Apenas algumas horas haviam se passado desde que nós saímos de Mizuni e eu olhava regularmente para dentro da carruagem para ver como a Illyssa estava. E todas as vezes antes de fazer isso, eu torcia para que o humor dela já tivesse melhorado, mas ele não melhorou em nenhum momento.
Ela continuou cabisbaixa e calada o tempo todo. Sua postura praticamente não mudava, ela apoiava seu rosto nitidamente deprimido sobre uma de suas mãos e observava a paisagem pela janela sem falar uma única palavra.
— Parece que esse encontro com o Thomas realmente afetou ela. — Falei.
— Sim, mas isso não me surpreende. — Joni disse. — Ela nunca foi muito com a cara dele.
— O que será que houve entre eles dois?
— Eu já ouvi dizer que eles tiveram aulas juntos quando eram menores e brigaram diversas vezes.
— Sério?
— Sim, mas não sei se é verdade.
Eu não duvidava de que essa história fosse verdade. A Illyssa estava muito animada e cheia de empolgação antes, porém, teve uma mudança repentina assim que viu o Thomas e eu estava realmente preocupado com ela. Ela não parou de falar durante quase todo o nosso trajeto até Mizuni, mas, agora, era totalmente o contrário.
— Acho que vou tentar falar com ela depois. Quem sabe eu não consigo animar um pouco ela?
— Acho que vale a tentativa.
Eu não tinha ideia do que eu poderia falar para animar a Illyssa. Se eu soubesse de toda a história, talvez pudesse pensar em algo para dizer que realmente fosse funcionar, mas eu não sabia e achava que chegar nela e simplesmente pedir para ela me contar tudo iria apenas piorar a situação. No entanto, eu não queria deixar ela naquele estado depressivo.
...****************...
Como de costume, nós começamos a montar o acampamento assim que a noite caiu. Enquanto fazíamos isso, eu notei que a Illyssa não pediu para realizar nenhuma tarefa. Ela apenas estava sentada no gramado com o rosto parcialmente afundado entre seus joelhos. Vendo isso, eu decidi ir até ela.
— Hmm, nós vamos acender a fogueira daqui a pouco. Quer sair para pegar madeira novamente?
— Tá, pode ser.
Ela muito provavelmente aceitou fazer isso apenas por educação, pois o tom em que ela me respondeu parecia dizer que ela não estava nem um pouco a fim, mas, mesmo assim, ela se levantou e foi até algumas árvores para pegar madeira.
Eu a olhei por alguns segundos e, então, cocei a minha cabeça de tão confuso que eu estava. Naquele momento, eu estava pensando no que eu poderia dizer a ela e também quando que eu ia poder dizer. Como toda pessoa deprimida, a Illyssa não parecia estar muito aberta para conversar.
Por fim, fui até a Joni.
— É... Ela tá bem deprimida.
— Sim. Você ainda vai tentar falar com ela depois?
— Acho que sim. Ela me ajudou no meu momento mais difícil, quero poder fazer o mesmo por ela.
— É uma atitude louvável.
Quando a Illyssa voltou com a madeira, eu as juntei em um pequeno monte. Eu havia pensado em perguntar a ela se queria acender a fogueira de novo, mas desisti quando a vi sentada com os braços em volta das pernas e olhando para o lado contrário ao nosso. Então, eu pus a minha mão em cima do monte de madeira e fiz o trabalho eu mesmo.
— Bola de Fogo.
Nós todos comemos em silêncio. Os únicos sons que ouvíamos eram o barulho dos grilos que estavam por perto e do fogo da fogueira estalando.
Assim que terminamos de comer, a Joni resolveu se deitar e foi para a sua barraca. Ficamos apenas eu e a Illyssa ali. Ela ainda estava bem fechada, mas nós estávamos a sós e eu ia aproveitar essa oportunidade para tentar conversar com ela, mas quando eu ia falar...
— Eu acho que vou dormir também. Boa noite.
A Illyssa se levantou e se recolheu. Eu suspirei e encarei a fogueira à minha frente.
— Parece que somos só eu e você, fogo.
Logo assim que eu falei isso, a fogueira se apagou.
— Até você vai me deixar só? — Soltei alguns risos.
Eu fiquei totalmente sozinho e decidi me deitar um pouco naquele gramado. Apesar do fogo ter se apagado, o local não estava totalmente escuro. A lua brilhava forte, havia alguns vagalumes ao redor e eu comecei a observar o céu estrelado.
— O céu sempre teve tantas estrelas assim?
Acho que como naquele mundo o nível de poluição era praticamente nulo, isso me permitia ver bem mais estrelas do que no meu antigo mundo. As constelações que eu só via em livros, eu estava tendo a oportunidade de ver pessoalmente e a olho nu naquele momento. Com isso, eu percebi que todas elas eram praticamente as mesmas que havia no meu antigo mundo.
— Acho melhor eu ir deitar também.
Eu fui para minha barraca, me deitei e dormi.
...****************...
Após se passarem algumas horas, eu acordei no meio da noite com vontade de ir ao banheiro. Eu me levantei e saí para ir no mato me aliviar.
Eu fui até uma árvore que estava meio afastada do nosso acampamento, pois não queria correr o risco de alguma delas presenciar o meu momento de alívio. Assim que terminei, amarrei a calça e estava prestes a voltar para dormir, porém vi uma luz estranha vindo de dentro da floresta.
— O que é aquilo? — Perguntei enquanto esfregava os olhos de sono.
Eu não sabia que horas eram, mas arriscava dizer que já era quase de madrugada e poderia até ser perigoso eu ir para o meio do mato sozinho naquela hora. Porém, eu não liguei muito. Acho que a curiosidade falou mais alto. Então, comecei a me aproximar lentamente até ver a luz de novo e, dessa vez, eu ouvi uma voz também.
— Raio Cortante!
Eu fiquei muito confuso com aquilo e comecei a me perguntar quem estava soltando feitiços na floresta no meio da madrugada. Talvez estivesse havendo algum tipo de batalha entre um mago aventureiro e um monstro. Creio que não seria tão incomum assim de presenciar uma cena dessas a noite.
Eu estava abrindo espaço com as minhas mãos entre os galhos das árvores e andando a passos lentos, pois eu ainda estava com sono. Quando cheguei ainda mais perto, eu ouvi novamente, mas, dessa vez eu reconheci a voz.
— Rajada de Vento!
Era a voz da princesa deprimida que eu achava estar dormindo profundamente em sua barraca.
— O que a Illyssa está fazendo? — Sussurrei para mim mesmo.
Eu cheguei perto o suficiente para conseguir observá-la enquanto me escondia em um arbusto.
— Ela está treinando magia a essa hora? — Sussurrei novamente.
Dentro da mata havia um pequeno espaço aberto e amplo, e ela estava lá soltando feitiços no meio das árvores. Eu não gostei muito da situação no início, pois não apoiava a ideia de você sacrificar seu sono para treinar, mas, no final, eu acabei relevando.
— Bem, parece que ela quer mesmo melhorar.
A Joni havia nos falado que não havia animais muito perigosos por aquela área, então a chance de surgir algum animal realmente perigoso ali era quase inexistente. Então, se a Illyssa quisesse praticar magia na calada da noite, não haveria nenhum problema, na minha opinião. Ela iria ficar bem.
Eu decidi voltar para cama e comecei a me retirar lentamente para ela não perceber a minha presença, mas eu parei quando a ouvi dizer algo.
— Thomas idiota.
Eu, então, voltei a observar ela e ela voltou a dizer.
— Idiota! Idiota! Idiota!
Eu não pude deixar de ficar um pouco triste ao ouvir aquilo, pois senti que o sentimento de tristeza e até raiva que havia nela era bem maior do que eu imaginava.
— É... Parece que esse encontro realmente mexeu com você, né, princesa?
Após isso, eu saí e retornei para a minha barraca. Deitado lá, eu não pude deixar de pensar naquilo tudo e ficar mais preocupado ainda com a princesa.
— Eu realmente me preocupo com quem se preocupa comigo...
Eu demorei um pouco, mas consegui voltar a dormir.
...****************...
No dia seguinte, não demoramos muito a voltar para a estrada logo depois de acordar. Se tudo seguisse de acordo com o planejado, nós chegaríamos em Alexandria em dois dias.
Eu ainda estava olhando para dentro da carruagem de vez em quando para ver como Illyssa estava e, bem, a situação não mudou em nada...
— Como ela está? — Joni perguntou.
— Do mesmo jeito.
— Você falou com ela ontem?
— Não consegui, ela foi dormir logo depois você.
— Certo. Tenta conversar hoje então.
— Vou tentar.
Eu fiquei um tempo pensando enquanto olhava a paisagem. Depois de ter visto o que vi na noite anterior, comecei a ter sérias dúvidas se eu seria capaz de melhorar o humor da Illyssa. Ela parecia triste, mas enfurecida também e isso me fez questionar se qualquer coisa que eu dissesse teria algum efeito.
— Você acha que eu vou conseguir melhorar o humor dela? Digo, há realmente alguma chance de eu conseguir fazer isso? Ela parece tão deprimida...
— Isso é verdade. Eu mesmo acho que nunca vi a senhorita Illyssa do jeito que ela está agora. No entanto... As pessoas costumam gostar de ouvir palavras motivadoras e de confiança vindo de quem elas admiram.
Uma resposta que me surpreendeu. Eu tinha bastante noção de que as pessoas tendem a dar mais valor às palavras quando elas vêm de alguém que elas admiram, mas eu nunca fui alvo da admiração de ninguém e a minha autoconfiança não era muito alta também. Logo, ser admirado por alguém era algo que eu nunca pensei que pudesse ocorrer.
— Você acha que ela me admira? — Surpreso, eu perguntei.
— Não tenho dúvidas disso.
A ideia de ter a admiração da Illyssa nunca sequer me passou pela cabeça. Eu sabia que tinha o respeito e a amizade dela, mas admiração? Eu nunca imaginei isso.
Com tudo isso, eu olhei novamente para a Illyssa dentro da carruagem, depois voltei a olhar para frente e me motivei.
"Ok. Eu vou falar com ela!", eu pensei.
Nós seguimos a estrada por todo o dia até que a noite havia caído novamente. Nós montamos as barracas, prendemos os cavalos e pegamos madeira. Novamente, a Illyssa não pareceu estar muito a fim de acender a fogueira, então eu acendi. Nós assamos nossas comidas novamente e comemos. Essa parte da viagem parecia ser a única que não mudava nunca.
A Joni então se retirou para deitar logo depois de comer, deixando apenas eu e a Illyssa ali. Comecei a achar que ela estava fazendo isso de propósito. Eu estava nervoso, mas eu sabia e sentia que eu precisava fazer isso. Eu olhei para a Illyssa rapidamente e pensei: "Ok. Eu vou conversar com ela agora".
— Hmm, Illyss~
— Eu vou me deitar também. Até amanhã.
Ela se retirou e eu nem consegui terminar a minha frase. Tudo deu errado novamente. Eu apenas suspirei e deitei no gramado com os braços em baixo da cabeça.
— Droga... Por que isso tem que ser tão complicado?
Na minha cabeça, eu ia simplesmente puxar o assunto, conversar e animá-la com algumas palavras. Então, ela ia voltar a ser como era antes, nós íamos voltar normalmente para Alexandria e íamos seguir com as nossas vidas. Mas, na realidade, as coisas não estavam sendo nada simples...
Eu apreciei o céu estrelado novamente por um tempo até ir deitar na minha barraca. Eu tentei dormir, mas tive muita dificuldade para pegar no sono. Eu estava realmente preocupado com a situação da princesa e não conseguia parar de pensar nela.
...****************...
Minutos se passaram e depois, horas. Eu já sentia que um bom tempo havia se passado desde que eu deitei e eu já ia me virar pela milésima vez quando, de repente, eu vi alguém saindo de uma das barracas e seguindo em direção à floresta. Eu então pus a cabeça para fora da minha barraca e vi claramente que era Illyssa.
— Será que ela está indo praticar magia de novo?
Eu saí da minha barraca e comecei a seguir ela sem que ela me notasse. Ela andou e andou, e eu andei atrás dela. Me escondi algumas vezes para não ser percebido e ela parou quando chegou perto de um riacho com uma cachoeira e uma pequena caverna atrás.
"O que você pretende fazer, princesa?", eu pensei.
Sem muitas surpresas, ela começou a praticar feitiços, igual havia feito na noite passada. Eu a observei por alguns minutos me perguntando se ela iria repetir esse processo durante toda a nossa viagem de volta.
Eu suspirava enquanto o tempo passava e a Illyssa lançava feitiços aleatoriamente pelo bosque. Talvez não fosse necessário eu ficar ali, mas quis ficar por precaução.
— Acho que ela vai voltar agora. É melhor eu ir logo ou ela vai me ver.
Ela se virou e eu ia voltar para minha barraca, mas, para minha surpresa, a Illyssa decidiu entrar na caverna que havia atrás da cachoeira.
— Hã? O que ela vai fazer lá dentro?
Eu fiquei bem preocupado com isso porque poderia haver algum animal perigoso lá dentro. Eu não sabia se era a melhor opção eu ir atrás dela, mas não consegui pensar muito e simplesmente fui.
Eu não fazia ideia do que ela tinha em mente entrando na caverna no meio da noite, mas, assim que eu entrei, apenas a vi sentada no chão jogando e chutando algumas pequenas pedras. Eu soube na hora que talvez não teria chance melhor que aquela e decidi ir até ela.
— Você é bem corajosa entrando numa caverna escura no meio da noite. — Falei.
Ela levou um pequeno susto ao me ver.
— O que você está fazendo aqui?
— Eu fiquei preocupado quando te vi entrando nessa caverna sozinha.
— Ah, então você também acha que eu sou apenas uma garotinha indefesa...
— O que? Eu não quis dizer isso.
Eu fiquei nervoso e comecei a pensar que tinha falado alguma besteira. Talvez eu não tenha colocado as palavras muito bem ou ela apenas me entendeu mal, mas isso não ia me fazer desistir. Eu fui até ela e me sentei ao seu lado.
— Quer me falar o que houve?
— Não houve nada.
Nós ficamos em silêncio por alguns segundos. Eu fiquei pensando no que eu poderia falar, mas apenas vi que estava perdendo tempo e decidi ir direto ao assunto.
— Tem alguma coisa a ver com aquele Thomas?
Após ouvir isso, a Illyssa afundou seu rosto entre seus joelhos.
— Bem que eu suspeitei... — Murmurei. — O que houve entre vocês dois?
— Nós estudamos magia juntos quando éramos crianças.
— E ele evoluiu e você não, não foi?
— Foi...
Não foi difícil de deduzir isso, estava bem óbvio para mim até.
— Só que o problema não foi só ele ter aprendido magia. — Ela continuou. — Ele jogou isso na minha cara diversas vezes.
— Sério?
— Sim.
ㅡ Que idiota...
Eu achava que ele poderia ter feito algumas piadinhas sobre a Illyssa não ter aprendido magia, mas jogar isso na cara dela já era demais. A princípio, magia e espada eram quase tudo naquele mundo e se você não fosse bom em pelo menos um dos dois, você correria um pequeno risco de ser alvo de chacotas; mas esse risco era bem maior para as crianças e os adolescentes, como sempre.
— Mas agora você também aprendeu magia. — Falei. — Não tem porque se preocupar mais com isso.
— Sim, mas sempre que eu vejo ele, eu lembro das vezes que ele tirava sarro de mim e isso ainda me abala um pouco.
Era compreensível a situação da Illyssa e acho que eu também teria dificuldade para lidar com isso, afinal, sofrer bullying não parece ser uma coisa muito legal. Esse é definitivamente um trauma que ela carrega.
— Eu sinto muito por você ter passado por isso. — Falei, meio sem jeito. — Sei que deve ter sido difícil, mas... não têm mais porque sofrer por isso.
— Hein?
Eu comecei a procurar palavras para tentar ajudar ela.
— Quero dizer, olha só para você hoje: Uma garota incrível e inteligente que conseguiu dominar vários feitiços.
— Sim, mas...
A interrompi pondo a mão em seu ombro e olhando profundamente em seus olhos.
— Eu entendo como se sentir humilhada pode ser doloroso, mas você precisa se lembrar de que aqueles que te julgaram não sabiam do que você era realmente capaz. Você mostrou sua verdadeira habilidade quando aprendeu magia e se tornou uma maga talentosa. Você chegou em um ponto no qual nunca imaginou que iria chegar e você se esforçou e suou muito para isso.
—...
— Eu já disse várias vezes que você tem um enorme potencial, mas eu acho que você não vai conseguir atingi-lo se continuar dando ouvidos para o que um idiota como o Thomas diz.
A Illyssa ficou em silêncio por um momento e eu me perguntei seriamente se eu tinha falado a coisa certa. Eu achei que talvez pudesse ter complicado tudo, mas então ela disse:
— Acho que você está certo.
Eu a ajudei a se levantar.
— Você não precisa provar nada para ele ou para ninguém. Você sabe do seu valor, tenho certeza disso. Não deixe que o passado ou o julgamento dos outros definam quem você é agora. Lembre-se sempre do que você conquistou e mantenha sua cabeça erguida com orgulho. Certo?
No final de tudo, eu estava sorrindo, e a Illyssa parecia um pouco surpresa.
— Você tem razão! — Ela disse.
— Ótimo! Agora vamos sair daqui.
A princípio, pensei que havia falado apenas algumas frases baratas de motivação, mas me surpreendi ao ver como elas funcionaram bem. A animação na voz da Illyssa havia voltado e seu humor também parecia ter melhorado.
— Você acha que teria dito tudo isso que acabou de dizer mesmo se eu ainda não tivesse talento nenhum para magia?
Uma pergunta inesperada, mas eu sabia que eu via a Illyssa por quem ela era, não pelo que ela podia fazer. Dito isso, eu logo a respondi.
— Acredito que sim. Mesmo se você não tivesse talento para magia, eu vi o quão esforçada você é e, na minha opinião, só o fato de você conseguir pôr todo seu esforço em algo já é um talento e tanto.
— O-Obrigada.
Eu olhei para ela e a vi com o rosto vermelho, com isso eu pude confirmar que ela tinha realmente voltado ao normal.
Nós então fomos seguindo para a saída, até que ouvimos um barulho que pareceu ter vindo de dentro da caverna.
— O que foi isso? — Ela perguntou.
— Eu não sei, mas não gostei desse barulho.
Não demorou muito para a fonte do barulho se revelar. Era um enorme Urso Nebuloso e, assim que a Illyssa viu o urso, ela se assustou bastante e começou até a tremer um pouco. Eu também fiquei com um pouco de medo, pois era a primeira vez que eu via um tão de perto. Seu tamanho fez minha base tremer, mas tentei me controlar.
— O que vamos fazer? — Illyssa estava claramente apavorada.
— Calma, nós podemos lidar com ele.
Aquele Urso Nebuloso era bem grande, devia ter cerca de dois metros e meio e provavelmente morava naquela caverna, ou seja, nós éramos os intrusos. Eu comecei a pensar no que iríamos fazer. Para ser sincero, eu sabia que podia lidar com o urso sozinho, mas, quando olhei para o teto da caverna, vi estalactites de pedra bem pontiagudas e acabei bolando o plano perfeito.
— Illyssa, me escuta.
— Estou escutando.
— Está vendo aquelas estalactites ali em cima?
— Estou.
— Quando o urso se aproximar mais, eu vou jogar ele para debaixo delas e então você as derruba.
— Ok. Vou tentar fazer isso.
— Você não vai tentar, você vai conseguir.
— Ok... Eu vou fazer isso!
O urso veio se aproximando cada vez mais. Ele soltou alguns pequenos rugidos e os seus passos ecoavam por toda a caverna, com isso eu percebi que ele devia ser bem pesado e um feitiço fraco não ia ser o suficiente para empurrar ele. Eu levei um tempo, mas logo decidi qual feitiço usar e quando ele finalmente chegou na distância ideal, eu lancei o feitiço.
— Canhão de Vento!
Eu o joguei para longe e ele caiu bem abaixo das estalactites.
— Agora, Illyssa!
A Illyssa então fez a parte dela.
— Raio Cortante!
Ela acertou em cheio as estalactites. Elas caíram em cima do urso, o perfuraram e ele soltou um último rugido antes de morrer.
— Você conseguiu!
— Eu consegui?
— Sim!
— Eu consegui!
Ela começou a pular de alegria. Matar aquele urso realmente foi a cereja do bolo para melhorar o humor dela.
— Vamos sair daqui agora. — Falei. — Eu não quero encontrar mais nenhum urso.
— Sim, vamos embora.
Nós saímos da caverna e andamos por todo o bosque até voltarmos para o acampamento. Chegando lá, encontramos a Joni acordada.
— Onde vocês estavam? — Preocupada, ela perguntou.
— Dentro de uma caverna. — Respondi.
— Como assim?
— É uma longa história, mas a Illyssa matou um urso.
— O quê?! Isso é verdade?
— Sim! — Illyssa respondeu. — Eu matei ele!
Após ela dizer isso, eu me deitei e apaguei na hora. Não sei o que se passou entre ela e a Joni, mas sabia que a Joni iria me cobrar explicações depois. Porém, o importante era que o humor da Illyssa finalmente havia voltado ao normal e nós iríamos poder seguir uma viagem tranquila.
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Atualizado até capítulo 257
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