Capítulo 8: As Amigas do Resgate

Eu tava jogada no sofá da sala do Rafael — sim, eu já tava começando a me aventurar pra fora do meu quarto, porque ficar trancada lá tava me dando nos nervos. O evento da empresa que ele mencionou tava a dois dias de distância, e eu ainda não fazia ideia de como ia sobreviver a mais uma noite fingindo ser a esposa perfeita. O jantar com o pai dele já tinha sido um teste de resistência, e agora eu ia ter que encarar um monte de gente rica da empresa, todos me olhando torto como se eu fosse uma invasora. Meu Deus, eu precisava de um respiro.

Peguei o celular e abri o grupo das amigas no WhatsApp. A Mari, a Bia e a Lu tavam quietas desde meu último “surto em 3, 2, 1” depois do casamento no cartório, mas eu sabia que elas tavam loucas pra saber mais. E, pra ser honesta, eu tava morrendo de saudade delas. Essas meninas eram meu porto seguro, minha âncora no meio desse caos todo. Então, resolvi jogar um pedido de socorro no ar.

“Gente, SOS. Tô surtando aqui no apê do Rafael. Podem vir me salvar hoje à noite? Tragam vinho e pizza, pelo amor de Deus.”

Não deu nem um minuto pra Mari responder com um “EU SABIA QUE VOCÊ IA CHAMAR A GENTE, TÔ INDO” em caps lock, como se ela tivesse gritando do outro lado da cidade. A Bia mandou um “Tá, mas só se você contar tudo com detalhes. E eu levo o vinho, porque você só compra coisa barata”. E a Lu, como sempre no mundo da lua, escreveu: “Pizza de quê? E posso levar meu baralho pra gente jogar tarot depois?”. Eu ri sozinha, sentindo um alívio que eu não sabia que precisava. Essas três eram minha salvação.

Respondi rapidinho: “Valeu, meninas. Pizza de calabresa, Lu, e pode trazer o tarot sim. Cheguem às 19h, antes que o Rafael volte e me veja surtando de vez.” Coloquei o celular no colo e fiquei olhando pro teto da sala — um teto chique pra caramba, com luzes embutidas que eu nem sabia como acender direito. Pelo menos por uma noite eu ia ter um pedacinho da minha vida normal de volta.

O dia passou voando enquanto eu tentava arrumar o apartamento pra receber as meninas. Não que precisasse de muita coisa — o lugar já era impecável, tipo um showroom de revista de decoração —, mas eu joguei umas almofadas no sofá pra deixar mais aconchegante e abri a janela pra tirar aquele cheiro de “casa de rico” que parecia impregnado no ar. O Rafael tinha saído cedo pra alguma reunião, então eu tinha o castelo de gelo só pra mim.

Quando o interfone tocou às 18h55, meu coração deu um pulinho de alegria. O porteiro — um cara diferente do Seu Zé, mas igualmente sério — avisou: “Senhora Albuquerque, suas visitas chegaram.” Eu quase ri do “senhora Albuquerque”, mas disse pra liberar a entrada e corri pra abrir a porta.

A Mari foi a primeira a entrar, com uma energia que parecia iluminar o lugar todo. Ela tava com uma bolsa gigante pendurada no ombro e uma caixa de pizza na mão, gritando: “Clara, sua rica, onde você tava com a cabeça escondendo esse palácio da gente?”. Atrás dela veio a Bia, segurando duas garrafas de vinho tinto e me olhando com cara de “explica isso direito”, e por último a Lu, com uma bolsa de veludo roxa e um sorriso avoado, já tirando o baralho do bolso como se fosse começar o tarot ali na porta.

— Meninas, vocês não sabem como eu tava precisando disso — falei, abraçando cada uma delas com força. A Mari retribuiu com um apertão que quase me quebrou uma costela, a Bia deu um tapinha nas minhas costas tipo “calma lá”, e a Lu me abraçou como se fosse um koala, toda molenga.

— Tá, agora senta aqui e conta tudo desde o começo, porque eu ainda não acredito que você casou com um bilionário por contrato — disse a Mari, jogando a pizza na mesinha de centro e se jogando no sofá como se fosse a dona do lugar.

Eu ri, peguei uns copos na cozinha — copos chiques que eu tinha medo de quebrar — e voltei pra sala enquanto a Bia abria o vinho. — Então, foi assim — comecei, sentando no chão pra ficar mais à vontade. — O Rafael apareceu do nada no meu apê velho, ofereceu um milhão pra eu ser a esposa dele por um ano, e eu, que tava no fundo do poço, disse sim. Aí a gente casou no cartório, eu me mudei pra cá, e ontem eu conheci o pai dele num jantar que quase me matou de nervoso.

A Mari arregalou os olhos e deu um gole no vinho. — Meu Deus, Clara, isso é tipo novela das nove! E o pai dele, é tão assustador quanto dizem?

— Pior — respondi, pegando um pedaço de pizza. — O cara é um tubarão, como o Rafael falou. Me olhou como se soubesse que eu sou uma farsa. Mas o Rafael disse que eu me saí bem, então… acho que sobrevivi.

A Bia, que tava quieta até então, cruzou os braços e me encarou. — Tá, mas e você, Clara? Como você tá lidando com isso? Casar com um estranho, morar num lugar que não é seu… Não é só sobre o dinheiro, né?

Eu suspirei. — Não é, Bia. Eu tô tentando me convencer que é só um trabalho, sabe? Um ano, um milhão, e depois eu recomeço. Mas às vezes eu olho pra esse lugar, pro Rafael, e penso: o que eu tô fazendo aqui? Eu não sou essa pessoa.

A Lu, que tava mexendo nas cartas do tarot, levantou os olhos pra mim com aquele jeito dela, meio místico. — Clara, o universo te colocou aqui por um motivo. Talvez não seja só o dinheiro. Talvez você precise aprender algo com esse cara gelado.

— Aprender o quê, Lu? A ser fria como ele? — retruquei, rindo de leve, mas com um fundo de verdade.

— Não sei — disse ela, embaralhando as cartas. — Vamos tirar uma pra você agora e ver o que sai.

A Mari bateu palma, animada. — Isso, Lu, faz o tarot dela! Eu quero saber se ela vai virar a rainha desse castelo ou se vai sair correndo com o milhão na mão!

A Lu puxou uma carta e virou na mesinha: era o “Enamorado”. Ela sorriu, misteriosa. — Escolhas, Clara. Você tá num cruzamento. O que você vai escolher? O coração ou a razão?

Eu revirei os olhos, mas não consegui não rir. — Tá, Lu, muito bonito, mas eu escolhi o milhão, não o Rafael. Isso aqui é só negócios.

— Sei lá, hein — disse a Mari, me cutucando com o pé. — Ele é gato pra caramba, Clara. Vai que você acaba gostando do iceberg?

— Nem ferrando — respondi, rindo, mas sentindo um calafrio esquisito. Gostar do Rafael? Impossível. O cara era um robô em forma de gente.

A noite foi passando com mais pizza, mais vinho e muitas risadas. A Bia me fez prometer que ia tomar cuidado com o Rafael e o pai dele, a Mari inventou mil planos pra eu gastar o milhão quando tudo acabasse, e a Lu leu o tarot pra todas nós, prevendo que a Mari ia “encontrar um amor avassalador” e que a Bia ia “lutar contra sombras do passado”. No fim, elas foram embora lá pras onze, me deixando com um quentinho no peito que eu não sentia há dias.

Capítulos
1 Capítulo 1: A Proposta que Muda Tudo
2 Capítulo 2: A Linha do Sim
3 Capítulo 3: O Escritório do Rei
4 Capítulo 4: O Dia do "Sim" de Mentirinha
5 Capítulo 5: A Primeira Noite no Castelo de Gelo
6 Capítulo 6: O Jantar do Tubarão
7 Capítulo 7: Meu Passado
8 Capítulo 8: As Amigas do Resgate
9 Capítulo 9: O Segredo do Iceberg
10 Capítulo 10: O Evento da Firma
11 Capítulo 11: O Fantasma do Passado
12 Capítulo 12: O Confronto no Castelo de Gelo
13 Capítulo 13: O Brunch dos Ricos
14 Capítulo 14: O Outro Lado do Iceberg
15 Capítulo 15: O Circo e o Skate
16 Capítulo 16: As Amigas e o Surto Coletivo
17 Capítulo 17: O Beijo que Não Era Pra Acontecer
18 Capítulo 18: O Fogo que Não Apaga
19 Capítulo 19: O Caos que Não Para
20 Capítulo 20: A Bomba Chamada Isabela
21 Capítulo 21: O Lado Leve do Iceberg
22 Capítulo 22: O Circo Pegando Fogo
23 Capítulo 23: O Ponto Sem Volta
24 Capítulo 24: A Jogada da Isabela e a Chegada das Salvadoras
25 Capítulo 25: O Contra-Ataque
26 Capítulo 26: O Dia do Tudo ou Nada
27 Capítulo 27: A Ressaca do Triunfo
28 Capítulo 28: O Tombo dos Vilões e a Chegada da Mãe
29 Capítulo 29: O Confronto com Dona Lúcia
30 Capítulo 30: O Café com a Mãe e o Novo Começo
31 Capítulo 31: O Jantar da Paz
32 Capítulo 32: O Chá de Atualização com as Meninas
33 Capítulo 33: O Rolê das Meninas e o Arroz da Redenção
34 Capítulo 34: A Carta Que Mudou Tudo
35 Capítulo 35: A Verdade na Cara do Monstro
36 Capítulo 36: Cruzando o Oceano pela Verdade
37 Capítulo 37: A Mãe Reencontrada
38 Capítulo 38: Libertando Ana
39 Capítulo 39: O Domingo do Recomeço
40 Capítulo 40: Epílogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 40

1
Capítulo 1: A Proposta que Muda Tudo
2
Capítulo 2: A Linha do Sim
3
Capítulo 3: O Escritório do Rei
4
Capítulo 4: O Dia do "Sim" de Mentirinha
5
Capítulo 5: A Primeira Noite no Castelo de Gelo
6
Capítulo 6: O Jantar do Tubarão
7
Capítulo 7: Meu Passado
8
Capítulo 8: As Amigas do Resgate
9
Capítulo 9: O Segredo do Iceberg
10
Capítulo 10: O Evento da Firma
11
Capítulo 11: O Fantasma do Passado
12
Capítulo 12: O Confronto no Castelo de Gelo
13
Capítulo 13: O Brunch dos Ricos
14
Capítulo 14: O Outro Lado do Iceberg
15
Capítulo 15: O Circo e o Skate
16
Capítulo 16: As Amigas e o Surto Coletivo
17
Capítulo 17: O Beijo que Não Era Pra Acontecer
18
Capítulo 18: O Fogo que Não Apaga
19
Capítulo 19: O Caos que Não Para
20
Capítulo 20: A Bomba Chamada Isabela
21
Capítulo 21: O Lado Leve do Iceberg
22
Capítulo 22: O Circo Pegando Fogo
23
Capítulo 23: O Ponto Sem Volta
24
Capítulo 24: A Jogada da Isabela e a Chegada das Salvadoras
25
Capítulo 25: O Contra-Ataque
26
Capítulo 26: O Dia do Tudo ou Nada
27
Capítulo 27: A Ressaca do Triunfo
28
Capítulo 28: O Tombo dos Vilões e a Chegada da Mãe
29
Capítulo 29: O Confronto com Dona Lúcia
30
Capítulo 30: O Café com a Mãe e o Novo Começo
31
Capítulo 31: O Jantar da Paz
32
Capítulo 32: O Chá de Atualização com as Meninas
33
Capítulo 33: O Rolê das Meninas e o Arroz da Redenção
34
Capítulo 34: A Carta Que Mudou Tudo
35
Capítulo 35: A Verdade na Cara do Monstro
36
Capítulo 36: Cruzando o Oceano pela Verdade
37
Capítulo 37: A Mãe Reencontrada
38
Capítulo 38: Libertando Ana
39
Capítulo 39: O Domingo do Recomeço
40
Capítulo 40: Epílogo

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