...Gabriel...
De alguma forma, eu consegui me acalmar, então nós conversamos e decidimos que deveríamos ir a uma biblioteca, pois lá seria nossa melhor chance de saber mais sobre o mundo no qual estávamos. Nós saímos lentamente daquele beco e tentamos não chamar muita atenção. Nós tínhamos acabado de chegar em um mundo totalmente desconhecido e ser parado por algum tipo de polícia ou qualquer outra autoridade era a última coisa que eu queria que acontecesse.
Enquanto andamos pela rua, não conseguimos deixar de ficar perplexos com tudo a nossa volta.
Apesar de tudo ser diferente do que estávamos acostumados, era tudo tão bonito e vivo ao mesmo tempo. Havia uma grande multidão de pessoas conversando e passando para lá e para cá, tanto a cavalo, quanto a pé. O comércio também parecia ser bem movimentado naquela região. Eu não tinha certeza de nada, mas vi o que pareciam ser mercados, bares, restaurantes e mais vários outros tipos de estabelecimentos.
— Acho melhor perguntarmos para alguém se há uma biblioteca por perto. — Jonathan disse.
— É uma boa ideia.
Apesar de eu ter concordado, fiquei com receio das pessoas dali não falarem nossa língua. As vozes que eu escutava vindo delas pareciam falar, mas poderia ser só impressão minha.
Eu avistei um homem alto, careca e barbudo que estava dentro de uma pequena tenda com vários legumes expostos como se estivessem à venda. Ele parecia ser um comerciante e como comerciantes costumam saber bem sobre a área onde ficam, decidimos ir até ele. Ele estava revirando algumas coisas em um caixote no chão quando nos aproximamos.
— Com licença, senhor. — Eu o chamei, porém ele pareceu não ter me ouvido. Tentei chamar de novo e mais alto. — Com licença!
— Ah, clientes! — Ele se virou para nós com uma expressão bem amigável em seu rosto. — O que vão querer? Tenho diversas frutas e legumes! Fiquem à vontade para dar uma olhada!
— Sentimos muito, mas não estamos aqui para comprar nada. Na verdade, nós queríamos uma informação. O senhor sabe se há uma biblioteca por aqui?
— Biblioteca? — Ele coçou a barba e começou a pensar. — Acho que tem uma perto da praça.
— E onde fica a praça?
O senhor pareceu um pouco surpreso quando perguntei isso. Será que a praça daquele lugar era um local onde todos por ali deviam saber onde fica?
— Vocês não são daqui, né?
— Não, senhor. Não somos.
— Apenas sigam essa rua nessa direção. — Ele apontou para nossa esquerda. — No final dela, vocês vão ver a praça.
— Muito obrigado.
Então, nós começamos a seguir a rua na direção que o comerciante tinha apontado que, por coincidência, era a direção da qual nós viemos.
— Muito conveniente o povo daqui falar a mesma língua que nós. — Jonathan falou.
De fato, foi bem conveniente e foi muita sorte também. Nossa situação já não era muito boa, mas com o povo local falando a nossa língua, acho que tudo poderia ficar um pouco menos difícil. Porém, ainda havia a chance da escrita ser diferente. Iria ser bem decepcionante a gente conseguir falar com todos, mas chegar na biblioteca e nos depararmos com uma escrita totalmente irreconhecível. Nosso plano de ação iria por água a baixo na hora.
Após andar por alguns minutos, nós chegamos na praça. Era um local bem grande e bem bonito, por sinal. Havia árvores, bancos e um grande chafariz no meio dela. Nós demos uma breve olhada em volta e logo conseguimos avistar a biblioteca, então nos dirigimos até ela. Era um grande estabelecimento com um letreiro em cima da porta que dizia "Biblioteca de Alexandria".
— "Alexandria"... seria esse o nome dessa cidade? — Perguntei.
— Não sei. — Jonathan deu de ombros, não pareceu ligar muito. — Vamos entrar.
Subimos os três degraus e entramos.
Eu fiquei abismado quando pus meus pés lá dentro, pois o lugar era gigante e tinha dois andares. As estantes de livros eram enormes e compridas, e o número de livros que devia haver ali parecia beirar o infinito. Eu fiquei alguns segundos admirando aquele cenário lindo para mim, mas logo balancei a cabeça e voltei para a realidade.
Nós fomos para a recepção e havia lá uma senhora idosa de óculos que parecia já ter vivido bastante da vida, por assim dizer. Seus cabelos eram totalmente brancos, suas costas eram meio curvadas e seu rosto, bem, não parecia ser dos mais felizes ao ver dois simples garotos se aproximando dela. A cada passo que eu dava em sua direção, eu podia sentir sua antipatia ficando maior.
— Bom dia.
No momento em que eu falei isso, seu rosto, que já era pouco amigável, se fechou mais ainda e ela deu uma boa olhada em nós dois da cabeça aos pés. Parecia que ela estava nos analisando.
— O que vocês querem?
Ela nem retribuiu o meu “bom dia” e nos fez a pergunta em um tom bem rude. Naquela hora, a única coisa que eu pensei foi “ai, que saudade da minha querida Jessica”.
— Onde ficam os livros de história e geografia? — Jonathan perguntou.
— Ficam na seção de história e geografia, respectivamente.
— Ok. Muito obrigado.
Após isso, nós decidimos nos separar e fomos para seções diferentes. A moça não era simpática, mas foi útil e, pelo visto, ela parecia estar lá apenas para fazer o trabalho dela e nada mais que isso.
Provavelmente era do tipo que dizia "eu sou paga para te atender, não para ser sua colega".
...**************** ...
Eu e o Jonathan logo nos reunimos novamente. Como não queríamos perder muito tempo, havíamos decidido antes buscar por livros que tivessem informações relevantes, porém resumidas. Nós ainda tínhamos outros problemas que iriam surgir mais cedo ou mais tarde e precisariam ser solucionados ainda naquele dia, então ler uma enciclopédia inteira sobre aquele mundo estava fora de cogitação.
Eu estava com alguns livros de história e ele, com alguns de geografia.
— Ok. Vamos dar uma olhada e procurar informações que possam nos ajudar.
Nós sentamos em uma mesa e começamos a ler os livros. Depois de meia hora, havíamos juntado algumas informações interessantes. Eis o que tínhamos encontrado:
1 - Estávamos situados em um vasto continente chamado Galonia.
2 - Galonia era composto por cinco regiões distintas, denominadas Terras, as quais equivalem a países. Estas terras eram conhecidas como Terra de Haoni, Terra de Zefir, Terra de Zambezio, Terra de Alkinea e Terra de Nexus.
3 - O nome de cada terra derivava de uma antiga divindade:
Hao – Deusa da Água
Zef – Deus do Ar
Zambe – Deus da Terra
Alki – Deusa do Raio
Nex – Deus do Fogo
4 - Conforme a história diz, há aproximadamente dez mil anos, Nex se revoltou misteriosamente contra as demais divindades, desencadeando uma guerra conhecida como "A Guerra do Nexus". O conflito terminou com Nex sendo selado para sempre em um ato de autosacrifício de Zef, Hao, Zambe e Alki.
5 – Em Galonia, a magia se faz presente. Criada pelas antigas divindades, sua essência baseia-se nos cinco elementos, manifestando-se em oito níveis de domínio: Iniciante, Intermediário, Avançado, Santo, Rei, Imperador, Deus e Pilar.
6 - A manipulação da magia requer a presença de mana, a energia natural do mundo, armazenada nos seres vivos, porém era necessário um treinamento árduo para sua manipulação.
7 - Os feitiços mágicos não demandam encantamentos. Basta esvaziar a mente, concentrar-se no feitiço desejado e pronunciar seu nome. Quanto maior o nível do feitiço, mais mana ele consumirá, e a sua dominação está na prática contínua. O uso frequente de um feitiço também facilita sua realização futura.
8 - Existe outra forma de manipulação da mana, utilizada pelos guerreiros que conseguem envolver seus corpos com essa energia, potencializando suas habilidades físicas e sentidos. Essa manifestação de mana é chamada de Aura de Combate, sendo empregada, em especial, por espadachins mais habilidosos.
9 - Ocorrem, ocasionalmente, casos de pessoas cujo fluxo de mana sofre uma perturbação peculiar, o que lhes proporciona habilidades sobre-humanas. Esses indivíduos são conhecidos como "Herdeiros das Runas".
10 - Os seres mais poderosos de Galonia são conhecidos como Os Cinco Pilares, sendo eles atualmente: Pilar-Magia, Pilar-Norte, Pilar- Demônio, Pilar-Espada e Pilar-Dragão.
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Como esperado, esse mundo não parecia um RPG à toa. Lendo alguns dos livros, pudermos ver que não apenas há magia e esgrima por aqui, como tudo parece girar em torno disso também. Dito isso, resolvemos pegar algumas informações relacionadas a esses tópicos. Pode se dizer que, dada a nossa situação atual, fugimos um pouco da prioridade, mas eu realmente acredito que saber mais sobre essas características desse mundo pode servir de alguma coisa, e eu não achei outras informações que eram tão relevantes assim também.
— Vamos tentar não esquecer dessas informações, elas podem ser muito úteis.
— Pode deixar! — Jonathan concordou com a cabeça. — O que faremos agora?
— Vamos ver... acho que precisamos de dinheiro, pois iremos ficar com fome e também precisaremos de um local para dormir.
— Eu acho que tenho algum dinheiro aqui comigo — Ele pegou sua carteira e a abriu. — Têm o dinheiro da bebida do pai.
— Você realmente acha que eles usam esse tipo de dinheiro por aqui?
— Acho que não...
— Precisamos conseguir dinheiro local.
Começamos a pensar, porém, eu particularmente não conseguia ver muitas opções para nós. Eu não via nenhuma forma muito eficiente de como dois garotos de outro mundo poderiam conseguir dinheiro de forma rápida por ali.
Poderíamos tentar pedir emprego em algum lugar, mas muito dificilmente alguém iria nos contratar, dado o nosso visual naquele momento. Nós devíamos ser os únicos em todo aquele lugar que estavam vestindo roupas bem diferentes dos demais. Porém, mesmo que as roupas não fossem um grande problema, a falta de experiência seria. Ninguém iria querer dar emprego para dois garotos estranhos e inexperientes.
Eu não conseguia ter nenhuma ideia, mas, então, uma lâmpada brilhante surgiu em cima da cabeça do meu irmão.
— Tenho uma ideia!
— Diga.
— Já vimos diversos mundos assim em jogos e animes.
— E?
— Esses mundos sempre possuem guildas onde aventureiros se reúnem para fazer missões e ganhar dinheiro. Acho que deveríamos procurar por uma
Eu era um pouco familiarizado com o conceito de Guildas e, até onde eu sabia, Guildas eram estabelecimentos onde pessoas se reuniam para aceitar e ofertar trabalhos. Parece ser algo simples e prático, mas eu não sabia se ir atrás de uma parecia ser a melhor ideia.
Porém, não parecíamos ter outra escolha e, vendo que aquele realmente parecia ser um mundo que você via em videogames e animes, decidi confiar no instinto de nerd do meu irmão.
— Ok. Você pode estar certo.
— Beleza!
Decidimos arriscar e ver se realmente havia uma "Guilda de Aventureiros" pelo local. Se déssemos sorte, encontraríamos uma e ela iria ser a nossa melhor forma de conseguir alguns trocados.
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Atualizado até capítulo 257
Comments
nibinubts Júlia
a tinha q ter deuses né...
2023-04-28
2
nibinubts Júlia
pdp, Deus abençoe
2023-04-28
0
Jozse Da Shilva
Moça Idosa, isso é tão estranho...
2023-03-29
1