Capitão Leonel para aliviar o estresse estava bebendo no bar de dona Gorete com dois de seus marujos, quando foi surpreendido pela sereia vindo até ele feito bala, parecia que iria matá-lo só pelo olhar.
— Agora está satisfeito? Por sua culpa eu perdi o amor da minha vida, e agora todos estão falando que eu sou uma garota fácil, você tem noção o quando arruinou minha vida? Eu te odeio capitão!
Ele sem entender nada do que ela estava falando encarou a pequena petulante com os olhos franzidos, e apenas levou o copo de cachaça e tomou um gole. Aquilo deixou Tássala mais possessa de raiva e quis derramar a bebida dele no chão, fazendo ele agarrar no seu pulso a impedindo.
— Menina acho melhor você não se meter com esse velho, eu não tenho culpa do amor da sua vida simplesmente ser um banana que acredita em fuxicos.
Disse amargurado ainda ruminando as palavras que Tássala havia cuspiu nele mais cedo. Ele já estava cheio de praia do mar e de tanto problemas que aquele lugarzinho pacato estava o trazendo. E principalmente não queria mais nunca ouvir o nome de Tássala, pois tomou raiva dela por ela ser uma garota tão boba e iludida.
— Vamos Cabeçudo, temos que fazer nossas malas.
Disse encarando Tássala que abriu a boca várias vezes sem falar nada.
— Não se preocupe que seu emprego está assegurado, de nada Tássala.
Falou dando as costas a ela jogando o dinheiro da bebida que consumiu em cima da mesa e saindo sem olhar para trás. Ela ficou estatica parada no meio do bar quando dona Gorete a empurrou para fora brigando.
— Era só o que faltava espantar o meu melhor cliente, sai daqui garota e não me apareça mais aqui ou eu não respondo por mim.
— Dona Gorete você não viu meu pai por aqui?
Perguntou o procurando com os olhos, a mulher apenas enrugou o nariz e disparou brava.
— Aqui não aceitamos mais velhaco, então vá procurar o bebum do seu pai em outro freguesia, e sai do meu estabelecimento criatura.
E de repente Tássala se via sozinha andando sem rumo com o coração em mil pedaços. As lágrimas caíram novamente ao lembrar que o cara que ela amava agora a desprezava como todos da vila, seu pai havia sumido e nessas alturas ela nem sabia se ele ainda estaria vivo. Foi para casa chorar escondida, pois ao menos tinha amiga para desabafar.
[...]
A noite acabava de engolir os últimos raios de sol e a calmaria que se estendia perante as casinhas de vila do mar, era o total inverso do que rolava alguns metros da li, onde ficava a taberna. As vozes altas dos clientes, os sons dos tacos batendo precisamente nas bolas de sinuca, mais a frente perto do bar a música se misturava a fala alta dos clientes que jogava elogios a uma das dançarinas.
Ali quase caindo em cima da mesa de baralhos estava Calixto chorando por ter gastado todo o dinheiro da filha, e agora não tinha coragem de aparecer em casa.
Ao ver a cena o velho Nestor acabou tendo uma ideia maquiavélica, e assim poderia se vingar de Tássala por ela ter o rejeitado outro dia no bar.
— Chorar não adianta nada, mas você pode tentar recuperar todo o dinheiro que perdeu se quiser eu posso ajudar.
Disse animado batendo no ombro de Calixto que ao ouvir aquilo levantou as sobrancelhas curioso.
— Como?
Ele colocou a mão no bolso e tirou um maço de dinheiro, fazendo os olhos de Calixto crescer. Ele estendeu a mão para pegar, porém Nestor deu um tapa tirando o dinheiro da frente de Calixto.
— Calma, não é assim tão fácil, ou está pensando que eu vou te ajudar de graça.
Falou puxando a cadeira para sentar ao lado de Calixto.
— Por favor duas cachaças aqui uma pra mim e uma para meu amigo Calixto.
Falou sorrindo para o pai de Tássala que se animou pela bebida.
— Eu vou te dar a metade do que tenho aqui no meu bolso, aí você pode jogar e tentar recuperar o que perdeu, se der sorte você vem aqui e pega mais a outra metade e aposta também aí quando terminar você me devolve o que te dei e fica com o lucro, o que você acha?
Calixto parecia gostar da ideia.
— Eu aceito.
Estendeu a mão para pegar o dinheiro, porém Nestor mais uma vez puxou não deixando ele pegar.
— Calma, mas antes eu quero uma ressalva que se você perder eu vou está assegurado com outra coisa.
— Mas eu não tenho nada.
O velho Nestor deu uma risada assobiando, e fazendo a curvatura de uma mulher com as mãos na velha mesa de madeira cheio de malícia.
— É claro que tem e é bem preciosa, eu quero que você deixe sua filha como garantia. Se perder mesmo assim sairá ganhando, pois terá um genro gente fina como eu. Se perder sua filha é minha, eu caso com ela, e vocês dois vão morar comigo.
A princípio Calixto não gostou da ideia, e recusou pois sua filha já tinha pretendente.
— A minha filhinha Tássala já tem namorado e vai casar em breve, então não aceito.
O homem riu da cara de Calixto.
— Por favor Calixto não seja idiota, sua filhinha Tássala não está valendo mais nada aqui, eu ainda faria o favor de casar com ela por pura solidariedade. Você não está sabendo que Cassiano a deixou por ela ter se deitado com outro homem, a vila toda já está sabendo.
— Quer dizer que tiraram a ingenuidade da minha filhinha e ela não é mais moça?
Perguntou chorando por Tássala ter caído na vida igual a mãe que não valia um centavo, e o deixou pelo primeiro que apareceu lhe prometendo dar a lua.
— Moça? Hahaha nem aqui nem na china, não seja ingênuo Calixto. Tássala é mais dada que as garotas da dona Gorete, me admiro ainda não ter embarrigado. Eu estou fazendo um favor a essa menina e você tinha que beijar meus pés.
Calixto amargurado ao ouvir tantas coisas da filha, seu corpo com mais álcool que água mal conseguia raciocinar, ele tomou o dinheiro das mãos de Nestor e foi jogar.
Nestor pediu mais bebida apreciando a desgraça dos outros, e ficou de olho duro vendo a forma rápida na qual Calixto ia perdendo o seu dinheiro, nem quinze minutos se passou e ele já veio pedir a outra parte.
— Olha a única chance de levar toda bolada ou hoje mesmo eu pego a Tássala pra mim.
Disse dando risadas, e mais uma vez ele apostou e perdeu uma, duas, três vezes em seguida. Assim quando viu que ele havia zerado tudo e não tinha mais com que jogar, o velho Nestor deu muita risadas, pois agora sim Tássala era toda dele.
— Vamos Calixto acabou o jogo por hoje, eu vou pegar minha Tassinha agora.
O velho Nestor agarrou Calixto pelo braço saindo da taberna, indo em direção a casa de Tássala. Nestor ia sorridente já Calixto parecia um pouco arrependido da loucura que fez.
Capitão pagava sua estadia pelo tempo que ficou na taberna quando ouviu os burburinhos que rolavam solto.
— O Nestor agora vai dormir de barriga cheia depois de jantar aquele banquete que é Tássala.
— Se eu soubesse que o pai estava penhorando a filha eu mesmo tinha emprestado o dinheiro para ele jogar.
Leonel deixou a mala no chão e encarou os bêbados que falavam e falavam.
— Que história é essa?
Um dos bêbados falou tudo e Leonel ficou furioso, por um lado queria quebrar todos eles, e esmagar esse tal Nestor como faz com insetos. Por outro não tinha nada a ver com isso e estava de partida, mas algo não queria o deixar ir sem antes fazer uma coisa.
— Levem minhas bagagens para o navio, eu já acompanho vocês.
— Uer pra onde você vai capitão? Não me diga que vai arranjar sarna pra se coçar? Vamos embora homem e deixa essa sereia de mão.
Falou Juca encarando seu capitão.
— Vão, já eu chego lá.
Falou e saiu pisando duro em direção a casa de Tássala, e assim que se aproximava pode ouvir os gritos da garota importando para não ser levada pelo bêbado do Nestor.
— Me solta! Me solta Nestor me deixa em paz! Papai por favor me ajuda, não deixa esse velho me levar eu te imploro.
Falou aos berros, o coração de Tássala estava apavorado ao se dar conta que Nestor ia mesmo o levar para sua casa e seu pai não fazia nada para impedir. O velho tentou beija-la na boca bem na hora que capitão apareceu, e antes que ele pudesse encostar a boca na dela ele deu um soco no rosto dele o fazendo cair no chão.
— Larga ela seu verme maldito!
O velho Nestor nada falava, pois como o soco havia desmaiado, Leonel encarou o pai de Tássala e rasgou o velho com insultos.
— Como ousa vender a filha por uma merreca seu ordinário.
Acabou dando um soco nele, Tássala ainda chorando tentou correr mais o capitão conseguiu a pegar pela cintura a colocando no ombro, fazendo Tássala se desesperar ainda mais ao perceber que ele estava a levando para seu navio.
— Me solta, me solta eu vou te morder.
Bateu nas costas dele em pânico, Leonel nem pensou no que estava fazendo, só pensava em tirar essa mal agradecida daquele lugar.
— Cala a boca e para de berrar, eu estou te salvado não percebe?
Ele gritou para trazerem a canoa, Tássala ao se dar conta que ele não estava brincando e que realmente iria levar a força igual Nestor estava fazendo começou a morder o capitão numa tentativa falha de se soltar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Antonia Teófilo
nossa que horror, tadinha da Tassala.
2025-02-17
0
Luzia Nogueira
credo, não quero nem passar por ele lugar, só tem gente maldita nesse vilarejo
2024-09-17
1
Maria Das Neves
ela tem que agradecer por ele está levando ela pra longe dessa vila horrorosa que só tem gente ruim começando pelo pai dela
2024-07-06
2