Após o primeiro impacto de sua chegada, Leonel com a sua tropa se acomodaram na Taberna, uma espécie de hotel duas estrelas, onde recebia os poucos turistas que vinha a Praia do Mar. O ambiente não era um dos melhores lugares para ficar, mas o capitão já até havia se acostumado, pelo menos não tinha baratas nem percevejos, e os lençóis eram limpos e cheirosos.
Na taberna também tinha algumas mesas de jogos no qual os homens iam apostar o que não tinha, um bom passatempo para Leonel e seus marujos que adoravam sinuca e baralho. A quela taberna podemos dizer que tinha um pouco de tudo, naquele pequeno espaço havia um restaurante, um lucar para recreação, além de alugar quartos para hóspedes e de quebra um bar com música ao vivo e dançarinas.
— Sejam bem-vindos capitão, e seus marujos.
Falou a Dona Celeste, fazendo até referência para a tropa de Leonel. Celeste é esposa de Teobaldo e ambos comandavam aquele estabelecimento, a mulher sorriu encarando Leonel.
— Muito obrigado, agora vamos descansar um pouco as costelas e mais tarde aparecemos para o jantar.
— Por favor, me acompanhem. Vou direcionar vocês aos seus aposentos. Meu marido está matando um porco, daqui a pouco ele virá cumprimentá-los.
Eles subiram a escada de madeira dando de cara com dois corredores. Celeste os direcionou para seus respectivos quartos, cada um com quatro beliches, um pequeno guarda-roupas e um banheiro. A tropa do capitão ocuparam cinco daqueles quartos. Leonel se instalou com três de seus companheiros mais fiéis: Juca, Cabeçudo e Zézim, cujos nomes de batismo eram um verdadeiro insulto.
— Capitão, não sei você, mas eu vou aproveitar muito essa estadia. As mulheres então são uns pitelzinho.
Falou Juca todo animado, e Leonel não pôde deixar de rir, pois ele não havia dito uma só mentira. Leonel era um homem solteiro e atraente, e ocasionalmente gostava de se aventurar. Apesar de não se ver amarrado em um casamento, ele até que faria essa loucura se fosse com uma mulher que balançasse seu velho coração.
— Vamos dar uma passada no bar da Dona Gorete. Depois eu queria muito ver aquela morena de novo.
Falou Cabeçudo, que dá outra vez que veio, foi embora com dor no coração, pois a garçonete de dona Gorete não quis nada sério com ele, por saber que ele não tinha todo o dinheiro que falava.
— E você não se interessou por nenhum broto, capitão?
Perguntou Zézim fazendo Leonel dar uma risada ao lembrar dos olhos da sereia, ela havia chamando sua atenção não só pela sua beleza, mas por saber que ela era algo proibido, e como um bom aventureiro gostava de correr perigo.
— A sereia ela é bem bonita, mas tem um cação em volta.
— E você lá é homem de ter medo de esporão. — Jogou uma estrela-do-mar seca nele.
— Vamos parar de falar que eu quero dormir estou cansado.
Colocou o lençol no rosto e guardou a estrela no bolso.
Sorriu passando os dedos entre os fios de cabelo, Leonel era um tanto intimidador e gostava de uma conquista, mesmo ele sabendo que breve, pois não ficava muito tempo no mesmo lugar.
Colocou o lençol no rosto, e guardou a estrela no bolso.
[...]
Perto da praia ficava sua pequena casa de Tássala, rodeada de plástico amarelo para proteger as frágil parede das chuvas. Na cozinha ela terminava de lavar a louça do jantar, seu pai estava muito estressado naquela noite e não parava de reclamar. Estava sóbrio, por isso tanto estresse, um porquê não tinha dinheiro para comprar a tão desejada bebida, outra porque não quiseram vender fiado para ele.
— Filhinha não tem como você pedir emprestado o Cassiano pra mim cinco reais?
Tássala revirou os olhos, pois ele sabia que ela não ia fazer isso para alimentar seu vício.
— Eu não vou, já falei. Pai por favor se aquieta e para de reclamar, eu já estou ficando com dor de cabeça.
— Eu preciso tomar minha pinga de hoje, tenha pena do seu pai garota. Eu estou cansado e quero relaxar.
Ela jogou o pano de prato na mesa.
— Aí papai eu vou sair, não aguento mais você reclamando direto no meu ouvido, não temos um centavo furado e você quer beber.
— Filha ingrata, volta aqui Tássala ou vai dormir do lado de fora.
Tássala respirou fundo ao sentir a brisa do mar bater em sua cara, ela apertou os braços pelo vento gelado ter batido com força arrepiando seus pelos.
Por muitas vezes ela se sentia um pouco sozinha, não tinha amigas, todas as moças de praia do mar não gostava de Tássala, ou por inveja de sua beleza, ou por ela ser a namorada de Cassiano. Talvez também pelos boatos que corria nas redondezas que seu pai virava lobo, que de fato era uma mentira que alguém inventou por seu pai ter muitos pelos pelo corpo.
Sem ter o que fazer, ela seguiu andando pela parca luz dos postes, indo até o centro de comércios, onde Cassiano morava e o pessoal de nariz empinado de praia do mar que se achavam ricos.
Ela passou por uma pequena pracinha feita pelos próprios moradores onde tinha uma televisão coletiva na qual o povo se reunião para assistir à novela das sete. Ali quase ninguém tinha tevê em casa, por dois motivos: O primeiro que a tevê de led era uma muito caro, um item inacessível para aquele pessoal humilde e outra que a maioria das casas não tinha eletricidade, principalmente a vila onde morava. Em outras palavras, praia do mar era o buraco no fim do mundo.
Tássala foi até a casa de Cassiano e bateu na porta. Quando Dona Viviana foi atender e viu ser a namoradinha do filho colocou cara feia.
— Boa noite, Dona Viviana. O Cassiano está?
Perguntou toda gentil.
— Mas você não dá sucesso pro coitado não é Tássala? Meu filho está cansado. E se não foi na sua choupana é porque não quer namorar hoje.
— Mãe, por favor. Isso é jeito de falar com a Tassa?
Falou chegando na sala. Tássala sorriu para ele que foi abraçá-la.
— Vamos dar uma volta?
— Vamos!
Sorriu para Dona Viviana que revirou os olhos. Tássala queria ficar na pracinha, mas Cassiano queria ficar num lugar mais tranquilo. Já que na pracinha as crianças gritavam muito e não dava para namorar em paz.
— Vamos para a canoa, Tassa?
Apontou para a beira do mar, onde estavam algumas canoas ancoradas. Lá estava bem escuro e Tássala ficou receosa, pois se pegassem os dois lá iam pensar mau dela.
— Amor, acho melhor ficarmos no claro, ou vão levar fofocas ao meu pai.
— Não seja boba, ninguém está vendo. Vamos contar as estrelas de lá é muito mais bonito amor.
Tássala acabou sendo convencida por Cassiano. Os dois correram para deitar em uma das canoas. Ele cruzou os braços servindo de apoio para a cabeça, enquanto Tássala se aconchegava em seu peitoral dando risadas.
— Tem certeza que ninguém viu a gente correndo pra cá?
— Claro que não amor. Olha ali, as três Marias. Se aparecesse uma estrela-cadente agora, sabe o que eu pediria?
Tássala levantou a cabeça para olhar para Cassiano com bastante curiosidade. Apesar de não dar para visualizar seu rosto perfeitamente, ela podia detectar um sorriso naqueles lábios.
— O quê?
— Que a gente casa-se logo, e você fosse minha.
— Seu bobo, eu já sou sua. Eu te amo Cassiano.
Ele acariciou seu rosto e deu um beijo em Tássala. Sua mão se aventurou pelo corpo dela, a colocando dentro de sua blusa e acariciando um mamilo, fazendo ela soltar um gemido.
— Hum... Cassiano.
— Psiii! Relaxa, amor.
Deu vários beijos nela e desceu os beijos até seu pescoço, onde uma das mãos desceu mais e tentou entrar no seu shorts. Tássala segurou as mãos dele, nervosa.
— Ai não, amor.
— Relaxa, Tassa. Eu só vou tocar não tenha medo.
O coração de Tássala se acelerou. Ela não estava preparada e quando sentiu a mão de Cassiano pegar na sua intimidade ela gritou, fazendo uma lanterna ser mirada nos dois. Era o capitão e um dos seus marujos que havia ido até o seu navio pegar alguns pertences que haviam esquecido.
Pelo susto, Tássala escondeu a cara morrendo de vergonha.
— O que está acontecendo aqui?
— Desliga essa merda cara, não está vendo que estamos namorando.
Cassiano falou chateado. Leonel encarou Tássala que escondia o rosto envergonhada. Em seus olhos carregavam decepção, pois desde que chegou ali, não parava de pensar na beleza da sereia.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luzia Nogueira
acho que esse Cassiano só quer trasar a tessa KK porq quem ama espera o tempo do outro
2024-09-17
3
Maria Das Neves
eu acho que o Cassiano só quer tirar a virgindade dela e depois vai acabar com ela
2024-07-06
3
Conceição Freire
o Cassiano não é nada protetor, ele quer a pureza dela, pois não respeita ela
2024-01-03
4