Mastic

~Nota da Autora~

Oii, Pessoas lindas!

Antes de iniciar o décimo capítulo desta obra, preciso agradecer a ele: O amor da minha vida. Meu companheiro e amigo, meu marido e pai adorável. Lucas. Agradeço por toda paciência comigo, e pelo incentivo para retomar essa história. Te amo muito!

Aos meus queridos leitores, perdoem a demora, mas prometo ser mais ágil em escrever os próximos capítulos.

Kisses ;)

 

Aperto os olhos com força procurando alguma explicação. Jess não para de chorar em meu colo e eu não paro de chorar silenciosamente também.

Não sei por quanto tempo ficamos assim, até sentir o corpo de minha prima amolecer em meu colo e chegar ao entendimento de que ela não aguentou e adormeceu de tanto chorar, ou desmaiou.

Kevin chega na hora certa e nos encontra igual filhotes perdidos e acuados no chão. O sinto se aproximar. Não consigo olhar pra ele. Um cheiro muito doce e ao mesmo tempo cítrico invade meu nariz. Um cheiro que não havia reparado até então. Olho em volta procurando.

— Coloque ela no meu quarto. — peço a ele que assente puxando-a para si e a levando embora.

A mulher nos avisa que vai retirar o corpo e que preciso assinar.

— Me dê um minuto com ela.

Ela resmunga algo como “Não posso deixar que toque no corpo, vocês nem deveriam estar aqui contaminando a cena.”

Ignoro. Aliás, tudo é mais simples quando ignoramos. Levanto e me aproximo da cama. Olga está deitada com os braços ao lado do corpo, como uma bela adormecida esperando o príncipe. A arma não esta mais em sua barriga, a legista tirou e guardou em um saquinho transparente. Olho o local e só vejo o sangue que se concentra apenas em volta do local perfurado. Um círculo vermelho, como que pintado perfeitamente com um pincel. Procuro sangue no chão e nas paredes, sem sucesso. O que indica que o sangue não escorreu. Encaro a mulher.

— Ela não foi esfaqueada enquanto estava de pé. — Afirmo — Ela foi atingida enquanto estava deitada, senão teria sangue até embaixo.

Não preciso ouvir sua resposta. Estou certa do que digo e nem preciso ser Médica legista, é uma questão de lógica. Nem suas maos estava sujas. Parece que olga levou um golpe e apenas ficou deitada esperando o sono. Uma frieza me invade. Olho para seu rosto analisando. Não parece ter sofrido também. Foi rápido.

Procuro de onde vem o cheiro. Aproximo meu rosto de sua barriga ensanguentada puxando o ar. Olho para o chão. Algo brilha desviando minha atenção. Um pingente. Disfarço e pego rapidamente, não permitindo que a legista veja. Percebo que é o pingente de um colar que cheguei a ver nas coisas de minha mãe quando voltei do hospital após o acidente. Uma rosa. Mas não qualquer rosa. Era a Rosa de Lutero, símbolo forte do protestantismo. Algo incomum, já que minha família sempre foi católica roxa. Algo que, na época não fazia sentido, mas que agora me causa um zumbido na cabeça ainda nao fazendo sentido algum. Volto a olha-la e seu cabelo me chama atenção. Parece molhado e esticado com algo de aspecto gelatinoso. Aproximo meu nariz e o cheiro que havia detectado está forte ali. Seu cabelo está perfeitamente penteado e pra trás como quem passou um gel capilar. Seus cabelos são ondulados, mas estão perfeitamente esticados. Sua expressão é tão calma e ela parece tanto com sua irmã.

— Que tipo de cheiro é esse? Está sentindo?— Pergunto curiosa — Está por toda a parte e parece vir do cabelo dela.

Ela ajeita os óculos e me olha séria.

— Não posso ter certeza, somente depois de analisar em nosso laboratório. Mas esse cheiro parece ser de um tipo de mistura capilar com folhas da árvore de Mastic. É extremamente raro de se ver em nosso país.

Nao me lembro de ver Olga usar nenhum tipo de cosméticos com esse cheiro. E se for até mesmo uma marca do assassino?

Nunca ouvi falar. Pego a prancheta que ela me oferece e assino a retirada do corpo. Saio do quarto ouvindo uma voz em minha mente “A sua sombra”.

Deixo o quarto e pareço anestesiada. Horas sem tomar minha medicação, nunca deixei de tomar em todos esses anos.

Dou uma olhada em Jess no meu quarto no fundo e desço, pois sou convocada pelo delegado á prestar meu depoimento, que ele insiste em pegar aqui mesmo na minha sala de jantar.

Respiro fundo. Kevin tenta segurar minha mão ao sentarmos na mesa, mas eu me afasto. Não preciso de mais sobrecargas de sentimentos.

— Senhorita Khaterine Brewer, Imagino que queira respostas — Começa o homem com a enorme barriga — Investigamos a cena do crime e recolhemos todas as provas, mas sem dúvidas foi um homicídio doloso. Concluímos que nenhum pertence ao que parece foi levado, e não há marcas de invasão, o que indica que a vítima conhecia muito bem o suspeito. Quem fez isso conhecia bem a casa e como acessar. A causa da morte foi dada pela nossa legista que pôde confirmar envenenamento seguido de esfaqueamento. Quem mais tem acesso á casa?

Tento acompanhar suas palavras.

— Só Jess e eu temos a chave.

— Tem certeza?

Seu olhar penetrante passeia por Kevin e volta para mim.

— Sim.

— Instauramos o inquérito e vamos investigar a morte de sua tia, precisamos falar com todos que tiveram contato com ela nos últimos dias. Quando foi que á viu pela ultima vez?

— Eu dormi na casa de Kevin essa noite, á vi pela última vez ontem de manhã. Tomamos café juntas.

Abaixo a cabeça e as lágrimas voltam. Tomamos café juntas. Nosso Último café. Que pesadelo!

— E a filha da falecida?

— Jess estava com ela, mas quando fui chamada á delegacia essa manhã, ela deve ter saído de casa, estava indo ao nosso encontro e depois eu não sei...

— Alguém tinha motivos pessoais para machucar vocês? Algum desentendimento na última semana, nos últimos meses?

Balanço a cabeça que não. Até a imagem dele surgir em minha mente. A vizinhança era amável. No trabalho tudo fluía bem. Nunca tive amigas ou ex namorados ciumentos. Ninguém com potencial pra assassino a não ser...

— Ah meu Deus! O namorado dela!

Ele me olha confuso. Me levanto do sofá e começo a andar de um lado á outro.

A única coisa recente e fora do comum, a única coisa que estava tirando o sono de Olga e a perturbava profundamente.

— Sua tia estava em um relacionamento?

— Não! — Passo a mão pelos cabelos puxando eles um pouco pra que a dor me mantivesse sã. Olga deve ter voltado a ser virgem, quando meus pais morreram ela estava viúva e nunca mais casou ou namorou. Depois do acidente sua vida era só Igreja, cuidar de nós e trabalhar em seus livros de catecismo.

Kevin fala no meu lugar.

— Kate desconfia da mesma pessoa que está envolvida no desaparecimento dos turistas.

— Infelizmente, Sem um sobrenome, câmeras que tenha pegado ele e os turistas ou até um retrato falado, não podemos simplesmente lançar um único nome em nosso sistema. Apareceriam centenas de Raziel em NH.

O fuzilo com o olhar.

— Não é um nome comum. Posso dar um retrato falado dele e do amigo que estava com eles. Dylan.

— Puxamos as câmeras de segurança do parque, das estradas e ate do Hotel... Nem mesmo consta a sua Minivan parando á frente do Hotel. Vimos você e sua prima, mas ninguém com vocês. Nenhum registro do seu carro em lugar algum no caminho de White Moutain á Lincoln.

— Isso é impossível. Eu o vi, falei com ele. — Resmungo estressada — Jess namora esse cara por 3 meses, como ele não aparece em lugar nenhum, nem mesmo com ela?

— Teremos que falar com sua prima, confiscar aparelho celular das duas. Confirmada essa história, vocês serão chamadas pra um retrato falado e emitiremos uma busca contra o indivíduo.

— Como assim, confirmada essa história? — Questiono a ponto de xingar ele. — Está duvidando de mim? Não acredita no que estou contando? Que absurdo!

Ele se levanta.

— Ossos do oficio, Senhorita. Não julgo ninguém culpado á não ser com provas, mas também não julgo inocente á não ser que provas me levem á isso. Checarei seu álibi para a hora do crime — ele estende a mão para Kevin que se levanta e pega — Vamos averiguar todas as provas dos dois casos e ver se tem algo que os ligue. Promotor, o Sr. Será atualizado do caso. Por enquanto, mantenha sua cliente e a filha da vítima na cidade. Não deixem NH. Deixaremos uma viatura em frente á casa para sua proteção. Assim que Jéssica acordar, nos ligue e conversaremos com ela. Precisamos de respostas.

Kevin assente.

- Para nossa proteção uma ova.

Dou as costas para eles e subo, esquecendo até mesmo a educação em me despedir do homem da lei.

Minha prima ainda está apagada.

Como descobrir mais sobre Raziel? Jess disse que ele era militar, realmente tem um ar de treinado, uma aparência fria e calculista de alguém que já viu horror demais. Como saber o sobrenome de um cara que só vi uma vez? Neste momento, estou acreditando que minha prima se meteu com o assassino da própria mãe. Porque ele faria isso? Que tipo de interesse um homem como ele teria numa garota virgem e pacata como ela? Dinheiro? Não somos milionários, apesar de termos uma vida confortável. Não esbanjamos, apenas usufruímos de muito trabalho e conquistas. Pode ser que qualquer pessoa pobre ou falida almeje ter nossa vida, mas ao ponto de ter que matar? Tem louco pra tudo. E Raziel nao parece esse tipo de louco.

Procuro o celular dela. Vou pra seu quarto e o encontro sobre a cama. Abro a tela. Protegido por senha. Pensa, Kate...

Tento a data de aniversário de Tia Olga, o meu e o dela mesma. Nada. Digito: Deus. Opção razoável já que é uma serva fiel. Penso mais um pouco. O namorado estava sendo sua maior obsessão, então digito o nome RAZIEL e a tela principal se abre. Começo a mexer no histórico de chamadas. Nenhum nome. Apenas números desconhecidos. Mais de vinte chamadas para o mesmo número só hoje. Disco e imediatamente começa a chamar. Meu coração acelera pela milésima vez hoje.

Sem sucesso. Abro as mensagens. “Amor, cadê você?”

“Está me deixando louca de preocupação, Raz. Me liga logo”

“Razinho, estou com muitas saudades.”

Muitas mensagens de minha prima, mas nenhuma resposta. Que tipo de namorado não manda nem um bom dia?

Ah sim, o tipo de namorado que não tá nem aí pra você.

Abro o whatsap e há um único número salvo como “Amor”

Com dezenas de mensagens de Jess pra ele. Todas foram visualizadas, mas nenhuma delas respondida. Clico no perfil sem foto. Nada de útil. Volto.

Clico no espaço e digito: Onde você está?

Apago no mesmo instante. Jessica não escreveria assim. Tento pensar como uma adolescente apaixonada.

Reformulo: Raz amorzinho, onde você está? A polícia esteve aqui.

Envio e rezo pra que ele caia na isca. Espero. Em menos de um minuto os dois riscos do aplicativo ficam azuis. Ele leu! Filho da mãe.

Começo a tremer quando aparece um Digitando...

Espero ansiosa. Vai filho do cão, morde a isca e responde!

Os minutos passam e ele parece ter desistido de escrever. Digito: Não vai responder?

A visualização é imediata. Aguardo alguns minutos e nada de resposta.

— Todos já se foram.

A voz de Kev. Me pega de surpresa e salto da cama de Jéssica.

Respiro fundo.

— Droga! Ok. Você deveria ir também.

Ele se aproxima e senta ao meu lado. E só assim percebo que segura uma garrafa de agua.

— E quem cuidaria de você? — Ele confessa com o olhar triste — Eu sinto muito por tia Olga. Ela era como uma segunda mãe pra mim. Liguei para meus pais, eles vão ficar mais um tempo em NH antes de viajarem novamente.

Ele me oferece o comprimido. Engulo e tomo a água.

— Obrigada. Sinceramente não sei o que será de Jess sem ela. Pareço estar perdida né?

Pergunto olhando para o celular, com a chamada pronta para discagem. Será que devo ligar denovo?

Olho para meu Kevin e sei que se ele não estivesse aqui, eu estaria chorando e surtando. Percebo que ele ainda é meu sol.

— Não parece perdida. Parece cansada. — Ele diz acariciando minha perna — Nós vamos lidar com isso. Como sempre fizemos, Kate. Você vai encontrar um jeito. E eu não vou a lugar nenhum.

Um bipe soa forte ao mesmo tempo em que o celular de minha prima vibra.

Luto contra um forte medo quando leio as palavras escritas como resposta á minha mensagem. “Estou indo pegar você!”

— Ô merda, Kevin! Temos um problema.

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