Na manhã seguinte, o capitão acordou cedo e fez questão de preparar o café da manhã para os tripulantes e sua sereia. O fato de levá-la com ele mesmo contra sua vontade o deixava bem animado, iria casar-se e fazer ela o amar como seu marido.
Uns poderia dizer que ele havia perdido o juízo de vez, outros que estava enfeitiçado, mas lá no fundo o coração estava diferente, um diferente muito bom... me arriscaria em dizer que o capitão poderia está se apaixonando.
— Será que ela gosta de café preto ou com leite? Acho que vou colocar esses biscoitos doces também.
Disse analisando as poucas opções de alimento que tinham, como já estavam de partida boa parte dos alimentos estavam escassos, e restará pouca variedade para deixar uma bandeja de café atraente, mas ele tinha uma carta na manga. Deu risadas ao lembrar de uma geleia de morangos que ficará esquecida entre um dos armários, pois nenhum dos marujos havia gostado por ser doce de mais, ele pegou e colocou um pouquinho num pirex para ela rechear as bolachas se preferisse. Por último tateou os bolsos e encontrou a estrela-do-mar a colocando ao lado da xícara.
Deu uma leve organizada nos cabelos com os dedos mesmo para parecer apresentável, e verificou se não estava com hálito, por precaução mastigou uma pastilha já que não pode escovar os dentes, pois ela trancou a porta do quarto com seus pertences pessoais lá.
— Capitão, que capricho todo é esse?
Perguntou Juca vendo o quanto ele paparicava aquela bandeja farta, ele tentou catar uma bolacha doce, mais levou um tapa em resposta fazendo o capitão rosnar.
— Tira a mão que não é pra você!
— Não vai me dizer que isso tudo é pra quela magrinha que pesa uma pena?
O capitão deu risadas, talvez teria exagerado de mais, ele não era bom com esse lance de romantismo, na verdade, nunca precisou ser.
— Você acha que ela vai gostar?
Perguntou ansioso pela resposta.
— Que mulher rejeita comida? Mas se ela não quiser, traz que eu como.
Disse tentando pegar outro biscoito e levou mais um tapa, Leonel pegou a bandeja e tirou de perto lhe dando uma instrução.
— Depois do café quero que alguém fique na cabine pra mim, acelere o máximo que der, quero chegar em casa na calada da noite se possível.
— Certo capitão, mas quando chegarmos na Capital o que vamos fazer com a sereia?
— Eu vou levá-la para minha casa, vai ser minha esposa, já falei.
Disse com muita convicção, fazendo o marujo pensar que ele não estava batendo bem das bolas.
— Não é de hoje que eu venho percebendo, mas acho que o senhor está meio lelé das ideias, eu quero ver essa garota aceitar, ela é bem nervosinha. Capitão você está procurando sarna pra se coçar, tinha tantas mulheres que dava tudo pra estar no lugar dessa daí, e você não deu bola e quis a mais arisca.
Leonel deu risadas coçando a barba.
— Acho que se ela lambesse meus pés não estaria tão arriado como estou, agora vou lá acordar a fera.
No quarto Tássala já havia acordado, ela saiu do cômodo na surdina e passou cuidadosamente tentando não ser vista por ninguém. Aquela era a hora dela tentar fugir dali, iria pegar um dos botes e ir embora, talvez para longe, mas não iria casar-se com um estranho.
Ela correu para a área externa do navio afoita, e arregalou os olhos quando viu capitão se aproximando parecia feliz, estava assobiando e cantarolando, ela se escondeu atrás de uma espreguiçadeira para não ser vista.
Quando o capitão chegou ao quarto e o viu aberto sem sinal de sereia, ele colocou rapidamente a bandeja sobre a mesa de cabeceira e bateu na porta do banheiro pensando que ela pudesse estar lá. Como ela não respondeu, ele abriu e esbravejou furioso ao saber que ela poderia tentar escapar novamente.
— Macacos me mordam, ela fugiu de novo!
Saiu apressado do quarto e gritou para seus marujos.
— VENHAM AQUI, AGORA!
Mal ele fechou a boca e eles correram em sua direção, Leonel falou bravo:
— Ela não está no quarto, vão procurar em cada buracão desse navio e não me apareçam sem ela, merda. Eu mandei ficarem de olho na droga desse quarto, era pedir muito?! Olhem se tem algum bote faltando, se tiver ela não pode ter ido para muito longe.
Suspirou irritado indo em direção a sua cabine para pegar os binóculos.
Tássala ao ouvir a gritaria se tremeu toda atrás da cadeira, quando sentiu uma mão pegar na alça da sua blusa e gritar:
— Achei a sua sereia capitão!
Disse um dos marujos sorridente ao ver a cara de Tássala de assustada, Leonel rapidamente foi pra onde estavam e encarou Tássala muito irritado.
— Olha aqui, Tássala não estou de brincadeira, quero que saiba que odiava esconde esconde quando criança, então não ferva a minha paciência.
Falou firme a encarando muito bravo, Tássala se tremeu toda pela forma que o capitão brigou com ela, ele não a chamou de sereia como costumava e nos seus olhos não tinha aquela doçura de antes, ali ela pode testar um capitão bem furioso.
— Vem comigo!
Pegou no braço dela a levando para o quarto, Tássala se assustou, pois pensou que ele iria a tomá-la a força contra sua vontade.
— Me solta, me solta!
Gritou apavorada a medida que ele a levava para o quarto, lá o capitão trancou a porta fazendo Tássala querer se trancar no banheiro, porém ele colocou a mão para impedi-lá a fazendo se armar com a primeira coisa que viu pela frente, uma escova de dentes.
— Se tocar em mim eu te mato!
Disse mirando a escova fazendo Leonel dar risada, aquela garota era doida, ele pensou.
— Com isso eu vou apenas sentir cócegas, quer me matar mesmo? Fuja de mim, pense que eu sou um homem asqueroso que se aproveita de moças indefesas.
Deu uma risada sarcástica, mas no fundo o coração estava magoado. Ele jamais faria algum mal a ninguém, ainda mais a ela, mas ela tinha uma visão bem torta sobre ele que o deixava muito mau.
— E não é isso que quer fazer? Está me levando a força, diz que vai casar comigo sem meu consentimento.
O capitão deu uma risada sarcástica, que apenas um olhar bem atento podia vislumbrar que sairá trêmula, e o olho marejou de uma forma que nunca havia ficado antes.
— Eu falei que vou me casar com você, não que vou ter os benefícios de um casamento a dois. Eu não preciso implorar pra sentir o corpo quente de uma mulher nos meus braços, eu sei muito bem onde encontrar.
Falou bem firme, encarando Tássala que tremeu os lábios ao ouvir aquilo.
— Então por que não pega uma delas pra casar, e me deixa em paz!
Berrou.
— Porque eu quero me casar com você.
Deu risadas de desespero porque nem ele sabia a loucura que estava entrando, aquela sereia arisca tinha alguma coisa que o fazia perder a razão.
— Eu trouxe café na cama pra você, mas agora eu que vou comer porque você não está merecendo meu esforço.
Falou firme sentando na beira da cama a encarando, ele passou a geleia na bolacha doce e deu uma dentada fazendo o estômago de Tássala roncar.
— Hum... isso é muito bom!
Disse pegando outra e levando a boca, por fim devorou tudo e tomou o leite com café, limpou o pozinho da bolacha da barba e se levantou indo em direção ao lixeiro arremessando algo lá dentro que Tássala não pode ver, e saiu levando a bandeja vazia.
Tássala correu para ver o que ele havia jogado e pegou a estrela-do-mar analisando, quando ouviu a voz de um marujo gritar na porta ela colocou a estrela no bolso assustada.
— O capitão mandou ir tomar teu café na cozinha, não tem mais bolacha, comeram tudo, mas tem farinha.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Maria Das Neves
ele tinha que agradecer por ele ter salvado ela do asqueroso do Nestor e do pai
2024-07-06
4
Ester menezes
Ela tinha que agradecer por ele salvar lá, daquele pai inútil
2024-06-10
1
Joelma Vieira
tá certíssimo
2024-04-06
0