Perseguindo objetivos

Um suspeito de boné e capuz corria a plenos pulmões. Mesmo que fosse difícil respirar e suas pernas parecesse amortecidas, o sujeito obrigava-se a continuar correndo desesperadamente. Vez ou outra olhava sobre o ombro, enxergando três homens o seguindo ainda afastados.

Era um sinal para que aumentasse a sua velocidade.

Virando uma rua, encontrara uma cerca da qual se pendurou para escalar e pulá-la. Os homens que o seguiam chegaram pouco depois, irritados por terem perdido o seu alvo. Mas somente um deles não ousou desistir, pegando impulso para pular na cerca e continuar a perseguição.

― Vão pela outra rua! ― Gritava o rapaz forte, com a mão em seu cinto.

Tornando a perseguir o sujeito suspeito, o rapaz forte abria um largo sorriso prazeroso ao aumentar sua velocidade até alcançar o dito cujo que se desesperou ao vê-lo. Mesmo que virassem uma rua ou outra continuando dentro de becos estreitos, seria questão de tempo que o suspeito alcançasse a avenida e se mesclasse às demais pessoas.

Isso seria um grande problema, pois ele fugiria facilmente.

Estalando a língua, o rapaz saíra da rota óbvia ao pegar uma outra rua do beco. Conhecendo a região saberia que se virasse aqui e ali poderia cair na avenida também. Só precisava ser rápido para emboscar o suspeito.

Dito e feito!

Ofegante, o rapaz saíra na avenida sob os olhares curiosos dos transeuntes. Ignorara-os ao se agachar atrás de uma caçamba de lixo e empurrá-la para fechar a saída do beco. Fora necessária uma boa força para fazê-lo, pois a caçamba estava pesada e cheia até as bordas.

Conseguindo trancar a saída, o rapaz subira na tampa e se sentara podendo ouvir o grito de seus colegas e os passos apressados. Poucos segundos depois o suspeito entrava em seu campo de visão, apavorado em vê-lo tão calmo e sorridente diante de seu triunfo.

― Merda!

O sujeito estava prestes a dar meia volta para fugir, mas os outros dois rapazes que o perseguiam já haviam bloqueado. Sem saída, o suspeito tirara um revolver pequeno de seu bolso, atirando nos pés dos dois perseguidores.

Mediante a sua iniciativa de usar armas de fogo, o rapaz forte sacara a arma de seu cinto e atirara na panturrilha do sujeito, o fazendo cair no chão.

― Ei! ― Gritava um dos seguidores.

― Ele atirou primeiro em vocês! ― Gritava o rapaz forte, guardando a arma em seu cinto e retirando um par de algemas.

Descendo da caçamba de lixo, o rapaz segurara a nuca do suspeito e o empurrara contra o chão enquanto habilmente o algemava. Finalmente a perseguição chegava ao seu fim.

A delegacia ficava próxima ao centro da cidade. Tomando quase uma quadra inteira, fora lá que os três policais levavam o suspeito algemado. O vai e vem de policais fardados e de pessoas continuava intenso, mostrando que não teriam folga tão cedo.

― Detetive! Finalmente voltou, e pelo jeito conseguiu dar conta do recado. ― Cumprimentava um policial novato, apontando para a porta dos fundos onde os outros dois policiais levaram o suspeito.

― Posse de arma de fogo ilegal, investigue isso bem hein.

― Sim senhor!

Observando o movimento intenso, o detetive suspirava ao passar por um corredor estreito onde encontrara a porta de seu escritório. Só de passar pela porta e enxergar a pilha de papéis sentira seu cansaço o consumir em meros segundos.

― Ah! Não quero virar a noite de novo.

― Hahaha, detetive você é bem ocupado. ― Ria o novato, carregando mais uma pasta para o desespero do mais forte.

― Tudo isso de caso não solucionado?

― Não, são apenas burocracias chatas. ― Aliviava o rapaz, entregando a pasta. ― Esse é não solucionado.

Segurando a pasta escura, o detetive se sentara em sua cadeira podendo abrir e ler o documento. Enquanto o policial novato preparava um copo de café instantâneo, o detetive fazia uma careta.

― Mais uma pessoa desaparecida? O  que raios está acontecendo nessa cidade pra tanta gente sumir?

― Me pergunto a mesma coisa, detetive. Deveríamos formar uma força tarefa para investigar isso, não acha?

Recebendo o copo de café quente do policial jovem, o detetive o segurou jogando a pasta sobre a mesa, podendo beber um gole da bebida quente e aguada. Mesmo assim saboroso.

A ideia de uma força tarefa só poderia ser efetiva se aqueles desaparecimentos tivessem algo similar. Como se ocasionados pela mesma fonte de problemas. No entanto, aqueles arquivos pareciam apontar apenas para o único ponto de começo.

― Então a outra delegacia não conseguiu dar cabo à investigação e passaram para nós?

― Na verdade eles não foram notificados. Os pais vieram até aqui para reportar o desaparecimento. ― O policial jovem pegara a pasta para ler o documento novamente ― Uma criança de dez anos desapareceu repentinamente.

O detetive levantou-se da cadeira sem largar o seu copo de café. Os olhos castanhos escuros passavam sobre um quadro branco pendurado na parede, onde diversas fotos e informações estavam dispostas em uma verdadeira bagunça.

― Por acaso você surrupiou o caso antes que alguém botasse as mãos nele?

O jovem policial empertigou-se, coçando a têmpora ao rir baixo e envergonhado. O detetive virou-se sorrindo ladino como se deixasse claro que o rapaz não escaparia de si.

― Bem... Eu sei que o detetive é interessado quando o assunto é aquele lugar, então talvez eu tenha passado a perna nos superiores...

Virando-se novamente para o painel, o rapaz forte estendia a mão para o jovem policial que lhe entregara uma pequena foto da criança desaparecida. Colando-a no painel abaixo da foto de um parque, o detetive suspirava.

― Ultimo avistamento, os pais levaram sua filha de dez anos até um parque com a intenção de se divertirem em família. Mas enquanto ela estava no brinquedo, sumiu misteriosamente sem ser vista. Isso me parece um filme de terror.

O jovem policial ficara ao lado do detetive, encarando o painel. Naquele título do parque haviam outras fotos de pessoas desaparecidas Contendo um único padrão evidente.

― Com isso são quatro desaparecimentos. Todos tiveram os últimos avistamentos no mesmo lugar. Temos o suficiente para conseguir um mandato. O que pretende fazer?

O detetive bebericava do café espreitando os olhos para a foto do parque.

― Vou para esse lugar fazer a minha própria investigação. Mas fique apenas entre nós. Consiga o mandato para essa Dreamland World.

― Sim senhor.

Concentrado em seu trabalho, Leonardo aproveitava o silêncio da mansão para revisar o projeto da faculdade. Quando fora meio dia, uma presença quebrara sua concentração o fazendo se virar na cadeira observando um trapezista se espreguiçar.

Era inacreditável a sua confusão quando o assunto era Benjin. Claramente deveria manter distância e continuar a fugir de seus lábios beijoqueiros, no entanto havia algo que o fazia fraco. Observara-o dormir de guarda baixa, parecia que não havia o beijado até quase tirar seu fôlego. Apenas dormia como um anjo.

O que raios era Benjin?

E por que ele se sentia tão estranho com ele?

Benjin coçava os olhos fitando o teto até começar a sua busca por Leonardo, que o encarava um pouco longe. Aliviado por tê-lo ainda perto, mesmo que sentisse ser alvo de maldições em sua mente, o trapezista se enroscava nas cobertas.

― Ficou aqui comigo só por eu ter dito que fugiria quando eu acordasse?

Leonardo rosnava voltando a virar-se para o notebook.

― O quarto é meu, por que raios eu fugiria?

Benjin ficara de joelhos na cama, engatinhando até a sua beirada aproximando-se da cadeira de Leonardo. Podia sentir o cheiro do rapaz e do seu shampoo, indicando que ele tinha se banhado a pouco tempo.

Enquanto dormia, Leonardo havia ficado no quarto?

― O que estava fazendo?

― Estudando. Você não deveria estar ensaiando ou treinando? ― Resmungava Leonardo puxando a folha de papel onde os detalhes do projeto estavam rascunhados.

Tentava, a todo custo, fingir não ser afetado pelas ações daquele trapezista. O seu estudo era a única barreira que parecia segurar a libido de Benjin, apesar de ainda ser alvo de seus abraços e grude.

― Como sabe?

― Vicente veio aqui, mas quando te viu babando no meu travesseiro ele foi embora.

Benjin soltara um riso baixo ao se levantar da cama e abraçar os ombros de Leonardo.

― Estou tão feliz. Acordar do seu lado é tão bom, quero fazer isso pra sempre.

Lá estava o grude. Leonardo definitivamente não fazia a menor ideia de como reagir aquele tipo de comportamento. Já havia comprovado que quanto mais tentasse afastá-lo, mais motivado Benjin ficava em capturá-lo. Em contrapartida era irritante permanecer parado como se aceitasse.

Batidas na porta não foram o suficiente para Benjin largar de Leonardo. Nem mesmo quando Vicente entrara no cômodo abrindo um sorriso afável como se compreendesse que os dois estavam íntimos. Rapidamente o jovem mestre tentara desvencilhar dos braços grandes de Benjin, que o aprisionou ainda mais.

― Bom dia, Vinnie!

― Devo esquentar o almoço de vocês? Parece que estão dispostos a sair do quarto já.

― Larga, sua marionete pervertida! ― Rosnava Leonardo conseguindo escapar dos braços de Benjin ao se levantar da cadeira. ― Ah! Estou cansado.

― Ver os jovens noivos se dando bem é sublime.

― Cala a boca seu palhaço! ― Reclamava o rapaz novamente.

Benjin sentou-se na cadeira da mesa de estudos, batendo em seu colo em um convite silencioso para Leonardo. Mas o universitário se escondera atrás de Vicente como um gato assustado, arrancando risos de seu noivo.

― Precisa de alguma coisa, Vinnie?  ― Perguntava Benjin enquanto arrastava a cadeira para perto dos dois.

― Na verdade eu preciso discutir um assunto com o jovem mestre.

― Comigo? ― Questionava o rapaz desconfiado. ― O que foi?

― Sei que não deseja que os funcionários da Dreamland saibam quem é, mas é necessário que conheça quem trabalha para você, jovem mestre.

Leonardo fizera uma careta ao sair de seu esconderijo.

― Preciso?

― É claro, já discutimos isso. Mas eu te oferto uma máscara. O que acha de trabalhar como nosso estagiário?

Cruzando os braços, Leonardo se interessava no assunto esquecendo-se do sujeito que continuava a arrastar a cadeira atrás de si.

― Estagiar no parque... Hm, continue.

― Na sua grade curricular, você precisa fazer estágio. Poderá se passar por um estagiário lá fora, mas a partir do momento em que pisar dentro da mansão estará cumprindo com os seus deveres como o herdeiro da Dreamland. O que acha disso?

Até mesmo Benjin parara para escutar tal ideia de Vicente. Era esperado do administrador encontrar possíveis saídas que favorecessem a conquista de seus objetivos. Independente do meio utilizado.

Leonardo ainda era arisco, porém sua facilidade em entrosar com Barley no dia anterior trouxera a ideia essencial para garantir sua permanência. Vicente sabia que o jovem mestre não gostara de ter saído do seu emprego na oficina e nem desejava estar ali na mansão. Mas se oferecesse o estágio, estaria brincando com seus desejos mundanos.

Era um tiro certeiro.

Leonardo abria um sorriso ladino.

― Deixa eu ver se entendi. Quer que eu finja ser um estagiário quando na verdade sou o herdeiro?

― Não, quero que seja um estagiário, jovem mestre. Amanhã mesmo poderá trabalhar como aprendiz do Senhor Barley com os projetos de automação do circo.

― E assim me dou bem até na faculdade. Você é desprezível, Vicente.

O administrador sorria fazendo uma mensura com a cabeça.

― Sou grato ao elogio, jovem mestre.

Benjin abraçara a cintura de Leonardo repentinamente, olhando-o todo alegre.

― Que bom, não é Leo? Agora você pode fazer o que quiser aqui na Dreamland.

Empertigado, Leonardo se dava conta pela primeira vez de que herdar um parque poderia ser perigoso para um ego inflado. Ao menos estaria feliz em poder mexer com maquinários sem que ninguém soubesse quem ele era.

Provavelmente a ansiedade em fazer aquilo que tanto adorava fosse capaz de fazê-lo esquecer o motivo de sua relutância até então.

Capítulos
1 Começo de um espetáculo
2 Visita de um administrador
3 A vida de um universitário ansioso
4 O brilho de um parque
5 Universitário heróico
6 O reinado da força bruta
7 Encurralado por um palhaço
8 Um baterista fanboy?
9 De volta pra casa
10 Acorrentado nas atrações principais
11 Brincadeira de criança
12 Mundo particular do universitário
13 Chá da tarde
14 Cansaço vs desconforto
15 Beijo de tirar o fôlego
16 Perseguindo objetivos
17 O detetive conhece o administrador
18 Gatilho angustiante
19 Conhecendo um novo amigo
20 Aposta para um desejo
21 Começo das investigações
22 Um mágico enciumado
23 As costas de um grande homem
24 Sol brilhante fora da Dreamland
25 O relato de um espião
26 Um domingo tedioso
27 Pensamentos de um jovem mestre solitário
28 Fim de uma pequena gripe
29 Garoto perdido
30 Desaparecimento na cerração
31 Silhueta de um suspeito
32 Conhecendo o jovem mestre Evilian
33 Churrasco dos capatazes
34 Casaco e lábios vermelhos
35 Promessa medrosa
36 Ele está diferente
37 Permissão tímida e silenciosa
38 Pela primeira vez, prazer
39 Medo versus Vergonha
40 Faça o seu desejo
41 Despertar da garota
42 Pedido do trapezista
43 Almoço do cachorro
44 Ilusão dos olhos
45 Cansaço do detetive
46 Convite do dono da Dreamland
47 Calor no camarim do trapezista
48 O último dia do espetáculo
49 O espetáculo da marionete
50 O caminhar da sonâmbula
51 O trauma de um Evilian
52 Pesadelo do jovem mestre
53 Cão de guarda
54 O rapaz do espelho na tenda
55 O trapezista quer ser mimado
56 Invasão ao circo
57 Pensamento assustador
58 Brincando de esconde-esconde
59 Como acalmar a marionete
60 Contrato de Rohan
61 A atração do Bluemoon Plaza
62 Reencontro de amigos
63 Sou o herdeiro
64 O chorão cresceu
65 Secretário dedicado
66 Mime a sua marionete
67 Com todo o amor para a Marionete
68 Relatório do detetive
69 Viola consegue!
70 Conflito de Aslan
71 Não me deixe para trás
72 Distraindo o detetive
73 Acidente no circo
74 Luz no fim do túnel
75 Um jantar na mansão
76 Minha marionete
77 Farol do trem
78 O espelho do vagão
79 A origem de Vicente
80 Fantasia da meia noite
81 Desejo insaciável
82 Esperança do baterista
83 Início das suspeitas
84 O inferno de Gustavo
85 Um novo amigo
86 Acordo com um Evilian
87 Ilusão dos espelhos
88 O último sequestro
89 O nervosismo de Leonardo
90 A determinação do jovem mestre
91 Beijo do diabo
92 Passando pelo espelho
93 Reencontro com Diablo
94 Velhos tempos
95 Noite traumática
96 Devorador de almas
97 Lucca Evilian
98 Doce canção de ninar
99 Pós terremoto
100 Caixa de brinquedos quebrada
101 Epílogo
102 Notas da autora <3
Capítulos

Atualizado até capítulo 102

1
Começo de um espetáculo
2
Visita de um administrador
3
A vida de um universitário ansioso
4
O brilho de um parque
5
Universitário heróico
6
O reinado da força bruta
7
Encurralado por um palhaço
8
Um baterista fanboy?
9
De volta pra casa
10
Acorrentado nas atrações principais
11
Brincadeira de criança
12
Mundo particular do universitário
13
Chá da tarde
14
Cansaço vs desconforto
15
Beijo de tirar o fôlego
16
Perseguindo objetivos
17
O detetive conhece o administrador
18
Gatilho angustiante
19
Conhecendo um novo amigo
20
Aposta para um desejo
21
Começo das investigações
22
Um mágico enciumado
23
As costas de um grande homem
24
Sol brilhante fora da Dreamland
25
O relato de um espião
26
Um domingo tedioso
27
Pensamentos de um jovem mestre solitário
28
Fim de uma pequena gripe
29
Garoto perdido
30
Desaparecimento na cerração
31
Silhueta de um suspeito
32
Conhecendo o jovem mestre Evilian
33
Churrasco dos capatazes
34
Casaco e lábios vermelhos
35
Promessa medrosa
36
Ele está diferente
37
Permissão tímida e silenciosa
38
Pela primeira vez, prazer
39
Medo versus Vergonha
40
Faça o seu desejo
41
Despertar da garota
42
Pedido do trapezista
43
Almoço do cachorro
44
Ilusão dos olhos
45
Cansaço do detetive
46
Convite do dono da Dreamland
47
Calor no camarim do trapezista
48
O último dia do espetáculo
49
O espetáculo da marionete
50
O caminhar da sonâmbula
51
O trauma de um Evilian
52
Pesadelo do jovem mestre
53
Cão de guarda
54
O rapaz do espelho na tenda
55
O trapezista quer ser mimado
56
Invasão ao circo
57
Pensamento assustador
58
Brincando de esconde-esconde
59
Como acalmar a marionete
60
Contrato de Rohan
61
A atração do Bluemoon Plaza
62
Reencontro de amigos
63
Sou o herdeiro
64
O chorão cresceu
65
Secretário dedicado
66
Mime a sua marionete
67
Com todo o amor para a Marionete
68
Relatório do detetive
69
Viola consegue!
70
Conflito de Aslan
71
Não me deixe para trás
72
Distraindo o detetive
73
Acidente no circo
74
Luz no fim do túnel
75
Um jantar na mansão
76
Minha marionete
77
Farol do trem
78
O espelho do vagão
79
A origem de Vicente
80
Fantasia da meia noite
81
Desejo insaciável
82
Esperança do baterista
83
Início das suspeitas
84
O inferno de Gustavo
85
Um novo amigo
86
Acordo com um Evilian
87
Ilusão dos espelhos
88
O último sequestro
89
O nervosismo de Leonardo
90
A determinação do jovem mestre
91
Beijo do diabo
92
Passando pelo espelho
93
Reencontro com Diablo
94
Velhos tempos
95
Noite traumática
96
Devorador de almas
97
Lucca Evilian
98
Doce canção de ninar
99
Pós terremoto
100
Caixa de brinquedos quebrada
101
Epílogo
102
Notas da autora <3

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