Embora esteja deitada em um quarto longe dele, meu corpo ainda está quente. Claro que não consigo dormir, como poderia? Como faço isso depois de tudo o que aconteceu? E não falo do momento em que fui amada por um homem incrível, mas por ter conhecido um homem tão enigmático como Raziel.
São 3:27 e eu me levanto com o celular indo em direção a cozinha.
Me sirvo de uma taça de vinho enquanto disco o número de minha prima.
Ela atende rapidamente.
“Raz?”
“Sou eu Jess”
“Ah oi” Ela parece frustrada.
“Não está com seu namorado?”
“Não. Ele tinha coisas pra resolver. Estou em casa com a Mamãe.”
Respiro aliviada.
“Fiquei preocupada. E não consigo dormir.” Confesso tomando um gole.
“Kev não está com você?”
“Gina”
“Ah.”
“Você está bem?”
“Não pensei que seria deixada de lado logo hoje. Completamos 3 meses de namoro.”
“Que situação.” Digo na verdade muito aliviada pela notícia.
“Mas ele deve ter tido um motivo muito sério.” Ela diz tentando convencer a pra si mesma.
Sim, penso. Outro par de seios.
“Nos falamos melhor de manhã. Tenta descansar. Ele não vai fugir.” Brinco. Não vejo necessidade de contar sobre Kev agora. Ela ficaria histérica pedindo detalhes e eu Ainda não assimilei. Desligamos.
Algo sobre seu namorado me faz ter pensamentos questionadores. Ele não pode ser tão confiável, mas mesmo assim minha prima age como se tivesse encontrado um príncipe. Ele nao parece alguém apaixonado pela namorada. Mas Jess está de quatro por ele e não liga.
Sem sinal de sono, sigo pra sala e tento me distrair com um filme.
A noite será mais longa do que eu imaginava.
Ás 7:15 vejo Gina surgir na cozinha.
Resolvo me aprontar, pois tenho muito trabalho. Tomo um banho frio. Confiro a agenda, e sei que o dia será longo.
— Com certeza, uma mulher pra casar. — Brinco me sentando á mesa ao ver os dois pombinhos se servindo e as especialidades de Gina sobre a mesa.
— Bom dia, Kate. — Gina é falsamente simpática.
— Bom dia, Linda.
Forço um sorriso para os dois. Meu Kevin parece radiante. Um pouco sério.
— Bom dia. Não vou demorar, tenho sessão agora ás 8h.
Me sirvo de muito café. Kev me analisa.
— Porque não dormiu? — Ele está preocupado. Não foi uma pergunta do tipo “Você dormiu bem?” ele foi direto, com se tivesse me visto perambular através de uma câmera. Não admito.
— Estou bem.
— Com essas olheiras enormes?
Gina tem razão. Devo estar péssima. Fico inchada e com olheiras visíveis se fico uma noite inteira sem dormir.
Me levanto. Quero sair da mesa pra não ter que olhar para eles dois, realmente não consigo lidar com a situação. Menos ainda com a falta de sono que me deixa de mau humor.
— Vou ficar bem, só preciso respirar um pouco.
Pego minhas chaves e bolsa e resolvo sair.
Caminho pra casa com a intenção de pegar meu carro. Somos vizinhos e eu agradeço por meu carro e minha minivan estarem estacionadas á frente do casarão.
Estou destravando o carro quando ouço meu amigo me chamar.
— Kate...
Me viro pra dizer que estou bem e ele me surpreende com um abraço quente, me quebrando inteira.
— Me desculpe — Digo sentindo seu cheiro como uma dose de entorpecente e me acalmando a medida que sua mão acaricia minhas costas. Sinto a energia de ontem. Me afasto para olhar em seus olhos. Ele também sente.
— Eu que preciso me desculpar — Sinto seu desconforto. Trair sua namorada é a coisa mais difícil que ele já fez. — Vou pedir um tempo a Gina hoje.
Isso para mim é surpresa.
— Não faz isso. — Digo preocupada — Vocês estão noivos e prestes a casar. Somos adultos e eu não criei esperanças sobre ontem...
— Kate, eu amo você. — É quase um soco no estômago, mesmo ele tendo dito isso outras vezes. Agora sinto o peso real de suas palavras. E isso me deixa mais confusa ainda. — Eu disse que queria estar aqui de manhã. E não posso me casar amando você. Não quando sinto isso mais forte do que nunca agora.
Minha boca fica seca. E meu cérebro não processa direito. Ele percebe a confusão.
— Não pode cancelar um relacionamento de anos só por causa de uma noite comigo, Kevin.
— Não foi só uma noite com você. — Ele diz isso de forma delicada e sinto suas palavras como uma brisa tocando minha mente turbulenta. — Eu tenho certeza sobre ontem, sobre como você me fez sentir o homem mais completo desse mundo.
— Você deve estar confuso. — Digo precisando beber um litro de água — Porque eu com certeza estou confusa. E jamais pediria pra interromper sua história com Gina.
— Eu sei que não me pediria. Conheço você, Quando Gina chegou, eu já te amava, Kate. — Confessa passando as mãos na cabeça — Você sabe que sempre te amei. E ontem foi a primeira vez que tive a resposta de que também me ama.
— E se foi só atração? Vai terminar tudo por causa de sexo?!
Eu não posso destruir a vida dele por causa de um sexo no calor da emoção.
Kevin pega meu rosto.
— Me diz que não sente vontade de me beijar agora mesmo?
É um teste. Mas nem precisava, porque a energia tá aqui. Sou terrivelmente reprovada quando encaro sua boca. Seus olhos e lábios quentes que me fazem derreter a qualquer hora do dia. Todo aquele sol nele.
Mordo o lábio inferior. E ele sabe. Ele sente também. Não pode ser só atração. Senão, nem teria sobrevivido por todos esses anos.
— Gina vai sofrer muito. —Digo olhando em seus olhos verdes e gentis. Eu o amo. Mas o amo como Gina? Eu o faria feliz como ela faria? Eu me sentiria completa como ela se sente com ele? Será que eu sou capaz de fazer um homem assim feliz? Um homem tão bom?
— Ela vai sofrer muito mais se casarmos e ela descobrir que a mulher que sempre amei é você. — Ele diz sincero. — Na verdade, ela sempre desconfiou disso.
— Eu nunca amei ninguém, Kev. E eu menos ainda sei como fazer isso. — Confesso — E se não for boa o suficiente nisso?
Ele sorri.
— Confio em você. — Ele olha na direção de sua casa. — De qualquer forma, eu errei e não conseguiria continuar com isso. Hoje mesmo vou resolver as coisas entre mim e ela. Depois de ontem, não conseguiria de jeito algum continuar nisso. Eu tentei por muitos anos. Você sabe que me enganei todo esse tempo. A verdade é que achei nela alguém que poderia fazer morrer tudo o que eu sentia por você. — Ele olha para o chão perdido — Eu ia viver uma vida inteira, e poderia viver muitas vidas enganado. Tentando ser feliz com alguém que não amo.
— Desculpe por bagunçar a sua vida.
— Desculpe por não ter feito amor contigo antes... — Seu sorriso é tão radiante, que convenceria qualquer um de que é o homem mais feliz do mundo. — Por não ter sentido sua pele, sua boca, seu calor... Arrependo-me de não ter tentado antes. Mas agora não posso perder isso, Kate. Não quero te perder por mais nenhum dia.
Consigo sentir seu calor só pelas suas palavras. E a verdade é que não consigo dizer sim.
— Preciso ir. — Digo olhando no relógio de pulso — Te vejo no escritório?
— Sim. — Kevin beija minha testa e se afasta — Mande um Oi para Vasiliev.
O vejo voltar pra casa enquanto saio com o carro e me sinto uma idiota por ter deixado ele ir sem ao menos corresponder a sua declaração. Mas eu nem saberia o que dizer.
O meu dia está um inferno. Começou nesta madrugada e não parece que vai terminar tão cedo.
Só não imaginava que poderia piorar tanto!
Chego no escritório ás 10h após uma sessão esclarecedora com Doutor Vasiliev e meu sócio está agitado com tantas visitações á imóveis agendadas pra um único dia. Começo a ajuda-lo e somos uma equipe muito boa. Fechamos duas vendas de imóveis e isso nos trás um faturamento bom por um mês inteiro de trabalho. A única notícia boa pra ofuscar tudo o que havia acontecido até agora.
Mas o telefone da minha sala toca com um bipe indicando que Kevin quer me passar alguma ligação, atendo sentindo uma sensação de problema á vista antes de saber do que se trata.
— Sim?
— Estou com o departamento de polícia de Lincoln na linha.
— Juro que não matei ninguém.
Consigo ouvir a risada dele antes de apertar o botão na outra sala e me transferir.
“Sim?”
“Senhorita Khaterine Brewer?”
“Eu mesma”
“Sou o Delegado Parrish. Estamos intimando a senhora á comparecer na delegacia para esclarecimento sobre o desaparecimento de Scott Dowb, Luc Lavesgue, Keith Marsh, Sam Holbrook e Kahina Fernandes.
Suas palavras me atingem violentamente, meu coração acelera e me falta o ar como se um elefante sentasse sobre meu peito.
“Como é? Isso é impossível.”
Puxo meu celular da mesa e abro o aplicativo de conversa. Mando um *Oi * para Kahina.
“Recebemos uma denúncia do Hotel em que estavam hospedados, alegando que não fizeram o check out esta manhã, e não foram vistos desde que deixaram o hotel ontem á tarde.”
“Mas eu os deixei no Hotel ontem após o...”
Paro me lembrando do que havia acontecido na noite anterior. E reformulo a minha explicação.
“Deve ter algo errado, Eu fiz um tour com eles durante todo o dia.”
“Checamos tudo, Senhorita. Em seus registros consta que foi a última a vê-los.”
“Não, não. Não fui a última.” Me levanto pegando minha bolsa. “Estarei na delegacia prestando meus esclarecimentos em 1h.”
Desligo o telefone fixo e sigo para a porta. A cabeça queimando.
Kev aparece.
— Precisamos fechar imediatamente. Pode ir comigo á delegacia??Preciso de um advogado.
— O que houve? Mentiu sobre não ter matado ninguém?
— Urgh! Problema com os turistas.
Ele não pensa duas vezes e em menos de 5min fechamos a agência e pegamos a estrada.
Disco o numero da minha prima.
— Kate? - ela atende.
— Está com seu namorado?
— Não. Eu não o vejo desde ontem á noite. — Sua voz é abafada como se estivesse chorando por horas.
— Ligue. Preciso que ache ele. Preciso falar com esse cara e preciso que me encontre depois!
Não espero sua resposta. Desligo o celular.
Faço um resumo da situação para Kevin enquanto seguimos para a delegacia, e enquanto tento, falhando miseravelmente, entrar em contato com meus turistas.
Meu mundo começa a desmoronar... A noite nem havia chegado e as Sombras estavam mudando o clima e me deixando alerta.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Nalú Faria Machado
será que ele fez alguma coisa com os turistas
2022-07-01
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