Um novo dia nasceu!
Eu me levantei, fui para a janela e respirei aquele ar maravilhoso de Alexandria.
— Haah... — Suspirei. — Hoje parece ser um dia perfeito para fazer missões!
Após a Joni ter me falado para fazer algumas missões, eu quase não consegui dormir de tanta animação. Será que eu vou finalmente ter a chance de me aventurar e pôr as minhas habilidades à prova? Será eu vou enfrentar algum monstro perigoso? Eu não conseguia parar de pensar nas possibilidades.
Como de costume, eu tomei meu banho, escovei meus dentes e me arrumei. Estive o tempo todo com um grande sorriso no rosto. Eu pus a minha novíssima espada na cintura e fui para a sala de jantar tomar café. Eu assobiei durante todo o caminho e já pensava nas respostas que eu poderia dar se alguém perguntasse qual era o motivo da minha felicidade.
— "Bem, eu vou fazer uma missão hoje, sabe? Eu sou um aventureiro e é isso que os aventureiros fazem". Hehe, acho que eu poderia falar isso.
Os pássaros cantavam e o clima estava extremamente agradável. O dia estava perfeito.
Por mais que fosse raro, eu esperava encontrar todos na sala de jantar e achei que, assim que eles me vissem, iam ficar impressionados comigo. Afinal, eu tinha uma espada nova e ia sair para fazer uma missão totalmente sozinho. Mas assim que eu virei para entrar na sala de jantar, vi um cenário solitário.
— Booommm dia... Povo?
A mesa estava cheia de comida, mas vazia de gente. O cenário que eu esperava encontrar ficou só na minha imaginação mesmo e eu tive que tomar café sozinho. Mas eu não liguei para isso. Fazer uma refeição totalmente só não ia tirar o sorriso que havia no meu rosto. No entanto, se ninguém viria até mim, eu iria até alguém. Primeiramente, fui até Silvia na cozinha.
— Bom dia, Silvia!
— Bom dia, senhor Jonathan! Você parece bem animado hoje. Aconteceu alguma coisa?
— Ah, é que eu ganhei uma espada e vou sair para fazer uma missão, sabe?
— Eu fico feliz pelo senhor! Só não se esqueça de avisar ao Lorde William que vai sair.
— Preciso fazer isso?
— Eu recomendaria. Lorde William sempre gosta de saber quando as pessoas entram e saem de seu Palácio.
— Tudo bem. Você sabe onde ele está?
— Hmm, creio que ele esteja na sala dele.
— Obrigado!
Eu não via muita necessidade em avisar ao Lorde William que eu ia sair, mas, pensando melhor, eu estava morando no castelo dele e talvez eu precisasse de algum tipo de permissão para ir e vir. De qualquer forma, é sempre bom deixar o dono da casa sabendo o que ocorre em sua residência.
Segui pelos corredores do Palácio com um pequeno sorriso no rosto e com a minha cabeça erguida. Eu sentia que estava emanando uma aura confiante e acho que até atraí os olhares de algumas das empregadas. Algumas delas não eram tão mais velhas que eu e poderiam estar atraídas por toda a minha masculinidade. Posso ter apenas quatorze anos, mas, aqui, já sou quase adulto. Então, estou liberado para vocês moças. Hehe.
No final, parei em frente à sala de Lorde William e bati três vezes na porta.
— Quem é? — Sua voz soou de dentro da sala.
— Sou eu, Jonathan. Posso entrar?
— Pode sim.
Eu entrei, fechei a porta e fui até ele.
— Bom dia, senhor!
— Bom dia, Jonathan. Eu fiquei sabendo que você andou treinando com a Joni.
— Sim, é verdade! Nós treinamos durante um mês inteiro e eu consegui me tornar nível avançado no Estilo da Espada de Haoni.
— O-O que? — Ele pareceu bastante surpreso. Eu falei algo esquisito? — Você conseguiu atingir o nível avançado em um mês?
— Sim. Há algo estranho nisso?
— Não, é só que... Conseguir chegar a esse nível em apenas um mês é algo surpreendente.
Eu não sabia qual era a média de tempo que os espadachins levavam para subir de nível, então achava que eu ter conseguido atingir o nível avançado em um mês era algo normal. Mas vendo a reação do Lorde William, pude perceber que essa não era a realidade. Na verdade, seu rosto dizia que evoluir tanto em apenas um mês era algo fora do normal.
— Mas, bem, você tem treinado com a Joni e ela é a melhor espadachim do Reino de Alexandria. — Lorde William disse.
— Ela é a melhor? — Perguntei, surpreso.
— Sim.
Eu já sabia que a Joni tinha habilidades incríveis com a espada e até as senti na pele, mas não fazia ideia que ela era a melhor de todo o Reino. Digo, Alexandria era um lugar bem grande e eu tinha certeza que devia haver vários outros espadachins por lá. No entanto, ia ser bem legal eu poder falar que aprendi esgrima com a melhor espadachim do Reino de Alexandria e, talvez, até a melhor de toda a Terra de Haoni.
— Mas diga-me, qual o motivo da sua vinda até aqui?
— Bem, eu queria saber se haveria problema em eu ir na guilda e realizar algumas missões?
— Sinto que você está querendo pôr em prática o que aprendeu com a Joni. Estou certo?
— Certíssimo.
— Creio que não há problemas nisso. Você pode ir.
— Muito obrigado, senhor!
Eu, então, saí da sala e me dirigi até a saída do castelo. Passando pelo jardim, eu pude ver o meu irmão e a Illyssa praticando magia juntos. Ele provavelmente estava dando aulas a ela naquele momento. Eu pensei em interferir para avisar a ele que eu ia sair, mas preferi deixar quieto. Eu só ia fazer alguma simples missão e estaria de volta pelo fim do dia. Não há com o que ele se preocupar... Errado. Eu sei bem como o meu irmão é.
— É... Acho melhor eu mesmo avisar ele.
O Gabriel era extremamente preocupado em relação a mim e se ele ouvisse da minha própria boca para onde eu estava indo, iria poder se controlar. Ele era bem chato com essas coisas, mas eu até o entendia um pouco. Eu fui até ele e o disse o que eu ia fazer e que talvez fosse passar o dia inteiro fora.
— Não morra, por favor. — Ele disse.
— Relaxa! Eu vou ficar bem.
Eu me virei para ir embora, mas então a Illyssa falou:
— Boa sorte, Jonathan!
— Obrigado, Illyssa!
Eu saí do castelo e fui andando até a guilda. No caminho, eu notei que não estava mais atraindo olhares curiosos igual a quando cheguei aqui e, por isso, me senti muito mais confortável enquanto andava. Eu já estava totalmente vestido como um cidadão Alexandrino.
"Obrigado de novo por essas roupas, Illyssa!", eu pensei.
...****************...
Chegando na guilda, eu abri as portas e andei com uma enorme confiança. Não havia mais motivos para eu ficar com medo dos outros aventureiros, pois, naquele momento, eu era como eles. Eu fazia parte da família de aventureiros do Reino de Alexandria. Obviamente, eu sabia que essa família não existia de verdade e que, na realidade, era cada um por si. Mas eu não pude deixar de pensar que eu pertencia a um grupo. Eu estava rodeado de irmãos ali. Alguns mais altos, outros mais baixos; alguns mais magros; outros mais gordos; alguns anões, elfos e homens-fera. Agora, eu tinha um laço imaginário como todos eles. Vamos todos sair para matar monstros e beber depois, pessoal!
— Olá, Lavigne!
— Bom dia, hmm... — Ela levou sua mão ao queixo. — Já nos conhecemos?
"Ela não se lembrou de mim? Como assim?", eu pensei.
— Ora, já se esqueceu de mim, Lavigne?! Sou eu, Jonathan Hoffman.
— Ah, sim! O irmão do Gabriel!
"Como assim 'o irmão do Gabriel'?", eu pensei de novo.
— Não te reconheci, me desculpe. — Ela riu para disfarçar. — Você está diferente.
— Diferente para melhor ou pior?
— Para melhor, eu diria. Está com mais cara de aventureiro.
Essa foi a resposta que eu queria ouvir!
— Veio fazer alguma missão?
— Sim.
— Bem, o quadro está ali na parede e cheio de serviços, como sempre.
— Eu vou lá dar uma olhada.
Eu fui até o quadro e comecei a procurar por alguma missão de rank D, pois foram as que a Joni me recomendou. Eu queria uma em que pudesse usar minha espada nova. Nada de serviços de marido de aluguel. Eu queria um desafio de verdade.
— Hmm... Vamos ver.
Havia missões de rank D que envolviam tanto alguns trabalhos comuns, só que bem mais complicados, quanto matar alguns animais silvestres. Nenhum deles envolvia matar monstros, pois essas missões começam no rank C.
Após dar uma boa olhada, eu encontrei um serviço que poderia me servir. Era uma missão pedindo para abater um Javali Albino. Eu já tinha ouvido falar deles antes. Não eram animais perigosos, mas eles andavam em bando e, quando estão em grande número, poderiam oferecer algum risco. Mas, mesmo assim, não era um risco mortal.
— Vai ser essa mesmo!
Eu retirei o folheto e me dirigi até a recepção para confirmar o serviço. Matar um Javali iria ser uma ótima oportunidade para testar minha espada nova e eu ainda poderia garantir um churrasco depois.
— Eu gostaria de ficar com esse serviço, Lavigne. — Entreguei o folheto.
— Hmm, imaginei que você não tivesse vindo aqui hoje para pegar aqueles serviços esporádicos que costumava fazer com o seu irmão. Contudo, há um problema aqui...
— Hein?
— Esse serviço é de rank D, e você é rank E.
— Hã?
— Sinto muito.
Não, não, não. Eu me arrumei todo e havia me preparado para aquela ocasião. Eu sussurrei para a Excalibur a noite inteira que eu ia usar e abusar dela em alguma missão, mas, então, eu sou impedido pelo meu rank? O que eu faço? O que eu falo para a Excalibur? Que tragédia!
— L-Lavigne, não faça isso comigo. Eu me preparei para fazer uma missão de rank D hoje. Eu preciso fazer esse serviço!
— Regras são regras. Eu não po~
— Por favor, Lavigne! — Me apoiei no balcão e juntei minhas mãos implorando. — Abra uma exceção para mim! Eu lhe imploro!
— Pelos Deuses... Tudo bem. Pode ir.
— S-Sério?
— Sim, mas não deixe ninguém saber que eu permiti.
— Jamais! Nunca direi a ninguém! Muito obrigado!
Às vezes, se humilhar pode acabar valendo a pena. Eu saí da guilda e segui em direção a localização descrita no folheto. Era um bosque que ficava nos arredores de Alexandria.
...****************...
O bosque tinha uma mata um pouco densa, mas as árvores não eram tão altas e a luz do sol iluminava bem o local. Eu comecei a andar por dentro da mata e entre as árvores procurando pelos javalis.
— Javalis, javalis... onde estão?
Eu vi alguns animais bem interessantes. Havia coelhos, cervos e diversos pássaros cantando por ali. Eu estava totalmente despreocupado, pois tinha uma noção de que não havia animais perigosos naquele lugar. Eu ainda estava um pouco perto do Reino de Alexandria e teria que ir mais longe se quisesse encontrar algum animal realmente feroz, como um Urso Nebuloso por exemplo. Porém, eu não havia encontrado nenhum javali ainda, e eu já estava andando há um bom tempo.
— Será que eu vim para a área errada?
Eu olhei no folheto de novo e vi que eu estava na área correta, porém eu não parecia estar com muita sorte por ali e resolvi avançar mais. Então, minha sorte mudou e eu finalmente havia encontrado um pequeno bando de javalis.
— Parece que eu os achei. Hehe.
Eu fui furtivamente até um arbusto e me escondi nele. Silenciosamente, eu comecei a contar quantos javalis havia ali na minha frente.
— Um, dois, três, quatro, cinco. Ok, são cinco javalis.
Eu estava me planejando para atacar. Eu pensei que a melhor maneira seria realizar um ataque rápido e preciso. Se eu errasse, eles iriam fugir ou até tentar me atacar todos juntos, visto que eles poderiam ficar agressivos. Porém, eu não estava tão perto assim deles e iria ter que ser bem silencioso. Se eu me mexesse na hora errada, perderia uma ótima chance.
— Ok, acho que sei o que fazer.
Eu já tinha bolado um plano que eu acreditava que iria funcionar. Eu ia me esgueirar até um outro arbusto que estava mais próximo dos Javalis e ia lançar um ataque surpresa. Isso ia dar super certo, mas, assim que eu ia partir para o outro arbusto, algo se mexeu nas árvores.
— O que foi isso? — Olhei para cima procurando o que havia sido.
Infelizmente, não fui o único a notar o movimento misterioso nas árvores.
— Ah, não! — Me levantei correndo. — Droga!
Os javalis escutaram o barulho nas árvores e começaram a fugir.
— Voltem aqui!
Eu saí correndo atrás do bando. Eles corriam todos juntos, mas, aos poucos, cada um foi para um lado. Chegou um momento em que todos eles se separaram e foram para lados diferentes. Apenas um deles continuou seguindo reto. Eu corri e corri sem parar atrás desse javali solitário, até que ele parou quando chegou em frente à uma pedra enorme. Ele estava sem saída e eu levantei a minha espada.
— Parece que vai ter que ser você mesmo, amiguinho.
Eu cheguei perto dele e parti para o ataque.
— Você é meu!
Minha espada estava prestes a cortá-lo quando, de repente, o javali foi atingido na cabeça por uma flecha.
— Mas o quê? — Fiquei sem entender o que tinha acabado de acontecer. — Uma flecha? Mas de onde ela veio?
Uma flecha... Meu javali foi abatido por uma flecha que até então tinha vindo do além. Eu não vi nenhum arqueiro por perto e comecei a ficar extremamente confuso. Foi aí que eu ouvi:
— Obrigada por ter encurralado esse javali, desse jeito foi bem mais fácil mirar nele.
Eu me assustei e me virei rapidamente, comecei a procurar quem tinha dito aquilo. Era claramente uma voz feminina, mas eu não via nenhuma garota ao meu redor.
— Quem está aí?! — Gritei.
Então, uma garota desceu de uma das árvores e veio até mim.
— EU estou aqui! — Ela disse.
Era uma garota de cabelos loiros, usava protetor de peito, uma roupa cinza e, é claro, um arco e flecha. Mas havia um detalhe curioso nela: Ela tinha dois pequenos chifres em sua cabeça. Ela era muito gata e muito familiar para mim. Eu não conseguia parar de pensar que já havia a visto em algum lugar, porém eu não sabia onde.
— Q-Quem é você? — Perguntei.
— Me chamo Elizabeth Shiina e, se me der licença, vou pegar este javali.
Ela passou por mim, ignorando totalmente a minha presença. Eu me senti totalmente desprezado por ela e até um pouco intimidado, visto que ela parecia ter bem mais experiência e habilidade do que eu. Ela começou a amarrar o javali para poder levá-lo e foi aí que eu a parei.
— Você não vai levar este javali. Ele é meu.
— Hmm, isso seria verdade se você tivesse o matado.
— Eu ia matá-lo e você sabe disso. Tenho certeza que você viu tudo.
— O que eu vi foi um garoto demorando uma vida para acertar um simples javali.
Nós parecíamos ter quase a mesma idade, ela devia ser poucos anos mais velha que eu, mas, mesmo assim, ela me desprezava totalmente enquanto falava e eu estava começando a me irritar. Talvez ela tenha pensado que eu ia simplesmente aceitar que ela matou o javali e que o javali morto pertencia a ela naquele momento, mas não. Eu não ia deixar isso barato.
— Solte esse javali!
— Me obrigue.
Nós começamos a discutir e a elevar o tom um com o outro. Ela me ofendia e eu a ofendia de volta. Sua beleza me hipnotizou em alguns momentos e tudo bem que desviei meu olhar para suas belas pernas que estavam mais amostras em outros instantes, mas eu não iria abaixar a cabeça e aceitar tudo o que ela estava falando só porque possuía um rostinho bonito e um belo corpo. Não. Já cometi esse erro com garotas no passado e não estava disposto a cometer outra vez. Ela era extremamente irritante e me deixava cada vez mais com raiva.
Entretanto, a nossa discussão foi se tornando cada vez mais intensa até que paramos quando escutamos um barulho vindo de dentro do mato.
— O quê foi isso? — Perguntei.
— Ah, legal. Será que mais alguém veio clamar este javali para si?!
Eu realmente achei que poderia ser mais alguém que estivesse por perto, mas, infelizmente, não era uma pessoa e, sim, um Urso Nebuloso que apareceu de repente. Provavelmente nossa discussão chamou sua atenção.
— Aqui não é área de ursos, o que diabos este está fazendo aqui?! — Ela disse.
— Sua gritaria deve ter chamado à atenção dele.
— Você estava gritando tanto quanto eu, idiota!
Era verdade. Eu também havia gritado um pouco. Mas, como um adolescente exemplar, eu não ia assumir o meu erro.
— Não me chame de idiota! Aliás, a culpa é toda sua! Eu estava apenas fazendo a minha missão em paz, mas você decidiu~
— Cala a boca! Para de reclamar feito um bebezão e pense no que nós vamos fazer.
— "Nós"? — Perguntei em tom de deboche.
— Sim, nós! Creio que temos mais chances de sobreviver se lutarmos juntos.
Odeio admitir, mas ela estava certa. Aquele Urso Nebuloso era enorme e eu nunca tinha enfrentado um.
— Tá bom... — Falei — Um de nós pode atrair a atenção dele enquanto o outro ataca. O que acha?
— Acho que pode funcionar. Vai lá.
— Hein?
— Vai distrair ele!
— P-Por que eu?
— Porque uma espada é para atacar a curta distância e um arco e flecha é para atacar de longe, imbecil! Agora, vai logo!
— Droga... — Murmurei. — Trate de usar esse arco!
Eu ainda fiquei com um certo receio de ela simplesmente pegar o javali e escapar, me deixando para lutar com o urso sozinho. No entanto, não pude negar o que ela falou. Então, corri para um lado tentando chamar atenção do urso e ele veio atrás de mim. A Elizabeth foi para o outro lado. Eu não havia ido para tão longe e, quando o urso se aproximou de mim, e eu comecei a desferir alguns golpes nele, talvez eu até pudesse dar conta dele sozinho. Porém, no momento em que a Elizabeth o acertou com quatro flechas, ele se virou e foi atrás dela.
ㅡ Não! Volta aqui urso!
A Elizabeth tentou correr e subir em uma árvore, mas o urso a alcançou e arranhou sua perna. Ela conseguiu chutar a cara do urso, mas caiu. Nisso, o urso se afastou e ela se rastejou até uma outra árvore. O urso foi se aproximando lentamente dela e eu estava correndo em sua direção, mas não estava tão perto assim e achei que não ia conseguir salvá-la. Ela pegou seu arco e tentou armá-lo com uma flecha, porém, assim que pôs a mão em sua aljava, viu que suas flechas haviam acabado. Ela, então, pegou sua faca e a levantou se preparando para se proteger.
— Eu não vou morrer pra você urso. — Ela disse. — De jeito nenhum!
O urso estava prestes a atacá-la, mas então eu apareci de dentro da mata com a minha espada levantada pronta para golpear.
— Ex...Caliburrrrr!
Eu desferi um golpe na garganta do urso que causou um corte profundo e uma grande hemorragia nele. Ele morreu após alguns segundos. Eu fui até a Elizabeth.
— Você tá bem?
— Estou...
Ela tentou se levantar e caiu.
— Não estou...
— Eu te ajudo. — Eu passei o braço dela pelo meu pescoço e a ajudei a andar. — Que tal agora?
— O-Obrigada... — Ela murmurou. — Você não vai levar o Javali?
— Ou eu levo o javali ou eu levo você.
— Tudo bem...
Nós começamos a fazer o caminho de volta até Alexandria. Eu havia perdido o meu objetivo principal e foi tudo por causa da Elizabeth. Eu ainda estava um pouco irritado com ela, mas eu não podia de forma alguma me recusar a ajudá-la. Porém, ela estava me devendo um Javali Albino.
— O que foi aquilo? — Ela perguntou.
— Aquilo o que?
— O grito que você deu quando atacou o urso. Você gritou "Excalibur"?
— Ah, isso... ㅡ Fiquei meio sem graça. — Aquilo não foi nada.
— Entendi... Você parece ser bom com a espada.
— E você parece ser boa com o arco e flecha.
— Eu sou mesmo.
"Que convencida...", eu pensei. Humildade não parecia ser uma grande virtude dela.
— A propósito, você não tem medo de mim?
— Por que eu teria medo de você? — Confuso, eu perguntei.
— Bem, as pessoas não gostam muito de quem pertence à tribo Shiina.
Eu não fazia a menor ideia do que era a "tribo Shiina", mas, se todos eles se comportassem igual à Elizabeth, não haveria motivos para eu ter medo deles, apenas raiva.
— E por que não?
— Primeiro, porque nós viemos da Terra de Nexus e, segundo, porque nós somos demônios.
Então, quer dizer que eu estava andando com um demônio esse tempo todo? Que coisa... porém, era um demônio bem bonito até, e tinha umas pernas que hipnotizavam... Não, não. Jonathan, não olha. Não caía nessa tentação. Lembre-se do que quanto ela te xingou e te irritou. Isso. Ela é uma demônio irritante. Muito irritante.
— Espera, vocês são demônios de verdade?
— Sim. Você não viu os pequenos chifres na minha cabeça?
— Bem, eu vi, mas nunca imaginei que isso fosse sinal de que você fosse um demônio.
Aliás, aquele mundo parecia ter tantas raças diferentes. Nunca que eu ia adivinhar qual era qual. Sem falar que, tirando os chifres, a Elizabeth parecia uma garota totalmente normal e comum.
— Normalmente, as pessoas me olham estranho quando veem meus chifres. Algumas até me evitam. Por isso, eu prefiro fazer missões sozinha.
Comecei a me sentir um pouco mal por tê-la ofendido tanto. Ser evitado deve ser bem triste e fazer missões totalmente só parece bem solitário. Contudo, ela passa longe de ser alguém que eu evitaria pela aparência. Pela personalidade? Talvez. Mas aparência? Nah.
Eu olhei para o rosto dela, depois olhei para os chifres dela e olhei para o rosto dela de novo. O conjunto todo era tão belo que eu acabei falando:
— Eu achei os seus chifres bem fofos.
Ela arregalou os olhos e o rosto dela corou ao ouvir isso.
ㅡ O-Obrigada, eu acho...
Ela era uma garota bonita, incrivelmente bonita para falar a verdade. Mas, depois do que havia visto naquele dia, sabia que, por trás daquela beleza toda, havia uma arqueira habilidosa e um pouco arrogante também. E um belo par de pernas.
— Mas eu não entendi uma coisa. Você disse que as pessoas te olham estranho, também, porque você é da Terra de Nexus. O quê tem a ver uma coisa com a outra?
— Bem, Nex foi um Deus que começou uma guerra no passado. Acho que isso fez as pessoas temerem quem vem da terra dele.
Era compreensível, afinal, esse tipo de preconceito também existia no meu mundo. Era o típico pensamento de que, se uma pessoa de um lugar específico é horrível, logo todas as pessoas daquele lugar específico vão ser horríveis. Eu estava em outro mundo, mas nem aquele mundo parecia ser perfeito, pelo visto. Creio que a xenofobia deva existir em qualquer lugar.
— Acho que faz sentido. — Falei.
...****************...
No final do dia, nós havíamos chegado no Reino. Assim que entramos, eu a soltei.
— Você consegue se virar a partir daqui?
— Acho que sim. Muito obrigada.
— Não há de quê!
— E... Me desculpa por quase ter roubado seu javali. — Ela murmurou.
Agora?! Só agora que bateu o arrependimento?! Ela realmente demorou todo aquele tempo para perceber que estava errada? Fala sério... Ela tem sorte que eu não sou uma pessoa que guarda rancor.
— Ah, não se preocupe! No final das contas, ninguém ficou com ele mesmo. Bom, até mais!
Eu comecei a me virar para ir embora, mas ela me chamou.
— Espera!
— O que foi?
— Qual é o seu nome?
— Jonathan.
— Bem, Jonathan, acho que amanhã eu já estarei melhor, então, se você estiver a fim... nós poderíamos ir em alguma missão juntos.
— Sério?
— S-Se você não quiser ir, não tem problema também. Digo, eu estou apenas sendo educada. Não é como se eu precisasse de ajuda. Eu posso muito bem~
— Eu adoraria.
— Hein? — Seu rosto ficou totalmente confuso.
— Eu falei que adoraria.
Esse convite me pegou mais desprevenido do que o pedido de desculpas, porém, eu não pensei muito para responder. Acho que seria interessante fazer missões com uma parceira.
— Sério? Então... Vamos nos encontrar na guilda amanhã de manhã. Pode ser?
— Tudo bem!
— Então tá bom, até amanhã, Jonathan!
Ela foi embora e eu voltei para o castelo.
Chegando lá, eu comecei a ir em direção ao meu quarto, mas, quando passei pela biblioteca, vi meu irmão lá sozinho... Lendo...
— E aí! O que você está fazendo?
— Tô lendo.
— Sobre magia?
— Digamos que sim.
— Certo.
Ele vivia lendo livros no nosso mundo e, mesmo em outro mundo, esse hábito dele não mudou. Na verdade, parecia até estar mais intenso, então decidi não atrapalhá-lo.
Mas quando eu estava prestes a me retirar, ele perguntou:
— Como foi a missão?
— Foi legal, mas de um jeito inesperado.
— O que houve?
— Eu acho que ganhei uma parceira.
— Isso soa legal para mim.
— É... Para mim também.
Eu fui para o meu quarto, tomei banho, me joguei na cama e comecei a pensar olhando para o teto. Eu havia saído pela manhã para testar as minhas habilidades e matar um pequeno Javali Albino, mas, no final, eu matei um Urso Nebuloso e andei junto com uma demônio. As coisas que aconteciam não paravam de me surpreender.
— Elizabeth Shiina é... Uma garota interessante.
O dia havia terminado de uma forma mais diferente do que eu havia imaginado, mas eu gostei disso.
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Atualizado até capítulo 257
Comments
Jozse Da Shilva
Que conversa seca. Mas foi um bom capítulo
2023-04-13
1
Jozse Da Shilva
Eu lembro!!!
2023-04-13
1
Lucas
Como sempre ótimos capítulos até aqui. Só estou sentindo falta de conflitos, os dois estão muito acomodados kkk
2022-05-29
3