O estábulo era enorme, maior do que eu esperava, e perfeitamente organizado. O cheiro da palha misturado ao aroma característico dos cavalos enchia o ambiente, e eu não podia negar que o lugar exalava imponência. Tudo ali era bem cuidado, desde as baias até os próprios animais.
Aylla caminhava à minha frente com familiaridade, os dedos deslizando levemente pelas portas das baias conforme passava. Seu olhar era atento, cheio de carinho, mas sem exageros infantis. Então, ela parou diante de um cavalo magnífico. Um alazão negro, tão escuro que seu pelo brilhava sob a iluminação suave do local.
— Esse é Kadir — disse, aproximando-se do animal com segurança. — Ele é um dos mais temperamentais, mas eu gosto disso.
O cavalo bufou suavemente quando Aylla se aproximou, e para minha surpresa, ele abaixou um pouco a cabeça, como se a pedisse carinho.
— Você fala como se fosse um desafio — comentei, observando a cena com atenção.
Ela continuou deslizando a mão pelo pescoço do cavalo, mas sem o tratar como um bichinho indefeso. Seu toque era firme, respeitoso.
— Porque é — disse. — Cavalos não são brinquedos, e quem trata como se fosse, mais cedo ou mais tarde se machuca Eles são animais imponentes, com força o suficiente para nos esmagar. Mas, quando existe respeito, há conexão.
Observei o modo como Kadir reagia à sua presença. Ele parecia relaxado, quase satisfeito por tê-la por perto.
— Você gosta muito deles — constatei, cruzando os braços. — temos cavalos lá na Rússia, acho que serão privilegiados em ter você.
Ela concordou, pegando as rédeas do cavalo e o guiando para fora da baia. Eu apenas a segui, curioso para ver o que faria a seguir.
— Já pensei em ser veterinária — disse, como se isso fosse um detalhe insignificante. — amo animais e amarei cuidar dos que você tem.
Isso me pegou de surpresa.
— Mesmo?
— Sim. Não foi só uma vez — continuou, caminhava lentamente ao lado do cavalo enquanto eu a acompanhava. — Mas no fim, eu sabia que minha vida levaria outro rumo. Ainda assim, toda vez que venho para a Turquia, gosto de me reconectar com eles.
Por um instante, apenas a observar, prestando atenção na forma como conversamos, na maneira como olhamos o animal ao seu lado. Não houve hesitação, apenas certeza.
— Isso faz parte de você — murmurei, mais para mim mesmo.
Ela apenas assentiu, sem dizer mais nada, montou no cavalo com facilidade, como quem fez isso desde sempre. Kadir relinchou e logo começou a se movimentar pelo espaço aberto, enquanto eu me encostava na cerca para observá-la.
Eu não sabia dizer o momento exato, mas percebi que cada instante ao lado dela me puxava mais para dentro desse sentimento avassalador. Era como se, a cada gesto, a cada palavra, a cada olhar, Aylla fosse me conquistando sem nem se dar conta.
Quando ela finalmente voltou, desmontou com destreza e veio até mim com um sorriso divertido.
— Vamos para o stand de treinos?
Sorri de lado, já sei que ela não me daria espaço para recusa.
— Claro.
Seguimos juntos até o stand de tiros, um espaço amplo e bem equipado. Aylla pegou uma arma com naturalidade, verificando-a com destreza antes de se posicionar. Então, sem hesitar, comecei a atirar.
Cada tiro era certo. Seus olhos estavam fixos no alvo, o corpo firme e completamente sem controle. Eu deveria estar analisando sua postura, sua precisão… Mas a verdade é que estava vidrado nela. A forma como se move, a confiança que exalava.
Foi só quando ouvi alguém limpando uma garganta que percebi que não estava sozinho.
Virei a cabeça e encontrei Antony parado ao meu lado, os braços cruzados e um meio sorriso no rosto.
— Estava distraído. — comentei e ele fez uma cara de deboche como se não tivesse notado.
— Ela sempre amou isso — disse, observando a filha como se enxergasse algo além do que meus olhos pudessem captar.
Assenti, sem saber exatamente o que responder.
Antony virou-se para mim então, e sua expressão ficou um pouco mais séria.
— Você será um bom marido para ela, ela te escolheu assim como você, até hoje não houve interesse dela em conhecer alguém, e acredite que teve muitos pedidos.
As palavras foram diretas, sem rodeios. Mas antes que eu pudesse responder, ele continuou:
— Sei que na máfia não existem divórcios Andrei, mas se algum dia deixar de amá-la, apenas me avise e deixe ir.
Senti meu maxilar travar.
— Aylla pode ser dura, mas tem um coração.
Respirei fundo e voltei a olhar para a mulher que, naquele momento, era todo o meu mundo.
— Ela não tem apenas um coração, senhor Mansur — respondi, minha voz firme e sem hesitação. — Ela tem dois, porque o meu pertence completamente a ela.
Aylla se aproximou com um sorriso radiante, os olhos brilhando de satisfação enquanto girava a arma descarregada entre os dedos antes de entregá-la ao instrutor. Ela parecia uma menina travessa que havia acabado de vencer um desafio, completamente à vontade naquele ambiente.
— Viu isso? Acertei todos! — disse com excitação, os cabelos levemente desalinhados pela movimentação.
Sorri, sem conseguir evitar. Cada palavra do sogro ecoava na minha mente enquanto eu a observava. Como poderia haver dúvida? Eu já sabia que era dela, sem reservas, sem condições.
— Vi tudo — confirmei, o olhar fixo no dela. — Você foi incrível.
— Você está cada vez melhor minha piccola, quanto orgulho, mas também né, tem um excelente treinador, você e a tia Laura foram treinadas pelo melhor. — falou fazendo cena e ela o abraçou orgulhosa.
Depois ela riu satisfeita, e estendeu a mão para mim, os dedos quentes envolvendo os meus sem hesitação. Depois, fez o mesmo com Antony, que aceitou o gesto da filha com naturalidade.
— Vamos? — Pediu ela puxando-nos com leveza para fora dali.
E assim seguimos, lado a lado, sob o céu da Turquia, enquanto eu ainda tinha mais certeza de que Aylla era a mulher que eu estava destinada a amar.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
marlene cardoso dos santos
amando esse casalzinho maravilhoso
2025-04-01
0
bete 💗
apaixonante demais
arrasando ❤️❤️❤️❤️❤️
2025-03-26
2
Andrea Freire
Top esse capítulo
2025-03-26
0