Nos Braços do Russo.

Nos Braços do Russo.

Aylla Mansur.

Sou a Aylla, uma mistura de Turquia e Itália, sou forte e destemida, não me encaixo em um mundo de princesas e nunca busquei por isso, meu pai diz que sou a minha mãe todinha e eu acredito, ela sempre se sobressaiu ao mundo moderno e mesmo que o Senhor Antony Mansur governasse na rua aqui dentro a última palavra com certeza era a dela.

Hoje tenho 19 anos e para alguns já passei da idade de casar, mas eu não me importo, meus pais sempre me deixaram a vontade para observar possíveis candidatos e nunca ninguém me atraiu.

Hoje no frio do inverno acordei mais cedo, os olhos vagando pela janela enquanto o vento agitava as cortinas. Era uma daquelas manhãs em que os pensamentos não me deixam em paz, e minha mente viajava, lembrando-me de quando era mais nova, lá com apenas 10 anos.

Lembro de estar no quarto, escutando a voz suave de minha mãe enquanto ela me contava histórias. Aquela noite, ela decidiu me contar mais uma história de princesa, mas eu não queria ouvir sobre princesas frágeis, que precisavam ser salvas.

" — Mãe, por que a princesa precisa ser salva? — Perguntei, impaciente, já cansada de ouvir sempre a mesma história. — Ela não pode ser forte? Não pode lutar por si mesma?

Ela me olhou com aquele sorriso travesso que só ela sabia ter. Meu pai, Antony, que estava ali perto, levantou os olhos do jornal e resmungou, quase como se fosse uma regra universal.

— Meninas devem ser protegidas. Não é assim amor, nós sempre salvamos vocês. — falou ele.

Eu revirei os olhos, quase sem paciência. Mas minha mãe como viveu isso interviu como sempre, mudou o curso da história, revelando o que minha alma jovem desejava ouvir.

— Então, vamos mudar. Era uma vez, uma princesa guerreira — ela disse, com um brilho nos olhos desafiando a regra imposta por meu pai. — Ela não se deixava salvar. Ela enfrentava todos os monstros e inimigos de seu reino, com uma espada em suas mãos e coragem no coração. Ela era temida, respeitada, e ninguém jamais ousaria desafiar seu poder.

— Mas essa princesa não tinha inimigos? — perguntou meu pai e minha mãe riu sabendo que ele precisava fazer isso para garantir que eu soubesse dos riscos, ele sempre salientou que homens são naturalmente mais fortes e treinam mais, mas que uma mulher com técnicas tinha certa vantagem."

Aqueles momentos ainda estavam gravados em minha memória, como se tivessem sido um presságio. Porque, ao contrário da maioria das meninas de minha idade, que sonhavam com vestidos, príncipes e castelos dourados, eu sonhava com batalhas, com conquistas. Queria ser a guerreira, a líder, a mulher que não precisaria de ninguém para ser protegida.

Mas, claro, como filha de Cassandra e Antony, eu sabia que meu destino seria outro. Não governaria, isso era uma regra na máfia, mas meu pai sempre me preparou para tudo. Ele me treinava pessoalmente, acreditando que, se algum dia fosse necessário, vivemos inúmeras vezes na pele sequestros, sumiços e momento de dor com os inimigos que sempre nos rodeávamos, então minha mãe tanto incomodou que meu pai cedeu.

Ele não aceitava que ninguém mais o fizesse. Meu pai acreditava que eu deveria ser mais do que uma peça no jogo de poder.

Eu estava imersa no submundo que minha família governava. A ideia de governar não me pertencia, mas o conhecimento do perigo que nos cercava, isso sim, era meu legado, mesmo que os homens nos privassem de tudo eu sabia que aquilo era real e em algum momento estaria pronta.

Hoje estamos aqui na casa do tio Lorenzo com todos reunidos, depois de descobrirmos que Alana esposa do Noah era Russa vivemos tempos diferentes com um certo grupo de pessoas que passou a frequentar nossa casa.

Eu não sabia, mas esse dia estava marcado. No dia em que a família se reuniu para aquela apresentação formal, em que todos estavam ali para observar os laços de poder e os jogos de alianças, ele apareceu.

Andrei Ilanov

Ele era um completo estranho para mim, mas naquele momento, sua presença parecia ser mais do que eu imaginava. Filho de uma das famílias mais poderosas da Bratva e a pessoa que ficou no lugar dos pais de Alana que foram mortos. Ele não era alguém com quem eu tivesse de lidar diretamente, mas sabia que sua vinda aqui tinha algum sentido, e eu saberia horas depois que ele estava ali em uma missão. Ele estava ali com uma proposta, uma proposta que mudaria tudo.

Quando meu pai me chamou até o escritório, senti um aperto no peito. Ele estava sério, e isso sempre significava que algo grande estava por vir.

— Com licença — falei me aproximando de meu pai, Andreia estava ali, ele era lindo, seu pai não tinha um ar ruim, e me senti segura.

— Aylla, — disse Noah com a voz baixa, como se estivesse pesando cada palavra. — O primo de Alana, Andrei, veio até nós. Ele pediu sua mão em casamento.

Eu o encarei sem reação. Não era surpresa alianças eram feitas assim, mas algo dentro de mim se agitou. Andrei não era só mais um nome em nossa vida. Ele era diferente. Havia algo nele, algo que exalava poder e domínio, algo que parecia ser maior que tudo o que eu já havia experimentado. Não me assustava a nacionalidade dele, nem o fato de ele vir de uma família tão temida. Isso nunca me amedrontou.

Olhei para meu pai, sem hesitar, com uma firmeza que ele provavelmente não esperava.

— Quero conhecê-lo, pai — respondi calma sabendo que meu pai não decidia nada sem a minha permissão, sentia uma força que fazia eco dentro de mim. Quero ver quem ele realmente é, a energia que emana dele... é maior que tudo. Quero ver o que está por trás disso.

Meu pai me estudou por um momento, como se estivesse tentando medir minha reação, mas depois assentiu. Ele sabia que minha decisão estava tomada, como sempre soubera. Eu não seria uma princesa que aguardava para ser salva. Eu não seria mais uma peça no jogo. Eu queria entender o poder que emanava de Andrei, não só por ele ser quem era, mas por algo que me puxava para ele, como uma força invisível.

— Tudo bem então, deixarei que conversem hoje e se ainda houver interesse partimos para a consolidação do noivado. — falou meu pai e eles assentiram enquanto Andrei me esticava a mão para ir até a varanda onde conversaríamos sozinhos.

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Comments

Andrea Freire

Andrea Freire

Já começando hj a leitura e gostando muito ❤️❤️

2025-03-25

0

Simone Silva

Simone Silva

parabéns autora pelo seu livro ❤️

2025-03-25

0

Taís

Taís

Començando a leitura

2025-03-27

0

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