Finalmente, mas não é o fim.

Já havia se passado mais de um mês desde que começamos a caçada. Cada pista que encontramos parecia mais vazia que a anterior, como se Vitto estivesse se escondendo em um buraco bem fundo. Mas Julio... ele, por alguma razão, estava se mantendo distante de nós, e isso foi o que mais me incomodou. Ele sabia o que fazia, mas não podia se esconder para sempre.

Em alguns momentos durante esse mês, ele mandou mensagens para Aylla. Mensagens que eram uma tortura psicológica disfarçada de presença. Ele sabia o que estava fazendo: deixar claro que, mesmo à distância, a ameaça estava ali, à espreita. Aquilo mexia com a mente dela de uma forma que eu odiava, e, ao mesmo tempo, isso me consumia.

Eu não conseguia entender como ele ainda não havia sido encontrado, como esse jogo do gato e do rato poderia durar tanto. Mas agora, com Marco e o pai de Ana em nossas mãos, a situação começava a se intensificar. Estávamos mais perto de saber onde Julio estava e o que realmente ele estava fazendo.

O cheiro de sangue impregnava o ar, misturado ao suor e ao medo dos homens à nossa frente. Marco e o pai de Ana estavam amarrados às cadeiras de ferro no centro do galpão, os rostos marcados por hematomas e cortes profundos. Eles não tinham saída, e sabiam disso, Vitto covarde se matou, não aguentou a pressão.

Caminhei em círculos ao redor deles, meus passos ecoando pelo espaço amplo e mal iluminado. O silêncio era cortado apenas pelos gemidos abafados de dor e pelo som do líquido espesso pingando no chão de concreto. Eu não gostava de perder tempo, e minha paciência já estava esgotada.

— Eu vou perguntar mais uma vez. — Minha voz era fria, cortante como gelo. — Onde está Julio?

Marco cuspiu no chão, o lábio inferior inchado e rachado. — Vai pro inferno.

Não pensei duas vezes antes de soltar um soco seco em seu rosto, sua cabeça tombando de lado com o impacto. Ele gemeu, cuspindo sangue no chão.

— O inferno está bem aqui, idiota. — Respondi, minha mão ainda cerrada pelo golpe.

O pai de Ana, por outro lado, era mais calculista. Ele não falava, mas seus olhos estavam cheios de intenção. Eu via o desafio nele, a provocação. Ele queria desestabilizar os homens, sabia que falar de Ana era a maneira mais rápida de atingir. E ele usou isso.

— Sabe, Matheu… aquela menininha nunca deveria ter nascido. Ela é um erro, me arrependi foi de não ter ido além com ela.

Ele tentou rir, mas o som morreu na própria garganta quando Matheu o soltou, deixando seu corpo cair para frente, sem sustentação. Eu queria que ele sentisse o desespero antes de morrer.

— Você e eu sabemos que essa tortura pode ser muito pior. Você não quer falar, mas eu sei que você sabe quem mais está envolvido nisso. Então, eu vou te dar uma chance. — Pegou a faca presa ao seu cinto e deslizou a lâmina contra sua pele, desenhando um corte lento e profundo. — Me dê nomes.

Marco arfou, o suor escorrendo pela testa. Ele tentaria resistir, mas ninguém resistia por muito tempo.

— Russos… — ele finalmente murmurou. — Eles… eles traíram vocês. Queriam uma aliança, não aceitavam a Itália, queriam dominar tudo. Nikolay e o irmão de Sergey Viktor.

Fiquei puto de ouvir isso, sabia que Nikolay não era mais confiável, mas ai tramar contra toda uma família forte como os Mansur é um absurdo.

— Levem esses nomes para nossos homens. Quero Nikolay e Viktor capturados antes do amanhecer. — Levantei-me e olhei para Matheu. — Quanto a esses dois… é com você.

Marco soluçou, balançando a cabeça freneticamente. Ele sabia que não sairia vivo dali. O pai de Ana nem sequer tentou se defender. No fundo, ele já havia aceitado seu destino.

— Apaguem esse lixo. — Matheu ordenou, dando as costas a eles.

Os disparos ecoaram no galpão, seguidos pelo silêncio absoluto.

Era o fim de mais um capítulo dessa guerra, mas ainda não era o fim da luta.

Nosso próximo alvo era Julio. E eu prometi a mim mesmo que ele não escaparia.

Saindo daquela sala já liguei para meu pai, precisava que ele estivesse ciente disso e que armasse um plano para pegar Nikolay antes que eu levasse Aylla para lá.

A tela iluminava o espaço escuro do galpão, revelando o rosto sério do meu pai. Ele estava do outro lado do mundo, mas a gravidade da situação fazia parecer que ele estava ali, diante de mim. O cigarro entre seus dedos queimava lentamente, e a fumaça se dissipava no ar enquanto ele analisava meu semblante.

— Andrei, Nikolay está com a família de Sergey. — Sua voz era firme, sem rodeios. — E não parou por aí. Ele colocou fogo em dois galpões nossos. Perdemos nove homens.

Minha mandíbula travou, e senti o ar ao meu redor ficar pesado.

— Nove? — Minha voz saiu baixa, carregada de uma raiva crescente.

— Sim. — Meu pai tragou o cigarro antes de soltar a fumaça devagar. — E ele deixou claro que isso é só o começo.

Noah socou a mesa ao meu lado, o som ecoando pelo galpão. Matheu cruzou os braços, cerrando os punhos com força suficiente para seus nós dos dedos ficarem brancos.

— Então ele quer guerra. — Murmurei, sentindo meu sangue ferver.

Meu pai me encarou pela tela, seus olhos frios e calculistas.

— Ele sempre quis. E agora que tem o apoio da velha guarda, acha que pode nos derrubar.

Soltei uma risada curta, sem humor. Nikolay não fazia ideia do que estava prestes a enfrentar.

— Quero esse desgraçado caçado como um animal. — Declarei, sem desviar o olhar da tela. — Vamos acertá-los com força total.

Meu pai assentiu, aprovando minha decisão.

— Eu já enviei homens para sondar meu informante, se Victor aparecer protegendo Nikolay vai ser pego, mas sabemos que esse tipo de aliança nunca dura muito. — Ele apagou o cigarro e se inclinou para frente. — Cuidado com suas decisões, Andrei. Sei que está furioso, mas não quero ver você agindo no impulso.

Respirei fundo, tentando conter o fogo dentro de mim.

— Eu sei o que estou fazendo.

Ele me estudou por um momento, então deu um breve aceno.

— Faça isso direito. E me mantenha informado.

A tela escureceu quando ele encerrou a chamada.

O silêncio pairou no galpão por alguns segundos antes de Noah quebrá-lo:

— Vamos acabar com eles.

Matheu puxou a cadeira mais próxima e se sentou, esfregando o rosto.

— Primeiro, precisamos definir a abordagem. Atacar diretamente ou desestabilizá-los primeiro?

— Os dois. — Respondi sem hesitar. — Quero informações detalhadas sobre a movimentação deles. Quando tivermos certeza de onde Nikolay está, vamos arrancá-lo de lá.

Noah sorriu de lado, um sorriso cheio de malícia.

— Acho que essa caçada vai ser divertida.

Matheu apenas assentiu, mas havia um brilho sombrio em seu olhar.

Nikolay achava que estava no controle. Mal sabia ele que o jogo estava prestes a virar.

Mais populares

Comments

Renata

Renata

o Júlio tá na Rússia ..mais e o outro irmão do vitto onde esta

2025-03-28

1

bete 💗

bete 💗

espero que peguem todos
aguardando ansiosa ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-03-28

2

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!