Matando a saudade

Assim que o barco ancorou em terra firme, ela correu para os braços de Cassiano, que a agarrou pela cintura e a rodopiou alegremente. Os dois se abraçaram forte, matando a saudade um do outro. O namoro era recente, mas cada partida era como se fosse uma eternidade. Eles estavam juntos cinco meses que eles estavam juntos há apenas cinco meses, mas já faziam planos para o futuro.

Cassiano, um homem bonito, trabalhador e gentil, tinha trinta anos, sendo mais velho do que ela, que só tinha apenas 22. No entanto, a diferença de idade não importava quando havia sentimentos sinceros.

—  Tassa, meu amor, como senti saudades de você!

Ele deu um beijão nela e logo tirou a camisa, caindo na areia cansado. Tássala pegou a camisa e cheirou, sentando ao lado dele. Cassiano tomou a camisa dela e riu.

—  Não faça isso, amor. Está fedendo, eu estou suado e cheirando a peixe.

— Não seja bobo, eu te amo e, pra mim, esse é o melhor cheiro do mundo.

—  Venha, sente aqui. Eu estava morrendo de saudades. Como foi esses dias que eu fiquei no mar?

Tássala bufou, lembrando de toda a confusão que se envolveu por conta das dívidas do seu pai. Ela contou tudo a Cassiano, que ficou furioso e levantou com tudo indo em direção ao bar da Dona Gorete muito louco da vida.

— Amor, não vamos arranjar mais confusão. Já basta o meu pai.

Ele não deu ouvidos e saiu pisando duro, afundando os pés na areia. Tássala correu atrás, tentando acompanhar seus passos. Assim que ele subiu os degraus, deu de cara com a placa da vergonha, onde tinha o nome de Tássala estampado em letras bastão. Ele arrancou o papel com força e a placa de de madeira caiu no chão, despertando atenção dos clientes e de Dona Gorete, que vendo a cena já veio brigando.

— O que pensa que está fazendo, Cassiano? Era só o que me faltava. Tássala já foi chorar as pitangas perdidas. Olha aqui, saiam agora ou eu chamo o sargente.

O sargento Emanuel era um homem de 40 anos, que tentava por ordem em Praia do Mar, só tentava porque ninguém lhe dava cabimento, pois ele era gago e assim que abria a boca para mediar algum conflito se atrapalhava todo, e o povo não perdoava e dava altas risadas.

—  Me diz quanto que o seu Calixto está devendo, e trate de sumir com essa maldita placa com o nome da minha namorada.

Dona Gorete ao ver ele tateando os bolsos abriu o sorriso, e foi correndo procurar a caderneta onde notava os nomes dos velhacos da vila.

Ela arrancou a folha e entregou a Cassiano. Ele ficou incrédulo ao ver o valor total e questionou.

— Tudo isso?

—  Se não tem dinheiro para pagar, me devolva essa placa.

— Tome, e só mais uma coisa. Vá pegar a comida que você roubou da Tássala, ou eu entro na sua casa e faço a limpa.

Dona Gorete saiu correndo antes que Cassiano entrasse em sua casa. Tássala sorriu ao ver que tinha alguém para defendê-la das injustiças da vida.

—  Eu vou devolver esse dinheiro assim que Dona Dorotéia me pagar no final do mês.

— Não precisa, Tassa. Agora só tenta fazer seu pai maneirar na bebida, se não daqui uns dias Dona Gorete vai trazer até as telhas da sua casa como pagamento.

Mal ele fechou a boca, ela chegou com a caixa de comida que havia pegado do armário de Tássala.

—  Toma, e vão embora. Vocês estão espantando a clientela.

— Dona Gorete, por favor, não dê mais bebida para meu pai.

—  Onde já se viu? Eu falir com meu próprio negócio.

Enquanto os dois desciam os degraus, uma voz fina e bastante enjoativa chamou pelo Cassiano. Tássala encarou a mulher e viu de quem se tratava, era Flora a garçonete de Dona Gorete.

— Cassiano, você nunca mais apareceu por aqui. Está sumido. Aparece para a gente tomar uma.

Ela piscou para ele, que ficou pálido ao ser pego pelos olhos examinadores de Tássala.

Aquele bar de Dona Gorete estava longe de ser um lugar de respeito, e Tássala tinha certeza que aquelas garotas não eram apenas garçonetes, pelas roupas minúsculas que usavam. Embora que roupa não define ninguém, mas a forma na qual ela grudava nos homens era bem sugestivo.

—  Que história é essa? Você anda bebendo com ela, Cassiano?

Ele riu nervosamente. A quela garota queria o quê querendo o quê? Ele nunca tinha dado moral a ela, a máximo, trocou meia dúzia de palavras.

—  Tassa, não é nada disso que você está pensando. Eu nunca bebi com ela.

Falou firmemente, mas Tássala, ainda chateada, não quis ouvir as explicações e saiu apressada com a caixa em mãos. Cassiano correu atrás dela para tentar se justificar.

— Tassa, por favor, você não vai acreditar nas mentiras da Flora, vai?

Ela colocou a caixa no chão e a mão na cintura, batendo o pé bem nervosa. Estava com muito ciúmes e raiava também.

—  Estou esperando. Me explica.

Ele suspirou antes de falar, encarando Tássala, que tentava ouvir sem perder o controle da situação.

—  Ok, outro dia eu estava bebendo e a Flora veio sentar na minha mesa. Mas eu imediatamente paguei a conta e fui embora, porque eu sabia que você ficaria brava se ouvisse essa história. Ei, amor, desfaz essa cara vai. Eu não gosto quando brigamos, ainda mais por pessoas insignificantes.

— Está bem, eu exagerei nos ciúmes, mas é porque te amo, Cassiano.

Ele sorriu e a beijou, sussurrando no ouvido dela cheio de segundas intenções.

—  Que tal passearmos na praia à noite e namorarmos um pouquinho igual adultos? A gente já tem que começar a tentar amor.

Tássala ficou nervosa, pois ainda era virgem, e não se sentia preparada para dar esse passo tão importante. Seu grande sonho era somente se entregar depois do casamento.

—  Cassiano, já conversou sobre isso. Eu não estou preparada.

Ele bufou um pouco irritado, pois era homem e antes de namorar Tássala já tinha uma vida sexual ativa, porém agora com essa de Tássala querer se entregar só depois do casamento estava o tirando o sono.

—  Amor, você me ama, eu te amo. Acho que nada nos impede de nos amarmos. Você não poderia me dar uma prova de amor?

—  Eu sei que é difícil pra você, mas vamos esperar só mais um pouco. Logo vamos nos casar e eu serei sua, somente sua.

Ela o beijou e, em seguida, ele a acompanhou até sua casa. Depois, foi para a praia ajudar os outros com os peixes.

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Comments

Yamagutte Maria

Yamagutte Maria

Já vi que é safado pilantra

2025-03-27

0

Neiva Ina

Neiva Ina

Corre que é golpe 🙈🤔😂

2024-10-11

2

Ivanilce Augusta Cassidori

Ivanilce Augusta Cassidori

muito linda ele também e muito bonito

2024-09-27

0

Ver todos
Capítulos
1 Em Praia do mar!
2 Uma vida difícil
3 Matando a saudade
4 A chegada do capitão
5 Pegos no flagra
6 Coração mexido
7 Acusada pelas más línguas
8 Atrás das grades
9 Ele não resistiu
10 Fim de namoro
11 Indo embora a força
12 Uma sereia arisca!
13 Capitão furioso
14 Uma nova casa
15 "Vestida pra matar "
16 Conhecendo possíveis amigos
17 Mordida de ciúmes?
18 Um plano infalível
19 O Café azedou
20 Pancadas de amor não doí
21 Indo as compras!
22 Capitão atencioso
23 Primeiras páginas
24 O dia do casamento
25 Um almoço comemorativo
26 Visitando o sogro
27 Se rendendo a paixão
28 No escurinho do nosso quarto
29 Presa no gancho do Capitão
30 O sumiço do diário veio a tona
31 Discussão feia
32 Marido frio
33 Esposa quente
34 A chegada de Cassiano
35 Fuga
36 Quem está certo?
37 Uma conversa definitiva
38 As mãos firmes do marinheiro
39 Se entendendo
40 Pedindo guarita
41 Um hóspede
42 Uma noite só nossa
43 Paixão ardente!
44 Visitando Giane
45 Umas verdades
46 Semanas depois
47 Uma lição
48 Seguindo as ideias de Giane
49 Na balada
50 Te quero de volta
51 Revelações
52 Giane desesperada por comida
53 Consulta médica
54 Um novo começo
55 O amor está no ar
56 Pedido de casamento
57 Em fim devidamente casados!
58 Novos integrantes a família
59 Onde tudo começou
60 Te amo minha sereia arisca
Capítulos

Atualizado até capítulo 60

1
Em Praia do mar!
2
Uma vida difícil
3
Matando a saudade
4
A chegada do capitão
5
Pegos no flagra
6
Coração mexido
7
Acusada pelas más línguas
8
Atrás das grades
9
Ele não resistiu
10
Fim de namoro
11
Indo embora a força
12
Uma sereia arisca!
13
Capitão furioso
14
Uma nova casa
15
"Vestida pra matar "
16
Conhecendo possíveis amigos
17
Mordida de ciúmes?
18
Um plano infalível
19
O Café azedou
20
Pancadas de amor não doí
21
Indo as compras!
22
Capitão atencioso
23
Primeiras páginas
24
O dia do casamento
25
Um almoço comemorativo
26
Visitando o sogro
27
Se rendendo a paixão
28
No escurinho do nosso quarto
29
Presa no gancho do Capitão
30
O sumiço do diário veio a tona
31
Discussão feia
32
Marido frio
33
Esposa quente
34
A chegada de Cassiano
35
Fuga
36
Quem está certo?
37
Uma conversa definitiva
38
As mãos firmes do marinheiro
39
Se entendendo
40
Pedindo guarita
41
Um hóspede
42
Uma noite só nossa
43
Paixão ardente!
44
Visitando Giane
45
Umas verdades
46
Semanas depois
47
Uma lição
48
Seguindo as ideias de Giane
49
Na balada
50
Te quero de volta
51
Revelações
52
Giane desesperada por comida
53
Consulta médica
54
Um novo começo
55
O amor está no ar
56
Pedido de casamento
57
Em fim devidamente casados!
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Novos integrantes a família
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Onde tudo começou
60
Te amo minha sereia arisca

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