Proteção Divina

~Raziel~

— Tudo limpo?

Finalizo as amarrações e bato o porta-malas.

D arranca a camisa suja de sangue e se livra dela na pilha que arde em chamas á uns 2 metros de distância de nós.

— Limpo.

Entramos no carro e estou pronto pra seguir com o plano. Como sempre, fácil demais. Sou o melhor pra essa missão, e todas as Sentinelas sabem disso. Meu superior não teve dúvidas em convocar alguém altamente qualificado, treinado, bem equipado, motivado e integralmente dedicado á tudo o que deve fazer.

Além de minha mobilidade geográfica ser a mais completa, posso desaparecer e surgir quando e onde quiser sem nenhum rastro, o que me torna invisível e letal para os meus inimigos. Nenhum deles sobrevive.

Entramos no carro e dou partida deixando uma pilha de escombros pegando fogo para trás. O suor escorre por meu corpo numa visível tensão e foco. Vou precisar de muito esforço físico pra retirar toda essa energia concentrada. Dou um sorriso malicioso maquinando o que fazer com Cassy assim que voltarmos para o Santuário. Todas as posições na qual vou submetê-la, e fazê-la implorar pra acabar logo com isso.

Ah, o gosto de sangue invade minha boca numa abstinência fodida. Preciso terminar isso logo.

D é meu parceiro nas missões desde que fomos iniciados no Santuário Sentinela ainda adolescentes. Sua personalidade oposta à minha, e a forma de nos comunicarmos com tão poucas palavras e nos entendermos sem precisar de muito, faz com que eu sempre o escale para estar comigo nos trabalhos. Tudo isso e o fato de já termos salvado um ao outro inúmeras vezes, nos liga em uma irmandade construída com respeito e fidelidade. Somos rápidos e executamos o que é pedido com eficiência e trabalho em equipe. Não que precise dele para cumprir. Mas é bom ter alguém por perto pra presenciar nossos feitos.

A chata da Semyta de nome Jéssica já me deixou mais de 20 recados. Que menina insuportável! Como foi difícil fingir simpatia e desejo por ela por tanto tempo. Cada toque da garota me fazia querer gritar e soca-la até perder a consciência. Mas até que em alguns momentos foi divertido usa-la para meu prazer.

Por semanas tive que seduzi-la e fazê-la se apaixonar pra ganhar sua confiança e obter todas as informações necessárias que confirmassem que sua família estava sendo protegida por anciões da Ordem, e como furar o bloqueio e atingi-las.

Mas foi ela, a ruiva, que me intrigou. Venho monitorando sua família desde que os superiores decidiram elimina-los um por um. Rastrea-los foi muito difícil, já que o policial era tão bom em se esconder. Mas desde que estamos na cola deles, Ela tem sido motivo de questionamentos internos e até de algumas insônias.

Porque tão protegida por eles? Porque tão mencionada entre os superiores? Porque tão desejada por Balthasar? O que havia de tão especial naqueles olhos cor de mel e cabelos ruivos?

Em Mirror Lake tive vontade de mata-la ali mesmo. Meu lado animal louco para subjuga-la, Seu olhar felino inquisitivo e astuto, como se pudesse ver minha alma, parecia sondar cada músculo do meu corpo. Como um raio x. Como se ela pudesse realmente saber o que eu estava pensando. Senti vontade de vê-la sofrer, chorar no limite de uma dor terrível. Quis Mata-la.

Pensando bem, não seria tão necessário, com todo seu histórico de loucura ela mesmo se mataria em pouco tempo na minha presença. Salivo só de imaginar as muitas formas de tirar sua vida.

Os considerados A.S (Antisemytas) que escolhiam viver vidas normais fora dos limites da Ordem, eram abandonados pelo líder, mas alguns ainda eram protegidos por um grupo de anciãos que viviam ao seu redor como pessoas normais, e em geral, essa era a única barreira entre nós e os filhos da mãe que possuíam também um certo tipo de “Proteção divina”.

Para elimina-los, precisávamos furar a proteção, e só conseguíamos através de um ritual, que dependia de alguém próximo aos nossos alvos. Matar é a parte fácil, a difícil sempre é penetrar na proteção erguida pelos anciões da Ordem Semyta. E isso, havíamos conseguido graças a Jéssica.

Meu celular vibra.

— Chefe.

Ouço um farfalhar do outro lado da linha e o som de vidro quebrando.

— Está na hora. Recebi ordens de matar a anciã.

— Considere Feito. — Afirmo.

— Mas eles querem a ruiva viva.

Tensiono a mandíbula ao cerrar os dentes nada satisfeito.

— Porque não posso destruí-la?

— Não questione, apenas obedeça! Querem ela VIVA, Sacou? Se ela chegar aqui morta, você e eu vamos ter nosso sangue distribuído á todo Santuário. Então, faça o que estou mandando, mate todos e traga ela inteira.

Quase quebro o celular num aperto duro e cheio de ódio.

Não respondo. Desligo.

— Pronto pra fase 2, irmão? — D pergunta com um sorriso de expectativa no rosto. Parece uma criança prestes a ganhar doce.

— Positivo.

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