Abro os olhos e sento na cama ofegante.
Droga! Foi só um sonho.
Levanto rápido da cama e corro para o banheiro. Lavo o rosto na água fria tirando o suor enquanto me acalmo devagar.
Raras são as manhãs que as sombras daquela noite me visitam. Elas fazem isso Sempre que avanço um pouco ou estou alcançando um momento agradável ou uma realização.
16 anos depois e elas sempre lembram da primavera que jamais me trouxe dias ensolarados, e me faz viver tudo de novo e de novo como da primeira vez. Como se reforçassem que não mereço esquecer e ser feliz.
É tão real que ainda sinto a mesma sensação de sufocamento, as dores nos mesmos locais onde tive os ferimentos mais graves, o mesmo medo, desespero e impotência que senti enquanto vivia a pior experiência da minha vida.
E eu sei o que isso significa.
Graças á ela, tomo medicamentos pra combater a ansiedade, o estresse e o pânico de todas as crises que me atacam quando sou abraçada pelas sombras daquele dia.
— Bom dia — Digo descendo as escadas.
— Oi querida, como passou a noite?
Tia Olga me dá um beijo acolhedor na testa. Sento-me á mesa com todo tipo de pães, bolos, e frutas que ela acredita que precisamos para enfrentar um duro dia. E eu nunca discordo disso.
— Agitada — É tudo que declaro antes de morder um grande pedaço de bolo.
Ouço a mesma pergunta toda manhã desde o acidente. E mesmo sabendo que nada poderia amenizar a falta que meus pais fazem a nós duas, ela faz questão de saber como estou.
Perder a irmã mais nova também levou parte dela, compartilhamos da mesma tragédia e Isso não torna o episódio menos doloroso.
Quando saí do hospital, Olga achou melhor morar comigo na nossa casa. Precisava cuidar da sobrinha pequena e sua filha bebê e morava numa casa pequena demais para nós três. Eu também não teria aceitado sair do único lugar que lembrava eles. Naquele momento, só tínhamos uma á outra e nos agarramos ao pouco que podíamos ter de Santhiago e Helena.
Me sirvo de um pouco de café.
— Jess já foi pro campus?
Ela me encara com a expressão cansada.
— Não. Ela não passou a noite em casa de novo. – suspira obviamente chateada.
— Ela pelo menos se deu o trabalho de avisar?
— Deve ter esquecido.
Vejo em seus olhos uma tristeza e preocupação. Jéssica é sua única filha e acabou de completar dezoito anos. Esta saindo com um rapaz faz três meses e esta é a segunda vez que dorme fora.
Para uma menina nerd criada pela mãe num ensino católico e puritano e sempre fez questão de deixar sua mãe ciente de tudo o que acontecia em sua vida, seu comportamento é preocupante.
Jess é o tipo de filha que nunca deixa de atender ao telefone; é uma aluna exemplar que tem uma lista em seu quarto de todos os compromissos e uma agenda que avisa todos com antecedência. Duvido que tenha esquecido de avisar a própria mãe.
Tiro meu celular do bolso e abro uma conversa com minha prima. Digito: Aonde você se meteu, sua louca?
Envio e termino meu café.
— Não se preocupe. Jess cresceu e já sabe se cuidar.
— Nem sabemos que tipo de namorado é esse.
— Não acho que estão namorando. — declaro juntando minhas coisas na bolsa e pegando a chave do carro. — ela me disse que estão apenas se conhecendo melhor.
Ela faz uma expressão engraçada.
— Enquanto dorme com ele? — Pra ela, parece o fim do mundo e continua— Porque não o trouxe aqui? Porque todo esse mistério de não falar nem o nome dele? De onde vem? Ela não tem ido a igreja, e tem faltado as aulas.
— Não sei, tia. — digo me levantando — Mas vamos dar espaço. Jess nunca teve um relacionamento, ela precisa de tempo pra amadurecer as coisas e saber o que realmente quer. De repente ela ainda não sabe se é sério e por esse motivo ainda não viu a necessidade de trazê-lo aqui.
Dou-lhe um beijo na bochecha e sigo meu caminho para o trabalho.
Checo minha agenda do dia enquanto saio da garagem.
A vila Wilderness nos arredores de Lincoln é composta por chalés e mansões estilo vitoriana. Lincoln, no Condado de Grafton é composta por dois mil habitantes e é a segunda maior cidade de new Hampshire.
New Hampshire pode parecer pequeno no mapa, mas suas diversas regiões oferecem uma variedade de atrações, desde vales de rios históricos até picos elevados das mais altas montanhas do Nordeste. Estradas que levam a vilarejos e quilômetros de florestas de beleza cênica e parques, lagos convidativos, paisagens rurais que mais parecem cartões postais e uma riqueza de oportunidades de diversão ao ar livre.
Desde criança eu achava que era o lugar mais lindo e limpo para se morar. As casas não têm muros, são rodeadas apenas por jardins magníficos e calçadas de pedras elegantes. É aconchegante e ali todos se conhecem de gerações em gerações. Não há violência ou depredações. Na primavera é ainda mais bonito com todas as árvores esplendorosas, pinheiros e flores dignas de serem pintadas em um quadro.
Quase todas as casas da vizinhança foram desenhadas e decoradas pela minha mãe, que havia sido uma arquiteta paisagista de colocar sorriso e gratidão nos lábios de qualquer cliente.
Foi difícil no início viver como se ela ainda estivesse ali mas eu não pudesse vê-la ou ouvir sua voz.
Minha casa e local de trabalho não são tão distantes. Mantive o escritório de arquitetura que minha mãe abriu próximo a White Moutains, new Hampshire, á 1,2km e quase uma hora de nossa casa, mas completei o local com um espaço funcionando uma agencia de turismo, onde sou guia e professora de escalada também.
Formei-me arquiteta e paisagista e assim não precisei me desfazer de um patrimônio familiar que era a alma de minha mãe e me ajudaria a manter uma casa a sua altura, pois não era um trabalho tão difícil se tivesse bom gosto e um olhar para tendências.
A Brewer Inn compra, reforma, vende e aluga propriedades. Quase sempre fazemos o milagre de transformar lugares falidos em algo tão disputado que as pessoas matariam para ter. Algo que não foi tão fácil.
Após o acidente a empresa afundou e tivemos que vender quase tudo para segurar mas meu sócio, arquiteto, advogado e amigo de infância me ajudou a reerguer tudo.
Foi a opção que escolhi no lugar de me tornar policial e ter que matar pessoas como papai.
Chego rapidamente ao Escritório enquanto penso que sou sortuda por poder usufruir de uma vida, não feliz, mas agradável. E poder mudar a vida de alguém mesmo que por pouco tempo e através de minhas mãos.
— Noite ruim? — Uma voz surge entrando pela porta da minha sala.
— está tão na cara assim? — resmungo abrindo minha caixa de e-mail.
Ele para à minha frente e cruza os braços ao encostar os quadris na minha mesa, observando cada parte do meu rosto. Na adolescência eu odiava que todos os meus sentimentos transparecesse tanto.
Tenho quase 26 anos e ainda nao aprendi a esconder o que sinto das pessoas.
Aí percebo que isso só acontece quando se trata de Kevin e meu psicólogo.
Todo mundo tem um amigo de infância com quem compartilha as melhores lembranças. O meu era Kevin desde o nosso nascimento. Nossos pais eram melhores amigos e vizinhos, como uma família.
Desde o ventre Kevin é meu norte. E quando meus pais se foram, ele passou a ser todas as direções juntas. Ajudou-me a passar por tudo, e atura meu mau humor melhor do que qualquer psicólogo.
— Podia ter me ligado. Sabe que eu iria até você. — sua voz é rouca, mas firme.
Lembro-me de algo que passou a me irritar desde o acidente. A piedade e preocupação das pessoas. Como se eu não pudesse lidar com tudo sozinha. Por 16 anos esse olhar de “estou aqui para ajudar” está sempre me rodeando, principalmente os dias que as sombras me visitam.
Tia Olga, Jess, Sr.Vasiliev, Kevin.. Eu sou órfã e esse título já faz com que as pessoas pensem que preciso do máximo de cuidado e atenção, como se fosse acometida de uma doença terminal.
— Já lidei com isso.
Antes de sair engoli comprimidos suficientes para me acalmar e manter minha mente limpa até a volta pra cama á noite. E ele sabia o que a minha resposta significava.
— Você esta pálida, com olheiras e a expressão de um lobo prestes a atacar.
É irritante, mas ele não vai deixar o assunto morrer.
— Verei Homero logo após o almoço. — resmungo passando a mão nos cabelos.
— Se alimentou direito?
Eu o fuzilo com o olhar e não posso deixar de admira-lo tão de perto. Kevin tem a pele clara e azeitonada. Não pálido. Nem tampouco pode ser considerado branco. Hoje veste jeans azuis e camisa social xadrez preta com listras misturadas em tons de azul, como seus olhos. Tudo nele vibra calor: seus olhos, sua voz, seu cheiro, sua alma... Seus cabelos loiros em corte militar. Kevin é todo sol. Ama praia e está sempre de bom humor.
Quando me olha penso em três palavras. Segurança. Paz. Lar.
— Sim papai. Comi tudo e escovei os dentes quer ver?
Sou irônica e ele sorri.
— Tudo bem, vamos trabalhar. — Cantarola saindo.
Olho para a tela do celular. Nenhuma mensagem de minha prima.
Tento focar em todo o serviço que vem pela frente.
Minha agenda está agitada, mas como sempre organizada. Tenho sessão com o terapeuta ás 14h e depois um grupo de turistas pra encontrar e levar em um tour pela White Moutains.
A parte mais gostosa do dia é quando me torno guia e instrutora. É quando passeio pelos lugares mais belos da cidade.
Sinto-me mais perto do paraíso que tanto ouvi nas missas que frequento desde criança. Não que eu seja de fato Religiosa.
Perto do meio dia ouço batidas na porta. Hora do almoço diário com meu sócio e amigo.
No caminho para o restaurante, recebo uma chamada do Dr.Vasiliev, cancelando a sessão de hoje. Faço terapia desde o acidente, e nunca senti que estava bem totalmente para parar. A verdade é que eu sinto alívio de poder conversar abertamente com alguém que não fosse kevin e eu mesma.
— Os Satorys ficaram com a casa de oeste palmer — Kevin anuncia enquanto nos acomodamos na mesa de nosso restaurante favorito.
— Mirror Lake é abençoado — Afirmo realmente impressionada.
— Eu não sei como conseguiu. Ninguém queria aquela casa. — Kevin também estava impressionado. Mais de dois anos tentando vender um imóvel no meio de um lago que dizem ser assombrado no inverno.
As pessoas alugavam em alta temporada, mas jamais morariam por ser no meio da floresta. Havíamos gastado mais do que o necessário e quase avaliamos a opção de doar para o estado para construírem um forte pra admirar aquela parte do lago.
— Eu sei. É algo rústico e vulnerável demais. A casa perfeita para um grupo de vampiros.
— Eu não moraria lá. Ninguém se atreveria. — Ele passeia pelo cardápio — Mas o casal se encaixou muito bem no perfil da família adams. Disseram que não mudariam nada lá, acredita nisso?
A primeira coisa que eu faria era esconder toda aquela vidraçaria.
A casa era como um chalé exposto. Não havíamos mudado a estrutura, apenas estética. O charme era ser aberta com vidros por todo lado onde deveria haver apenas tijolos e cimento. Era lindo, mas fora do comum.
Recebemos uma ligação no escritório de alguém interessado, não em alugar, mas comprar. A negociação foi rápida e limpa. Tudo por telefone e transação bancária.
— Vamos pedir? — Kevin diz parecendo faminto.
Meu celular toca. Não demoro pra atender.
— Já vamos pedir, cadê você?
“No estacionamento” responde a voz abafada.
Não preciso dizer em qual mesa estamos. Comemos no mesmo restaurante desde pequenos.
— Quer jantar lá em casa hoje? - convida Kevin — Meus pais chegam ás 23h de viajem. Querem te ver.
— Ok. Assim que sair do tour eu te aviso. Parece que tem uma brasileira no grupo de 65 anos.
— É sempre bom ter uma aventureira.
— Oi pessoal
Jess surge de repente com a voz cansada. A encaramos e ela congela á nossa frente, aparentemente envergonhada.
— Me perdoem. — Ela parece arrependida. Mas nem tanto.
— É tudo o que a cinderela tem para falar? — Kevin demonstra a mesma preocupação e insatisfação que meu rosto deve estar demonstrando — Me sinto honrado com sua companhia para o almoço.
Jess se senta de frente para nós.
Fico calada, embora a vontade seja de soca-la. Espero ela falar, mas está claramente sentindo muita vergonha agora. Não só por ter sumido sem deixar rastro, mas por não ter avisado Olga.
Sinto um arrepio na nuca, porque agora estou detectando uma vergonha sem pudor de algo maior do que seu desaparecimento, mas à princípio não consigo identificar. E isso não é nada bom.
— Não sei qual das duas está pior hoje. Está acontecendo alguma coisa que eu não sei?? — meu amigo tenta quebrar o silêncio que se instala. — Deram uma festinha do pijama e esqueceram de me chamar?
Agora ele esta sendo irônico.
Até então nada havia me feito pensar que algo ruim poderia estar acontecendo. Ao longo desses três meses minha prima estava sempre eufórica, animada e falante; preocupada com a aparência ao comprar roupas novas, andar perfumada. Quadro clínico visível de paixonite aguda e eu confesso que nunca tinha visto ela tão feliz.
Jess não é namoradeira. Mas ultimamente ela estava diferente. Sua pele é muito branca, como Olga e minha mãe. Genética essa que eu não havia herdado do lado feminino, pois como meu pai eu sou morena. Seu rostinho é redondo, o que deixa claro que não havia mudado nada desde os doze anos. Seus olhos castanhos com profundas olheiras, hoje, não estavam cobertos pelos óculos de grau que sempre usou; nem seus cabelos negros estavam como de costume num rabo de cavalo curto, hoje pareciam cheios e desarrumados.
Algo não está bem e isso faz meus ouvidos apitarem. Já sentiram essa sensação que embrulha o estômago e faz um piiiiiii dentro da sua cabeça, como se os tímpanos estivessem despertando?
“Será que Jess está se drogando?” Penso. “O namorado era da pesada e por isso todo esse segredo?”
Resolvo quebrar o silêncio, antes que Kevin tivesse um ataque.
— Está tudo bem, Jéssica? Precisa de ajuda?
— Eu tô bem.
É tudo que o defunto sentado a minha frente tem coragem de dizer.
Uma Jess falante e enérgica parece agora um personagem da noiva cadáver. Morta. Expressão sem vida. Como se falar, exigisse muita energia.
A observo levar a mão até o rosto e colocar o cabelo atrás da orelha, para logo em seguida ajeitar o local onde estariam os óculos. Ao que ela se dá conta da inexistência e olha ao redor desorientada. Havia deixado em algum lugar.
“Como não percebeu se é quase cega sem ele?”
Ok. Aqui vai o lado ruim de fazer terapia. Você começa a enxergar de forma clínica as pessoas ao seu redor. Você se apega a detalhes rotineiros, vícios e manias que quase ninguém percebe.
— Você está de porre, Jéssica? -questiona Kevin — Pelo menos se lembrou de usar camisinha?
Bom, agora ele parecia pai dela também, como fez comigo essa manhã. E eu não tiro a razão. Sou uma mãe preocupada agora mesmo.
— Onde esteve? — Sou direta e estou prestes a agredi-la se não me dar mais do que um “Eu tô bem”
— Eu... — Gagueja respirando fundo, como se sua resposta fosse delicada demais. — Eu não sou assim, gente. Eu só não sei o que aconteceu. Não me lembro de quase nada. Raziel e eu fomos a uma festa e...
Ela para vasculhando sua memória.
— Drogaram você? Esse seu namorado...
— Não! — Se defende — Raz não faria isso comigo. Não sinto gosto de nada alcoólico, acho que não bebi. Eu só... Só apaguei. Não me lembro de quase nada. Só estou um pouco cansada.
— Se lembra de onde foi essa tal festa?
— Onde o desgraçado está agora? — Questiono após a pergunta de Kevin. E sinto vontade de surrar quem fez isso.
Não era o perfil dela beber ou se drogar.
— Ele me levou para a floresta, uma casa grande, havia uma festa. — Ela fecha os olhos tentando lembrar. — Me lembro depois de entrar no carro para ir embora e apagar... Quando acordei estava na casa dele. Sozinha. Então peguei um taxi pra cá.
Nós três nos encaramos. Muitas perguntas pairam no ar, mas eu só sinto vontade de socar alguém. Jess era um bom alvo. Devia estar louca por agir feito uma adolescente irresponsável.
— Tá legal — Kevin pega o cardápio — Quem nunca tomou um porre num encontro?
— Principalmente quando ele é ruim. — Sou má e eu sei disso.
Inesperadamente ela ri. E kevin também.
— Acho que mais alguém aqui está precisando de um porre e um sexo ruim.
As risadas aumentam e eu faço um bico tentando não rir. Isso diminui o clima pesado e por um instante penso que ela talvez esteja bem. Eu sei como é beber e esquecer quase uma noite inteira.
— Mesmo não me lembrando de muita coisa — Diz Jess fazendo sinal para o garçom enquanto foca em seu pedido. Parece que saiu de um filme de terror. — Me sinto. Muito... Realmente satisfeita. Um pouco dolorida.
— Nossa. Poupe-nos dos detalhes sórdidos. — peço fazendo-os riem de novo.— Na próxima, pelo menos lembre de informar sua mãe. Algo além de apenas uma mensagem de texto.
Percebo que ela realmente parece satisfeita. Bochechas coradas e ar de rainha da Inglaterra.
E talvez ela estivesse certa e eu precisasse de sexo sem compromisso. Este dia não fez meu humor melhorar. O meu segredo era, sexo sem compromisso.
Eu geralmente saio a noite, transo com alguém que me chame atenção e depois nunca mais o vejo. É mais fácil, prático. Apenas necessidade.
Não tenho tempo para relacionamentos sérios. Sem espaço para amar. Fiquei com tudo o que restou de importante e é isso que torna minha vida superável.
Perdi minha fé, embora ainda me force ir às missas dominicais na mesma Paróquia que ia com meus pais. Todos os domingos após aquele. Todos os meses e anos até hoje. Jamais deixei um homem chegar perto demais do meu coração.
Dr. Vasiliev diz que tenho medo de ser deixada sozinha novamente. E por isso criei um muro de proteção onde só exitem 3 pessoas nele. Olga, Jess e Kevin. Porque eu não confio nem em mim mesma para me manter dentro. Ele ainda tenta acessar minha mente para entender como consegui continuar vivendo de forma equilibrada sem uma âncora para me prender a esta vida. Seu histórico diz que pacientes como eu, tende a enlouquecer, se drogar ao ponto de querer se matar. Mas eu convivo com minhas sombras e prendi a dividir minha vida com elas.
Sou uma sobrevivente que precisa continuar vivendo, pra valer a pena o esforço que o destino fez pra me manter viva naquele carro quando tudo o que havia nele tinha sido esmagado.
Terminamos nosso almoço com o clima leve. Parecíamos três amigos que cresceram juntos e desfrutavam de um momento descontraído.
Mesmo que a raiva não tivesse dissipado totalmente, eu entendo que Jess precisa de espaço e tempo pra confiar no relacionamento deles, até o ponto de apresenta-lo pra sua pequena família.
— Você veio de taxi. Quer ir pro escritório conosco? — Convido
— Não dá. Preciso ir pra casa pra falar com minha mãe. Você tem algum tour hoje?
Olhamos pro relógio.
— Sim. Daqui á duas horas vou encontra-los no Caves Park. Eles querem começar pelo Flume Gorge.
— Posso te encontrar no Mirror lake?
Consigo sorrir.
— Claro. — Puxo minhas chaves do bolso — Vai com meu carro. Volto pro escritório com o Kevin e uso a van da empresa depois.
Ela aceita.
— Obrigada. Te vejo depois, Kev.
Ele sorri e lhe beija no rosto.
— Se cuida. E tenta aparecer com esse namorado ou teremos que acionar meus amigos do FBI.
Jess segue para o estacionamento. Eu e Kev seguimos a pé para o escritório, que não era longe. Preciso me arrumar para guiar.
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Atualizado até capítulo 29
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