Ao entardecer quatro pessoas estavam reunidas na sala da Dreamland Mansion tomando o café da tarde. O pôr do sol que deixava o céu alaranjado era a visão mais bela que as enormes janelas mostravam, em meio a paisagem das grandes árvores. Poderiam desfrutar daquela visão mergulhados no silêncio, se não fosse por Benjin narrar o quão sensual Leonardo parecia ao tocar bateria mais cedo.
― Meus ouvidos estão sangrando. ― Reclamava Ray em uma careta tediosa. ― Não aguento mais ouvir sobre o jovem mestre.
― Eh, eu estou impressionado que o Leo pareça saber fazer tantas coisas.
Aslan recebera olhares afiados de dois rapazes, não transparecendo o nervosismo pela simples menção ao apelido. Bebericando um gole do chá, o garoto loiro suspirava cruzando as pernas antes que Ray se jogasse no estofado para deitar em seu colo.
― Você não é nada divertido, Aslan. ― Reclamava o mágico. ― Eu também sei fazer algumas coisas.
― Aquilo que você sabe fazer, na verdade, são coisas que nenhum ser humano deveria fazer.
― Isso é um elogio?
Aslan negara com a cabeça, arrancando uma gargalhada do mágico.
― Rapazes, por favor. ― Pedia Vicente, tendo Ray ajeitando-se no estofado para pegar um biscoito da bandeja. ― O jovem mestre parece ter desenvolvidos diversas habilidades desde que saíra de casa. Por isso acredito que ele seja capaz de aprender coisas mais lógicas como administração.
― Ele é inteligente. Mas Vinnie, adoraria se me deixasse passar mais tempo com ele.
Apesar da leveza em sua voz, Vicente sentira o ciúme disfarçado. Era esperado desde que foram para o palco. Fora uma verdadeira batalha fazer Benjin retornar ao ensaio depois do almoço.
― Se dedicasse seu tempo e energia para os ensaios tal qual o faz com o jovem mestre, eu ficarei imensamente agradecido.
Som de passos encerrara a discussão. Um perfume agradável e amadeirado sobrepunha aos chás. Os quatro viraram-se para as escadas, onde Leonardo descia. Parando no mobiliário perto da entrada da mansão pegando as chaves do chevette, ali via-se algo novo.
Quer dizer, era a primeira vez que viam Leonardo arrumado. Calça jeans preta um tanto quanto justa, a camisa grande e branca destacando seu pescoço alvo e o colar que usava. Os cabelos estavam úmidos, mas a cor castanha deles destacavam os brincos prateados.
― Uau, o jovem mestre parece estonteante. ― Brincava Ray, ganhando um olhar repreendedor de Benjin.
Assim que pego a chave do carro, Leonardo aproximou-se do estofado focando apenas em Vicente.
― To indo pro trampo, vou precisar do controle do portão.
― Oh, é mesmo. Vou pegar.
Vicente deixara a xícara de chá sobre a mesa para se levantar e deixar a sala. Benjin apoiara a cabeça em seu braço observando o rapaz parecer tão descolado.
― Onde vai Leo?
― Trabalhar. ― Sorria o universitário para o garoto loiro, que parecia curioso ao inclinar a cabeça. ― Nos finais de semana eu toco com meus amigos em um bar.
― Você faz parte de uma banda?
― Isso explica muita coisa. ― Ria Ray. ― Por acaso é o baterista?
― Não, sou vocalista.
― Então não deve ser tão bom assim. Quando Ben contou sua façanha de mais cedo, devo ter superestimado suas habilidades.
Leonardo olhara de relance para o trapezista, que o encarava sombriamente desde que ouvira a pergunta de Aslan. Estalando a língua enquanto vestia o casaco grosso, o rapaz não se deixara levar pela malicia daquele palhaço.
― Eu costumava tocar como baterista, mas encontrei um moleque que manda bem. ― Sorrindo largo em pleno orgulho, Leonardo lembrava-se do dia em que vira Gustavo tocar ― É um talento que vale a pena lapidar, por isso me dedico a dar oportunidades a ele.
Quer dizer, Gustavo era calouro ainda e tinha muita energia para aprender a tocar melhor. O garoto sempre aparecia na faculdade com algum vídeo com alguma técnica da qual desejava aprender, e Leonardo o ajudava com grande prazer.
Compartilhar dicas entre pessoas com mesmos gostos era prazeroso.
Sua alegria era visível, deixando um certo trapezista nem um pouco contente.
― Ah, queria ver um show de uma banda. Deve ser tão legal. ― Murmurava Aslan cabisbaixo.
― Ué, eu te levo se quiser.
― Diferente do jovem mestre que tem tudo de mãos beijada, nós reles mortais precisamos trabalhar. ― Rosnava Ray abraçando Aslan possessivamente. ― Além disso, nosso pequeno gênio aqui não precisa ver esse tipo de coisa mequetrefe.
― De mão beijada? ― Leonardo soltara um riso seco, umedecendo os lábios tentando respirar fundo para manter a calma. Apesar de tal tarefa ser difícil. ― Vai se foder, seu palhaço. Você não faz ideia do que eu passei.
Era notável que Ray era arisco com Leonardo, o universitário já havia notado aquilo. Só não sabia dizer o motivo de ter conquistado sua antipatia. Além disso, por que raios ele estaria sendo grosseiro consigo quando nem era com ele com quem estava falando?
Vicente retornava à sala entregando o controle na mão de Leonardo.
― Pronto jovem mestre. Pode deixar esse em seu carro, mas evite de perdê-lo. Aliás... Devo guardar o seu jantar?
Revirando os olhos, Leonardo enfiara o controle no bolso de sua blusa e dera as costas para o grupo.
― Não me espere. ― Respondera secamente.
Tendo Leonardo saindo da mansão em meio a um silêncio arrebatador, Vicente virou-se para os três jovens arqueando a sobrancelha. O mero dar de ombros de Ray não era novidade para os demais já acostumados com sua língua solta.
Benjin erguera os olhos claros para o mágico, de maneira a deixar claro a sua cólera. Os dedos fechados em punho se apertavam ao ouvir o som do motor do carro que se distanciava gradualmente anunciando a partida do jovem mestre.
Socando a mesa deixando os outros três em alerta, Benjin mordia o lábio inferior.
― Ben, não precisa ficar irritado. Ray é um idiota e isso nem é novidade.
― Ei!
― Por que ele sempre tem que ir embora? ― Murmurava o trapezista. ― Toda vez algo surge para tirá-lo de mim, e dessa vez...
Ficando sob a mira da raiva, Ray erguia as mãos inocentemente.
― Não adianta colocar a culpa em mim. Ele ia sair de qualquer jeito.
― Provavelmente ele ficaria mais um pouco se você não tivesse falado merda. ― Reclamava Aslan, abrindo um ligeiro sorriso depois de se servir do chá.
Ray virou-se para o garoto loiro, fazendo um bico nos lábios.
― Ele queria te levar para um bar! Tem noção disso? Pessoas e mais pessoas embriagadas juntas em um lugar fechado.
― Você ficou com ciúmes, seu idiota. Além disso, no parque também temos pessoas que ficam embriagadas.
― Mas...
― Quem é o tal do baterista? ― Reclamava Benjin, retomando a conversa ao se virar para Vicente ― Já o viu?
Vicente tornou a se sentar no estofado, também se servindo do chá novamente.
― O vi algumas vezes quando fui até a universidade para ver o jovem mestre. Deve ser mais novo que Aslan, e ele está sempre perto de Leonardo.
― O jovem mestre disse que está lapidando o talento dele, isso significa que eles passam tempo juntos...
Aslan enfiara um pedaço de pão doce na boca de Ray. Não fora o suficiente para afastar a sombra enciumada sobre a cabeça de Benjin, que apertava uma almofada em seus braços.
― Juntos? Não me diga que o Leo se produziu todo só pra ver esse moleque. Não, não...
Vicente suspirava em desistência. Lidar com um enciumado era a sua capacidade máxima. Agora dois já exigia estratégia e paciência que talvez o administrador não detivesse. Sua energia se esgotara só de andar de um lado para outro com Leonardo por todo o parque, imagina lidar com aqueles meninos.
Ray gostava de Aslan, isso era nítido apesar de haver uma tênue linha entre os sentimentos românticos e o desejo de perturbar uma pessoa por diversão pessoal. Já Benjin era simplesmente obcecado. O que poderia acontecer quando ambos tinham sentimentos conflitantes pela mesma pessoa?
― Vicente, porque nos chamou aqui? ― Questionava Aslan, ignorando as tentativas de Ray em ganhar sua atenção.
Bebendo um gole do chá, o administrador mantivera sua postura ereta ao erguer os olhos âmbar brilhante para Aslan. Uma seriedade impecável já dava indícios de que o assunto era sério.
― Precisamos de uma nova atração para a estreia da Winter Flavour.
Virando-se para a enorme janela, Aslan percebia a cerração começando a se tornar presente.
― Hm... É chegada a hora de um novo amigo. Quem deveríamos chamar?
Benjin levantou-se do estofado, dirigindo-se para a porta da mansão. Antes de passar pela porta dupla, o rapaz virou sobre os ombros lançando um olhar enigmático para os demais.
― Seja quem for, será por minha conta. Preciso extravasar um pouco.
Vicente o encarara por meros segundos antes de retribuir o sorriso para o trapezista.
― Estarei o esperando, nesse caso.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 102
Comments
Yakult
Apaixonadaaa nesses doidos
2022-11-12
0