...Jonathan...
Já havia se passado duas semanas desde que eu e meu irmão nos mudamos para o castelo de Alexandria e, mesmo assim, eu ainda não conseguia acreditar que aquilo realmente tinha acontecido. Parecia muito surreal para mim, quase um sonho. Então todas as manhãs, após acordar, eu me beliscava para saber se aquilo era uma ilusão ou não. E, naquele dia, não foi diferente. Eu fiz uma pinça com os dedos e me belisquei no braço.
— Ai! — A dor reconfortante que me fazia ter certeza que tudo o que eu estava vivendo era real. — Bem, se doeu de novo, parece que eu não estou em uma ilusão.
Eu me levantei e vi que a cama do meu irmão estava vazia e arrumada. Ele sempre se levantava antes de mim. Ele gostava de passar um bom tempo na biblioteca do castelo pela manhã e quase desmaiou de euforia quando soube que tinha uma no palácio.
Após me levantar, eu costumava escovar os dentes e tomar banho, depois ia comer alguma coisa. Como eu acordava um pouco tarde, nem sempre conseguia tomar café junto com os outros. Porém, quando cheguei na sala de jantar naquele dia, encontrei meu irmão lá comendo e, obviamente, havia um livro em cima da mesa, ao lado da comida dele.
— Bom dia, Gabriel.
— Bom dia.
Eu me sentei em uma cadeira ao lado dele e comecei a me servir. Como o esperado da realeza, a mesa do café da manhã estava bem farta. Havia comida por quase toda a extensão da mesa, como pães, sucos, leite, frios e frutas. Eram tantas opções que eu não sabia o que pegar primeiro, então, para facilitar tudo, eu acabei pegando um pouco de cada.
Eu comecei a comer e fiquei reparando no meu irmão que estava em um silêncio profundo e fissurado naquele livro.
— Você não larga esse livro nem para comer. Meu Deus...
— Não posso, estou fazendo uma pesquisa e também estou pegando conteúdo para poder passar para a Illyssa.
— Então, esse é um livro de magia?
— Exato!
— Não seria mais prático se ela mesma lesse o livro?
— Talvez, mas acho que ela não é fã de leitura. Ela nem sabia que existia esse livro aqui.
Não fiquei muito surpreso ao ouvir isso. A Illyssa parecia ser uma garota bem agitada e, como eu, ela não devia curtir leitura tanto assim. No entanto, aquela biblioteca era realmente enorme. Até o mais assíduo dos leitores teria bastante dificuldade para saber de todos os livros que havia lá. Um livro ou outro sempre acaba passando despercebido.
— Cara, eu tenho que admitir, esse robe de mago caiu bem em você.
— Valeu! Sua roupa também ficou legal.
Explicação rápida: Alguns dias após nos mudarmos para o castelo, a Illyssa perguntou de onde eram nossas roupas, pois ela nunca tinha visto aquele tipo de roupa. Nós falamos que compramos em outra cidade e, para a nossa sorte, ela não fez mais perguntas. Mas ela se ofereceu para comprar roupas novas para nós. Eu e meu irmão recusamos de primeira, mas ela insistiu tanto que acabamos aceitando. Ela comprou um robe cinza para meu irmão e uma camisa, botas e calças para mim. Eu juro que não quis me aproveitar da benevolência da Illyssa.
Agora, voltando ao café da manhã...
— Já sabe o que vai ensinar a ela hoje? — Perguntei.
— Eu estou pensando em ensinar outro feitiço de nível básico à ela. Eu ensinei o Lâmina Cortante semana passada.
— Ela já conseguiu dominar todos de nível iniciante?
— Sim. Não sei o que acontecia entre ela e o Lenny para ele não conseguir fazê-la evoluir, mas comigo ela teve extrema facilidade.
— Então, você é um bom professor no final das contas.
— Não quero me gabar, mas é o que parece.
O Gabriel já tinha sido professor particular de uma vizinha no nosso mundo antes, então eu sabia que ele levava um certo jeito para coisa. Porém, foi um feito impressionante ele ter conseguido ensinar tanto a Illyssa e em tão pouco tempo. Digo, aquilo parecia ser algo anormal até para os padrões daquele mundo.
No entanto, nós não éramos daquele mundo e, enquanto eu comia meu pãozinho, me questionava se isso influenciou de alguma forma em como o meu irmão fez a Illyssa evoluir tão rápido.
— Bom dia, Jonathan! — Illyssa apareceu saltitando de alegria e com um sorriso no rosto. — E bom dia, professor!
Illyssa parecia ser bem animada e eufórica durante a maior parte do tempo. Porém, eu suspeitava que havia um motivo claro para essa animação toda. E eu lançava olhares para esse motivo e fazia gestos, mas ele simplesmente não conseguia captar a minha mensagem. Francamente, Gabriel, como pode ser tão inteligente e tão lerdo ao mesmo tempo?
— Bom dia, Illyssa! — Dei um pequeno aceno a ela.
— Bom dia, aluna. — Gabriel disse.
ㅡ Estou ansiosa para saber o que vou aprender hoje!
— Não se preocupe, já tenho tudo preparado.
— Perfeito!
— Bem, se me dão licença, vou me retirar. — Gabriel se levantou. — Illyssa, me encontre no jardim depois.
— Pode deixar!
Meu irmão parecia um velho com o jeito excessivamente formal que ele estava agindo, mas, bem, ele estava lidando com uma princesa, né? Ele era o professor dela e parecia estar levando esse papel a sério.
Eu e a Illyssa ficamos sozinhos na sala de jantar. Eu não tinha tanto papo e tanta intimidade com ela quanto o meu irmão, mas ficar só nós dois lá em silêncio iria ser meio constrangedor, então eu tinha que puxar algum assunto. Mas sobre o que eu ppderia falar? Vejamos... Apesar de ser uma nobre, ela era uma adolescente como eu. Eu poderia puxar assuntos comuns de adolescentes então. Mas, bem, nós somos adolescentes de lugares diferentes. Dito isso, creio que eu não vou conseguir conversar com ela sobre as séries e filmes que gostamos ou algo do tipo.
Pensa, Jonathan. Não deixe esse silêncio constrangedor perdurar. Você falou com poucas garotas na sua vida, mas você não é nenhum idiota para se amedrontar estando frente a frente com uma. O tempo está passando, você está causando uma má impressão logo para uma princesa. Fale alguma coisa.
— O-Ouvi dizer que você aprendeu um feitiço de nível básico. — Magia, um ótimo assunto!
— Sim! O Gabriel me ensinou o feitiço Lâmina Cortante.
Acho que ela não percebeu quão nervoso eu estava. Que alívio.
— É um feitiço de vento, não?
— Isso mesmo!
Como sempre, ela respondeu tudo com uma animação quase palpável.
— E você consegue usar todos os elementos?
— Hmm, eu até consegui, porém eu sinto que tenho uma afinidade maior com Raio, Fogo e Água. Eles parecem que saem com mais facilidade.
— Ah, sim. Entendi.
Eu não sabia se todas as pessoas poderiam dominar todos os elementos através do treino, porém, essa coisa de ter mais afinidade com um ou com outro fazia sentido para mim. Talvez a minha única afinidade fosse com o elemento Raio e isso explicaria tudo. Me senti reconfortado por saber disso, mas, ainda assim, isso poderia significar que o meu irmão tem afinidade com todos os elementos. Que apelão...
— Você consegue usar magia também, Jonathan? Igual ao Gabriel?
— H-Hein? — Sua pergunta me atingiu como uma faca. — Bem... Eu só consegui usar o feitiço Raio Cortante até agora.
— Ah, talvez você consiga usar outros se treinar bastante.
— É, quem sabe.
— O importante é não desistir! — Ela me deu um "joinha" e piscou um olho. Sua tentativa para me motivar é admirável, querida Illyssa. — Enfim, eu vou sair agora para não me atrasar. Até mais!
— Tchau.
Eu fiquei sozinho e a música "Alone Again, Naturally" começou a tocar na minha cabeça. O meu irmão conseguiu usar vários feitiços com grande facilidade e eu usei apenas um. Eu estaria mentindo se dissesse que isso não me abalou um pouco. Mas, quem sabe, a Illyssa estava certa e eu iria conseguir evoluir se treinasse. Como um certo personagem diria: "A minha magia é nunca desistir!".
— Ehh... Não. Isso é clichê demais até para mim.
Eu me levantei e comecei a dar uma volta pelo palácio. Vi a Silvia trabalhando no Jardim e a Illyssa e o meu irmão praticando magia lá também. Lorde William provavelmente estava em sua sala resolvendo algumas coisas. Todos estavam se ocupando naquele momento e eu parecia ser o único desocupado no local.
Acabei indo até o Salão de Treinamento. Chegando lá, eu vi que o lugar estava totalmente vazio.
— É, talvez eu devesse treinar como a Illyssa falou.
Eu comecei a tentar usar magias dos elementos que eu não havia conseguido, mas nenhum feitiço saía. Era como se houvesse algum bloqueio em mim e aquilo me frustrou bastante. Eu já era um ninguém no meu antigo mundo, então ser um ninguém em outro mundo iria ser algo bem deprimente para mim.
ㅡ Raio Cortante!
Esse era o único feitiço que funcionava, mas ele claramente não era tão poderoso e chamativo assim. Talvez não tivesse tanta utilidade além de abater animais pequenos, ou nem isso talvez. Porém, esse raio azul iluminava bem os arredores e era bem bonito.
— Acho que eu vou ter que me contentar com isso.
Ser capaz de usar apenas um feitiço era bem chato. Meu irmão parecia ser um prodígio enquanto eu não tinha nada de especial. As coisas pareciam continuar as mesmas, mesmo naquele mundo. Se as coisas continuassem dessa forma, eu já poderia me ver recebendo o apelido de “aventureiro mais fraco do mundo”. Eu não ia ter utilidade alguma para os grupos nas missões.
Foi nesse momento de autodepreciação que vi algo em um canto que me chamou a atenção.
— Aquilo é uma espada?
Eu me aproximei e peguei o objeto. De fato, era uma espada de madeira. Eu a balancei e senti uma sensação muito boa. Instintivamente, eu comecei a praticar alguns golpes.
— Cara, isso é legal!
Segurando aquela espada, eu me senti completo e realmente sentia que eu levava jeito para a coisa. O som que ela fazia cortando o ar era como música para os meus ouvidos.
— Que demais!
Eu estava golpeando o ar por todos os lados: de cima para baixo, na diagonal, pela esquerda e pela direita. Meus golpes eram rápidos e eu tinha uma boa resistência. Eu pulava e me esquivava, e eu me sentia muito bem. Eu nunca havia usado uma espada antes, mas senti como se fosse natural ter uma em minhas mãos. Foi incrível.
— Seus movimentos são bons, garoto.
Ao ouvir isso, olhei para trás e vi uma mulher. Uma bem intimidante, por sinal. Ela parecia beirar os trinta anos e tinha uma musculatura notável. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, ela usava roupas típicas de uma aventureira e havia uma espada embainhada em sua cintura. Eu podia sentir sua aura dizendo para mim que eu não estava olhando para uma mulher qualquer.
— O-Obrigado. — Nervoso, eu respondi. — Mas quem é você?
Ela deu um leve riso. Eu falei algo engraçado? Ou você está rindo porque percebeu que estou intimidado?
— Me chamo Joni. Prazer em conhecê-lo. Você deve ser o Gabriel, o novo professor de Illyssa.
— Na verdade, não. Eu sou o Jonathan, sou irmão dele.
— Ah, sim. Peço perdão pela confusão.
Apesar da aparência de aventureira intimidante, a Joni parecia ser extremamente simpática. Ela falava em um tom extremamente calmo e sua postura era firme, porém relaxada. No entanto, eu fiquei pensando se ela era nova no castelo, pois, após estar lá há duas semanas, eu acreditava que já tinha visto todos.
— Você é nova aqui, Joni? — Perguntei. — Acho que nunca te vi por aqui.
— Provavelmente porque eu estava realizando uma missão em outro Reino a pedido de Lorde William.
— Ah, sim.
Isso explicou tudo. Então, ela realmente é uma aventureira, né?
— Mas, enfim, estive te observando por alguns instantes e posso dizer que você já tem alguma experiência com espadas.
— Bem, para falar a verdade, eu não tenho. — Cocei a cabeça, envergonhado. Porém, encarei o que ela disse como um elogio.
— Jura? Você parece levar jeito para coisa.
Ouvir isso foi totalmente inesperado para mim, pois eu não era familiarizado com espadas. Os movimentos que eu estava fazendo eram por puro instinto e eu achava que se um espadachim profissional os visse, iria me desprezar na hora. Contudo, não foi isso o que a Joni fez, pelo contrário, ela pareceu estar bem impressionada até. Então, ela pegou uma das espadas de madeira e voltou até mim.
— Bom, o que acha de praticar comigo?
Mas que convite. Eu não sabia qual era o nível de habilidade da Joni, mas sentia que ela era boa e fiquei receoso em aceitar. No entanto, ela com certeza não iria me matar e nem partir para cima com tudo. Era o que eu esperava, pelo menos.
ㅡ Ok! Tudo bem!
Eu aceitei e nós começamos a duelar. Os movimentos dela eram incrivelmente rápidos. Ela desviava dos meus golpes com uma enorme agilidade e se movimentava com extrema rapidez. Já os golpes dela eram precisos e velozes. Ela conseguia me acertar onde ela queria, do jeito que ela queria e quando ela queria. Eu mal pude acompanhar seu ritmo e não tive nenhuma chance contra ela. Eu não tinha experiência, mas estava dando tudo de mim. Porém, ela sempre me forçava a acabar ficando em modo de defesa e apenas aguentar seus golpes até onde eu conseguia.
— Você tem muito potencial, mas eu diria que lhe falta polimento.
— Hah... Hah... Obrigado... Hah... Eu acho... — Depois de perder umas dez vezes, eu me joguei no chão e comecei a respirar ofegante.
— Se quiser, posso treinar você.
— É sério?
— Sim. Creio que não haverá muita coisa para eu fazer esse mês, então estarei livre pela maior parte do tempo.
Hmm. Então, quer dizer que ela era uma mulher muito ocupada, mas vai conseguir me encaixar em sua agenda nesse mês. Me sinto lisonjeado.
— Eu adoraria treinar com você!
— Vou fazer isso porque acredito que você pode se tornar um guerreiro forte.
— Você acha mesmo? — Meus olhos brilhavam. Um guerreiro forte? Eu?
— Sim.
A ideia de eu me tornar um guerreiro como a Joni havia dito pareceu incrível para mim. Meu irmão era bom com magia e eu ia ser bom com espadas. Isso ia ser demais e iria equilibrar as coisas entre nós um pouco. Eu achava que a minha chance de ser alguém finalmente estava surgindo.
— Muito obrigado, Joni!
— Não há de que!
Ela, então, levantou a espada dela novamente.
— Então, vamos continuar?
Eu estava um pouco cansado, mas ainda não me sentia no meu limite. Eu podia fazer mais!
— Vamos! — Me pus em posição.
Nós voltamos a duelar.
...****************...
Depois de um mês treinando com a Joni, eu já havia feito grandes avanços. Meus movimentos estavam mais suaves, rápidos e precisos, meus golpes tinham mais força, minha mente estava mais fortalecida. Eu já me sentia como um guerreiro, para ser sincero.
Eu treinava quase todos os dias da semana com ela. Ela me ensinava o Estilo da Espada de Haoni, que era um dos três estilos de esgrima que existiam em Galonia e ele consistia em realizar ataques mais agéis. Ou, segundo as palavras de Joni, "o Estilo da Espada de Haoni é caracterizado por sua velocidade e agilidade. Os praticantes deste estilo se concentram em ataques rápidos e precisos, procurando sempre manter uma postura defensiva forte para evitar serem atingidos. Eles geralmente usam espadas leves e bem balanceadas, que lhes permitem realizar movimentos rápidos e fluidos. Os golpes do Estilo da Espada de Haoni são tipicamente curtos e precisos, permitindo que o esgrimista atinja seu oponente rapidamente antes que ele tenha tempo de reagir."
Eu me esforcei ao máximo para memorizar tudo isso.
Naquele momento, nós estávamos treinando no Salão de Treinamento. Havíamos ido para lá logo após tomarmos café da manhã.
— Seus movimentos melhoraram muito nesse último mês. — Joni disse enquanto se defendia.
— Eu também sinto isso e só tenho a agradecer a você!
ㅡ Ora ora, você já tinha talento para a espada, eu apenas o fiz aflorar mais rápido.
Após esse tempo que passei treinando, eu fiquei com muito mais facilidade para ler os movimentos da Joni e saber quando contra-atacar. Eu ainda perdia para ela, mas não era mais uma humilhação igual a quando nós começamos a treinar. Para falar a verdade, eu até ganhei dela algumas poucas vezes. Por mais que tenham sido vezes em que ela não estava duelando a sério, ainda conta para mim.
— Jonathan, me diga, você sabe usar algum feitiço?
— Hã? — Confuso, eu parei de atacar. — Como assim?
— Bem, a verdade é que a magia pode ser uma grande aliada da espada. Obviamente, todos os espadachins de nível superior conseguem usar sua mana na forma de Aura de Combate. No entanto, alguns conseguem usá-la como magia convencional também e, quando isso ocorre, eles se tornam guerreiros formidáveis.
Então, há espadachins com Aura de Combate absurda e que ainda podem lançar feitiços. O quão forte uma pessoa assim deve ser? É basicamente um mago espadachim.
— Você consegue usar algum feitiço? — Ela perguntou novamente.
— Para ser sincero, apenas um.
— Mostre-me.
Havia alguns bonecos de treinamento feitos de madeira no salão. Eu comecei a tomar uma boa distância da Joni e, quando vi que estávamos a uma distância segura um do outro, eu estendi a mão, me concentrei e soltei o feitiço em um dos bonecos.
ㅡ Raio Cortante!
Raio Cortante era um feitiço bem fraco, então não causou um grande dano no boneco que eu atingi, só o queimou um pouco. Talvez ele poderia deixar um bom ferimento em uma pessoa, mas não ia ser nada fatal. Depois disso, eu já sabia o que a Joni iria dizer.
— Esse é um bom feitiço. Mas, para ser sincera, não creio que irá ser muito útil.
— É... Foi o que eu pensei.
— Bem, melhor continuar focando na espada.
A Joni acabou dando de ombros para o meu único feitiço, porém eu tinha mais uma carta na manga e decidi que valeria a pena mostrar ela.
— Espera!
— O que foi? — Ela se virou para mim
— Têm mais uma coisa que eu sei fazer.
— Bem, mostre-me então.
— Ok.
Essa não era uma carta que eu sabia usar com eficácia ainda, mas eu sentia que ela poderia ser útil e eu tinha que tentar usá-la. Eu comecei a me concentrar e fazer a magia de raio fluir pelo meu corpo. Essa iria ser a terceira vez que eu usava essa habilidade, então torci para dar certo.
— Jonathan, o que você pretende fazer?
Finalmente, eu senti que estava preparado.
— Olha, não temos o dia todo, então se você puder se...
Antes que ela pudesse terminar de falar, eu corri rapidamente igual a um raio na direção dos bonecos e ataquei todos. Havia dez bonecos no total e eu cortei a cabeça de todos um por um em poucos segundos.
Após terminar, eu estava exausto, mas olhei de volta para Joni e vi que ela estava com uma enorme cara de espanto e deixou até a sua espada cair no chão.
— Você... Você é um Herdeiro das Runas?
— S-Sim, eu acho...
— Incrível... É a primeira vez que eu vejo um...
— Sério?
— Sim.
Já ouvi dizer que os Herdeiros das Runas eram também conhecidos como "Casos Raros" e parece que isso não é à toa. Eles eram raros mesmo.
— Essa velocidade pode ser comparada a de um Rei ou talvez até um Imperador da Espada. É realmente impressionante ver alguém tão jovem poder ser tão veloz. — Ajoelhada, ela estava averiguando o corte que eu fiz nos bonecos de madeira. — Se você conseguir aliar a sua habilidade com a espada à sua habilidade com essa magia, eu tenho certeza que você irá se tornar um guerreiro muito poderoso.
— Verdade? Você acha mesmo?
— Sim. Não tenho dúvidas disso.
Eu fiquei em êxtase e tentei usar a minha habilidade de novo para chegar até ela rapidamente, mas, dessa vez, eu tropecei e caí...
— Mas parece que você ainda precisa trabalhar um pouco mais sua coordenação. Hahaha!
— Sim... Parece que sim.
— Bom, vamos continuar o treinamento. — Ela se pôs em posição. No entanto, ela olhou para mim com um sorriso malicioso em seu rosto. — A propósito, vendo toda a sua evolução, acho que posso pegar um pouco mais pesado a partir daqui.
— T-Tudo bem. Pode vir!
Agora, Joni passou a ser a segunda pessoa a saber da minha habilidade e ela estava bastante confiante em relação à mim. Nós voltamos a duelar e nossas espadas se colidiram. Eu fiquei com um pouco de receio com o quão pesado ela iria pegar comigo agora, mas sabia que ela não ia me matar ou me ferir gravemente. Contudo, seus golpes estavam bem mais pesados, ela parecia estar bem mais ágil. Ai, ai, droga, calma! Não me machuque! Não me machuque! Esperaaaaaa!
...****************...
No dia seguinte, após tomarmos café da manhã, a Joni me chamou e eu estava preparado para outra sessão de treinamento intensivo e para ganhar mais alguns hematomas. Porém, não era isso que me esperava. Fiquei feliz e triste.
— Jonathan, hoje nós não vamos treinar.
Eu fiquei surpreso por ela ter dito isso, mas logo pensei que ela ia sair em outra missão. Só que, como eu não tinha certeza de nada, resolvi questionar.
— Por que não?
— Eu vou te levar em um lugar hoje.
— Ah, ok.
Dar uma volta com a sua mestra pode ser legal de vez em quando. Eu pensei em perguntar para qual lugar ela iria me levar, mas decidi deixar que fosse surpresa. Talvez ela fosse me levar em algum clube ou ordem secreta dos espadachins de Haoni e eu ia me tornar o mais novo membro. As possibilidades eram infinitas.
Nós saímos do castelo e começamos a andar pelo Reino. Eu conhecia bem o caminho que nós estávamos fazendo, mas ainda não sabia onde íamos parar até que, de repente, paramos em frente a um estabelecimento do qual eu me lembrava bem.
— Loja de armas? — Perguntei. — O quê viemos fazer aqui?
— Comprar uma espada para você.
— Sério? — Me espantei.
— Sim. Acho que já passou da hora de você ter uma.
Eu fiquei muito feliz ao ouvir aquilo. Uma espada de verdade? Para mim? Eu estava quase me beliscando de novamente, pois, naquele momento, tudo parecia realmente um sonho.
Nós entramos na loja e era a mesma loja do senhor que tinha atendido eu e meu irmão com desgosto. Ele não havia mudado nada e a espada que eu tinha amado quando fui ali pela primeira vez ainda estava lá atrás dele na parede.
— Bom dia, Sam.
— Bom dia, Joni!
O senhor estava com um sorriso no rosto e falou com a Joni de forma extremamente educada. Tudo levou a crer que a Joni já devia ser cliente daquela loja havia um tempo. Porém, o sorriso do senhor se desfez assim que ele me viu.
— Pronto. Pode escolher qualquer uma, Jonathan.
— Verdade?
— Sim. Vá em frente.
Eu andei pela loja toda e vi bem todas as espadas que havia lá. A diversidade era imensa e todas eram muito lindas, mas, no fundo, eu já sabia qual eu queria. Então, após dar uma volta inteira pela loja, eu parei na frente do senhor.
— Pode ser aquela? — Apontei para a espada pendurada na parede atrás dele.
A espada parecia ter cerca de noventa centímetros no total. Ela tinha um cabo preto, um guarda mão dourado e uma lâmina de dois gumes totalmente cor de prata. Era a cara de uma espada medieval e tinha que ser usada por alguém digno como eu.
— Quanto essa espada custa, Sam? — Joni perguntou.
— Sete mil moedas Haoni... — Ele murmurou.
— Ok. Sem problemas — Joni pegou um saco de moedas e deu para o "Sam". — Aqui está.
Então, eu peguei a espada e quase chorei de emoção. Eu a balancei algumas vezes e percebi que ela era extremamente leve, mas extremamente afiada e devia ter um corte incrível. Finalmente, embainhei ela, pus na minha cintura e me virei para Joni.
— E então, como ficou?
— Ficou ótimo! — Ela deu um riso. — Agora sim você está parecendo um guerreiro.
Eu não só estava parecendo um guerreiro, mas eu estava me sentido como um também. Aquela espada elevou muito o meu nível de autoconfiança e eu estava pronto para encarar qualquer coisa.
Nós saímos da loja e começamos a voltar para o castelo. Atenção, Reino de Alexandria, há um novo espadachim no pedaço. Jonathan Hoffman e sua Excalibur estão prontos para qualquer desafio que possa surgir!
— Joni, muito obrigado pela espada!
— Não há de quê. Considere isso como um presente de despedida.
— Como assim despedida? — Inclinei a cabeça em confusão.
— Bem, eu vou sair para uma missão amanhã e creio que ficarei fora por um bom tempo.
— Ah, sim. Então, não iremos poder treinar, pelo visto.
— Infelizmente não, mas eu acho que já está na hora de você ganhar alguma experiência sozinho também.
— Hein?
— Acho que seria uma boa ideia você fazer algumas missões para treinar suas habilidades com a espada.
Ela realmente havia dado uma ótima ideia e era uma que eu queria ouvir. Na verdade, como eu já tinha uma espada, eu finalmente podia me aventurar em missões mais difíceis do que as que eu fazia com meu irmão. Chega de procurar animais e varrer quintais, eu quero matar monstros!
— Tenta passar na guilda amanhã. — Ela disse. — Acho que algumas missões de rank D seriam perfeitas pra você agora.
— Ok! Vou fazer isso.
— E mais uma coisa, a partir de hoje, pode se considerar um espadachim de nível avançado.
— Sério?!
— Sim. Você fez um progresso incrível e surpreendente em apenas um mês. Claramente é um espadachim habilidoso. Neste momento, você já é um espadachim de nível avançado no Estilo da Espada de Haoni, Jonathan.
— Uau...
Eu olhei para os calos na minha mão e senti um enorme prazer ao vê-los. Todo o meu esforço até ali havia dado resultados incríveis. Eu sentia como se eu tivesse ultrapassado os meus limites e chegado em um ponto onde nunca imaginei estar. Eu era um espadachim de nível avançado.
— Muito obrigado, Joni!
— Não há de que!
— Será que vai demorar para eu te vencer? Hehe.
— Você ainda vai precisar se esforçar bastante. Por mais que você seja bom, ainda tem um longo caminho para percorrer até ser capaz de vencer uma Rainha da Espada.
Aparentemente, os níveis da esgrima eram os mesmos da magia. Então, como Rainha da Espada, a Joni era... Muito forte?
— E-Então esse é o seu nível?
— Sim.
— É... Acho que ainda tenho muito que evoluir.
— De fato. Mas sei que você vai conseguir me alcançar algum dia.
Assim que chegamos no castelo, eu fui para um lado e ela foi para o outro. Como as missões que ela fazia costumavam ser longas, eu não sabia quando nem se eu a veria de novo. Mas, de uma coisa eu tinha certeza, aquela mulher tinha meu respeito e admiração. Ela me ensinou várias coisas e agiu comigo de uma forma totalmente diferente da qual todos já haviam agido. Ela viu potencial em mim e soube extrair o meu melhor. Acho que eu tinha o total direito de chamá-la de mestra e, a qualquer um que perguntasse, eu diria com orgulho que era o seu discípulo.
...****************...
Chegando no quarto, eu encontrei meu irmão lendo, como sempre.
— O que é isso na sua cintura? — Ele perguntou.
— É uma espada! Gostou?
— Parece que você finalmente conseguiu uma.
— É... Eu consegui.
O pai tá de espada nova!
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Atualizado até capítulo 257
Comments
luky_
astupidoo
2022-05-24
1
Gabriel Mateus
tou viciado nessa história, cada capítulo fica melhor
2022-05-03
1