O escritório de Noah exalava poder. As paredes escuras, o aroma amadeirado misturado ao leve cheiro de charuto e whisky criavam um ambiente tão imponente quanto os homens sentados ao redor da mesa. Negócios foram discutidos, alianças firmadas e estratégias traçadas, mas havia algo mais que me trouxera até a Itália.
Quando a conversa alcançou um ponto decisivo, apoiei os antebraços sobre a mesa e encarei Antony Mansur.
— A Rússia e a Itália têm muito a ganhar com essa parceria — comecei, sem rodeios. — E acredito que laços de sangue podem torná-la inquebrável.
Antony arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito.
— Está sugerindo um casamento?
Dei de ombros.
— Se quisermos que essa aliança perdure, laços familiares são a melhor garantia.
Ele soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Para falar diretamente a mim deve estar pensando em Aylla, esqueça. Ela nunca aceitaria.
Um sorriso discreto surgiu em meus lábios.
— E por que não?
— Porque minha filha não se curva a vontades alheias, muito menos a um casamento arranjado — ele respondeu, sem hesitação. Depois, acrescentou casualmente: — Mas Rafa está solteira. Se quiser, podem conversar sobre ela.
Neguei de imediato, mas sem arrogância.
— Não estou interessado em trocas, Antony. E definitivamente não em Rafa, sem ofender, pois ela é linda, mas algo me diz que Aylla aceitará.
Ele ficou em silêncio por um momento, me estudando. Ao meu lado, Noah observava a conversa com atenção, enquanto alguns dos outros homens da sala mantinham-se neutros, aguardando.
— Aylla não se dobra, Andrei — repetiu Antony, mas dessa vez, um leve tom de curiosidade tingia sua voz.
— Eu não quero que ela se dobre — respondi com sinceridade. — Quero conhecê-la. Quero que ela me conheça.
Antony ficou em silêncio por mais um instante, então soltou um suspiro e fez um gesto para um de seus homens.
— Vamos ver o que minha filha pensa sobre isso.
O tempo que seguiu foi silencioso, mas carregado de expectativa. Eu não era um homem de insistências vazias ou desejos passageiros. Aylla Mansur me intrigava. Não era apenas a beleza que chamava a atenção — embora fosse impossível ignorá-la —, mas a reputação dela. Criada para ser forte, destemida e indomável dentro de um mundo governado por homens.
Quando a porta do escritório se abriu e ela entrou, cada certeza dentro de mim se solidificou.
Aylla caminhava com firmeza, a postura ereta e o olhar atento. O cabelo longo e escuro caía como uma cascata sobre as costas, os lábios carnudos formavam uma linha séria, mas os olhos… Eles brilhavam com algo que me desafiava.
Ela parou ao lado do pai, cruzando os braços.
Antony falou com a voz baixa, carregada de significado.
— Aylla, o primo de Alana, Andrei, veio até nós. Ele pediu sua mão em casamento.
Ela me encarou, sem desviar, e vi quando uma centelha de compreensão brilhou em seu olhar. Não era surpresa. Ela sabia como alianças eram formadas. Mas havia algo ali... Algo mais profundo, algo que fazia sua respiração mudar levemente antes de responder.
— Quero conhecê-lo, pai.
Aquela resposta... era tudo o que eu precisava.
O modo como ela falou, sem tremores, sem incerteza, me fez sorrir de lado. Havia algo nela que me prendia. Algo que ia além da beleza, além do poder que carregava no sobrenome. Aylla não era o tipo de mulher que somente aceitava seu destino. Ela o moldava com as próprias mãos.
Eu me inclinei levemente para frente, apreciando cada palavra. Ela queria entender o que havia em mim.
E eu estava disposto a mostrar.
O tempo entre aquela conversa e nossa próxima interação foi marcado por um silêncio carregado de expectativa. Eu sabia que essa noite definiria tudo.
Quando cheguei à casa da família, Noah e seus homens nos receberam e nos conduziram para dentro. O ar era carregado de tradição e respeito, mas o que realmente me prendeu a atenção foi Aylla.
Assim que nossos olhares se cruzaram de novo, um choque elétrico percorreu meu corpo. Ela sustentou minha observação sem hesitar, os lábios ligeiramente pressionados, como se me desafiasse a desviar primeiro. Eu nunca desviava.
Mas ela também não.
Me levantei, ajustando o paletó, e então olhei diretamente para ela.
Estendi a mão para ela. Aylla hesitou por uma fração de segundo antes de pousar sua palma sobre a minha. Sua pele era quente, macia, mas a energia que percorreu entre nós foi pura eletricidade.
Sem soltar sua mão, conduzi-a para fora do escritório, guiando-a até a varanda sob o olhar atento da sua família. O vento noturno trouxe o perfume dela até mim, um aroma intenso e inebriante que se infiltrou em minha mente, tornando-se mais um motivo pelo qual aquele casamento precisava acontecer.
Ali, sob a luz suave da lua, tudo nela parecia ainda mais tentador. Eu queria conhecer cada detalhe daquela mulher. E, acima de tudo, queria possuí-la.
O ar noturno estava fresco, mas o perfume dela era quente, inebriante, feito para provocar.
Aproximei-me levemente, mantendo uma distância respeitável, mas o suficiente para sentir sua presença.
— Você disse que queria me conhecer. — Minha voz era baixa, controlada. — O que exatamente quer saber?
Ela sorriu de canto, e foi a primeira vez que percebi o perigo real.
Porque Aylla Mansur não era uma mulher qualquer.
E eu já estava completamente envolvido.
— Me fale de você — ela pediu, a voz calma, porém cheia de curiosidade genuína.
Me endireitei, observando-a por um instante antes de finalmente falar.
— Meu nome é Andrei Ilanov. Tenho vinte e oito anos e sou filho de Nikolayev e Eva Ilanov
Ela inclinou a cabeça levemente, memorizando cada palavra, cada nome.
— Meu pai é um homem de princípios, forjado pela guerra e pelo sangue, mas que entende o valor da lealdade. Minha mãe... — Um leve sorriso surgiu no canto dos meus lábios ao mencioná-la. — É uma mulher forte e inteligente, que soube ensinar o que realmente importa.
Aylla cruzou os braços, interessada.
— E você? Como se descreveria?
Dei um passo mais perto, invadindo seu espaço apenas o suficiente para sentir o perfume dela mais intensamente.
— Intenso. Protetor. Mas não ingênuo. Sei que você não é uma princesa esperando ser resgatada, Aylla. Sei que nasceu para ser mais do que uma simples esposa ao lado de um homem.
Ela sorriu, pequena, mas perigosa.
— Então por que me quer?
Meu olhar percorreu seu rosto, cada detalhe que me fascinava desde o instante em que a vi pela primeira vez.
— Porque quero ao meu lado alguém que não somente aceite minha presença, mas que me desafie. Quero alguém que compreenda o que significa carregar um nome poderoso e ainda assim escolha lutar por ele.
E então, Aylla fez algo que me pegou de surpresa.
Ela sorriu, não apenas com os lábios, mas com os olhos, com a postura. Com a certeza de alguém que já havia tomado uma decisão antes mesmo de verbalizá-la.
— Eu amarei meu novo país.
Foi o suficiente.
Confirmação. Aceitação.
Minha.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 46
Comments
DAIANE
essa conversa ele disse tudo maravilhoso
2025-03-25
3
Iry Silva 🔖
Hummm esses dois vão fogo na Rússia 👏🏽👏🏽👏🏽 Adorando a história
2025-03-29
0
Simone Silva
parabéns autora pelo seu livro ❤️
2025-03-26
0