Compras e conversas

Fazer compras na Turquia com minha avó Yasmin e as outras mulheres da família era uma experiência única. O dia estava agradável, e as ruas movimentadas de Istambul pareciam ainda mais vibrantes com o burburinho de vozes e aromas que se misturavam no ar.

Entramos e saímos de lojas, escolhendo vestidos, sapatos e especiarias que eu queria levar para a Rússia. Minha avó estava empolgada, como sempre.

— Você deveria considerar usar um vestido tradicional na festa — ela sugeriu com um sorriso encantador, enquanto segurava um modelo ricamente bordado em dourado e azul.

Revirei os olhos sorrindo.

— Vó, eu não conseguiria nem respirar com isso.

Selin riu ao meu lado, balançando a cabeça.

— Ela sempre tenta nos fazer usar as roupas tradicionais.

Isadora, que examinou alguns tecidos, murmurou:

— Mas são tão bonitos…

Alice enviou ao ouvir a futura nora e a envolveu em um abraço.

— E você ficaria linda, mas use o que se sentir confortável, querida.

Continuamos as compras por mais um tempo, e eu percebia, em cada loja que entrávamos, como minha avó era amada por todos. Os comerciantes saudavam com carinho, alguns traziam presentes simples, e as pessoas respeitavam. Era bonito de ver.

Depois de muitas sacolas e risadas, decidimos ir até um lugar para lanchar. Alice sugeriu um café conhecido dela, um charmoso e acolhedor chamado "Sultan's Delight" . Assim que entramos, fomos guiados a uma mesa espaçosa, e nos acomodamos confortavelmente.

O cheiro de café forte e especiarias pairava no ar, e estávamos animados com os pedidos quando, de repente, um garçom se aproximou carregando uma cesta de doces decorados.

— Isto foi enviado para a senhorita — ele apontou para Isadora.

A mesa inteira ficou em silêncio por um momento. Olhamos ao redor, procurando quem havia mandado, e quando nossos olhos encontraram um jovem homem de aparência confiante encostado no balcão, Isadora pareceu se encolher estreitamente.

— Está tudo bem? — perguntei observando a forma como ela desviava o olhar.

— Eu não quero problemas, não queria presentes. — respondeu de forma curta, incomodada.

Tia Alice, sempre atenta, olhou para ela com atenção.

— Querida, precisa me dizer se algo está errado. — Isadora vivia com eles a alguns anos e na ausência dos pais era criada com amor por Alice.

— Está tudo bem — Isadora insistiu, mas sua expressão não me convencia.

Quando ela devolveu a cesta e o garçom entregou ao jovem vi o rapaz franzir o cenho, parecendo contrariado.

— Baran precisa saber se alguém está incomodando você Isa — Selin comentou, olhando para Isadora com preocupação.

— Ele não precisa se preocupar com isso — ela respondeu, tentando parecer indiferente.

Mas eu sabia que tinha algo ali.

O resto do lanche foi tranquilo, mas fiquei atenta à Isadora. Quando voltamos para casa, esperei um momento oportuno e o chamei para conversar perto dos estábulos, onde o ar era mais fresco e a tranquilidade ajudando a fazê-la se abrir.

Eu queria entender o que estava acontecendo.

Nos afastamos um pouco da casa, seguindo em direção aos estábulos. O cheiro da palha misturado ao aroma fresco da brisa tornava o ambiente mais acolhedor, e eu esperava que isso ajudasse Isadora a se sentir confortável para falar.

Ela parecia hesitante, brincando com as pontas dos próprios dedos.

— Isa, o que aconteceu? — questionei.

Ela suspirou e, depois de alguns segundos, começou a falar:

— O nome dele é Kadir Demir … Ele é irmão do diretor da escola e tentou algo comigo duas vezes.

Minha expressão se fechou na hora, mas esperei que ela continuasse.

— Na primeira vez, ele me tentou beijar à força no estacionamento. Consegui fugir, mas ele me encontrou outro dia e disse que, se eu tentasse prejudicá-lo, acabaria na rua. A família dele é influente, e ele deixou claro que ninguém acreditaria em mim.

Fechei as mãos em punhos, sentindo a raiva crescer dentro de mim.

— Isadora… Baran é um homem protetor. Ele nunca aceitaria que alguém se ofendesse dessa forma.

Ela engoliu em seco e desviou o olhar.

— Eu sei… Mas eu não queria criar problemas.

Respirei fundo e toquei seu braço com gentileza.

— Você precisa contar para ele. Ele tem que saber.

Ela hesitou por um instante antes de concordar.

— Você pode me ajudar?

— Claro — sorri, tentando tranquilizá-la. — Mas antes, eu respondo uma coisa… Você tem medo do Baran?

— Não! — ela respondeu imediatamente, os olhos arregalados. — Nunca! Baran nunca me faria mal.

Relaxei e sorri de lado.

— Então vamos resolver isso agora.

Me virei para um dos trabalhadores que estavam por perto e pedi que chamassem Baran. Em poucos minutos, ele apareceu.

Seu olhar se suavizou ao ver Isadora, mas quando notou sua expressão tensa, franziu a testa.

— O que houve?

Troquei um olhar com Isadora e então comecei a contar.

— Isa tem sido perseguida por um homem chamado Kadir Demir. Ele tentou beijá-la à força e ameaçou colocá-la na rua se dissesse algo.

O corpo de Baran ficou rígido no mesmo instante. Seus olhos escureceram com uma fúria silenciosa, e ele passou um braço ao redor da cintura de Isadora, trazendo-a para perto.

— Ele fez o quê? — sua voz saiu grave cheia de raiva contida.

— Ele ameaçou Isadora, Baran — repeti, vendo seus punhos se fecharem.

Isadora olhou para ele com preocupação, mas Baran a encarou com doçura, segurando seu rosto entre as mãos.

— Você deveria ter me contado antes, meleğim* — sua voz agora era mais suave, mas carregava uma firmeza inegável. — Ninguém, eu disse ninguém, vai sequer pensar em te machucar sem sofrer as consequências.

Ela concordou, e ele a puxou para um abraço apertado.

— Eu vou te defender custe o que custar — ele sussurrou contra seus cabelos.

Então, ele olhou para o soldado que estava próximo e disse:

— Eu quero o nome completo desse cara e tudo o que ele fez. Eu vou resolver isso.

Isadora respirou fundo e, finalmente, disse:

— O nome dele é Kadir Demir.

Baran fechou os olhos por um breve segundo, como se controlasse, e então beijou a testa dela.

— Está feito. Esse homem nunca mais chegará perto de você.

E, naquele momento, eu soube que Kadir Demir tinha acabado de assinar sua sentença.

Meleğim : “Meu anjo” em turco.

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Comments

Leandra Carla De Oliveira

Leandra Carla De Oliveira

comecei a leitura agora e estou adorando, bom fui lê a história dos pais da Ayla aí eu vi de onde vem essa ousadia dela e de família já que o pai senhor Antony se apaixonou por sua mãe a primeira vista e depois sua mãe enlouquecendo seu pai histórias maravilhosas, não concluí o outra mais estou amando. Posta mais autora por favor.

2025-03-27

2

bete 💗

bete 💗

Oi qual seria o romance dos pais de Ayla
por favor obrigada ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-03-27

1

marlene cardoso dos santos

marlene cardoso dos santos

nossa amei esse capítulo

2025-04-01

0

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