Uma nova perspectiva

Chegar na Itália foi um alívio, mas o clima de tensão era inegável. Noah e Enzo nos receberam no hangar, e bastou um olhar entre eles e Andrei para entender que a situação com Vitto e Julio estava ficando pior. Ele não era cauteloso, atacava sem se preocupar com as consequências, e o sumiço de Júlio só tornava tudo mais perigoso.

Apesar das brincadeiras no jato, Andrei acabou hospedado na nossa casa. Parecia a decisão mais lógica. Nos próximos três meses, até o casamento, cuidaríamos de cada detalhe, não apenas da cerimônia, mas da nossa segurança. Não havia espaço para distrações.

No entanto, naquela tarde, preferi focar em algo mais leve. Fiquei com Rafa revisando os convites, escolhendo flores e ajustes finais. Era estranho me ver envolvida com isso, mas eu queria um casamento perfeito.

No jardim, a risada de Ana e Laura chamou minha atenção. As duas brincavam perto da fonte, correndo de um lado para o outro. Rafa, ao meu lado, sorria enquanto observava a filha.

— Como você consegue não enlouquecer com medo? — perguntei de repente.

Ela piscou, um pouco surpresa pela pergunta, e depois riu baixinho.

— Quem disse que eu não enlouqueço?

— Parece que você tem tudo sob controle.

Ela suspirou, cruzando os braços.

— A verdade é que não importa o quanto eu tente, sempre vou ter medo. Mas é assim que a gente descobre o que realmente importa, sabe? Antes da Ana, eu achava que nunca ia querer ser mãe. Hoje, não imagino minha vida sem ela.

Fiquei em silêncio por um instante, refletindo.

— Eu nunca me imaginei mãe — confessei.

Rafa assentiu, compreensiva.

— Eu também não. Até aquele dia em que vi uma menina tão linda olhando para mim, depositando todo o amor dela em mim e no Matheu. Não tive escolha.

Olhei para Ana, tão pequena e cheia de vida, e percebi algo que nunca tinha enxergado antes.

— O medo não é sobre ter coragem para fazer alguma coisa, né? — murmurei.

Rafa me olhou curiosa.

— Não. O medo é sobre saber o que pode acontecer depois. Sobre as consequências.

Assenti, soltando um suspiro pesado.

— Acho que estou começando a entender isso.

Rafa apertou meu ombro em um gesto de apoio.

— E eu sei que você vai fazer tudo certo. Só… se cuida, você é uma excelente lutadora, mas o excesso de confiança traz mais prejuízos que coisas boas.

Fiquei ali, olhando para as meninas brincando, sentindo pela primeira vez um tipo de preocupação diferente. Talvez não fosse só sobre enfrentar inimigos, mas sobre tudo o que vinha depois.

Depois de resolver as coisas resolvi que queria treinar, resolvi criar estratégias e planos, lidar com facas, granadas, bombas caseiras, tudo que meu treino e curso me permitiram acertar, passei a tarde inteira no galpão. O som seco dos socos no saco de pancadas preenchia o espaço, e minha respiração já estava acelerada há algum tempo. Perdi a noção das horas, focada somente nos movimentos, nos golpes, em me fortalecer para tudo o que estava por vir.

Só parei quando senti meu corpo fraquejar. Um segundo de descuido e minhas pernas falharam, mas antes que eu pudesse cair, braços firmes me seguraram. Levantei o olhar e encontrei Andrei me encarando com a expressão fechada.

— Você enlouqueceu, Aylla? — O tom dele era baixo, mas carregado de reprovação.

Tentei me afastar, mas ele segurou minha cintura firme.

— Você está há mais de quatro horas treinando — ele continuou. — E não comeu nada. O que diabos você está pensando?

Pisquei algumas vezes, confusa.

— Eu… não percebi.

— Exatamente.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, a voz séria do meu pai ecoou pelo galpão.

— Aylla.

Engoli em seco e me virei para encará-lo. Antony Mansur nunca precisou gritar para ser imponente, e naquele momento, seu olhar sério me fez sentir uma culpa instantânea.

— Se você continuar sem se alimentar, vai acabar doente. E doente você não vai ajudar ninguém — ele afirmou, cruzando os braços. — Vitto e Júlio serão pegos logo. Você precisa viver sua vida normalmente, e não acabar paranoica, com a mente bagunçada.

Mordi o lábio, sentindo vergonha. Ele estava certo.

Suspirei, abaixando a cabeça.

— Eu sei… — murmurei. — Me desculpa.

Meu pai assentiu, sem desfazer a expressão rígida.

— Vá comer. Agora.

Andrei soltou um suspiro e passou o braço ao redor dos meus ombros, me guiando para fora do galpão sem me dar escolha. Eu sabia que aquilo não era apenas sobre alimentação. Era sobre equilíbrio. Sobre não me deixar ser consumida pelo medo.

E, no fundo, eu sabia que eles só queriam me proteger.

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Comments

Leandra Carla De Oliveira

Leandra Carla De Oliveira

Coitada da aylla está pirando de medo de algo acontecer. Posta mais por favor

2025-03-28

3

bete 💗

bete 💗

ela será forte ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-03-28

0

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