~Nota da Autora~
Oii Pessoas lindas!
Não deixe os dias ruins marcarem a tua trajetória! Faça deles um incentivo para ser feliz e deixar as pessoas próximas a você felizes também. Essa é a essência do viver e você merece todo amor do mundo. Você é incrível, mesmo que não se sinta assim.
Tome um cafezinho e faça alguém sorrir hoje. Faça com que esse alguém seja você!
Kisses :)
Jess acorda aos prantos mais uma vez. A realidade é uma senhora filha da mãe! Corremos para meu quarto e eu me jogo na cama segurando uma Jovem que a dias atrás sorria eufórica por ter se apaixonado perdidamente e hoje ironicamente parece perdida mas de uma forma perturbadora.
— Minha mãe. — Ela chora e seu corpo inteiro treme. — Ela estava dormindo... Arrh minha mãezinha, Kate! Alguém machucou ela. Ela estava dormindo. Minha mãe linda e doce. Seus doces são muito bons, Kate. Você sabe disso não sabe?
Ela balbucia coisas desconexas, que ao mesmo tempo fazem sentido pra mim pois expressam fielmente sua dor e saudade.
— Sim, Jess. Sei sim.
Em meio a sua crise de choro, me pego com um sentimento que ja estava acostumada. Um sentimento que as sombras daquela noite sempre me traziam. Medo. Medo do mal que estava nos cercando e que poderia destruir Jess. Medo de um futuro incerto para minha prima. Medo de não aguentarmos a pressão em nossa família denovo. Estamos vivendo o mesmo pesadelo terrível de minha infância.
Preciso protege-la de si mesma. Preciso protegê-la dele.
Após a mensagem, Kevin acionou mais viaturas e se preocupou em atualizar a policia local, também pediu ajuda a alguns de seus amigos seguranças e detetives. A policia precisava de provas da existência de Raziel, a quem sem dúvidas desconfiávamos de ter sumido com os turistas e ter assassinado minha tia.
Eles agora têm provas de um namorado real de Jéssica que é misterioso e cuidadoso até mesmo pra deixar uma foto de perfil oculta para sua própria namorada.
Desejo profundamente que o peguem e ele apodreça na cadeia. Não preciso vê-lo novamente pra saber que foi ele. Seus olhos de predador haviam me alertado aquele dia em Mirror Lake. Meu corpo sentiu o perigo como no dia do acidente. E eu ignorei. Ao invés de protege-la, tive uma noite quente com meu melhor amigo. Mas devia ter estado aqui com elas. Devia ter cuidado melhor delas.
Uma lágrima escorre, me fazendo respirar fundo.
— Porque fizeram isso, Kate? Porque machucaram ela?
Sua voz é fraca. Levanto-me e vou até a escrivaninha pegar um dos meus remédios. Derramo água em um copo, sempre deixo uma jarra no quarto para os rituais de medicação noturno e matinal.
Volto pra cama e a faço engolir. Não preciso dormir, vou vigia-la. Ela sim precisa se acalmar.
— Eu não sei. Mas vão descobrir.
Eu não quero ter que deixa-la nervosa dizendo que desconfio do seu namorado. Meu dever sempre foi protege-la, agora mais do que nunca.
Não revelo meus sentimentos.
Sem celular, pois Kevin os entregou aos policiais sob um mandato, penso em uma estratégia.
Minha prima deita no canto da minha cama, me fitando com olhos inchados e uma expressão de profunda tristeza. Eu conheço a dor de perder uma mãe. Eu senti isso e vejo isso em seu olhar agora.
Procuro meu notebook e o levo pra cama. Puxo o criado mudo e aciono a câmera para iniciar uma gravação.
Seguro a mão de minha prima no momento em que meu parceiro entra no quarto.
— Vocês estão bem?
Assinto. Jess por outro lado volta a chorar quando o vê e estende os braços na direção da figura masculina como um bebê pedindo colo. E ele dá, porque sempre fomos um trio inseparável. Porque ele é nosso melhor amigo e porque ele é o homem que sempre cuidou de nós. E sei que meu amigo a ama tanto quanto eu e vai protegê-la.
Kevin puxa minha prima e a abraça balançando-a como se isso fosse tirar sua dor.
— Shii, baixinha. — ele sussurra — Vai ficar tudo bem, estamos aqui com você.
Choro em silêncio ao mesmo tempo em que a raiva me consome e quase me esqueço do que ia fazer e vejo que está tarde, daqui a algumas horas estará amanhecendo.
Encaro ele como um alerta de que eu iria fazer algo. Ele assente como se entendesse e me dá um ok com a cabeça.
Limpo a garganta.
— Jess, querida. Consegue olhar pra mim? — peço gentilmente — Olha pra mim.
Ela me encara com os olhos marejados enquanto escolho as palavras certas.
— Preciso te fazer umas perguntas, pode respondê-las para me ajudar?
Ela parece confusa por uns segundos. Como se seu cérebro no estágio intenso da dor estivesse lento demais pra processar algo de forma racional. Espero com paciência. Até que ela assente e eu me sinto segura pra continuar.
Lembro da reação dela ao ver Olga, cena que eu sei que jamais vai esquecer e que possivelmente a fará traumatizada por um bom tempo. E esse tempo é perigoso, pois pode desencadear doenças emocionais e até mentais. Nossa família não é uma das mais fortes no quesito sanidade. Penso nisso por mim mesma. Toda uma vida sendo medicada e acompanhada por um psiquiatra.
— Primeiro preciso que me diga que vamos até o Doutor Vasiliev amanha, ok? Vou pedir um remédio pra você se acalmar.
Ela não expressa emoção. Então resolvo continuar.
— Tenho uma curiosidade. — Paro e espero ela se concentrar no que digo — Jéssica, preciso saber onde conheceu Raziel.
Jogo as palavras esperando pra ver sua reação. E é bem triste, pois seu rosto muda como se segundo atrás nem estivesse triste por uma perda. Seus lábios abrem num sorriso hipnótico e ela suspira, como se por um instante tivesse esquecido dele e se sentisse culpada.
Agora penso como deve estar minha expressão quando encaro meu amigo. Muito P da vida. Foi como se uma rosa estivesse seca e murcha e de repente parecesse viva e cheia. Se não fosse trágico, estaria indicando a carreira de atriz. Porque só sendo muito boa pra mudar e expressar duas emoções opostas com tanta maestria numa fração de segundos.
— Raziel. — Insisto novamente — Como vocês se conheceram? E onde o viu pela primeira vez?
Certo. Eu devo ser uma pessoa horrível. Minha prima acaba de perder a pessoa que mais ama na vida e ao invés de deixa-la em paz em seu luto, corro para tirar informações. A verdade é que a polícia fará isso sem duvidas. E como vi, eles não tem piedade, então prefiro ser eu a interroga-la, mais ainda porque realmente preciso esclarecer esse enigma. E sua vida pode estar correndo perigo agora mesmo.
*Estou indo ai pegar você* Lembro de sua resposta.
Mas ele não terá a audácia de se aproximar da casa enquanto todos aqueles homens estiverem lá fora.
— Eu... — ela começa — Foi mágico, sabe Kate...
Kevin acaricia as costas dela incentivando a continuar falando.
— Eu tinha ido àquele bar que você me levou uma vez, lembra?
Assinto.
— Bariloche.
— isso, fui ao Bariloche com uma amiga e estávamos dançando quando o vi no bar. Todo lindo e sério me olhando. O Dylan estava sorrindo pra minha amiga. Então voltamos pra nossa mesa na esperança deles irem até lá falar com a gente e nos oferecerem uma bebida ou algo assim.
"Com certeza eles foram" Penso.
Ela dá uma pausa tentando se lembrar de algo mais.
— Eles realmente foram até nós e pediram pra sentar. Conversamos e bebemos com eles. A essa altura Dylan e Ivone estavam se amassando já.
— E você e o cara pálida?
— Ah eu não fui tão rápida. — Ela sorri envergonhada— Ele falou como estava a muito tempo me esperando aparecer. Achei fofo. Parece que foi coisa do destino mesmo. Como se fôssemos destinados ao outro de outras vidas.
De católica á Allan Kardec, Prima? O cara é bom mesmo.
— Depois eles nos convidaram pra casa deles. Estavam dando uma festa Vip.
— Em que local fica a casa deles? — Pergunto esperançosa por algo sólido.
Ela sorri.
— Eu não sei. Fomos vendadas dentro do carro.
— E você não achou nada disso estranho?
Porcaria, Jess. Não é possível que tenha sido tão burra! Entendo porque Olga passava noites em claro. A filha parecia uma criança de doze anos.
— Não achamos. Eles pareciam confiáveis e disseram que eram tipo agentes do governo e que a casa deles era um local privado. Mas pelos sons que ouvi no caminho parecia ser uma casa cercada por florestas.
— Jess, não teve nada que pudesse perceber de estranho neles? Sério mesmo que confiaram em 2 homens estranhos que conheceram naquela noite, que pareciam estar seguindo vocês, e ainda foram pra um tipo de esconderijo sem questionar?
— Não, ué. Você e Kevin viviam dizendo que eu precisava de experiências emocionantes. Que parasse de viver somente para caridade e estudos. E eu realmente pensei que essa fosse a oportunidade de VIVER.
Ela dá ênfase na ultima palavra, se acomodando nos braços de Kevin.
Agora somos culpados.
— Eu não queria ser aquela nerd chata e quatro olhos pra sempre. Aliás, preciso avisar a ele o que aconteceu e dizer que estou com saudades. Onde está meu celular?
Suspiro frustrada e desligo o notebook. Ela deve estar brincando! Zero progresso. E cada vez mais suspeitas.
— Nossos celulares foram confiscados. A polícia precisa analisar. E sobre a notícia de sua mãe, Ele com certeza já sabe.
Sim ele sabe, não só pelo noticiário na tv que mais tarde eu e Kevin assistimos na sala até pegarmos no sono, Mas também porque tínhamos quase certeza dele ter sido o primeiro a estar na cena do crime, antes de cometê-lo.
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Atualizado até capítulo 29
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