Dormir em uma cama confortável era um paraíso.
Travesseiros fofos onde seu rosto poderia afundar e ter bons sonhos. Cobertores pesados e quentes para afugentar o frio da madrugada. Cama que não rangia ao menor de seus movimentos. E uma pessoa para abraçar e ficar ainda mais confortável.
Definitivamente Leonardo se sentia bem ali.
Espera um instante.
Sem abrir os olhos, o universitário prestara atenção em cada membro do seu corpo. Suas pernas, sentia um peso nelas. Também sentia em seus braços. O que ele estava abraçando?
Respirando fundo, sentira um cheiro peculiar que certamente não viria de si, estando ele mesclado ao aroma suave de sabonete. Algo o envolvia pelo ombros.
Abrindo os olhos lentamente, deparou-se com um pescoço alvo onde podia ouvir um ressonar suave. Erguendo a cabeça lentamente não conseguira ver quem estava ali, mas notara ser um homem.
Pulando na cama, Leonardo se desvencilhou dos braços que o seguravam tendo o sujeito se virado na cama apertando os olhos. Benjin estava deitado ao seu lado, despertando como se nada o incomodasse. Coçando os olhos enquanto se apoiava no braço, o trapezista bocejava ainda sonolento.
― Bom dia, Leo ~ ― Dissera com a voz rouca e arrastada.
― O que raios você está fazendo na minha cama?
Benjin olhara em volta ainda sonolento, então voltara a encarar Leonardo abrindo um sorriso largo.
― Dormindo com você, o que mais seria?
― Não te dei permissão pra pular na minha cama, seu pervertido de uma figa! ― Leonardo fora para a beira da cama, puxando a coberta para cobrir seu corpo
Benjin sorria largo sem parecer preocupado, ou melhor se divertindo com o desespero do outro.
― Somos noivos, afinal de contas. Não precisa ficar com vergonha de dormir comigo. Fiz nada demais.
Rapidamente Leonardo olhara para si mesmo. Estava usando o pijama que havia posto antes de dormir. Ao que se recordava, havia retornado do jantar e ido tomar um banho para dormir logo em seguida. Não havia bebido álcool e muito menos deixado alguém entrar em seu quarto.
Isso significa que Benjin esperou ele estar no sono profundo para atacá-lo? Para piorar, ele estava se sentindo confortável? Suas bochechas logo pegavam fogo nas mais pura vergonha, que jamais sentira em toda a sua vida.
Ele acordou de uma noite muito bem dormida. Estava revigorado, mas de maneira alguma daria os créditos aquela marionete pervertida.
― Se entrar no meu quarto de novo, eu te mato! ― Rosnava o rapaz, levantando-se da cama para sair do quarto.
― Fica fofo irritado, só perde pra quando está dormindo. ― Ria Benjin rolando pela cama.
Ao abrir a porta, Leonardo deparou-se com Vicente parado checando as horas em seu relógio de pulso.
― Que surpresa, estava prestes a acordá-lo jovem mestre.
Apontando para o quarto, Leonardo tentava parecer bravo o suficiente para esconder o rubor de suas bochechas.
― Tire aquele sujeito do meu quarto, Vicente!
O loiro platinado inclinara a cabeça olhando para dentro do cômodo, tendo Benjin acenando inocentemente da cama.
― Ah entendo, estão se conhecendo ainda. Presumo que a partir de agora devo aguardar um tempo a mais para que possam acordar juntos.
― Não fode! ― Gritava Leonardo ainda mais envergonhado com a falta de interesse de Vicente. ― Quem disse que eu quero acordar com esse sujeito? Isso é um pedido de ajuda, seu palhaço maldito!
Leonardo não ouvira quando Benjin levantara da cama, apenas se deu conta de sua proximidade quando o trapezista pulara em suas costas o abraçando pelos ombros.
― Não se preocupe Vicente, eu fico a cargo de acordar Leo.
― Como quiser, Benjin.
― Co-como quiser? Ei ei ei, eu sou contra isso. Dá pra me ouvir?
― Por que toda essa vergonha? Ontem você disse que eu deveria ficar à vontade para te fazer desejar permanecer aqui. ― Sussurrava Benjin ao pé do ouvido de Leonardo, causando arrepios em sua pele. ― É o que pretendo fazer, meu Leo.
Uma veia saltava na testa de Leonardo. Talvez ele lembre de ter dito algo parecido... Droga.
Dando uma cotovelada para ser solto, o universitário se trancara no banheiro sob rosnados e xingamentos. Benjin o observava da porta do quarto com um sorriso satisfeito em sua face.
― Está feliz agora, Benjin?
― Mas é claro, Vinnie. ― Ria o trapezista, cruzando os braços ao se encostar na parede. ― Mas por que veio cedo aqui? Leo tem algum compromisso?
Vicente suspirava tornando a verificar as horas no seu relógio.
― O parque já está aberto, todos estão trabalhando. Queria mostrar o backstage para o jovem mestre.
― Eu deveria fazer isso?
O brilho intenso de euforia do rapaz era uma novidade para Vicente. Quer dizer, quando o nome de Leonardo era mencionado ao menos.
― Você tem ensaio, Benjin. Inclusive, já está atrasado.
― Ah.. Mas eu queria...
― Se não for agora, não levarei o jovem mestre para vê-lo mais tarde.
Rapidamente Benjin saíra do quarto, fazendo Vicente rir baixo.
Deixando Leonardo levar seu tempo para se aprontar, quando o universitário chegara na sala de televisão no térreo, Vicente o aguardava com uma bandeja pequena para o café da manhã. O rapaz olhava em volta estranhando a quietude da mansão, mas sem ousar dizer algo.
Temia que se perguntasse qualquer coisa, um daqueles malucos poderia aparecer magicamente lhe pregando peças.
Apenas sentou-se no estofado e pegara a xícara de leite quente com mel bebericando um gole. Fora então que notara Vicente parado ao seu lado o encarando calmamente. Estranhamente paciente, ou gerando uma pressão para que se apressasse. Leonardo não soubera discernir corretamente.
― O que foi? Por acaso vai me arranjar compromisso?
― Sim, jovem mestre. Pretendo fazer um tour com você para que conheça o sonho do Mestre Evilian.
Ah, que golpe baixo era aquele que Vicente estava usando. Leonardo fizera uma careta antes de pegar um biscoito e comer devagar. Se a intenção era apressá-lo, então o irritaria um pouco só para saber o que faria.
Mesmo que se demorasse em tomar aquele pequeno café da manhã, Vicente continuara parado feito uma estátua o observando.
No final das contas Leonardo chegara à conclusão de que irritar aquele sujeito era perda de tempo. Engolindo o restante do leite e pegando mais um biscoito com gotas de chocolate, o universitário levantou-se do estofado.
― Então os outros foram trabalhar?
― Sim senhor.
― E você tem tempo livre pra gastar comigo?
― Eu disse que ficaria responsável por organizar sua agenda. ― Abrindo o seu sobretudo escuro, Vicente retirou uma pequena agenda que fora aberta na página marcada por uma fita amarela. ― Devemos encerrar tudo antes das dezenove horas, para que o jovem mestre possa ir ao seu trabalho com os amigos.
― Você vasculhou cada centímetro da minha vida?
― Precisamente. Se deixasse com você, com certeza arrumaria mil e um motivos para não dar tempo de cuidar do parque.
Leonardo rira baixo.
― Quanta confiança em mim, hein.
― O conheço o suficiente para saber que não suporta estar aqui, jovem mestre. Devemos ir se já terminou.
Vicente era definitivamente uma pessoa astuta, que Leonardo precisava se manter atento. Por ora seguiria o seu jogo, esforçando-se ao máximo para não cair em sua armadilha.
Quando saíram da mansão, Leonardo encolhia-se em sua jaqueta. O campo aberto estava cercado por uma fina camada de neblina que trazia o frio aos palcos. Vicente o guiara por um caminho diferente do que haviam feito na noite anterior ao chegarem. Alcançaram um portão que definitivamente Leonardo pensara ser o mesmo da história contada por Gustavo.
Mergulhados no silêncio enquanto atravessaram a trilha, eles saíram em uma rua dentro do parque. Já estava em funcionamento algumas atrações, com pequeno fluxo de clientes. Certamente pouquíssimas apareceriam às oito da manhã em um parque.
Diferente da visão noturna que tivera da outra vez em que ali estivera, Leonardo percebia que o shopping de céu aberto ainda era elegante mesmo à luz do dia. Passando em frente a uma loja de roupas, vira pela vitrine Aslan conversando com alguém.
Para a sua surpresa o garoto loiro usava roupas normais como um jeans e moletom. Apesar de tê-lo visto, Vicente não parara de caminhar. Não até chegarem ao circo, onde os funcionários iam de um lado para outro carregando caixas. Nada diferente do que Leonardo havia visto no outro dia.
― Diferente do parque e do plaza, o circo só funciona à noite. ― Dizia Vicente ao finalmente parar ao lado de Leonardo. ― Durante a manhã e tarde os artistas realizam ensaios enquanto os demais capatazes montam os equipamentos.
― Hm... Faz sentido. É apenas um show por noite?
― Precisamente, jovem mestre. Apesar de termos capacidade de fazer mais, o Mestre Evilian preferia dessa maneira.
O seu pai, hein?
Leonardo passara a olhar em volta sem muito interesse naquele vai e vem de pessoas. Porém algo chamara sua atenção. Ao longe, pode ver alguns andaimes onde homens trabalhavam em um letreiro de um portal, tendo logo atrás uma grandiosa construção similar a uma lona do circo. Apontando naquela direção, cutucara Vicente.
― E ali, o que estão aprontando?
― Ah sim, é o último projeto que o Mestre Evilian estava cuidando antes de ficar doente. É uma praça de alimentação que terá entrada perto do Bluemoon plaza.
― Parece que está pronto...
― Faltam apenas alguns últimos ajustes na decoração interna. Mais tarde posso apresentar o projeto, jovem mestre.
A conversa fora interrompida por um funcionário que avistara Vicente de longe, e viera correndo em sua direção. Segurando uma pasta amarelada repleta de folhas, o funcionário na casa dos trinta anos transparecia alívio em se aproximar dos dois.
― Senhor Vicente, ainda bem que o encontrei. Já estou com a lista das lanchonetes e seus pedidos. Mas fica difícil de cuidar disso sem um gerente pra praça.
― Estamos escolhendo a pessoa ideal para ser o nosso gerente. Enquanto isso, estarei cuidado disso pessoalmente. Deixe-me ver o que eles pedem.
― Ah claro, aqui senhor...
O funcionário olhara curioso para Leonardo, que estava ao lado prestando atenção na conversa. Vicente percebera a desconfiança do funcionário, então virou-se para o universitário lhe sussurrando ao ouvido.
― Jovem mestre, preciso me ausentar por um instante. Se importa?
― Nem um pouco. ― Respondera prontamente.
Vicente afastou-se espreitando os olhos desconfiado.
― Por favor, não saia andando por aí e nem se envolva em brigas novamente. Não me demorarei para retornar.
Leonardo respondera com um estalar de língua tendo os outros dois se afastando para entrarem em alguma tenda pequena. Claramente Vicente estava mantendo parte do seu acordo, já que não o chamara de jovem mestre na frente dos funcionários. Estava sendo discreto.
Isso significa que ele era apenas um zé ninguém dentro daquele lugar. Enfiando as mãos no bolso da calça de moletom, Leonardo resolvera passar o seu tempo andando pela praça. Dessa vez, seguiria para a esquerda, a direção oposta da tenda onde Benjin estava daquela vez.
Queria evitá-lo a todo custo.
Era um pervertido por completo aquele cara! Primeiro o abraçara, depois o beijara e até dormira em sua cama. Tudo isso só por ter sido salvo no outro dia? Ou seria por estarem um acordo de noivado? De todas as formas, já compreendera que aquele Benjin era um trapaceiro pervertido. Independente de suas tentativas de seduzi-lo, Leonardo não se deixaria cair naquelas armadilhas.
Afinal, não era gay!
Não se deixaria levar por aquelas baboseiras novamente.
Um rosto gentil e uma mão quente surgira em seus pensamentos repentinamente. Balançando a cabeça, Leonardo respirou fundo voltando a prestar atenção por onde caminhava.
Evitando se enfiar no meio do corre corre dos funcionários, Leonardo apenas encontrava os contêiner e trailers, ou então barracas com maquinários funcionando. Rapidamente sua atenção fora ganha por uma mesa repleta de peças espalhadas em uma barraca aberta.
Aproximando-se curiosamente, observara as peças e o manual jogado na mesa reconhecendo o modelo de aquecedor. Algumas já estavam montadas, mas só de olhar Leonardo percebera que algo estava errado.
Queria arrumar, mas não deveria mexer nas coisas dos outros.
Tentara dar as costas fingindo não ter notado, ao passo que retrocedia para perto da mesa. Suspirando derrotado Leonardo olhara de um lado para outro sem ter ninguém prestando atenção em si.
Adentrara a pequena barraca encontrando algumas ferramentas jogadas ao chão. E sem a permissão de absolutamente ninguém, ele retirou as peças e começara a montar o aquecedor.
Sempre que mexia com maquinários e projetos Leonardo se perdia. Sua concentração era simplesmente tomada e só voltaria a consciência quando terminasse. Sempre fora assim, desde pequenino. Desmontar para saber como eram feito e remontá-los era uma brincadeira para ele.
Graças à sua concentração, não notara quando um homem corpulento entrara na barraca o fuzilando com o olhar ameaçadoramente.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 102
Comments
Brenda Miranda
Acho que o Léo deveria te esganar kkk... peste kkkkk😅😍😍😍😂
2023-06-24
1