A porta bateu atrás do Rafael, e eu fiquei ali, plantada no meio da sala, segurando aquele cartão de visitas como se fosse uma bomba-relógio. O silêncio do apartamento parecia gritar nos meus ouvidos, só quebrado pelo barulhinho da chuva lá fora e pelo meu coração que tava disparado igual cavalo de corrida. Um milhão de reais. Um ano. Um casamento de mentira. Meu Deus, o que tava acontecendo com a minha vida?
Sentei no sofá — aquele mesmo sofá velho que o Rafael tinha olhado com cara de nojo — e joguei o cartão na mesinha de centro. Fiquei encarando ele por uns bons minutos, como se o pedaço de papel fosse me dar alguma resposta mágica. Mas nada. Só o nome dele em letras douradas: Rafael Albuquerque e um número de telefone. Nem um “por favor” ou “obrigado” no jeito que ele falou. O cara era direto como um tiro, e eu ainda tava tentando processar tudo.
Peguei o celular e abri o grupo das minhas amigas no WhatsApp. Eu precisava de alguém pra me ajudar a botar a cabeça no lugar, porque sozinha eu tava começando a surtar.
“Gente, vcs não vão acreditar no que acabou de acontecer. Um bilionário apareceu aqui em casa e me ofereceu UM MILHÃO pra casar com ele por um ano. Tipo, um contrato. Eu faço o quê???”
Nem dois segundos depois, a Mari — minha melhor amiga desde a época da faculdade — respondeu com um monte de emojis de olhos arregalados e um “QUÊ?????”. Logo em seguida, a Bia, que é mais calma mas sempre tem um pé atrás com tudo, mandou: “Clara, isso tá parecendo golpe. Quem é esse cara?”. E a Lu, que vive no mundo da lua, só escreveu: “Casa logo e me leva pra lua de mel, kkkk”.
Eu ri, mas foi um riso nervoso. Expliquei rapidinho quem era o Rafael Albuquerque e o que ele tinha falado. A Mari logo mandou áudio: “Amiga, UM MILHÃO? Você tá esperando o quê pra dizer sim? Sai desse buraco, paga suas contas, dá um pé na bunda da vida que o Felipe te deixou e ainda sai por cima! Esse cara é gato, rico e tá te dando a chance de ouro!”. A Bia, desconfiada como sempre, retrucou: “Tá, mas e se ele for um psicopata? Ou se tiver um esquema esquisito por trás? Clara, pensa bem antes de assinar qualquer coisa”.
E foi aí que eu travei. Elas tinham razão, as duas. Um milhão de reais era o tipo de dinheiro que eu nunca ia ver na vida se continuasse do jeito que tava — correndo atrás de matéria pro jornal, ganhando um salário mixuruca e chorando por um noivo que já tava dando em cima de outra. Mas, ao mesmo tempo, casar com um estranho? Fingir ser a esposa perfeita de um cara que parecia mais um iceberg humano do que um marido? E se ele fosse mesmo um maluco? Ou pior, e se eu acabasse me envolvendo de verdade e saísse disso com o coração mais quebrado ainda?
Passei o resto da tarde andando de um lado pro outro no apartamento, com o celular na mão e o cartão do Rafael me encarando da mesinha. Tentei ligar pra minha mãe pra pedir conselho, mas caiu na caixa postal — ela tava viajando com o novo namorado e provavelmente nem ia acreditar numa história dessas. Então, fiz o que qualquer pessoa sensata faria: abri uma garrafa de vinho barato que tava guardada na geladeira e coloquei uma série idiota na TV pra tentar desligar o cérebro.
Mas não adiantou. Enquanto o vinho descia e a série rolava, eu só conseguia pensar na proposta dele. Um milhão de reais podia resolver tudo. Eu podia até largar o jornal, abrir meu próprio blog, viajar pra algum lugar bem longe pra esquecer o Felipe… Mas e o Rafael? Será que eu aguentava um ano inteiro com aquele cara? Ele era lindo, sim, mas tinha um jeito de olhar pra mim como se eu fosse um problema que ele precisava resolver. Nada de calor, nada de simpatia. Só negócios.
Quando o relógio marcou meia-noite, eu já tava meio tonta do vinho e com a cabeça a mil. Peguei o cartão de novo e digitei o número dele no celular. Meus dedos tremiam enquanto eu escrevia a mensagem: “Tá, eu topo. Mas quero ver esse contrato antes de assinar qualquer coisa. Me encontra amanhã?”. Apertei o enviar antes que eu pudesse mudar de ideia e joguei o celular no sofá como se ele tivesse me mordido.
Não demorou nem cinco minutos pra resposta chegar. Uma mensagem curta, seca, típica dele: “Amanhã, 10h, no meu escritório. Te mando o endereço. Não se atrase”. Meu estômago embrulhou. Pronto, agora não tinha mais volta.
Deitei na cama, mas o sono não vinha. Fiquei olhando pro teto, imaginando como seria essa vida de “esposa de mentira”.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
boludin amo a shiro
Não consigo parar de pensar no que vai acontecer, por favor atualize logo.
2025-03-21
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