Léo caminhou tranquilamente ao rio.
O sol começava a se esconder, alaranjando o céu, e às suas costas já era possível ver o lilás anunciando a noite.
Usou do passo dos ventos — afinal era uma ferramente extremamente útil — e chegou ao local.
No rio, uma mulher se banha. É negra de pele sedosa, apesar de nua, seu rosto está coberto por um véu de pedras semipreciosas e cristais. Ela veste uma coroa de ouro e muitas joias adornam suas curvas. Exala sensualidade!
Léo esfrega os olhos, não acreditando no que vê.
A mulher olha para o jovem, o véu esconde seu sorriso.
O rio abre-se, formando um caminho entre ambos, e ela aproxima-se de Léo a passos suaves.
— Chegou cedo, jovem. Estava angustiado para me ver?
— Ora iê iê ô! — reverenciou.
— Olha, que lindinho! Sendo tão gentil e educado. Vem…
— Senhora Oxum, é uma honra conhecê-la!
— Galante como sempre, jovenzinho, mas, comigo, não há de funcionar assim tão facilmente.
— Jamais foi minha intenção cortejá-la, senhora.
— Uma pena… gosto de ser bajulada. Na verdade, qualquer mulher, mesmo que não seja por interesse carnal… É uma dica. Não importa qual mulher e como corresponderá, todas gostam… mais que os homens… acredite!
— Lembrarei, senhora. Obrigado!
— Agora que somos mais amigos e trocamos conselhos… pode vir aqui?
Léo caminha em sua direção, tentando não fitar o corpo espetacular a sua frente.
— O que foi!? — Oxum ri, notando o desconforto. — Está constrangido? Ou não do que vê!? Eu duvido. — Dá de ombros.
— É respeito, senhora.
— Se me admira e me respeita, não me toma a força. Mostro-me assim porque confio e não me incomodo de ser admirada. Acalme-se. Sei que sou bela. Sou o Orixá da beleza, além disso, ainda és mortal. É natural desejar, não?!
— S-sim… — assente, ainda mais desconfortável.
— Bem… vamos nos sentar. Enquanto lhe banho em minhas águas, conversamos… Talvez lhe ajude a relaxar!
— S-sim, senhora!
O jovem sente-se melhor conhecendo o intento de Oxum para banhá-lo. Apesar de sentir-se honrado, sua carne o leva a fantasiar, inevitavelmente. Resistente, Léo é hábil para manter-se coeso e centrado.
— Tire a roupa, jovem. — Sussurra em seu ouvido, alastrando arrepios por seu corpo. — Não quer molhá-las, não!?
— Tudo bem.
Desconcertado, ele se despe. Mantém-se de costas, resoluto, e senta sobre os calcanhares. Sente a mulher afastando-se e ao retornar, ela volta a sussurrar em seu ouvido:
— Agora que tirei sua roupa da água, podemos!
Léo sente a água voltando ao seu fluxo normal.
Não tarda para sentir as mãos quentes e delicadas de Oxum em suas costas, lavando-o e ouve:
— És filho de Iansã e Ogum… sei… mas…
— Sim. Tenho muito amor e respeito por meu juntó, principalmente por meus pais. Deposito minha maior fé neles desde muito pequeno.
— Porém…
— Não há um porém, senhora. Apenas isso. Tenho muita vontade de conhecer minha mãe um dia… quem sabe!? — Sorri.
— Mas… se eu oferecesse colo… aceitaria?
Um frio alastra-se por sua espinha e sua carne treme.
Fazendo-se de tolo, ele questiona:
— Como assim, senhora?
— Entregue-se a mim e te adoto. Garanto que não se arrependerá. Cuido muito bem de meus filhos.
— Perdoe-me, senhora. Jamais trairia minha mãe. Amo-te como amo todos os Orixás, ma-
— E se eu quisesse tê-lo em meu leito? — Interrompe.
— Não negaria. Minha carne prova o quanto estou agradado e atraído. Não seria trabalho algum servir seus desejos, mas não será de corpo e alma. Amo alguém, sei não poder tê-la, nem corrigir meus erros, mas posso cuidar dela e de sua lembrança. Ela não me merecia, eu não a merecia — diz, melancólico.
— Entendo… e quanto a minha filha?
— Pedi tempo. Serei uma pessoa melhor e poderei cuidar dela. Amarei, sim, com o tempo, mas amor eterno, já tenho. Oferecei à sua filha outro tipo de amor.
— Honesto… — Sorri. — Meus parabéns!
— Obrigado. Aprendi com meu pai.
— E se eu te forçar? Sequestrá-lo?
— Não resistirei, não é de minha índole ir contra minha fé e meus senhores. Sou um grão de areia em seus rios. Talvez menos, mas não abdicarei de orar e clamar a Zambi por liberdade.
Oxum o abraça para lavar seu tórax e abdômen.
Ele sente os seios macios e delicados da deidade.
Inevitavelmente, a excitação passeia em seu corpo, entretanto, busca concentração e comedimento na sabedoria de Orum.
Guia seu emi para se conter, com êxito.
Oxum ri, sentindo o estremecer e arrepiar do jovem.
— Já consegue fazer isto em tão pouco tempo!? — indaga, retórica, ao perceber o exercício do jovem.
— Na verdade, arrisquei. Pouco sei sobre os mistérios profundos do emi… há uma longa caminhada a frente.
— Uma caminhada que já percorre com excelência, jovem. — Elogia. — Estou impressionada.
Ao terminar de falar, as mãos de Oxum descem ao seu baixo ventre. Léo fecha os olhos, com força, e mantém-se resoluto.
— Não cederá, jovem? — pergunta.
— Em respeito a senhora, não. A não ser que diga querer.
— Quero, mas não assim. Quero que ceda… que caia em meus encantos… Quero que seja meu!
— É isso que deseja, senhora?
— Sim, não pedirei. Ganharei conquistando-o.
— Já tens espaço em meu coração. O que
mais quer de mim?
— Mais pedacinhos. Assim darei uma parte à minha filha.
— Hm, não é sobre mim, mas, zelo por seus filhos, como uma mãe entregando a vida aos filhotes em tempos de seca.
— Sempre!
— Se é esse o caso, não precisa se preocupar! Cuidarei dela e se ela não me ferir, ou fizer mal, retribuirei com mais e mais amor.
— Entendo. Também quero provar de ti. Parece-me forte, viril. Lembra teu pai! É-me nostálgico. Além disso, quero dar-lhe algo, entretanto, apenas após satisfazer meus fetiches pessoais. Sou natureza, instinto. Sou a água doce e não fujo de mim mesma.
— Devo resistir o máximo que puder ou já posso me render? — Léo indaga, virando-se para ela.
— Brincamos! — Sorri, surpresa. — Resista o máximo! Será divertido. Se a lua chegar ao pico no céu e eu não tiver vencido, deixo-lhe partir. Senão fica comigo o resto da noite. Mesmo que consiga, lembre-se que sempre estarei aqui para cuidar de suas feridas e de seus instintos. Sou mãe, mas também sou mulher.
— Aceito.
Assim foi feito.
Oxum manteve-se seduzindo Léo durante todo aquele tempo.
Instigando, acariciando, beijando suas costas e orelhas.
Mordiscando partes estratégicas de seu corpo.
Sem necessariamente exceder a preliminar, nada tão forte quanto toques muito íntimos.
A dificuldade chegou para Léo, inevitavelmente. O uso mal aprimorado do emi consumiu muito de sua força.
O jovem lembrou da primeira vez em que fora flagrado por sua esposa. Os olhos tristes, vertendo lágrimas decepcionadas, marcaram a alma do Léo como chibatadas no pelourinho.
Imediatamente, ele chorou. Todo o desejo e tesão se foram, restando apenas remorso e profundo arrependimento.
Ao perceber, Oxum cantarolou em seu ouvido, como uma última cartada, porém, nem mesmo seu canto pôde superar a dor e ressentimento do jovem, frente àquela lembrança.
Ao ver a lua aproximando-se do pico, Oxum para.
— Venceu. Estou impressionada como você, jovem, lembra-me os rios mais profundos que habito.
— Não fui eu quem venceu, senhora!
— Notei a ferida infeccionada. Precisa tratá-la… ou melhor, precisa querer tratá-la!
— Estou e vou me esforçar ainda mais!
— Pode ir. Tem meu presente. Concedo-lhe meu domínio e minhas ferramentas. Parabéns! — Sorri.
— Posso tentar usá-los?
Oxum o observa, levantando-se, curiosa.
— Se sabe como fazer, faça! Quero ver.
O jovem assente e brada:
— Ora iê iê ô!
As águas respondem à sua vontade, abrindo caminho.
Sua presença torna-se mais intensa e atrativa, o artifício une-se à potencialização concedida pelo domínio de Exu.
Oxum fica admirada com o desempenho fabuloso do jovem.
— Esplêndido! — Elogia. — Venha mais vezes. Quero, sim, conhecer mais de ti, Léo, o prodigioso!
Acanhado, ele a cumprimenta e acena com a cabeça.
Veste-se e parte de volta para casa.
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Atualizado até capítulo 97
Comments
Raquel Souza
eita, Thais tá perdida
2022-06-23
1
Raquel Souza
nossa, realmente difícil ficar safado 😐
2022-06-23
1
Raquel Souza
isso ficou belo
2022-06-23
1