...Jonathan...
Após eu e a Elizabeth aceitarmos a missão de matar Dragonetes, não demoramos muito para começarmos a seguir nosso caminho até o pântano e como nós corríamos o risco de ficar alguns dias fora, decidimos comprar bastante comida antes de deixar o Reino para levarmos em nossas mochilas.
— Hmm... Acha que tudo isso que compramos é o suficiente? — Perguntei.
— Sim. Se não for, é só matarmos algum javali no caminho para comer.
Eu não tinha muita experiência em cozinhar, então essa tarefa costumava ficar com a Elizabeth. Todas as vezes que eu tentei cozinhar na vida, eu errei na mão. Talvez se eu estivesse preso dentro de um jogo, eu poderia usar o esquema de aumentar minhas habilidades culinárias com alguns pontos de habilidade, mas, até o momento, eu não havia notado nenhum sistema parecido com esse ali. Se eu quisesse aprender a cozinhar de forma decente, eu ia ter que usar o velho método de pôr a mão na massa. Porém, eu tinha alguém comigo que cuidava dessa parte, então eu nem me metia muito nisso.
Nós andamos e andamos durante todo o dia e tínhamos um mapa bem simples conosco. Ele não tinha uma imagem muito bem desenhada e seus contornos não eram lá tão realistas, mas dava pra identificar bem onde nós estávamos e onde estava o pântano. Porém, ele era um mapa pequeno e não mostrava as outras Terras do continente de Galonia, só mostrava uma parte da Terra de Haoni e, após olhar nele, notamos que o pântano ainda estava longe.
— Quanto tempo vamos levar para chegar lá?
— Hmm... — Ela olhou rapidamente no mapa. — Talvez uns quatro ou cinco dias.
Eu confesso que comecei a pensar em desistir da missão, mas parei de pensar nisso quando lembrei que a recompensa era de 6.000 moedas Haoni. O serviço poderia ser demorado e os Dragonetes poderiam ser difíceis de matar, mas a recompensa fazia o risco valer a pena e, naquele ponto, eu confiava bem nas minhas habilidades e nas da minha parceira.
Andando pelos bosques, nós vimos vários animais. A fauna da região perto do Reino de Alexandria era bem extensa e era possível encontrar diversos animais, mas, para nossa sorte, nenhum deles era perigoso. Nós até encontramos com outros grupos de aventureiros que pareciam estar voltando para Alexandria.
Quando a noite caiu, nós decidimos montar acampamento. Nós havíamos encontrado um local ideal para isso, era perto de um riacho que tinha uma margem bem grande e isso ia nos ajudar principalmente para conseguir água. Um mago poderia criar água facilmente usando magia, mas como eu só podia usar um feitiço de raio e a Elizabeth só podia usar magia de nível iniciante, nós sempre optávamos por ficar perto de rios e riachos. Felizmente, a Terra de Haoni era cheia deles.
A Elizabeth acendeu a fogueira e eu fiquei encarregado de montar nossas barracas. Apesar de eu nunca ter feito esses tipos de coisas no meu antigo mundo, eu já estava fazendo elas havia alguns meses nesse mundo e eu poderia dizer que já sabia bem como me virar na mata. Com isso, eu achei que iria ser fácil montar algumas barracas, mas comecei a me atrapalhar. Infelizmente, elas não vinham com manual de instruções...
— Precisa de ajuda? — Elizabeth perguntou enquanto ria.
— Acho que sim...
Ela veio até mim e me ajudou a montar as barracas. Ela fez de forma tão rápida que eu fiquei um pouco envergonhado.
Quando me virei, vi que a fogueira já estava acesa e a nossa comida estava assando.
— Ainda bem que você sabe usar magia de fogo também. — Falei. — Se não, não sei como faríamos para acender essa fogueira.
— Magia não é o único método existente para você acender uma fogueira. Por precaução, eu também aprendi a acender fogueiras esfregando gravetos.
— Você realmente sabe de tudo, né?
— Eu não sei de tudo. Eu apenas sei o que eu sei. — Ela riu confiante.
Ao ouvir isso, fiquei com impressão de já ter escutado em algum lugar.
— Por que você não usa a sua magia nas missões? — Curioso, eu perguntei.
— Eu tenho pouca mana. Depois de lançar um feitiço, eu costumo me sentir extremamente cansada e isso poderia atrapalhar muito.
— Ah, entendi.
— Mas de qualquer jeito, eu acho o arco e flecha bem mais legal do que magia!
Eu não consegui deixar de pensar que Elizabeth fez o caminho contrário e até o mais difícil em comparação ao que a maioria das pessoas nesse mundo fazem. Enquanto quase todos querem poder usar magia, ela prefere ficar com o arco e flecha e eu não a julgo por isso, mas o fato é que um mago podia ser bem mais eficaz e útil para um grupo de aventureiros. Porém, eu tinha que dar valor a habilidade da Elizabeth com o arco. Ela praticamente acertava um crítico toda vez que atirava e, dada a velocidade com que ela repõe suas flechas, eu me arrisco dizer que ela poderia estar pau a pau com um mago de nível intermediário ou até avançado.
No entanto, eu acredito que ela poderia estender sua capacidade de mana se ela treinasse a magia dela mais um pouco, mas ela mesma parecia não querer isso e eu achava bem intrigante. Ela realmente não parecia ter muito interesse em magia.
— Bem... Vamos comer!
Nós comemos e a comida estava deliciosa. Acho que com toda a experiência que a Elizabeth acumulou realizando missões, ela acabou aprendendo a cozinhar. Os temperos que ela botava na carne eram incríveis.
Assim que eu terminei de comer, me deitei um pouco no chão e comecei a olhar o céu. Diferentemente do céu do meu mundo, o céu dali a noite tinha uma quantidade absurda de estrelas. Era de tirar o fôlego.
— É surreal o tanto de estrelas que você consegue ver daqui. — Falei.
— Verdade, mas do Grande Deserto de Nexus você consegue ver ainda mais!
A princípio, todas as cinco Terras eram diferentes umas das outras. Cada uma tinha suas características próprias, e eu fiquei me perguntando como será que era a Terra de Nexus. Eu fazia ideia de que o lugar era bem desértico, mas também sabia que não era apenas um grande deserto. Devia haver mais do que areia e calor lá.
Entretanto, havia outra questão também em minha cabeça.
— Por que você veio para cá, Elizabeth? — Tentei soar o mais despretensioso possível.
— Que pergunta repentina. — Ela estranhou um pouco e riu..
— Ah, eu fiquei curioso a respeito disso, sabe?
— Sei... Bem, desde criança eu sempre quis conhecer o mundo, sabe? Eu sempre quis sair para explorar outros lugares.
Eu me identifiquei bastante com ela naquilo. Eu compartilhava dessa mesmíssima vontade.
— Meus pais nunca tiveram a chance de sair de lá e, por um tempo, pensei que eu também não ia ter. Mas quando fiz dez anos, eu comecei a fazer algumas missões e aprendi a me virar.
— Você começou bem cedo até.
— Talvez.
— E como você veio parar aqui?
— Eu fui fazendo missões com diversos grupos diferentes e nunca me estabeleci em um lugar. Eu saí de casa com doze anos e depois de cinco anos, cheguei aqui.
Após a Elizabeth mencionar que começou com dez anos, eu lembrei que já vi alguns adolescentes na guilda de Alexandria que pareciam ser mais novos que eu e fiquei pensando se era normal naquele mundo as pessoas começarem a se tornar independentes e fazer missões tão novas.
Eu já sabia que normalmente as pessoas ali eram consideradas adultas quando faziam quinze ou dezesseis anos, mas, mesmo assim, eu já vi adolescentes na guilda que pareciam ter bem menos que isso de idade e, talvez, ainda eram crianças.
— Você pensa em voltar para a Terra de Nexus? — Perguntei.
— A Terra de Nexus não é nada além de um grande deserto com algumas poucas cidades e vilarejos. Se eu voltar lá algum dia, vai ser só para rever a minha família.
— Certo. — Bocejei e ne levantei. — Bem, acho que vou dormir agora. Boa noite.
ㅡ Boa noite.
Fui para minha barraca, já a Elizabeth ficou lá fora por mais algum tempo mexendo na fogueira com um galho até se recolher também.
Antes de dormir, eu fiquei pensando se algum dia eu teria a chance de conhecer a Terra de Nexus. Quem sabe eu até poderia chegar a conhecer o povo Shiina.
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Depois de quatro dias andando, finalmente estávamos chegando no pântano.
O ambiente naquela área era formado por várias árvores com bastante musgo, alguns pequenos lagos e uma leve neblina. O chão era bem molhado e havia muita lama. Era um lugar meio escuro e um pouco assustador, tinha uma vibe bem mais "dark", sabe? Eu parecia estar andando por um cenário típico de um filme de terror onde um dos personagens faz o que não devia fazer e acaba morrendo de forma besta por causa disso.
Enquanto caminhávamos, vimos várias pegadas no chão. A maioria era de animais menores, como lagartos e até guaxinins, porém, nós vimos algumas um pouco maiores que eram claramente pegadas de Dragonetes.
— Você lembra qual é o rank dos dragonetes? — Perguntei.
— Acho que são monstros de rank C, mas quando estão em grupo podem chegar ao rank B ou até mesmo A.
Apesar dos Dragonetes não serem muito resistentes, eles eram ágeis, então podiam ser difíceis de acertar. Nós iríamos precisar de bastante coordenação para acabar com eles.
— Acho que estou vendo alguns ali na frente.
A Elizabeth começou a avançar e eu fui atrás dela. Nos escondemos em um arbusto e avistamos três Dragonetes de tamanho médio, não deviam ter mais que um metro e meio.
— Ok, eu vou atacar eles com a minha espada e você me dá cobertura. Pode ser?
— Pode. Vamos esperar eles ficarem em uma posição que nos favoreça, aí você parte para cima.
Os Dragonetes estavam em uma pequena poça de lama e seria muito arriscado eu atacar eles ali. A lama dificultaria o meu movimento e eu me tornaria uma presa fácil. Nós esperamos alguns minutos e até que eles saíram da lama. Aquele era o momento ideal.
— Me cubra, Zero Two! — Eu saí do arbusto e avancei.
— Zero Two? Mas quem diabos é... Aff, esquece.
Eu parti para cima dos Dragonetes. Eles demoraram para me notar e isso facilitou o meu trabalho. Eu perfurei o peito de um, e cortei a perna e depois a garganta de outro. A Elizabeth acertou no olho o último Dragonete e eu o finalizei.
— Ótimo! — Ela disse. — Vamos pegar as escamas deles.
Nós começamos a pegar as escamas dos Dragonetes. Íamos levar algumas para a guilda e outras, íamos vender depois. Talvez pudéssemos conseguir um dinheiro extra com aquelas escamas, elas poderiam ser vendidas por um bom preço e, dependendo da cor delas, poderiam ser vendidas por um ótimo preço.
— Vamos continuar andando. — Falei.ㅡ Talvez tenham outros mais pra dentro do pântano.
Nós voltamos a andar em direção ao centro do pântano. Além dos Dragonetes, havia diversos outros animais naquele pântano e a maioria eram anfíbios e répteis, como cobras, lagartos, sapos e até algumas tartarugas mais esquisitas.
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Nós andamos por cerca de trinta minutos e notamos que não estávamos achando mais Dragonetes, o que era estranho. Os Dragonetes não tem uma época específica do ano para aparecerem mais ou menos. Geralmente, é possível encontrar eles nos pântanos durante todo o ano.
— Será que eles já saíram desse pântano? — Elizabeth perguntou.
ㅡ Eu espero que não.
Nós víamos pegadas, mas não víamos os monstros de fato. Pensamos na possibilidade de algum grupo já ter feito a limpa naquele pântano, mas isso seria quase impossível pois o pântano era enorme.
Nós andamos olhando para todos os lados e, então, vimos uma cena curiosa: Um grupo de três aventureiros que pareciam estar tendo uma discussão na entrada de uma caverna. Eles não pareciam ser aventureiros muito experientes e pareciam ter a nossa idade também. Nós decidimos nos aproximar deles.
— Aqui é a toca deles. Deve haver vários lá dentro. Vamos lá! — Isso foi dito por um elfo com cabelo cor de prata que estava segurando uma espada.
— Não, é muito arriscado. É melhor nós voltarmos. — Já isso foi dito por uma garota jovem vestindo uma capa de maga e com um cajado na mão.
O terceiro integrante do grupo era um rapaz de cabelos castanhos que parecia ser um espadachim, mas ele tinha uma postura séria, estava de braços cruzados e ficou em silêncio o tempo todo.
A gente se aproximou deles e perguntamos o que eles estavam fazendo. O elfo falou que aquela caverna era o ninho dos Dragonetes e ele estava querendo entrar lá para matá-los e pegar as escamas deles, enquanto a garota não parou de repetir que aquele era um plano muito arriscado. Ela segurava seu cajado com as duas mãos e parecia realmente estar insegura.
— Você tem certeza de que eles estão aqui? — Perguntei ao elfo.
— Sim! Absoluta!
Eu não sabia qual era o rank daqueles três, mas Elizabeth presumiu que não era muito alto e, talvez, eles não fossem ser páreos para um bando de Dragonetes. Mas, se lá dentro fosse realmente a toca deles, nós estaríamos tendo uma chance de ouro de acabar com um grande número e de uma vez só. Então, eu achei que valia a tentativa, mas eu não estava sozinho.
Quando olhei para a Elizabeth, ela deu um suspiro e disse:
— Olha, os Dragonetes não são tão difíceis assim de matar. Creio que cinco aventureiros podem dar conta de um grande número deles. Então, que tal entrarmos todos juntos?
— Quanto mais pessoas, maior a chance. Vamos! — O elfo falou isso enquanto saía na frente.
O rapaz que estava quieto apenas seguiu ele e a jovem maga foi atrás. Eu e a Elizabeth entramos logo em seguida.
A caverna era um pouco larga e não era tão escura assim. Mesmo sem tochas, nós conseguíamos ver bem o nosso redor. Havia algumas poças no chão e cada passo que a gente dava fazia um barulho de como se estivéssemos pisando em uma pequena poça de água bem rasa. Éramos capazes de ouvir alguns morcegos também, no entanto nenhum deles apareceu.
— Que grupo mais estranho, não?
— Bastante. — Elizabeth respondeu. — Eles devem ter pouco tempo como aventureiros.
Eu e a Elizabeth ficamos na retaguarda pela maior parte do tempo, o rapaz quieto e a maga ficaram no meio e o elfo ficou na frente. Ele andava cheio de confiança e parecia agir como um tipo líder.
— Qual o nome de vocês? ㅡA jovem maga perguntou.
— Me chamo Jonathan Hoffman.
— Meu nome é Elizabeth Shiina.
Quando a Elizabeth falou o nome dela, a jovem fez uma leve cara de espanto.
— V-Você é uma Shiina? — Ela perguntou.
— Sou. Algum problema?
— N-Não, nenhum... — Ela deu uma tossida forçada. ㅡ Bom, prazer, Jonathan e Elizabeth. Eu me chamo Catarina Larsson. Esse ao meu lado é o Roy Müller.
O Roy deu um pequeno aceno para nós.
— E aquele ali na frente é o Frederico Tess, nosso líder.
Não era difícil de imaginar que o Frederico era o líder do grupo. Ele tinha bastante atitude e parecia ser um cara de iniciativa. Nós todos conversamos enquanto andávamos para nos conhecermos melhor, até que chegamos em uma passagem que levava ao topo de uma pedra e abaixo dela havia uma grande sala.
— Eu não falei que o ninho deles era aqui?! Hehehe.
O Frederico estava certo. A sala era bem grande, tinha um chão branco e estava cheia de pedras azuis nas paredes, mas, o mais importante, ela estava infestada de Dragonetes, só que maioria deles estava dormindo.
— Ok, o que vamos fazer? — Catarina perguntou.
— Vamos atacar, ué.
Após o Frederico responder isso, eu tive a certeza de que ele tinha pouca ou nenhuma experiência como aventureiro. Nem eu, que era super afobado, agiria de forma tão idiota.
— Como assim "vamos atacar"?! — Falei. — Se fizermos isso, vamos morrer. Olha quantos Dragonetes tem aqui.
— Mas eles estão dormindo, então temos que partir logo para cima e pegá-los de surpresa!
— E depois que o resto acordar, o que faremos?!
— Matamos eles, ué!
— Você fala como se fosse super simples.
— Mas é!
— Não é não!
Eu e Frederico começamos a discutir ali sobre qual seria a melhor tática. Vendo isso, a Elizabeth deu um suspiro e decidiu falar:
— Calem a boca!
O Frederico e eu nos calamos na hora.
— Eu e a Catarina daremos cobertura daqui enquanto vocês três atacam. ㅡ Ela disse. ㅡ O que acham?
Todos nós concordamos que esse seria um bom plano e era até o plano mais óbvio, na verdade. Os arqueiros sempre são os que cuidam da retaguarda e dão suporte a longa e média distância, e os magos fazem basicamente a mesma coisa, além de ficarem encarregados de curar o grupo também.
Nós todos nos pusemos em posição. Eu, Roy e Frederico descemos até o chão daquela sala enquanto a Catarina e a Elizabeth ficaram em cima da pedra na entrada.
— Ok. — Falei. — Vamos tentar ser furtivos e não acordar~
— Atacar! — Frederico partiu sozinho para cima dos Dragonetes.
— Não, idiota, espera!
Eu e o Roy saímos atrás dele e, quando vimos, já estávamos lutando contra os Dragonetes. Devia haver uns quinze ali e eles possuíam escamas de cores diferentes. Alguns eram mais esverdeados, outros mais amarelados e outros eram mais cor de prata.
Nós ficamos lutando com os monstros por um certo tempo e eu salvei a pele do Frederico diversas vezes. Ele tinha uma habilidade muito boa com a espada, mas deu alguns deslizes e deixou sua guarda baixa em alguns momentos críticos. No entanto, eu pude perceber que o seu estilo de esgrima era um pouco diferente do qual eu usava. Ele muito provavelmente usava um Estilo da Espada que não era o de Haoni.
Eu também notei que o Roy tinha certa habilidade com a espada. Ele dava golpes rápidos e precisos e ele, sim, usava o Estilo da Espada de Haoni muito bem, e provavelmente era um espadachim de nível avançado ou até de nível Santo. Ele parecia ser um pouco mais velho do que eu e devia ter treinado por um bom tempo já.
A Elizabeth acertou vários Dragonetes com seu arco e a Catarina lançou diversos feitiços neles, a maioria de raio e terra. Ela inclusive lançou alguns feitiços em estalactites pontiagudas que estavam no teto da sala e as fez cair sobre alguns Dragonetes. Apesar dela parecer ser uma menina insegura e inocente, ela era boa com magia.
Em cerca de quinze minutos, nós matamos todos e nos reunimos no centro da sala.
— Beleza! Vamos começar a pegar as escamas.
O Frederico começou a cortar as escamas dos Dragonetes mortos e o resto de nós não demorou muito para começar a fazer isso também. Como as cores das escamas eram variadas, nós poderíamos conseguir uma quantia extra muito boa com elas.
— Cara, isso daqui vai nos render um bom dinheiro!
Nós matamos mais do que poderíamos imaginar. Com certeza o dinheiro de todas aquelas escamas iria nos suprir por um bom tempo, fora a recompensa que eu e a Elizabeth iríamos pegar na guilda também.
Em outros tempos, eu nunca me imaginaria esfolando um animal, ou melhor, um monstro com as minhas próprias mãos. Contudo, eu me acostumei bem rápido a isso e diria que até levava jeito para a coisa. Eu cortava as escamas e as guardava comigo. Eu sentia realmente como se eu estivesse dentro de algum jogo, afinal, o único momento em que eu cheguei perto de fazer algo parecido com isso, foi quando eu jogava videogame.
Então, me peguei pensando se não poderia haver algo a mais que fosse parecido com os jogos que eu jogava. Eu estava vivendo em um mundo bem semelhante a um RPG, basicamente. Logo, seria válido pensar que poderia haver algumas quests mais... Inusitadas, por assim dizer.
Digo, eu não me surpreenderia se encontrasse alguma missão de caçar criminosos e obter recompensas ao entregá-los as autoridades ou até se houvesse algum método para melhorar a sua arma ou a sua armadura com magia.
Quem sabe eu, eventualmente, iria encontrar uma jovem donzela e acabar tendo que ir para a cama com ela para, assim, ganhar pontos de confiança, influência ou algo do tipo. Talvez, seria só questão de tempo até algum evento de namoro ocorrer.
“Hehe, isso não seria tão ruim”, pensei e logo balancei a cabeça para voltar à realidade.
Nós estávamos lá, tranquilamente retirando escamas quando, de repente, ouvimos um barulho.
— O que foi isso? — Roy perguntou.
Eu me dividi entre procurar a fonte do barulho e ficar surpreso em ouvir a voz do Roy pela primeira vez.
— Ali!
A Elizabeth apontou para um Dragonete sobrevivente que estava prestes a fugir.
— Vou acertá-lo com uma flecha!
Ele estava prestes a passar pela passagem por onde nós havíamos entrado e a Elizabeth estava se preparando para atingi-lo.
— Não! — Catarina exclamou. — Eu cuido dele!
A Catarina começou a mirar nele com seu cajado, que era de madeira e possuía uma pedra amarela em seu topo. Conforme ela foi se concentrando, a pedra foi brilhando mais e mais.
— Você não vai fugir, Dragonete. Fissura Relâmpago!
Ela lançou o feitiço, mas, quando menos esperávamos, o Dragonete desviou e fugiu.
— Droga!
O feitiço dela acertou o topo da entrada.
— Não se preocupa. — Falei. — Apenas um não vai fazer diferença. Vamos continuar a retirar as escamas.
Nós então nos viramos e íamos voltar a retirar as escamas... Até que ouvimos outro barulho.
— O que foi isso? Será que há outro Dragonete aqui? — Roy disse.
— Não... Esse barulho é diferente. — Elizabeth respondeu se virando para a entrada.
O barulho parecia ser de rochas que estavam se mexendo e, quando todos nos viramos, notamos que a Fissura Relâmpago que a Catarina lançou, não só havia atingido o topo da entrada da sala, mas acertou em cheio uma quantidade de pedras que estavam mais soltas que o resto.
— Cuidado! Aquelas rochas vão cair! — Gritei.
Nós todos começamos a correr para o mais longe possível da entrada e então as rochas desabaram. Elas fizeram um grande barulho ao cair e uma nuvem de poeira enorme se levantou. Nós começamos a tossir e a esperar ela baixar. O Frederico foi o primeiro a olhar o que havia de fato ocorrido e, assim que viu, ele começou a falar:
ㅡ Não... Não, não, não, não!
Após todos nós olharmos para a entrada, vimos que as rochas haviam caído bem na frente dela e nós todos entendemos na hora o que aquilo significava: Nós estávamos presos na sala...
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Atualizado até capítulo 257
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