O Segredo que Pode Destruir

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O silêncio dentro do apartamento de Kiet era pesado, sufocante.

O cheiro de sangue ainda pairava no ar.

Pak tentava manter a calma, mas seu coração martelava contra o peito.

Ele observava Kiet sentado no chão, os olhos perdidos em algum ponto do nada, os punhos cerrados.

A cena da briga ainda rodava em sua cabeça.

Kiet foi brutal. Rápido. Impiedoso.

O Kiet que Pak conhecia…

Seria o mesmo que quase matou alguém hoje?

Pak engoliu seco.

Ele precisava de respostas.

— Você nunca me contou sobre isso.

Kiet ergueu os olhos lentamente.

— Sobre o quê?

Pak apontou para a destruição ao redor.

— Sobre essa… raiva. Sobre o que você pode fazer.

Kiet fechou os olhos, passando a mão pelos cabelos.

— Eu não queria que você soubesse.

— Mas agora eu sei.

Pak olhou com firmeza, sentindo a pressão do momento pesar sobre ele.

Ele não podia mais ignorar a verdade.

Então se aproximou.

— Me diz a verdade, Kiet.

O vampiro ficou em silêncio por um momento.

Pak sentiu seu peito apertar.

— Além de um vampiro, O que você realmente é?

Kiet desviou o olhar.

Por um instante, Pak viu culpa em seus olhos.

Então, finalmente, ele começou a falar.

— Eu não sou apenas um vampiro, Pak.

Pak franziu a testa.

— Como assim?

Kiet respirou fundo.

— Você já viu o que Pich pode fazer. O quão rápido ele é, o quão forte.

Pak assentiu lentamente.

— Mas eu sou diferente dele.

O silêncio se alongou.

— Eu fui… criado para ser algo mais.

Pak sentiu um arrepio.

— Criado?

Kiet assentiu, hesitante.

— Existem vampiros que nascem assim. E existem os que são criados artificialmente.

Pak arregalou os olhos.

— Criados?!

Kiet desviou o olhar.

— Experimentos.

Pak sentiu seu corpo gelar.

A ideia de alguém transformar uma pessoa em um monstro era assustadora.

Mas Kiet…

Ele não era um monstro.

Pak se ajoelhou na frente dele.

— Quem fez isso com você?

Kiet hesitou.

— Eu não posso te contar isso.

Pak trincou os dentes.

— Por quê?

— Porque se souber demais, você também vai estar em perigo.

Pak passou a mão pelo rosto, frustrado.

— Você acha que eu já não estou?!

Kiet ficou em silêncio.

Pak estava certo.

Depois do que aconteceu com Pich, ele já estava envolvido.

Gostando ou não.

A tensão entre os dois foi interrompida pelo toque insistente do celular de Pak.

Ele pegou o aparelho e viu o nome de Nat na tela.

— Nat?

— Pak! Onde você tá?! — A voz do amigo estava desesperada.

Pak franziu a testa.

— O que aconteceu?

— Sara…

O coração de Pak apertou.

— Ela desapareceu!

Kiet levantou a cabeça na mesma hora.

— Como assim desapareceu?!

— Ela me mandou uma mensagem dizendo que tinha alguém seguindo ela! E agora… ela não atende mais!

O sangue de Pak gelou.

— Você chamou a polícia?

— Sim, mas… Pak, eu tô com um pressentimento ruim.

Pak sentiu seu corpo inteiro tenso.

Ele olhou para Kiet.

E então, uma certeza surgiu.

— Foi Pich.

O nome do vampiro saiu como veneno da boca de Pak.

Kiet se levantou num salto.

— Onde foi que ela desapareceu?

— Perto da faculdade. No estacionamento.

Pak trocou um olhar rápido com Kiet.

O vampiro pegou as chaves do carro.

— Vamos.

E eles partiram.

A Ferrari vermelha rasgava a cidade.

Pak segurava o celular com força, esperando que Sara atendesse a qualquer momento.

Nada.

O medo crescia dentro dele.

Ao lado, Kiet dirigia com os olhos fixos na estrada, os músculos tensos.

— Você tem certeza que foi Pich? — Pak perguntou.

Kiet apertou o volante.

— Se alguém da nossa espécie estivesse atrás dela, eu sentiria o cheiro. Mas… não senti nada até agora.

Pak ficou em silêncio por um instante.

Se não foi Pich… então quem?

— E se for alguém pior? — ele murmurou.

Kiet não respondeu.

Mas no fundo…

Ele temia que Pak estivesse certo.

O estacionamento estava deserto quando eles chegaram.

O lugar estava mal iluminado, e o som do vento assobiava entre os carros.

Pak e Kiet saíram do carro rapidamente.

Nat já estava lá, andando de um lado para o outro, desesperado.

— Nat! — Pak correu até ele. — Alguma novidade?

O amigo sacudiu a cabeça.

— Nada! Eu tentei ligar um milhão de vezes, mas o celular dela tá desligado!

Kiet fechou os olhos, inspirando fundo.

Ele farejou o ar.

Pak e Nat observaram em silêncio.

Por fim, Kiet abriu os olhos.

— Tem algo errado.

Pak sentiu um frio na espinha.

— O quê?

Kiet olhou ao redor.

— Não há cheiro de ninguém aqui.

Pak e Nat trocaram um olhar confuso.

— Como assim? — Nat perguntou.

— Se alguém seguiu Sara… deveria ter vestígios. Mas é como se ela tivesse desaparecido no ar.

O silêncio se tornou aterrorizante.

Pak olhou ao redor, tentando encontrar qualquer pista.

Nada.

Ele sentiu seu coração bater forte.

— Então… O que aconteceu com ela?

Kiet manteve o olhar fixo no estacionamento vazio.

A resposta que ele temia passou por sua mente.

Alguém… ou algo… levou Sara.

E não deixou nenhum rastro.

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