Leonel ainda encarando os dois, fitou Tássala por alguns instantes. Ele estava bastante cismado, pois aquele grito que ouviu estava longe de ser um gemido de prazer. Como Tássala ainda continuava escondendo o rosto por trás de Cassiano, ele resolveu quebrar o silêncio.
— Eu vou desligar assim que a moça responder. Então você está consentindo com as invertidas desse homem?
Falou firme. Ela estremeceu pela voz grave dele, Tássala rapidamente deu um passo para frente implorando ao capitão
— Sim, capitão, por favor, não fale sobre o que viu aqui, ou minha reputação, que já não é lá essas coisas, estará arruinada para sempre.
Falou aflita, escondendo novamente o rosto. Leonel encarou Cassiano que abraçava Tássala, e o olhava com raiva.
— Está satisfeito? Agora dá o fora ou eu te coloco para correr.
Armou o punho, fazendo o capitão dar uma risada sarcástica, se ele quisesse quebrava todos os ossos daquele maluco. — Ele pensou.
— Calma rapaz, para que tanta agressividade? Já vamos sair, mas vocês também vão. Eu não quero ninguém trepando em cima das minhas embarcações.
Tássala quase caiu mortificada com as palavras do capitão, que a encarou com seriedade dessa vez.
— E quem disse que essa canoa é sua?
Falou, cruzando os braços. Leonel só deu uma risada e iluminou a lateral da canoa onde tinha a sigla, "CL". Afinal, aquele era um dos botes do seu navio.
Cassiano enrugou a testa ao perceber que ele falava a verdade e saiu, sem ter o que contestar. Ele segurou a mão de Tássala ajudando-a a descer.
— Como você percebeu, quase tudo aqui dessa ilha pertence a mim. E, se duvidar eu posso comprar até você.
Deu uma risada diabólica, fazendo Cassiano perder a razão e querer lhe dar um soco. No entanto, Tássala o segurou pela cintura, parando-o aflita.
— Amor, por favor, para. Vamos embora.
— Ela tem razão. É melhor os dois irem embora. Capitão, vamos também.
Falou Juca para seu capitão. Tássala saiu, puxando Cassiano pelo braço enquanto ele resmungava. Juca encarou Leonel, sem entender o motivo de ele querer arranjar confusão com algo que não lhe dizia respeito.
— O que foi?
Resmungou Leonel, bufando e passando a mão entre os cabelos, seguindo na direção oposta de Tássala e Cassiano. Estava com muita raiva, e com certeza era por dois desocupados estarem usando seu bote sem permissão.
— Que estresse é esse, capitão?
— Nada vamos. Quero beber e relaxar. Vamos cuidar dessa maldita o mais rápido possível carga e sair desse lugar.
Cuspiu em meio às palavras. Poucas vezes ele havia sentindo raiva de alguém que não conhecia, como agora sentirá raiva daquela moça bobinha que deixava qualquer ordinário lhe passar a mão.
Cortaram o caminho e entraram direito no bar de Dona dona Gorete. Ele precisava beber algo para relaxar, pois a maldita imagem da sereia ainda o atormentava.
— Quer mais cachaça, capitão?
Perguntou uma das garçonetes, quase sentando em suas pernas. Ele levou o último gole da bebida à boca e fez careta, pelo fato da cachaça servida naquele lugar ser uma porcaria. Ele estava acostumado com seu estimado Rum ou seu Whisky importado.
— Já chega, não quero mais.
Dona Gorete, que passava por perto, quase caiu para trás ao ver que o capitão não estava curtindo beber em seu bar. Ela não podia deixá-lo sair dali sem arrancar uns bons tostões dele.
— Capitão, com licença. Eu preciso falar com a Flora, um minutinho, ela já volta pra lhe fazer companhia.
Arrastou Flora pelos braços e começou a repreendê-la, dando um beliscão na mulher.
— Sua imprestável, o que você está esperando para convidar o capitão para um dos quartos?
— Aí, Dona Gorete, calma. Os quartos estão todos ocupados. Quando a Armina sair com um dos marujos, eu o levarei. Não precisa arrancar meu couro.
— Hum... É bom mesmo. Agora vai entretê-lo e
saia do meu pé, criatura.
Empurrou Flora para a mesa de bebidas. Quando ela chegou lá, viu o Leonel em pé, tateando os bolsos para pagar a conta e provavelmente ir embora. Ela o agarrou por trás, segurando suas mãos fortes e cálidas tentando seduzi-lo.
— Não vá agora. Vamos nos divertir um pouco em um dos quartos?
Desceu a mão e apertou nas partes de baixo do capitão, que logo ficou excitado. Ele já embriagado, só conseguia pensar na sereia.
— S-sereia?
— Sim, sua sereia.
Ela beijou o pescoço de Leonel, acariciando seus cabelos que batiam na altura dos ombros. Ele sentou novamente na cadeira, pegou-a pela cintura arrastando os dedos no rosto dela.
— Você não é a sereia.
Falou dando risadas. O álcool já estava consumindo boa parte de sua corrente sanguínea. Ele acabou passando a barba no rosto dela e falou ao ouvido de Flora.
— Que se dane a sereia. Agora eu quero você.
Flora beijou os lábios do capitão, sentindo-se nas nuvens, e o arrastou para um dos quartos que acabara de desocupar.
[...]
Na vila, Tássala pedia ao pai que abrisse a porta para ela entrar. No entanto, Calixto fingia que não ouvia, pois estava muito zangado com a filha por ela negar uns míseros centavos.
— Papai, por favor, me deixe entrar. Está frio aqui fora.
— Tassa, acho que ele não está aqui. Se você quiser, podemos um pouco mais ou ir atrás dele. Tenho certeza que esteja na taberna ou no bar da Dona Gorete.
— Eu tenho certeza que ele está aí dentro e não quer abrir.
Falou chateada. Às vezes, seu pai a tratava mal, e ela tinha certeza de que ele se vingava por ela se parecer com sua mãe.
— Meu amor, você não merece viver dessa forma. Seu Calixto deveria ter vergonha de tratá-la assim, especialmente porque, se não fosse por você, ele já estaria na cadeia há muito tempo.
Cassiano deu um beijo na testa de Tássala a abraçando forte.
— Sabe, amor, vamos nos casar em breve. Já tenho um dinheirinho guardado, que não é muito, mas já é um começo para construirmos nossa casinha.
— É o que eu mais desejo, amor. Ser sua esposa, ter nossa intimidade, nossas coisinhas e, quem sabe, nossos filhinhos.
Ela suspirou sonhadora. Os dois estavam abraçados perto da parede quando alguém chamou Tássala. Era Dona Dorotéia, que enrugou o nariz ao vê-la naquela escuridão com Cassiano.
— Tássala, pega teu pagamento!
Falou alto que seu Calixto, que estava dentro da casa, levantou a orelha para ouvir. Ele ficou alegre porque Tássala agora não podia negar a ele.
— Dona Dorotéia, obrigada. Valeu mesmo.
Falou sorridente, querendo abraçar Dorotéia por ela ter adiantado o dinheiro. Ao ver que Tássala ia abraçá-la, a mulher deu dois passos para trás.
— Não me toque, menina. Não sei onde você andou pondo essas suas mãos. Já estou indo, tenho que adiantar o pagamento dos outros. Amanhã não quero ouvir ninguém buzinando no meu ouvido porque ficou sem o seu.
Tássala guardou o dinheiro no bolso, toda animada, e logo lembrou de pagar Cassiano.
— Ah, o seu dinheiro, amor. Pega.
— Não precisa, amor. Só não deixe seu pai ver ou ele vai ficar pedindo.
Enquanto os dois conversavam sobre o dinheiro, seu Calixto abriu a porta, todo animado. Ele mandou ela entrar. Tássala se despediu de Cassiano e entrou, sendo seguida pelo pai.
— Vejo que recebeu dinheiro, filhinha!
Falou animado.
— Só assim você me deixa entrar, não é papai? Olha, nem adianta pedir que já está tudo contado.
— Está certo, vou dormir. Então, boa noite, filha.
Tássala esperou o pai pegar no sono para guardar o pagamento dentro de uma lata que ficava em cima do armário.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luzia Nogueira
😡🤬
2024-09-17
0
Maria Das Neves
ele vai e pegar o dinheiro dela
2024-07-06
1
Katia Lucas Gomes
ele tá dormindo é nada,vai esperar ela dormi e rouba ela
2023-12-06
3