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Eu tava trancada no meu quarto, jogada na cama com a cara enfiada no travesseiro, como se isso fosse apagar o que tinha acabado de rolar na garagem. Meu coração ainda tava disparado, o corpo quente, e, Meu Deus, o gosto do Rafael ainda tava na minha boca, me queimando como se eu tivesse engolido fogo. O beijo. Aquele beijo bruto, quente, com ele me apertando contra o peito como se quisesse me engolir inteira. Eu sentia o pulsar entre as coxas, as pernas tremendo de um jeito que eu não admitia nem pra mim mesma. “Clara, para com isso, foi só um impulso”, eu repetia na minha cabeça, mas quem eu tava querendo enganar? Meu corpo queria ele de novo, queria aquelas mãos fortes subindo por mim, rasgando minha roupa, me jogando na parede e me fodendo até eu esquecer meu nome. Mas minha cabeça gritava: “Erro, erro, erro!”. E o coração? Coitado, tava perdido no meio do caos, sem saber pra onde correr.
Tentei respirar fundo, sentar direito, qualquer coisa pra me distrair. Peguei o celular na mesinha com a mão trêmula, pensando em mandar um SOS pras meninas no grupo. “Gente, o Rafael me beijou e eu tô surtando, me ajudem!” — era mais ou menos isso que eu ia digitar. Mas antes que eu conseguisse, ouvi batidas na porta. Não era um “Clara, abre aí” fofinho, não. Era um toque firme, quase impaciente, que já dizia que ele não ia deixar aquele beijo morrer na garagem. Meu estômago embrulhou. Merda.
Levantei da cama, as pernas moles, e abri a porta com o coração na boca. Lá tava ele, o Rafael, sem camisa ainda — porque, né, o cara não facilitava —, o cabelo molhado pingando no peito, os músculos brilhando com as gotas d’água que eu queria lamber inteiras. A expressão dele era um fogo misturado com confusão, os olhos verdes cravados em mim como se eu fosse a porra do jantar dele. Ele não pediu licença, entrou direto, fechou a porta com um chute leve e foi na lata:
— A gente precisa falar sobre isso agora, Clara. Não dá pra fingir que não aconteceu.
Eu cruzei os braços, tentando bancar a durona, mas minha voz saiu tremida pra caralho. — Falar o quê, Rafael? Foi só um beijo, um impulso idiota. Não muda nada no contrato, tá? Vamos esquecer e seguir o plano.
Ele deu um passo pra frente, os punhos cerrados, o peito subindo rápido, e eu vi que ele tava abalado — o Rafael, o cara que era puro controle, tava com a mandíbula travada e os olhos queimando. — Você acha que eu beijo qualquer uma assim? — soltou ele, a voz grave me acertando em cheio. — Que eu perco a cabeça por nada? Me diz a verdade, Clara, porque eu não sei mais o que tô fazendo aqui.
Eu recuei um passo, sentindo o calor dele me engolir mesmo estando a metros de distância. — A verdade? Tá, Rafael, a verdade é que esse contrato foi ideia sua! Eu tô aqui pelo dinheiro, lembra? Um milhão de reais pra fingir ser sua esposa, não pra… pra isso! — Apontei pro espaço entre nós, mas minha voz falhou, e eu senti o rosto pegando fogo. — Mas, puta merda, aquele beijo… mexeu comigo mais do que eu queria, tá bom? Pronto, falei!
Ele parou, os olhos arregalados por um segundo, como se eu tivesse acendido um fósforo num barril de pólvora. Aí ele veio pra cima, rápido demais, me encurralando contra a parede com um braço apoiado do lado da minha cabeça. O calor do corpo dele me envolveu, o cheiro dele — sabonete caro e algo puro Rafael — me deixando tonta. Ele tava perto, perto pra caralho, o peito nu quase roçando nos meus peitos, e eu senti ele duro contra a minha coxa, a calça de moletom não escondendo nada. Meu Deus, eu queria subir as mãos por aquele peito, enfiar as unhas na pele dele, puxar ele pra mim e deixar ele me foder ali mesmo, contra a parede, até eu gritar o nome dele.
— Mexeu comigo também, Clara — disse ele, baixo, a voz rouca me arrepiando inteira. — Você acha que eu não senti você tremendo na minha mão? Que eu não vi você querendo mais? — Ele desceu o olhar pro meu corpo, e eu juro que senti os olhos dele me despindo. — Me diz que eu tô errado, e eu saio agora.
Eu abri a boca, mas não saiu nada. Porque ele não tava errado. Eu queria ele, queria aquela boca na minha de novo, aquelas mãos me apertando, aquele pau duro me preenchendo até eu não aguentar mais. Mas antes que eu pudesse ceder, o celular dele tocou, alto pra caralho, quebrando o clima como um balde de água gelada. Ele xingou baixo, pegou o aparelho no bolso da calça e atendeu com um “Que foi?” seco.
Era a assessoria. Eu ouvi pedaços da conversa enquanto tentava respirar direito: “Nova matéria… foto antiga… o passado da senhora Albuquerque… o senhor Albuquerque quer vocês aqui agora”. Meu estômago despencou. O Felipe. Aquele filho da puta tinha vazado uma foto minha com ele, de anos atrás, provavelmente do tempo que a gente namorava, com uma legenda venenosa pra ferrar com tudo. O escândalo tava explodindo, e o tubarão já tava chamando pro abate.
Rafael desligou o celular, jogou ele na cama e me encarou, o fogo nos olhos agora misturado com urgência. — A mídia pegou uma foto sua com o Felipe. Meu pai quer a gente no escritório dele agora. Pega suas coisas, a gente precisa montar uma estratégia.
...****************...
Chegamos no escritório do senhor Albuquerque na Avenida Paulista, o prédio espelhado parecendo mais uma guilhotina do que nunca. Ele tava lá, sentado atrás da mesa gigante, a foto na mão — eu e o Felipe, sorrindo num churrasco anos atrás, com a legenda “O passado da senhora Albuquerque” escrita em letras garrafais numa revista aberta ao lado. O sorriso dele era frio, cortante, e ele nem esperou a gente sentar pra mandar:
— Expliquem isso, agora.
Eu abri a boca, o coração na garganta. — Senhor Albuquerque, isso é do passado, eu…
— Pai, deixa eu falar — cortou Rafael, firme, me puxando pra trás com um toque no braço que me fez engolir o resto das palavras. — Clara tinha uma vida antes de mim, como todo mundo. Essa foto é antiga, de um namoro que acabou anos atrás. Se a mídia quer usar isso pra criar drama, problema deles. O que importa é que ela me escolheu, e eu a escolhi, por amor, não por conveniência. O passado dela só prova que ela não correu atrás de dinheiro — ela correu atrás de mim.
Eu pisquei, surpresa. Meu Deus, ele era bom nisso. O senhor Albuquerque ficou quieto, girando a caneta na mão, os olhos indo de mim pro Rafael. Aí ele riu, baixo e seco. — Amor, é? Vocês são bons atores, eu dou isso. Mas eu não gosto de surpresas, Rafael. Vocês têm uma semana pra limpar essa bagunça, ou eu acabo com esse circo de vocês. Fora daqui.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Cicera Santos
Quando achei que ia pegar fogo,o celular interrompe, amando cada capítulo
2025-03-23
1
Walderez Custódio
pensei no fogo🔥
2025-04-04
0