Uma festa de noivado.

A manhã começou cedo e foi bem mal dormida, o sol filtrando-se pelas cortinas, enquanto eu me espreguiçava na cama sentindo o corpo relaxado, mas a mente ainda presa à noite anterior. Aylla. Aquela mulher tinha o dom de me deixar à beira da loucura, e sabia disso.

Sorri sozinho, passando a mão pelo rosto antes de finalmente me levantar. Vesti uma roupa casual, fiz minha higiene e saí do quarto, sentindo o cheiro de café fresco vindo do andar de baixo.

Quando desci, encontrei Aylla já sentada à mesa, um sorriso de canto nos lábios enquanto misturava o café.

— Bom dia. — ela provocou, os olhos brilhando de diversão.

Aproximei-me e me inclinei, deixando um beijo na lateral do seu rosto antes de sentar ao seu lado.

— Bom dia, princesa. Dormiu bem?

— Melhor que você, imagino — ela riu baixinho, me lançando um olhar travesso.

Revirei os olhos e servi-me de café, pegando um pedaço de pão recém-saído do forno.

— Vai continuar me provocando na frente da sua família? Ou posso ter um café da manhã tranquilo? Se seu pai acabar com o casamento por me matar eu não vou te deixar casar mais.

— Não estou fazendo nada, estou bem plena tomando meu café, e meu pai não vai te matar. — respondeu.

A maneira como arqueei a sobrancelha fez com que ela desviasse o olhar, mordendo o lábio para segurar um sorriso. Peguei sua mão sobre a mesa e acariciei seus dedos, sentindo o calor de sua pele.

O café seguiu leve, recheado de conversas tranquilas sobre a viagem e o tempo juntos ali. Até que Aylla ergueu os olhos para mim e, mordiscando um pedaço de pão, soltou:

— Depois do café, vamos sair para comprar as roupas para a festa do noivado.

Ergui o olhar para ela, minha xícara a meio caminho da boca.

— Noivado?

— Sim — ela sorriu. — As mulheres estavam comentando sobre fazermos algo oficial, reunir a família, os amigos… Parece uma ótima ideia, não acha?

Observei-a por um instante. Via o brilho nos olhos dela, a empolgação genuína. E se aquilo a fazia feliz, eu não tinha objeções.

— Acho uma ótima ideia.

Ela bateu palmas, animada. Mas logo me dei conta de outro detalhe.

— Espera… Isso significa que não vamos nos ver durante o dia?

— Isso mesmo, grandão. Vamos às compras, escolher vestidos, planejar detalhes… Vai levar um tempinho.

Bufei, não gostando nada da ideia. Mas antes que eu pudesse protestar, Antony apareceu e me lançou um olhar tranquilo.

— Não se preocupe, Andrei. Elas estarão bem acompanhadas. Aqui tudo corre bem.

Ainda não gostava da ideia de Aylla andando por aí sem mim, mas confiava em Antony.

Suspirei e voltei meu olhar para ela.

— Certo, mas não demore.

— Vou tentar — ela piscou.

— Ele pediu para que Aylla Mansur não demore? Ha, Ha, Há, que ilusão. — brincou Eymem e me fiz de desentendido.

Antes de sair, ela se inclinou e deixou um beijo em meu rosto, seu toque rápido e quente, e então saiu com as outras mulheres, deixando-me para trás com os homens, pronto para um dia que, sem ela, parecia muito menos interessante.

Assim que as mulheres deixaram a casa, a atmosfera no salão mudou completamente. A leveza das conversas sobre casamento e vestidos de festa foi substituída pelo peso dos negócios e dos perigos que rondavam.

Akif, sempre calmo, recostou-se na cadeira, cruzando os braços e lançando um olhar sério para os homens ao redor da mesa.

— Tivemos um problema recente — começou, sua voz firme e grave. — Uma de nossas cargas foi interceptada. Homens bem treinados, coordenados… Não foi um ataque comum.

Franzi o cenho analisando o rumo daquilo e Antony pergunto:

— O que foi levado?

— Armas. Algumas bem valiosas — Akif respondeu, olhando diretamente para Antony. — Ainda estamos rastreando quem está por trás disso, mas tenho meus suspeitos.

Antony passou a mão pelo rosto, claramente irritado.

— A Itália também anda agitada. Julio está virando tudo de cabeça para baixo atrás de Aylla.

Meu corpo ficou tenso instantaneamente, e minha mandíbula se contraiu.

— Por que diabos não me disseram isso antes? Achei que ele tinha desistido.

— Porque Aylla não pode saber — Antony respondeu com seu olhar afiado em mim. — Você a conhece. Ela não tem medo do perigo, e isso é um problema. Quando uma pessoa não teme o inimigo, ela se torna imprevisível. E eu não duvido que ela tentaria resolver isso sozinha.

Respirei fundo, controlando a raiva que queimava dentro de mim.

— E o que já sabemos sobre os movimentos dele?

— Ele não está deixando um rastro, ainda não conseguimos definir exatamente onde está escondido — Antony admitiu.

Akif assentiu.

— Por isso, precisamos agir rápido. Quanto mais tempo ele estiver solto, maior o risco.

Apertei os punhos. Julio era uma sombra do passado de Aylla, e eu não admitiria que ele sequer respirasse no mesmo ar que ela.

— Eu vou para a Itália — declarei.

Todos me olharam.

— Vou passar um tempo lá até descobrir onde esse desgraçado está. Ele quer a Aylla? Ótimo. Ele vai ter a mim no caminho.

Antony me observou por um momento antes de assentir.

— Vamos nos preparar para isso. Não podemos errar, como estamos caçando Vitto acreditamos que pegaremos os dois juntos, a obsessão por Rafaela e Aylla é antiga, e eles se uniram para destruir tudo que envolve elas, um Mansur, ou eles mesmos.

— Vitto ainda continuou falando demais? — questionou Eymem mostrando estar por dentro de tudo.

— Ele queria Rafaela e não aceitou o fato de ser trocado por Matheu, acha que devíamos colocar cabrestos nas meninas e as obrigar a fazer nossa vontade como a maioria dos homens da máfia faz. — finalizou meu sogro.

A tensão permaneceu no ar, mas todos sabíamos o que precisava ser feito. Esse jogo não era sobre esperar. Era sobre caçar antes de ser caçado.

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Comments

bete 💗

bete 💗

cada vez melhor.
não demore ❤️❤️❤️❤️❤️

2025-03-26

1

Renata

Renata

nossa tá ficando interessante

2025-03-28

0

Ver todos

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