Olá a todos! Eu me chamo Jonathan Hoffman e eu costumava ser um Zé ninguém, mas fui teleportado para outro mundo com o meu irmão, virei um aventureiro e, neste exato momento, eu estou dando uma olhada em um local para alugar.
Eu soube de um lugar bem famoso ultimamente que fica em um pântano um pouco afastado de Alexandria, então eu decidi ir verificar.
Sem depósito de segurança, sem nenhum custo adicional e aluguel no valor de zero moedas; é um enorme espaço que fica bem no fundo de uma caverna infestada de dragonetes.
O hall de entrada é escuro, úmido e cheio de morcegos, então caso você não seja uma pessoa que goste de receber visitas, não precisa se preocupar, pois aquela entrada vai manter as visitas bem longe.
Não possui água corrente, nem eletricidade, mas isso não é problema perto das grandes pedras azuis que há nas paredes. Essas pedras dão uma cara única ao local.
Quanto à comida, bem, vai depender exclusivamente do quanto de alimento você consegue trazer para o local. É recomendável trazer comidas que não necessitem ser cozinhadas, pois o lugar não tem encanação de gás também.
Os quartos são a melhor parte porque, afinal, eles podem ser aonde você quiser! Você pode escolher qualquer canto e simplesmente deitar e tirar um cochilo, porém as camas são feitas de um material diferente chamado "chão" e podem não ser muitos confortáveis. Já os banheiros... Acho melhor pularmos essa parte.
A segurança do local é absurdamente grande. Ele tem um grande monte de pedras que fica bem na porta de entrada impedindo qualquer invasor de entrar. Porém, o lado negativo é que esse sistema de segurança altamente moderno também impede as pessoas de saírem, mas isso não é nenhum problema. Afinal, quem iria querer sair de um lugar maravilhoso como esse?
Após averiguar todo o custo-benefício, eu estou pensando sériamente em alugar este local, mas antes eu tenho que falar com meus companheiros. São eles: Um elfo, uma maga, uma garota demônio e um jovem que não gosta de falar muito.
Eu estive pensando se eles também gostaram desse lugar tanto quanto eu, mas, vendo a reação de todos, tenho certeza que eles adoraram também!
Quem não gostaria de um lugar desses?
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Agora, voltando a história real...
Já havia três dias que nós estávamos presos naquela caverna. Foram três longos dias e eu sentia que a chance de eu morrer de tédio era maior do que a chance de qualquer outra coisa me matar.
No primeiro dia, o Frederico ficou quase o tempo todo tentando mover as pedras sozinho. Ele ficou extremamente revoltado com a situação e simplesmente não aceitou o fato de que havia pedras enormes e super pesadas bloqueando a entrada da caverna. Nós até ajudamos ele no início, mas, depois de tentar e falhar miseravelmente várias vezes, ficou bem claro que não tínhamos força o suficiente para mover nem uma pedra sequer.
— Isso é tudo culpa sua! Se você não tivesse errado aquele feitiço, nós não estaríamos nessa situação!
Ele não cansou de jogar toda a culpa na Catarina e ela choramingou pedindo desculpas o tempo todo. Nós tivemos que parar ele diversas vezes, pois, como ele estava com bastante raiva no início, ficamos com medo de ele tentar atacar ela.
— Frederico, já chega! — Elizabeth disse. — Ficar gritando com ela não vai resolver nada. Além do mais, você é um aventureiro e sabe que corre o risco de passar por situações assim.
— Ficar com raiva só vai atrapalhar. — Falei. — Nós temos que manter a calma e achar um jeito de sair daqui.
Nós tentamos quebrar algumas pedras com as nossas espadas, mas não adiantou de nada e, se tivéssemos continuado, poderíamos ter danificado o fio delas.
A Catarina tentou usar mais magia e lançou alguns feitiços na direção das rochas, mas de nada adiantou. As rochas não se moveram em nem um centímetro.
Nós até tentamos gritar por ajuda, mas, obviamente, ninguém ouviu. Aquele pântano era um lugar bem vazio e, mesmo que tivesse alguém lá fora quando nós gritamos, a entrada da caverna ficava longe da sala onde nós estávamos presos, então a chance de alguém escutar os nossos gritos eram bem baixas.
Nós tentamos de praticamente tudo e nada funcionou. Depois de algum tempo, começamos a ficar com fome e a nos preocuparmos com o quanto de comida tínhamos. Por sorte, tínhamos bastante, então matar nossa fome não foi um grande problema. Mas não sabíamos quanto tempo ficaríamos ali, portanto a fome poderia se tornar um grande problema no futuro.
A sede não foi problema também. Graças à Catarina, nós não ficamos sem água nem fogo. Depois que ela se acalmou, ela resolveu ser útil e se ofereceu para ajudar com a magia dela no que fosse preciso.
Nós também conseguimos fazer uma fogueira tranquilamente, pois a Elizabeth costumava carregar madeira em sua mochila. Em outras ocasiões, eu falava que ela não precisava carregar madeira para todo lado, mas, naquele momento, eu percebi que eu estava errado e aquilo havia se mostrado ser bem útil.
O Roy ficou a maior parte do tempo treinando com a espada dele. No começo, eu não entendia porque ele fazia aquilo, mas ele parecia levar o treino dele bem a sério e ele falou que, como não havia mais nada para fazer, treinar seria uma boa forma de passar o tempo.
O Frederico levou um tempo para aceitar a situação em que estávamos, mas logo ele entendeu. Ele parecia ser meio arrogante, mas era um cara legal no final das contas. Nós conversamos em alguns momentos e ele me explicou que pertencia à uma família nobre do Reino dos Elfos, que ficava na Terra de Alkinea, mas ele não queria seguir os passos dos pais e decidiu se tornar um aventureiro.
Eu também havia conversado com a Catarina. Ela me disse que seus pais eram donos de uma loja em Alexandria e ela descobriu que possuía talento para magia quando era bem jovem, mas não tinha um reservatório de mana muito grande. Um feitiço de nível Avançado era o seu limite, mas ela contou que seu grande sonho era se tornar uma maga de nível Imperador em, pelo menos, um elemento.
Eu também havia percebido claramente que ela tinha um certo medo da Elizabeth, mas depois que eu a expliquei que ela era uma pessoa legal, a Catarina decidiu tentar se aproximar e elas se deram bem.
Já eu fiquei a maior parte do tempo andando pela sala e vendo se havia alguma maneira de mover aquelas pedras. Inclusive, era isso que eu estava fazendo novamente naquele exato momento.
Eu estava andando para lá e para cá, olhando toda a sala à minha volta. O Roy estava treinando de novo e o Frederico e a Catarina estavam jogando pedra, papel e tesoura. Eu havia ensinado eles a jogar no dia anterior e eles realmente gostaram. Eu fiquei surpreso de saber que um jogo tão simples como aquele não existia nesse mundo.
Entretanto, notei que não vi a Elizabeth.
— Ué, cadê a~ AAAH! — Tomei um susto. Elizabeth veio furtivamente por trás de mim e cutucou as minhas costas.
— Pelos Deuses. — Ela disse enquanto ria. — Você se assusta fácil demais, Jonathan.
— É... eu acho que isso é verdade afinal...
— O que você está fazendo?
— Estou pensando em algum jeito de tirar a gente daqui.
Eu estava andando havia um bom tempo já, mas não estava conseguindo pensar em nada. Eu achava que nós já havíamos tentado de tudo e que era simplesmente impossível de mover aquelas pedras. Um celular fazia bastante falta em um momento como aquele, apesar de que eu não sei se eu ia conseguir ter um sinal decente dentro daquela sala.
— Por quê a gente não tenta usar magia de novo? — Ela perguntou. — Talvez dessa vez a gente consiga.
— A maga mais poderosa que temos aqui é a Catarina e os feitiços avançados dela não funcionaram nas duas vezes que ela tentou.
A Catarina já havia tentado usar magia para empurrar as pedras, mas não deu certo. Fora que ela só conseguia usar magia até o nível avançado e, como ela tinha pouca mana, ela praticamente apagava depois de usar aqueles feitiços e ela levava um certo tempo até conseguir se "recarregar".
— Se o meu irmão estivesse conosco, tenho certeza que ele ia conseguir tirar a gente daqui... — Falei.
— O Gabriel? Você acha que ele consegue usar uma magia ainda mais poderosa que a da Catarina?
— Eu acho que sim. Ele é um mago de nível Santo na maioria dos elementos e, mesmo se não fosse por isso, ele é extremamente inteligente. Provavelmente iria bolar um plano eficaz.
Do jeito que o meu irmão era analítico e lógico, eu acredito que ele iria conseguir nos tirar de lá facilmente com algum plano, isso se ele não usasse a magia dele também. Por mais que só soubesse magia até o nível Santo, pela vasta reserva de mana que ele tinha, eu creio que consiga usar feitiços de nível Rei ou superior sem problemas.
— Sabe, seu irmão pode ser um bom mago, mas acho que você devia se dar mais valor também.
— Como assim?
— É nítido que você se inferioriza quando fala dele, mas isso não é legal. Seu irmão pode ter as qualidades dele, mas tenho certeza que ele tem diversos defeitos também. Assim como todos nós.
— Ah, mas~
— Você é um aventureiro e devia ter mais confiança em si. Aliás, o Gabriel pode ser inteligente, mas ele não está aqui agora. Temos que pensar por nós mesmos.
Fiquei em silêncio por alguns instantes. Estava meio que perplexo com as palavras da Elizabeth.
— É... — Falei em um tom meio entristecido. — Você tem razão.
O Gabriel sempre foi o garoto prodígio enquanto eu nunca tive nada muito especial. Apesar das nossas vidas serem extremamente parecidas, ele sempre ia melhor do que eu em basicamente tudo o que nós fazíamos. Ele se saía melhor nas provas da escola, ele tinha bem mais conhecimento e ele até era mais popular com as garotas, apesar dele não dar muita bola para elas e só querer saber dos livros. Eu sempre senti que eu ficava um pouco para trás em relação a ele, mas então descobri algo no qual eu era melhor: Os esportes.
Eu era muito bom nos esportes e adorava fazer exercícios. Com isso, eu ganhei mais autoestima e um corpo bem atlético também, modéstia à parte. Talvez, enquanto o Gabriel pudesse ser considerado o cérebro, eu seria os músculos ou algo assim. De todo modo, eu finalmente pude ter algum destaque em relação a ele dessa forma.
Então, preso naquela sala, eu percebi que eu tinha que parar de sempre achar que eu ficava atrás do meu irmão. Eu tinha que pôr a minha cabeça para funcionar e pensar em alguma forma de nos tirar de lá. E era isso que eu estava fazendo até que uma hipótese me veio na mente.
— Se nós pudéssemos pelo menos aumentar a capacidade de mana da Catarina...
— Ela teria que treinar para isso. — Elizabeth disse. — Levaria um bom tempo.
Eu fiquei pensando se não havia nenhuma forma de aumentar rapidamente a mana da Catarina e foi aí que eu comecei a lembrar de algo potencialmente relevante.
— Elizabeth, você sabe se há algum jeito de nós transferirmos mana para a Catarina?
— Transferir mana? Hmm, eu não sei, ou nunca ouvi falar sobre algo assim, pelo menos. No entanto, meus conhecimentos em magia são bem rasos.
Eu lembrei que já havia visto transferência de mana diversas vezes nos poucos livros que li e nos animes que assisti. Digo, isso seria algo bem possível em uma fantasia, não? Eu não sabia se havia como fazer isso nem se dava para fazer, mas, depois que todos os nossos planos falharam, achei que valia a pena tentar. Porém, ainda tinha uma questão: Como fazer isso?
Se a transferência de mana fosse possível, talvez ela fosse precisar ser realizada de uma forma específica. Acho que não era só dar as mãos para a pessoa e usar o poder da amizade para isso, e se houvesse algum encantamento para recitar, o meu plano ia por água abaixo.
Mas eu não desisti de pensar e decidi tentar algo.
— Elizabeth, fica de costas para mim.
— De costas? Tudo bem.
Ela virou suas costas para mim, eu pus a palma das minhas mãos nela, fechei os olhos e tentei me concentrar ao máximo.
— O que você está fazendo, Jonathan?
— Estou tentando uma coisa.
Como eu não tinha ideia de como fazer aquilo, pôr as mãos nas costas da outra pessoa pareceu a posição mais óbvia para mim para poder transferir mana. Eu torci para funcionar.
— Jonathan?
— Só espera.
— Olha, eu não sei o que você está tentando, mas...
Antes de a Elizabeth terminar sua frase, uma luz amarela começou a sair das minhas mãos.
— Que luz é essa? — Ela perguntou em um tom receoso.
— Eu acho que está dando certo.
Como eu não tinha muita mana, não demorou muito para eu começar a me sentir fraco, então eu rapidamente tirei as mãos das costas da Elizabeth após isso.
— O que você fez?
— Eu acho que consegui transferir um pouco da minha mana para você. Como se sente?
— Eu me sinto bem... muito bem, na verdade. Acho que eu até consigo lançar um feitiço mais poderoso agora!
— Eu até diria para você tentar, mas, agora, nós temos que transferir essa mana para a Catarina.
— Ok! Vamos lá!
Nós dois fomos até a Catarina e o Frederico. Eles ainda jogavam pedra, papel e tesoura quando nós chegamos e interrompemos a partida. Explicamos o que havíamos feito.
— O que?! — Frederico se espantou com tudo o que eu disse. — Vocês realmente transferiram mana um para o outro?
— Sim. Eu transferi um pouco da minha mana para a Elizabeth.
— Isso é incrível!
Ouvindo isso, o Roy se juntou a nós e a gente começou a discutir o que íamos fazer.
— Transfiram mana para mim! — Frederico disse. — Eu vou usar um feitiço forte o suficiente para destruir as pedras!
O plano era basicamente esse, mas o Frederico não tinha uma grande reserva de mana, então não sabíamos de quanta mana ele iria precisar para lançar um feitiço poderoso. Se todos nós passarmos mana para ele só para então descobrir que ele não podia usar nem um feitiço simples, estaríamos jogando mana no lixo.
— Não. — Falei. — Vamos transferir para a pessoa com mais mana aqui.
Todos nós olhamos para a Catarina.
— Hã? Eu? — Ela se assustou.
— Sim. Você é a pessoa com o maior reservatório de mana aqui. Já que você consegue usar um feitiço avançado, não deve precisar de muito mais mana para usar um mais poderoso.
— Bem, sim, mas eu...
— Relaxa! — Elizabeth pois a mão no ombro da Catarina. — Você consegue! Além do mais, foi você que nos pôs nessa situação, então nada mais justo do que você nos tirar dela.
— O-Ok...
Eu não achei as palavras da Elizabeth tão motivadoras assim, mas deu no que deu. Todos nos levantamos e nós fizemos uma fila para transferir mana para a Catarina. Eu fui o único que não fiz isso, pois já havia transferido para Elizabeth.
— Ponham as mãos nas costas dela e se concentrem. — Falei. — Não é muito diferente de lançar um feitiço.
Aos poucos todos eles foram conseguindo. Eles botavam as mãos, se concentravam e a luz amarela aparecia. A operação transferência de mana havia sido um sucesso.
— Como você se sente, Catarina?
— Eu... me sinto bem...
— Acha que vai conseguir?
— Sim... eu acho que sim!
Com isso, estávamos preparados. Então, nós todos fomos até as rochas.
— Beleza! Vai lá, Catarina!
— Certo!
A Catarina se pôs à nossa frente, levantou seu cajado e ficou em posição. Nós todos esperamos para ver qual feitiço que ela iria usar. Eu, especificamente, estava até animado para assistir um feitiço mais poderoso sendo lançado de perto. No entanto, ela começou a demorar muito.
— Quando quiser, Catarina.
— Tudo bem!
Nós esperamos, mas ela não fez nada novamente.
— Algum problema? — Elizabeth perguntou.
— Sim...
— O que foi?
Ela se virou para nós toda envergonhada e disse:
— Eu não sei nenhum feitiço mais poderoso que os de nível avançado...
Após isso, todos nós desabamos no chão.
— Não, não, não! — Frederico se irritou bastante. — Como você se chama de maga se nem conhece os feitiços?!
— Desculpaaa! — Ela choramingou.
— O que vamos fazer agora? — Elizabeth perguntou.
— Calma. — Falei. — Vamos pensar, nenhum de nós conhece algum feitiço de nível Santo, pelo menos?
Todos nós começamos a pensar. Como eu não era um mago, nunca me liguei em ler sobre magia, muito menos gravar os nomes dos feitiços, e parecia ser a mesma situação com os meus companheiros. Mas, então, o Roy se levantou e disse:
— Eu acho que conheço um.
— Qual? — Frederico perguntou.
— Explosão Sônica. É um feitiço de vento, se não me engano.
Nós olhamos todos uns para os outros.
— Não custa tentar, né? — Elizabeth disse. — Vai lá, Catarina!
— Ok, eu vou tentar...
A Catarina voltou para sua posição e levantou seu cajado. O resto de nós ficou na torcida atrás dela.
Eu não sabia se o feitiço ia ser o suficiente para tirar as rochas do caminho. Apesar de ser um feitiço de nível Santo, ele poderia não ser tão poderoso. Mas, antes que eu pudesse ter mais dúvidas, um pequeno círculo de vento começou a se formar em volta dos pés da Catarina, parecia um mini tornado. Nós todos ficamos olhando fixamente para aquilo e foi aí que eu soube: Nós íamos sair dali.
— Explosão Sônica!
A Catarina soltou o feitiço e uma onda de choque colossal foi lançada na direção das rochas. Nós todos nos jogamos no chão para nos protegermos dos estilhaços e uma nuvem de poeira enorme foi erguida.
— Funcionou? — Frederico perguntou.
— Eu acho que sim. — Respondi.
Após a nuvem de poeira baixar, nós vimos um monte de pedras destroçadas e, o mais importante, vimos a passagem totalmente aberta.
— Conseguimos! Você foi incrível, Catarina!
A Catarina, que ainda estava lá parada em pé, virou o rosto para nós. Ela parecia trêmula, extremamente cansada e estava visivelmente prestes a colapsar.
— Catarina! — Frederico saiu correndo. Antes de ela cair no chão, ele a pegou em seus braços. — Você está bem?
— Não muito.
— Eu acredito. Mas, olha, você conseguiu!
O resto de nós foi até eles dois.
— Acho que já podemos sair daqui.
— Sim. — Falei. — Vamos para casa.
Como a Catarina estava muito fraca, o Frederico a pôs em suas costas. Após isso, nós começamos a fazer nosso caminho para fora da caverna.
Eu queria chegar logo em casa, não só porque eu simplesmente queria voltar, mas também porque sabia que o Gabriel devia estar preocupado comigo. Aliás, o que será que ele estava fazendo naquele momento?
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Atualizado até capítulo 257
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