu não sou puta.
Tássala falou puxando os cabelos de Clara que tentava puxar os delas também, Nara ao ver a amiga em apuros correu para chamar a mãe de Clara.
As duas se embolavam na areia da praia, Tássala conseguiu ficar por fica e estava estapeando as bochechas de Clara quando dona Dorotéia chegou e pegou Tássala pelos cabelos tentando tirá-la de cima da filha.
— Larga minha filha Tássala, e vai embora você está demitida, eu não quero te ver mais aqui e tão pouco perto da minha filha sua perdida.
Gritou furiosa, Nara tentou ajudar Clara a sair do chão que estava toda descabela e com as bochechas rosadas de tanto apanhar.
— Dona Dorotéia foi ela que começou, eu juro não me demita por favor.
Implorou em desespero.
— Acho melhor você pedir emprego a Gorete porque é lá que fica as da vida. Sai da minha praia ou eu mando te darem uma surra.
Falou cheia de si, apontando para as outras mulheres dali que também catavam algas.
— Não, eu sou inocente não dormir no bar da dona Gorete, eu só estava procurando o meu pai que está desaparecido.
— Conta outra, você estava era fazendo o vuco-vuco sua prostituta, não te queremos perto do nossos maridos ou é capaz de dar em cima deles também.
Falou uma das mulheres pegando uma lasca de pau apontando para Tássala, que arregalou os olhos ao ver que ela iria acertar na sua cabeça. Ela fechou os olhos para não ver e tentou proteger a cabeça com as mãos, quando uma mão forte pegou o braço da mulher a tirando o pau das mãos dela.
— Saiam daqui deixam minha namorada em paz.
Falou Cassino abraçando Tássala tentando a proteger de alguma forma da fúria daquelas mulheres.
— Chegou o corno manso!
Ele ficou furioso ao ouvir aquilo e só não lascou a tora de pau que estava em mãos na cabeça da mulher porque não queria ser preso na lei Maria da penha. Já estava sabendo de tudo e o odio o consumia por dentro.
— Bando de fofoqueiras saiam daqui ou eu mostro quem é o corno da vez.
Ameaçou com o pau fazendo as mulheres correrem em disparada com medo de ser atacada. Tássala encarou Cassiano um pouco aliviada, pois se ele estava a defendendo era porque acreditava nela.
— Amor eu sou inocente, eu não dormir no bar... Foi o velho abusado do Nestor que tentou me agarrar a força.
Chorou pelas acusações, ele ficou muito irado ao saber que aquele safado tentou encostar na sua namorado e saiu correndo falando que ia matá-lo.
— Eu vou matar aquele imprestável.
Falou furioso com aquele pedaço de pau nas mãos, Tássala ao ver que Cassiano iria fazer uma besteira correu atrás dele desesperada.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luzia Nogueira
Jesus! espero que Cassiano não mata o velho tarado, apesar de tudo ele é o único que cuida um pouquinho dela
2024-09-17
1
Maria Das Neves
coitada da Tássala que humilhação
2024-07-06
2
Katia Lucas Gomes
eita sururu na casa de noca ,pega 🔥 cabaré
2023-12-06
3