Leonel deixou Tássala sozinha para se sentir mais confortável para tomar banho, ele desceu e foi esperar seu advogado e sua companheira na sala de estar. Estava cheio de expectativas para esse casamento, não só para conseguir ter o direito de sua herança, mas por finamente ter a certeza que estava cada dia mais se apaixonando por Tássala.
Ele foi até a adega e pegou um whisky e o serviu com gelo, enquanto degustava o líquido viçoso com sabor amadeirado, ele refletia ao som de uma música calma.
No quarto, dona Catarina entregava as peças de roupa a Tássala.
— Querida, olha eu peguei o menor vestido que encontrei, trouxe também essa calcinha nunca usada. Vá provar, se ficar muito grande eu posso dar uns ajustes.
— Obrigada senhora.
Tássala falou agradecida, pegando a peça de roupa e indo ao banheiro prova-lá, ela já havia tomado banho e lavado os cabelos. Após vestir o vestido ela se encarou no espelho se achando estranha, pois não tinha costume usar vestido longo e ainda mais daquele modelo.
— Olha, ficou lindo em você, esse foi o vestido do meu jantar de noivado há uns trinta anos. Eu ia trazer um mais simples, mas como seu Leonel mandou fazer um jantar e convidou seu amigo e a esposa dele, eu achei que esse lhe cairia melhor.
— Não, senhora eu não posso usar um vestido tão especial assim, e se eu manchar ou rasgar...
Falou com medo de estragar o vestido que tinha um estimado valor sentimental para aquela senhora. Dona Catarina tinha cerca de uns cinquenta e oito anos, sua aparência estava bem jovial, os cabelos bem pintados e um olhar cheio de vida. Ela era uma senhora viúva, sem filhos, que já estava aos serviços da família Narvais há vinte e cinco anos.
— Não se preocupe querida, não vai acontecer nada, você está tão linda nele, eu tenho certeza que ele fica melhor em você do que guardado pegando mofo.
Tássala sorriu fraco, pois aquele vestido estava com um cheiro medonho de naftalina. Sem falar nas mangas bufantes que era moda antigamente, ela se olhou mais uma vez no espelho e parecia um presente embrulhado já que nas costas tinha um laço do tamanho do seu traseiro da mesma cor azul do vestido.
Sem ter o que fazer, já que não poderia recusar o vestido, ela apenas sorriu para a senhora que estava bem satisfeita em vê-la dentro do seu vestido, para completar o look, dona Catarina lhe mostrou uma sapatilha de saltinhos da mesma cor do vestido.
— Experimente, olha se cabe no seu pé.
Tássala pegou as sapatilhas e deu uma olhada se não tinha algum bichinho la dentro e calçou no pé fazendo dona Catarina bater palmas.
— Olha que não entrou certinho, agora vem vou fazer um penteado para combinar com o look. Fique aqui nessa cadeira, não saía, vou já pegar uns grampos que esqueci.
Assim que dona Catarina saiu, Tássala correu para janela para ver se podia fugir dali, porém ela achou a janela muito alta para arriscar, e voltou a sentar na cadeira esperando para ser cobaia da senhora.
— Onde eu vim parar meu Deus?
Perguntou se olhando no espelho em pânico. Mal fechou a boca, dona Catarina entrou no quarto com uma caixinha de grampos na mão muito animada.
Ela penteou os cabelos de Tássala e os prendeu tudo num coque, fazendo Tássala ficar com os músculos da testa imóvel.
— Pronto agora sim acabamos, você está tão linda menina.
Tássala se olhou no espelho dando uma risadinha nervosa, ela estava bonita, mas não para essa época. Ela iria pensar num jeito de não sair daquele quarto, talvez inventaria uma dor de cabeça ou até mesmo uma dor de barriga, mas não podia sair dali vestida daquela forma por hipótese alguma.
— Pronto, agora vou terminar de aprontar o jantar, o capitão está lhe esperando na sala.
Ela saiu e avisou que Tássala já estava pronta, Leonel a esperou por alguns minutos e como ela não desceu, ele foi até o quarto onde avistou Tássala se olhando no espelho querendo chorar.
— Pra onde você pensa que vai, a uma festa a fantasia?
Disse em meio a risada, mas como Tássala o olhou firme querendo matá-lo, ele engoliu o sorriso quase se engasgando com ele.
— Se rir eu arranco sua língua fora, e pode esquecer que nem morta eu desço para esse jantar.
Cruzou os braços virando de costas, Leonel caiu na cama rindo muito, pois não aguentou ao ver o tamanho do laço nas costas, Tássala ao ser zombada por ele ficou espumando de raiva e tentou para-la lhe dando travesseiradas.
— Para de rir ou eu não respondo por mim.
Falou furiosa acertando uma almofada da cama na cabeça dele, Leonel mordeu os lábios tentando controlar as risadas mas nada adiantou, pois estava em meio uma crise de risos.
— Olha aqui seu idiota, eu vou fazer você rir agora com prazer.
Arrancou as sandálias dos pés e mirou para acertar ele, porém Leonel tentou correr da fúria de Tássala, mas acabou sendo acertado na testa fazendo grunhir de dor, Tássala ao perceber que o machucou de verdade colocou a mão na boca.
— Aiii isso aqui machuca viu.
Mostrou a ponta do salto e tentou massagear a testa fazendo careta. Tássala correu pra ver o tamanho do estrago, ela se aproximou dele preocupada.
— Desculpa, eu não queria te machucar.
Disse apavorada ao ver uma vermelhidão se formando na testa do capitão, ela tirou os cabelos do rosto dele e mordeu o lábio ao ver que poderia ficar como hematoma.
Leonel fechou os olhos ao sentir as mãos delicadas de Tássala no seu rosto e segurou no seu pulso, suspirando pesado.
— Não foi nada, agora vamos descer, por favor amanhã cedo eu te levo para comprar roupas novas.
Disse desviando o olhar ou iria beijá-la a força novamente.
— Eu não quero descer, eu estou ridícula.
Leonel riu novamente ao olhar a roupa.
— Pior que está mesmo, vista as suas mesmo e vamos descer.
— Seu.... seu.... Pré histórico! — Disse dando soquinhos no peito dele furiosa.— Olha aqui você não é nada cavalheiro.
Leonel vendo ela emburrada ergueu uma sobrancelha, então uma ideia lhe veio a mente, se ele a tratava bem ela a odiava, e se passasse a lhe tratar diferente ela iria cair aos seus pés.
— Por favor, Tássala quem está fantasiada aqui é você, e com a roupa da vovozinha.
Com essa as bochechas de Tássala inflaram de ar.
— Você está muito idiota, sabia? Quer saber eu vou desse jeito pra esse maldito jantar, e vou fazer o senhor passar vergonha.
Ela deu língua pra ele e saiu catando os sapatos do chão, Leonel vendo aquele laço medonho ser mover a medida que ela andava, arregalou os olhos em pensar que Tássala poderia aprontar algo mais desastroso nesse jantar além daquela roupa.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Gilvanise Azevedo
Não aguento de tanto rir com eles😂😂😂😂
2024-10-20
4
Gilvanise Azevedo
😂😂😂😂😂
2024-10-20
0
Maria De Fátima Gregorio
Rindo muito kkkkk.
2024-09-11
0