Estávamos chegando perto de completar um ano no Reino de Alexandria. Em pouco tempo, iria fazer um ano desde que entramos naquela biblioteca, um ano desde que tocamos aquele livro e um ano desde que chegamos aqui.
Após passar por tudo o que eu passei nesse período, eu sentia que havia vivido mais intensamente do que todos os anos que passei em meu antigo mundo.
Eu descobri que eu sabia usar magia e eu a aprimorei. No começo, eu havia apenas lido que existia magia nesse mundo, mas a ideia de eu ser capaz de usá-la parecia um pouco absurda para mim. No entanto, eu fui atraído por isso e acabei conseguindo um livro sobre magia com um velho senhor. Assim que eu fui testar uns feitiços, eu tive uma grande surpresa: eu conseguia usar magia e eu era bom nisso.
Eu acabei conhecendo uma garota que queria muito usar magia também, mas ela não parecia levar tanto jeito para isso até então. Só que tudo mudou quando eu a ajudei. Com o meu auxilio, ela conseguiu lançar os feitiços que tanto queria. Contudo, eu descobri que ela não era uma simples garota, mas, sim, uma princesa e, mais do que isso, ela ficou tão contente com a minha ajuda que quis que eu me tornasse seu professor. Eu relutei no início, mas acabei aceitando.
Com isso, eu conheci seu pai, Lorde William, o Rei de Alexandria, e ele era um cara surpreendentemente agradável. Porém, ele impôs uma condição para eu me tornar professor de sua filha: eu teria que vencer seu antigo professor, Lenny York, em um duelo. Com muito medo, eu resolvi aceitar e acabei ganhando, e esse foi o pontapé inicial para o recomeço da minha vida nesse mundo.
De um simples garoto que morava em uma pequena casa e não tinha absolutamente nada decente na vida, eu me tornei um prodígio em magia, professor de uma princesa e fui morar em um grande castelo em um grande Reino. Essa era a minha vida naquele no momento e eu estava curtindo bastante.
Eu fiz missões para aprender a usar melhor a minha magia em batalha e, nisso, matei vários monstros. Eu até fiquei um pouco conhecido no Reino e alguns pais vieram até mim pedindo para que eu ensinasse magia a seus filhos, no entanto, eu recusei todos os pedidos. Eu não queria me comprometer com mais ninguém além da Illyssa.
E falando nela, ela fez grandes avanços comigo a ensinando. Ela aprendeu todos os feitiços ofensivos até o nível intermediário e ainda aprendeu magia de cura de nível iniciante. Aparentemente, ela tinha mais afinidade com os elementos água, fogo e raio. Ela os usava com uma certa facilidade, mas os elementos ar e terra exigiam um pouco mais de esforço. Entretanto, nada disso era um grande problema. Ela estava indo muito bem e estava se tornando uma grande maga!
Mas ela não foi a única a evoluir. Eu não pus todo o meu foco só nela, claro que não. Eu sempre separava um tempo para mim quando podia para poder estudar e treinar. Eu queria evoluir a minha própria magia, então eu pratiquei e pratiquei sem parar e os resultados apareceram em pouco tempo. Eu consegui aprender diversos feitiços e acabei me tornando um mago de nível Santo em todos os elementos. Eu não gosto de me gabar, mas eu havia me tornado um mago poderoso, e não era somente por eu saber os feitiços.
Certo dia, enquanto estava dando aula para Illyssa, eu tentei fazê-la aprender um feitiço de nível avançado, só que não deu muito certo. Ela se esforçou ao máximo para lançar ele, mas, no final, não conseguiu devido ao fato de ela não ter mana o suficiente. Após tentar e falhar consecutivamente, ela se sentiu muito cansada e decidiu se sentar para descansar. Vendo aquilo, eu optei por encerrar a aula ali.
Eu havia me sentado junto com ela e então ela me perguntou como eu conseguia lançar aquele feitiço sem me sentir cansado, mas eu não soube o que responder direito, então apenas disse que eu não sabia o porquê, mas aquele feitiço era incrivelmente fácil para mim e eu não sentia nada após usá-lo. Ela então disse que eu devia possuir uma reserva de mana enorme e, quando eu ouvi isso, me pus a pensar sobre as minhas habilidades como mago.
Eu comecei a analisar a minha própria magia e percebi que nunca me sentia cansado após usar os feitiços. Aparentemente os feitiços de nível avançados já exigiam bastante mana, mas nem mesmo eles me deixavam cansado ou incapacitado depois de usá-los. Na verdade, nem mesmo quando usei feitiços de nível Santo me senti cansado. Eu conseguia usar um após o outro sem problemas e, após ter noção disso, até eu achei estranho.
Eu resolvi procurar algo em algum livro de magia que pudesse explicar isso, mas não encontrei nada; então resolvi conversar com alguns magos do reino para ver se eles poderiam ter uma explicação. Eles me disseram que, apesar de ser extremamente raro, algumas pessoas podiam nascer com uma reserva de mana naturalmente grande e, com isso, poderiam usar feitiços quase que sem parar. Eu não achei que me aplicava muito nessa explicação, pois eu vinha de outro mundo e lá não havia magia, então apenas pensei em aceitar o fato de que eu poderia ter uma reserva de mana fora do comum e talvez não houvesse explicação para isso.
Mas, depois de um tempo, eu lembrei de novo do livro que trouxe eu e meu irmão para cá. Se nós fôssemos mesmo os protagonistas daquele livro, talvez a minha vasta reserva de mana pudesse ter ligação com isso. Vai saber, né?
Além de tudo isso, outra coisa também havia acontecido: eu havia me tornado uma pessoa de confiança do Lorde William. Ele até já havia me mandado para algumas missões fora do Reino de Alexandria. Com isso, eu pude conhecer outros lugares além daqui e, como ele sabia das minhas habilidades, praticamente todas as missões em que ele me mandou eram para eu fazer parte da segurança e escolta.
Uma vez tive que fazer a escolta de um mensageiro que estava levando um recado importante para a cidade de Mizuni, que ficava no norte da Terra de Haoni e perto da Terra de Zambezio. A cidade era muito bonita e bem movimentada, talvez até mais tumultuosa do que o Reino de Alexandria. Ela havia sido fundada duzentos anos atrás por um homem chamado Emmanuel Mizuni. A família dele esteve no controle por todo esse tempo e, naquele momento, a cidade estava sendo governada por Lena Mizuni.
Outra vez, eu fiz parte da guarda do próprio Lorde William quando ele mesmo foi visitar a cidade de Mizuni. Nessa missão nós ficamos fora por cerca de um mês e nela eu tive a oportunidade de conhecer a Joni. Eu já havia a visto no castelo antes e sabia que era uma Rainha da Espada, mas nunca consegui conversar com ela. Eu já sabia que ela era a principal guarda do Lorde William, melhor espadachim de Alexandria e, também, a mestra do meu irmão. Mas depois de conversar com ela, eu pude entender claramente o porquê do meu irmão admirá-la.
E a respeito do Jonathan, ele também ganhou certa notoriedade dentro do reino. Ele fez diversas missões com a Elizabeth e os dois ficaram conhecidos pela área. Eu cheguei a conhecer a Elizabeth quando fiz uma missão com ela e o meu irmão. Eu soube que ela era uma Shiina e sofria certo preconceito por causa disso, mas depois de concluir tantas missões para o reino, creio que as pessoas começaram a respeitá-la um pouco. Algumas vezes eu ouvi pessoas falando de uma menina com chifres que tinha uma mira incrível com o arco e flecha. Tenho certeza que estavam falando dela. E sobre meu irmão, algumas pessoas comentavam a respeito dele ser tão bom com a espada mesmo sendo tão jovem.
As coisas estavam indo muito bem e estavam tranquilas. Mas, infelizmente, o dia em que eu iria completar um ano no reino de Alexandria não era o único que se aproximava. Havia outro dia específico que estava chegando cada vez mais perto também. Era o dia que eu menos gostava no ano e esse dia era o dia do meu aniversário...
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...Jonathan...
Estávamos quase completando um ano nesse mundo e eu estava muito feliz. Eu vivia uma vida medíocre no passado, mas, naquele momento, eu estava vivendo uma vida que me satisfazia e eu gostava muito dela. Eu havia descoberto que era capaz de fazer coisas com as quais eu nunca sequer sonhei que era capaz, como me tornar um espadachim altamente habilidoso, por exemplo.
As minhas habilidades com a espada estavam melhores do que nunca e a minha movimentação também havia melhorado e eu já não tropeçava mais, longe disso. Eu passei a ter noção de tudo o que havia ao meu redor e sabia usar o ambiente a meu favor. O Estilo da Espada de Haoni tinha dominado totalmente o meu corpo.
Eu também havia conseguido aumentar um pouco a minha reserva de mana através de um árduo treino. Foi difícil, mas, agora, eu podia usar a minha habilidade especial por mais tempo. Porém, mesmo assim, eu tomei a decisão de usá-la somente em situações de vida ou morte e, como eu estava muito bom com a espada, nunca precisei usar minha habilidade em "campo".
A Elizabeth e eu formávamos uma ótima dupla também. Após meu erro com os Búfalos Lanosos, nós nunca mais passamos por uma situação de real perigo. Nós éramos incríveis, mas devido a isso, ela nunca soube sobre a minha habilidade também. Eu já quis mostrar pra ela algumas vezes, mas achei melhor não. Um sábio homem disse uma vez que com grandes poderes vinham grandes responsabilidades, então eu não acho que seria boa ideia mostrar a minha habilidade sem necessidade.
Depois de fazer tantas missões, nós subimos um degrau no rank. Elizabeth foi do rank B para o A e eu fui do rank D para o C, com isso, nós passamos a pegar missões bem mais difíceis em comparação as que nós costumávamos pegar antigamente, mas, graças ao nosso trabalho em equipe e algumas parcerias que fazíamos com outros grupos, nós conseguíamos concluir elas sem grandes problemas. A propósito, as missões eram mais longas também. Agora, era bem comum eu ficar fora durante dois ou três dias enquanto estava em missão. Por exemplo, nós concluímos uma que levou três dias. Era para limpar uma caverna que estava infestada de Escorpiões Gigantes e Estirges. Os Escorpiões Gigantes podiam chegar até dois metros de comprimento, eram de rank C e existiam por todo continente de Galonia. Já as Estirges eram monstros voadores do tamanho de morcegos com ferrões longos e venenosos; elas eram de rank C, porém eram relativamente fáceis de matar. No entanto, seu veneno só podia ser tratado com magia de cura de nível intermediário ou superior e, caso você não tratasse, podia acabar morrendo.
Mas comigo cuidando dos escorpiões e a Elizabeth cuidando das Estirges, não tivemos dificuldade para limpar a caverna e, após voltarmos para o Reino, eu peguei a minha parte da recompensa e fui direto para o castelo. Chegando lá, encontrei a Illyssa praticando magia sozinha e fui falar com ela.
— Soube que você tentou aprender um feitiço de nível avançado.
— Eu estou tentando ainda. — Ela disse. — Estou tendo muita dificuldade para lançar ele.
— Não tá conseguindo se concentrar?
— Não é isso. É que ele consome muita mana e acho que não tenho o suficiente.
— Talvez você consiga estender sua capacidade com treino.
— Talvez, mas...
— O que foi?
— Esses dias eu espiei o Gabriel no Salão de Treinamento e o vi usando feitiços um atrás do outro. Eu não consigo entender como ele consegue.
— Hmm... Acho que ele treinou bastante. — Meio sem graça, eu falei.
— Pode ser...
O Gabriel realmente tinha uma reserva de mana fora do comum. Eu sabia disso e até suspeitava que eu também soubesse o motivo para a reserva de mana dele ser tão grande. Porém, para todos ao nosso redor, era certo que ver um adolescente usando magia de alto nível, e várias vezes seguidas ainda por cima, ia ser algo bem estranho e talvez até um pouco suspeito. Eu resolvi ir falar com ele e fui para o quarto. Ao chegar lá, o encontrei deitado em sua cama olhando para o teto. Ele parecia meio pra baixo.
— Tá triste, mano? — Perguntei.
— Mais ou menos.
O Gabriel não era do tipo que demonstrava tristeza pelo rosto, mas, sim, pelas ações. Quando ele ficava triste, ele não chorava e o rosto dele costumava ficar o mesmo de sempre: às vezes sério, às vezes desinteressado, às vezes pensativo. Porém, as suas ações mudavam muito: ele começava a se trancar no quarto, falava muito pouco e perdia totalmente a motivação em fazer as coisas que ele curtia. Talvez, alguém de fora ia ter dificuldade em ver que ele estava realmente triste, mas, como eu era seu irmão, eu sabia identificar.
— O que houve?
— Olha o calendário.
Eu não fazia ideia de qual dia era, mas, ao olhar o calendário, percebi na hora o motivo da tristeza do Gabriel: Faltavam três dias para o aniversário dele.
— Já entendi...
Devido a traumas do passado, ele não era muito fã do próprio aniversário. Normalmente, tudo que eu fazia nesse dia era desejar feliz aniversário a ele e deixar ele quieto no canto dele. Mas, como não estávamos no nosso mundo, às pessoas não sabiam como ele lidava com o próprio aniversário e, pensando nisso, eu achei melhor tentar avisá-las sobre o quadro do meu irmão. Mas, mesmo assim, era esperar pelo melhor e se preparar para o pior...
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Atualizado até capítulo 257
Comments
Q livro maravilhoso!! Eu estou amando ler... é muito bom!! Eu amei esse capítulo.
2022-02-13
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