Dois dias se passaram desde o meu aniversário e meu humor já estava um pouco melhor. O cajado que a Illyssa me deu de presente teve um grande impacto em mim e não foi só por ser um cajado lindo, mas, também, por ter sido meu primeiro presente de aniversário.
Assim que eu havia enxugado as lágrimas e parado de chorar depois de receber o cajado, a Illyssa insistiu para que eu o testasse, mas eu particularmente queria usar em outro momento, então perguntei a ela se poderia usar depois. Ela insistiu mais um pouco, mas no final ela entendeu. Porém, ela me fez prometer que eu iria testá-lo no dia seguinte.
Eu passei o resto do meu aniversário no meu quarto, mas já não estava mais tão triste, pelo contrário, eu me sentia até um pouco alegre, apenas precisei de mais um tempo para assimilar tudo.
No dia seguinte, ela apareceu no meu quarto logo pela manhã e me lembrou que eu tinha prometido testar o cajado. Então eu me levantei, me arrumei e nós fomos para o Salão de Treinamento. Eu fui até o centro do Salão e ela ficou um pouco mais afastada de mim.
Como eu nunca havia usado um cajado de verdade na minha vida, eu decidi começar tentando usar um feitiço simples, então usei o feitiço Bola de Fogo. Assim que lancei o feitiço, eu percebi uma diferença enorme entre usar um cajado e usar as mãos.
Com o cajado era bem mais fácil de concentrar a mana e também a precisão do feitiço aumentava consideravelmente. Eu já tinha muita facilidade para lançar uma Bola de Fogo, mas, com o cajado, ela saiu como se não fosse nada e isso me deixou muito surpreso.
Após usar o feitiço de nível iniciante, eu usei um de nível básico. Eu escolhi o feitiço de vento Lâmina Cortante e, mais uma vez, eu o lancei com enorme facilidade. Eu usei dois bonecos de madeira como alvos e o meu feitiço os cortou ao meio.
Para finalizar, eu usei o feitiço de nível avançado Espinhos Terrestres. Foi a primeira vez que eu o testei e, assim que eu disse seu nome, uma grande fileira de espinhos pontiagudos e resistentes foi erguida pelo solo e viajou até o grupo de bonecos de madeira. Havia quinze bonecos e todos eles foram perfurados pelos meus Espinhos Terrestres.
O cajado era incrível e eu sentia como se ele me permitisse soltar feitiços com uma quantidade de mana ainda menor que a comum. Para ser sincero, eu queria ter testado feitiços mais poderosos com ele, mas fiquei com medo de danificar o Salão caso tentasse usar algum feitiço de nível Santo.
No final de tudo, todos os feitiços que usei funcionaram perfeitamente e, assim que terminei de testar o cajado, a Illyssa bateu palmas e eu fui até ela.
— Illyssa, eu não tenho palavras para te agradecer por isso. Muito obrigado mesmo!
— Ah, sem problemas! Eu, na verdade, fiquei feliz de ver que seu humor melhorou com esse presente.
— É. Ele teve um impacto enorme em mim.
— Eu imagino. Não sei o que houve em seu passado para você não gostar do seu aniversário, mas fico feliz que eu pude te ajudar um pouco!
— É muita gentileza da sua parte. Obrigado de novo!
Após agradecer novamente, eu decidi abraçar ela, porém, percebi que ela começou a tremer um pouco assim que eu a abracei.
— Você está bem? — Perguntei.
— S-Sim... — Seu rosto estava completamente vermelho. — Bem, eu tenho algumas coisas para fazer, então vou indo. Tchau!
Ela saiu de forma repentina e eu comecei a me perguntar se havia feito alguma coisa de errado.
— Hmm... Se bem que não é a primeira vez que ela fica vermelha perto de mim. — Falei para mim mesmo.
Já houve outras situações onde eu toquei a Illyssa e ela pareceu ficar um pouco tímida com isso. Eu não entendia nem um pouco porque isso acontecia com ela.
— Ah, vai ver ela sente um pouco de vergonha de ser tocada por um garoto. Nunca se sabe, né?
De qualquer forma, eu realmente estava muito agradecido a ela, e eu achava que ela não tinha noção do quanto tinha me impactado.
Eu havia ficado sozinho no salão, então decidi treinar mais dois ou três feitiços. Como esperado, consegui usar todos com extrema facilidade. Eu sentia até como se o cajado tivesse aumentado meu nível de poder, sem falar que sempre que eu estava prestes a lançar algum feitiço, o brilho da pedra azul no topo do cajado se tornava mais intenso. Era incrível!
— Bem, acho que vou avisar ao Lorde William que já estou melhor.
Eu saí do Salão e comecei a seguir em direção à sala do Rei. Ele havia se preocupado bastante comigo e entendeu perfeitamente a minha situação, então o mínimo que eu poderia fazer agora er avisá-lo que já estou melhor. Lorde William era uma pessoa excelente e, com o tempo, ele fazia coisas e tinha atitudes que só faziam o meu respeito por ele crescer, e eu sabia que não podia decepcioná-lo de forma alguma.
Outra pessoa pela qual eu também tinha enorme respeito e apreço era a Silvia e, por isso, eu passei pela cozinha e decidi falar com ela. Ela estava preparando o almoço quando eu cheguei.
— Bom dia, Silvia!
— Bom dia, senhor Gabriel! Parece que o senhor já está melhor.
— Sim, estou! Meu irmão falou com você também?
— Sim, ele me avisou sobre como o senhor lidava com seu aniversário. Eu havia pensado em fazer um bolo para o senhor comemorar, mas achei melhor não.
— Tudo bem. Eu agradeço por entender. A propósito, Silvia, sabe se Lorde William está em sua sala?
— Eu creio que sim.
— Ok, obrigado!
Eu comecei a me dirigir novamente até a sala de Lorde William novamente. No caminho, notei que não vi o Jonathan em lugar nenhum e pensei que ele poderia ainda não ter voltado da missão que ele havia ido fazer.
Como eu já havia me acostumado ao fato do Jonathan passar dias fora enquanto estava em missão, eu não me preocupei muito. Sem falar que ele tinha a Elizabeth ao lado dele também e saber disso me ajudava a me acalmar.
Depois de andar por um tempo, havia finalmente chegado à sala do Lorde William. O tamanho daquele castelo nunca deixava de me impressionar. Ainda me lembro de como quase me perdia nos primeiros dias em que estive ali. Para alguém de fora como eu era, o lugar pode ser um verdadeiro labirinto.
— É o Gabriel. Posso entrar? — Perguntei logo após bater em sua porta.
— Pode.
Eu entrei e fechei a porta. Lorde William estava sentado em sua mesa com dúzias de papéis para todos os lados. Porém, ele logo parou o que estava fazendo para me receber.
— Olá, Gabriel. Como você está?
— Já estou melhor, senhor. Muito obrigado!
— É bom ouvir isso. Illyssa havia me dito que lhe deu um presente. Creio que seja este cajado em sua mão.
— Sim, é ele mesmo. Eu até já o usei no Salão de Treinamento e devo dizer que ele é incrível! Sou muito grato a Illyssa por ter me dado ele!
— Fico feliz que tenha gostado do presente dela. Mas, enfim, qual o motivo de sua vinda até aqui?
— Bem, na verdade, eu vim apenas lhe informar que já estou melhor. Eu achei que seria bom dizer a todos que meu ânimo já melhorou.
— Ah, sim. Eu fico feliz em saber que você se preocupa com quem se preocupa com você.
— De fato, eu me preocupo. — Comecei a me virar para sair. — Então já vou indo, Lorde William. Se precisar de algo, estarei à disposição.
— Ok.
Eu estava prestes a abrir a porta, mas Lorde William me chamou.
— Gabriel!
— Hã? — Me virei de volta. ㅡ O que foi, senhor?
— Na verdade, há algo que eu gostaria que você fizesse por mim.
— E o que seria? ㅡ Me aproximei novamente.
— Bom, eu estava separando alguns documentos importantes que eu precisava levar até o Alexander, na cidade de Mizuni.
O Alexander era um amigo de confiança do Lorde William. Eu já o conheci quando fui até a cidade de Mizuni a pedido do Rei há alguns meses, então sabia bem quem era.
— São documentos muito importantes, mas, infelizmente, creio que não conseguirei levá-los ao Alexander, pois há muitas coisas para eu fazer aqui em Alexandria no momento.
— Hmm, e o senhor gostaria que eu fosse em seu lugar?
— Exatamente. Eu estava pensando em pedir à outra pessoa, mas, vendo que você já está melhor, estou pedindo a você.
A única coisa que passou pela minha cabeça no momento em que o rei me pediu aquilo foi que ele realmente devia ter uma confiança enorme em mim... E eu devia honrar essa confiança.
— Ok. — Assenti com a cabeça. — Eu levarei os documentos.
— Eu agradeço imensamente por isso.
— Quando devo partir?
— A Joni está em missão no momento, mas chegará em dois dias. Eu gostaria que você fosse com ela.
— Tudo bem.
ㅡ Ótimo!
Eu aceitei o serviço e parecia então que eu iria realizar outra missão para o rei, e também iria trabalhar ao lado da Joni novamente. Eu não conseguia parar de pensar que eu estava me tornando uma pessoa muito importante no Reino de Alexandria, afinal, eu estava fazendo serviços diretamente para o Rei.
— E mais uma coisa, o aniversário de Illyssa é daqui a duas semanas... — Lorde William disse enquanto se levantava e caminhava até a porta.
Então, Illyssa fazia aniversário cerca de duas semanas depois de mim? Que coincidência.
ㅡ Aproveite que você vai se encontrar com o Alexander e o convide para vir até Alexandria para a festa de aniversário... ㅡ Lorde William abriu a porta e a Illyssa caiu de cara no chão da sala. ㅡ De minha querida filha.
Eu tomei um susto, mas não pude deixar de soltar algumas risadas. A Illyssa caiu feio no chão.
— Ai... — Ela disse enquanto se levantava.
— Illyssa? — Eu falei para disfarçar meu riso. — O que está fazendo aqui?
— Hmm, eu não estava espiando a conversa de vocês dois atrás da porta.
"Sério que essa foi a primeira resposta dela? Ela praticamente se entregou de imediato...", eu pensei.
— Parece que eu tenho uma filha um tanto bisbilhoteira. — Lorde William disse. — Diga logo o que você quer, Illyssa.
— Bom... — Ela falou, meio envergonhada. — Eu ouvi você falando sobre o Gabriel ir até Mizuni.
— E?
— Eu gostaria de ir junto.
Não pude deixar de me espantar ao ouvir esse pedido inusitado. A Illyssa era uma garota incrível, mas a verdade é que ela sempre foi uma garota meio mimada também e que quase nunca saía do castelo, e quando saía, estava rodeada de guardas. Na maioria do tempo, ela tinha o comportamento típico de uma princesa que cresceu cheia de regalias. Ela era quase o estereótipo perfeito de uma garota que foi superprotegida e que foi criada em uma caixa, então nunca imaginei de ela querer participar de uma missão.
— Não. — Lorde William disse. — Você não vai.
— Mas por quê? — Ela resmungou.
— Porque não.
— Ora, pai, você quase nunca me deixa sair de Alexandria e vive me tratando como uma garotinha, mas eu já tenho quinze anos. Você não pode me prender para sempre.
— Eu faço isso para a sua proteção. Você não faz ideia dos perigos que pode haver lá fora.
— É isso o que você vive falando desde que eu sou criança, mas eu já sou uma adulta agora! Me deixe ir!
— Não.
Então, o Rei e a sua filha começaram a ter uma discussão bem ali... Na minha frente. A Illyssa insistia em ir e o Lorde William insistia em não permitir. Eu fiquei um pouco envergonhado no início, mas, após alguns minutos, decidi intervir a favor da Illyssa.
— Hmm, Lorde William?
— O que foi?
— Eu não quero me intrometer muito, mas acho que não faria mal você permitir que a Illyssa fosse comigo nessa missão.
— Mas ela nunca foi em nenhuma missão na vida dela. Ela não possui experiência alguma.
— Mais um motivo para deixar ela ir, não? Acho que seria importante ela começar a ganhar experiência própria fora de Alexandria.
Em algum momento a Illyssa iria ter que aprender a se virar e aprender que existia um mundo lá fora. Ela já tinha quinze anos e, naquele mundo, ela já era praticamente uma adulta pela idade. Eu não queria questionar o tipo de educação que Lorde William dá a sua filha, apenas expus minha opinião sobre este fato isolado.
— Além do mais, ela estará comigo e com a Joni, e nós só teremos que entregar alguns documentos. — Continuei. — O trajeto até Mizuni é bem familiar para nós e eu tenho certeza que não haverá grande perigos.
Lorde William pensou por uns instantes e então, deu um longo suspiro.
— Ok... acho que ela pode ir então.
— Sério? — Illyssa perguntou incrédula. — Vai me deixar ir?
— Sim.
— Uhull! — Ela começou a pular de alegria. — Obrigada, pai! E obrigada, Gabriel!
Após isso, ela se retirou, mas foi pulando de alegria por todo o corredor do palácio.
— Bem... — Falei. — Acho que é isso então. Vou sair agora.
— Gabriel.
— Sim?
— Toma conta dela, por favor.
— Pode deixar, senhor!
Eu saí da sala e comecei a pensar em como seria o desenrolar daquela missão. A Illyssa era apenas uma garota e eu acreditava que ela não iria dar muito trabalho, porém ela nunca participou de algo como uma missão e eu não fazia ideia de como ela iria lidar com isso. Sem falar que Lorde William falou comigo em um tom que indicava bastante preocupação. Será que havia algo que pudesse acontecer que fosse realmente grave?
— Nah, creio que vai ficar tudo bem.
De qualquer forma, eu estava bem animado para ir até Mizuni outra vez e, também, para ver a Joni novamente. E confesso que estava um pouco ansioso para ver como a Illyssa ia se sair em sua primeira missão. Por mais que fosse apenas entregar alguns documentos, uma missão era uma missão e precisava ser levada a sério.
...****************...
Dois dias se passaram.
A Joni finalmente havia chegado e já estava pronta para sair novamente. Eu fui me encontrar com ela na entrada do castelo. Ela estava lá, parada ao lado de uma carruagem. A carruagem que ia nos levar até Mizuni.
— Bom dia, Joni! — Falei.
— Bom dia, Gabriel. Faz um tempo que eu não o vejo.
— Verdade. Você ficou um bom tempo fora dessa vez.
— De fato. A propósito, onde está seu irmão?
— Ele saiu há alguns dias para fazer uma missão. Eu achei que ele iria voltar após dois ou três dias, mas já faz quase uma semana.
— Bem, se ele estiver pondo em prática tudo o que aprendeu comigo, ele deve estar bem.
— Eu espero.
O Jonathan estava demorando além do comum e eu já estava começando a me preocupar, mas, por mais bobo que pareça, ouvir a Joni falar aquilo me acalmou um pouco.
— Vamos então? — Ela perguntou.
— Ainda não, falta mais uma pessoa.
— Quem?
— Ela. — Apontei para a garota que vinha correndo e acenando em nossa direção.
Assim que a Joni se virou, ela se espantou ao ver Illyssa correndo em nossa direção.
— O quê?! A princesa vai com a gente?!
— Sim.
Eu percebi que a Joni fez uma cara de quem não botava muita fé na princesa e, sinceramente, qualquer um que visse a princesa naquele momento não iria pôr mesmo. Não era só pela falta de experiência, mas, enquanto eu estava com o meu traje de mago e a Joni estava com as suas roupas de aventureira, a Illyssa estava muito bem arrumada e isso não era algo muito bom quando você ia fazer uma missão.
— Bom dia, pessoal! — Illyssa falou. Sua animação de sempre parecia estar duas vezes mais intensa. — Já estou pronta! Podemos ir?
— Ah... — Joni deu um suspiro. — Ok, subam na carruagem.
— Vamos lá, então. — Falei.
E assim, nós todos subimos na carruagem e partimos em direção à cidade de Mizuni.
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Atualizado até capítulo 257
Comments
alex200_br
lembrei do patolino o mago
" contemplem o mago.......... Com seus poderes!!!! INCRÍVEIS PODERES!!!! "
mas alguém lembra?
2022-03-15
1
ótimo capítulo!! 👏👏👏
2022-02-13
3