A tática de fuga ganhara o nome de sabonetar. Como um sabonete, Leonardo precisava ser escorregadio para garantir sua integridade. Se caísse nas mãos de uma marionete libidinosa, era fim de jogo. Até então, tal tática não deu certo por pouco.
Tudo por causa da chuva.
Benjin era uma pessoa a ser evitada. Leonardo se considerava um verdadeiro vencedor por ter conseguido evitar que a intimidade entre eles ocorresse. Por ora seus lábios eram os únicos os alvos da marionete. Nunca havia sido beijado daquela maneira. Na verdade nunca se sentira tão desejado por uma pessoa.
Nem no seu último relacionamento, onde tudo parecia ir bem. Leonardo imaginava que era incapaz de lidar com Benjin por algum motivo irritante. Irritante por não querer admitir.
Quando uma chuva torrencial atrapalhara seus estudos, Leonardo atentou os ouvidos na porta ouvindo uma tosse. Todos os fatores culminaram no resultado de um coração derretido tal qual uma manteiga, ao ponto de abrir a dita da porta e acolher a marionete.
Benjin estava sentado no corredor encolhido nos próprios braços tremendo de frio.
Impossível ganhar daquela maldita marionete. Ele era insistente demais, grudento demais... Não fazia a menor ideia de como lidar com ele.
Estendendo a mão para Benjin, Leonardo percebia os finos trajes que usava. Poderia facilmente confundir aquele tecido com a nudez, pois era nítido o corpo do rapaz ao ponto de ver alguns ossos saltados. Ele ficara se balançando no ar mostrando o corpo para uma plateia cheia? Era um exibido mesmo.
Sua pele branquinha quanto a neve estava arrepiava de frio.
Benjin erguera os olhos claros para Leonardo assim que vira sua mão estendida onde havia um machucado um tanto quanto grande. Mas sem questionar ele abrira um largo sorriso na face. Em um pulo Benjin levantou-se segurando a mão do jovem mestre, o puxando para dentro do quarto.
― Tão frioooo! Que maldade a sua em me deixar congelando, Leo!
― Vou te chutar pra fora do quarto então.
― Nãoo. ― Respondia o trapezista abraçando o braço do rapaz. ― Se for pra ser malvado desse jeito, então eu também vou ser.
Seu corpo estava gelado. Há quanto tempo ele ficou sentado ao lado da porta na esperança de entrar no quarto? Deveria ter ido embora se soubesse que Leonardo não apareceria.
Ainda assim. Ainda assim Benjin ficara sentado no frio. Sentira o gosto amargo da culpa.
― Já está sendo. ― Soltando do abraço, Leonardo fora até seu armário tirando algumas roupas suas e as jogando para Benjin, que segurou prontamente. ― Vai tomar banho e veste isso.
Ah, os olhos esverdeados brilharam. O maldito era a animação em pessoa, tamanha emoção em suas fantasias deturpadas. Leonardo conseguia enxergar asas angelicais saindo de suas costas. Estava todo contente por pouca coisa, deixando o jovem mestre encabulado.
― Vai cuidar de mim? ― Leonardo dera as costas, prestes a sair do quarto quando Benjin o abraçara por trás ― Tá bom, tá bom, eu to indo.
E quando o trapezista foi se banhar, Leonardo aproveitara o restante do seu tempo para finalizar os seus estudos. Tudo em uma tentativa desesperada para fingir que não se importava. Mesmo que tentasse algo consigo, daria um jeito de escapar de Benjin. Isso, conseguiria!
Seus estudos duraram um pouco mais do que imaginara. Quando finalmente fechara os cadernos e desligara o notebook, Benjin já estava sentado na beira da cama o olhando com a mão apoiando o queixo. Sereno como se apreciasse uma obra de arte em uma galeria.
Apesar de Benjin ser mais alto, a roupa ficara bem nele. Leonardo gostava de usar roupas folgadas quando estava em casa, por serem confortáveis. Mas ver Benjin usando calça de moletom e camiseta ao invés das fantasias típicas do circo era um tanto quanto... Não tão estranho assim.
Até com os cabelos caídos sobre seu rosto e sem a maquiagem artística, o maldito era bonito.
― Teu cabelo tá pingando. ― Avisava Leonardo apontando nos cabelos molhados do trapezista.
Benjin apenas sorria largo sem responder.
Ele estava tentando ficar doente de propósito?
Suspirando baixo, o jovem mestre arrastara a cadeira pegando a toalha que estava em volta do pescoço do trapezista para cobrir os cabelos do mais alto. Secando os fios, tentava controlar o rubor em suas bochechas.
Por quê?
Apenas por que ele estava fazendo aquilo?
― Está preocupado comigo? Já me ama?
― Vai ser um incômodo se você ficar doente. Outra pessoa teria que ser a marionete. É só isso.
Os braços compridos de Benjin abraçavam a cintura de Leonardo, e seu queixo apoiou-se na barriga do mesmo. Definitivamente estava dando brechas para aquele trapezista mexer consigo, não poderia reclamar depois.
Percebendo o silêncio de Benjin, notara que ele continuava a encará-lo com um sorriso no rosto.
― O que foi? Está me encarando de um jeito estranho.
― Estou feliz, agora você deixa eu te abraçar desse jeito.
Empertigado, Leonardo deixara a toalha cobrir o rosto de Benjin para segurar seus braços e desfazer do abraço. No entanto, o trapezista apertava a cintura do jovem mestre o puxando para mais perto de si.
― Me solta!
― Hahaha, de maneira alguma, Leo.
Fazendo força o suficiente para jogar Leonardo na cama, Benjin rapidamente girou para ficar sobre o rapaz. Segurando os seus pulsos e usando os joelhos para impedir que o outro escapasse, o trapezista mantinha aquele que tanto amava submisso.
Um arrepio passara na espinha de Leonardo.
Havia baixado a guarda! Deveria ter sido cauteloso o tempo todo. O maldito estava esperando o momento apropriado para atacá-lo.
O rubor tomava a face de Benjin sinalizando a sua euforia. Leonardo já vira aquela face excitante em outros momentos, mais precisamente quando a marionete estava prestes a lhe atormentar. Seria o momento ideal para fugir, se o dito cujo não fosse bem mais forte que ele.
― Tem cinco segundos pra sair de cima de mim, seu pervertido.
― Leo, é tão difícil admitir que está começando a gostar de mim?
A descrença de Leonardo poderia ser hilária para Benjin, se não fosse a vergonha crescente. Não importava o que fizesse, como o provocasse, as reações de Leonardo eram saborosas demais. Queria cada vez mais.
― Não pira! Não sou como você.
― Me deixou entrar no quarto, até secou o meu cabelo. Se realmente desejasse fugir de mim, não teria feito nada disso.
― Sou uma alma caridosa, só isso.
Benjin rira inclinando-se diminuindo a distância entre eles. Aqueles meros centímetros que os separavam poderiam ser superados em um piscar. Perigosamente para ambos.
― Então seja caridoso e se entregue de corpo e alma para mim.
― O que raios você está dizendo?
Benjin entrelaçava os dedos aos de Leonardo, ao ponto de também encostar seu corpo ao dele. Pesado e pegajoso como um chiclete, o jovem mestre estava sendo encurralado cada vez mais. O seu desespero aumentava na medida em que descobria naqueles olhos esverdeados o quão sério Benjin estava sendo naquele pedido ousado. Uma seriedade sob os lençóis do prazer.
― Há algum problema em ficar comigo?
― Vários!
― Diga para mim, então.
Leonardo piscara diversas vezes sem conseguir pensar direito, não quando mais alguns centímetros foram cobertos pela aproximação. Sua mente ficara em branco sem traçar absolutamente nenhum motivo a ser dito, ou seria por sua inexistência?
Independente de qual fosse o motivo da ausência de suas palavras, Benjin sorria satisfeito.
― Não consegue, não é? Já está completamente caído por mim, Leo.
Abrindo a boca para contradizê-lo, sua voz não saíra. Um bolo formara em sua garganta o deixando irritado. Leonardo virara o rosto, rosnando baixo tentando escapar daquela presença tão forte.
― Cala a boca.
― Faremos uma pequena aposta, então. ― Sorria o trapezista, soltando a mão de Leonardo para segurar seu queixo o obrigando a encará-lo. ― Tente ficar longe de mim por mais de uma semana.
― Isso vai ser fácil. Além disso, o que eu ganharia se conseguir?
― Te deixo em paz, é claro.
Espreitando os olhos desconfiado, Leonardo apertava os dedos tentando se soltar do aperto. Benjin estava confiante demais para o gosto do jovem mestre.
― Parece que está contando com a vitória.
― Ninguém irá te amar como eu o amo, jovem mestre. ― Benjin abria um largo sorriso. ― Então, aqui vai uma breve despedida.
Tamborilando os dedos suavemente pela face do jovem mestre, Benjin tomara posse de seus lábios. Daquele jeito, intenso o suficiente para nublar cada pensamento de Leonardo. Um beijo que o faria sentir sua gana insaciável.
Que o deixava à mercê.
Por que ele se tornava tão fraco diante de Benjin?
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Atualizado até capítulo 102
Comments
viciada
Léo concerteza ja perdeu essa aposta kkkk
2022-06-24
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