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Pak sabia que deveria esquecer Kiet.
Mas como ele poderia fazer isso quando o vampiro já estava cravado em sua pele, em sua mente, no seu próprio desejo?
Era impossível.
E naquela noite, com a cidade envolta em um silêncio sombrio, Pak soube que não conseguiria mais resistir.
A noite estava fria, e o vento cortava as ruas vazias. As luzes dos postes piscavam de forma errática, como se tentassem alertá-lo para algo que seu coração já sabia.
Pak caminhava sem rumo, as mãos nos bolsos, tentando ignorar a sensação incômoda que se instalava em sua pele.
Ele sabia.
Sentia uma presença próxima, algo que fazia seu corpo reagir antes mesmo que sua mente processasse.
E então, ele ouviu.
— Você é imprudente.
A voz rouca e baixa veio de trás dele, carregada de exasperação.
Pak se virou devagar, seu coração martelando forte contra as costelas.
Kiet estava ali, meio encostado em um poste, os olhos dourados brilhando sob a luz fraca.
Ele usava roupas escuras, a jaqueta de couro aberta, revelando um pedaço da clavícula pálida. Perigoso. Letal.
Lindo.
Pak sentiu o corpo reagir antes mesmo de falar.
— E você é covarde — ele rebateu, dando um passo à frente. — Vai fugir de novo?
Kiet suspirou, passando a mão pelos cabelos, como se estivesse cansado de lutar contra algo invisível.
— Eu deveria.
— Então por que não está?
O silêncio entre eles era carregado, uma tensão quase elétrica pulsava no ar.
Até que Kiet se moveu.
Pak mal teve tempo de reagir.
Em um instante, Kiet estava perto demais, o rosto inclinado sobre o dele, os olhos escuros, intensos.
— Você não entende, Pak — Kiet murmurou, e havia algo de sombrio em sua voz. — Eu sou um vampiro. E você…
Pak não recuou.
— Eu o quê?
Kiet fechou os olhos por um segundo, como se estivesse tentando recuperar o controle.
Mas então, algo dentro dele cedeu.
Ele segurou o rosto de Pak e o beijou.
Dessa vez, não houve hesitação.
O beijo foi intenso, desesperado, carregado de tudo o que ambos estavam tentando evitar há tempo demais.
Os lábios frios de Kiet contrastavam com o calor dos de Pak. As línguas se encontraram, e um arrepio percorreu todo o corpo de Pak, fazendo-o se agarrar ao casaco de Kiet como se estivesse à beira de um precipício.
Era insano.
E era viciante.
Kiet o pressionou contra a parede do beco, suas mãos deslizando pela cintura de Pak, segurando-o firme, como se tivesse medo de que ele desaparecesse.
Pak deixou escapar um suspiro entrecortado quando os dedos de Kiet roçaram sua pele sob a camisa. Era intenso. Avassalador.
O desejo queimava entre eles, uma chama proibida que ameaçava consumir tudo ao redor.
Os beijos ficaram mais profundos. Mais intensos.
Pak passou os dedos pelo cabelo macio de Kiet, puxando-o ainda mais para perto.
E foi nesse instante que ele sentiu.
Uma pontada de dor suave, quase imperceptível, nos lábios.
Kiet parou.
Bruscamente.
Seus olhos estavam arregalados, os lábios entreabertos, os dedos ainda cravados na cintura de Pak.
Pak levou a mão até a boca, confuso. Sentia um formigamento estranho. Como se ainda pudesse sentir Kiet ali.
Mas então, quando olhou para os dedos…
Havia sangue.
Seu próprio sangue.
Pak sentiu um arrepio gelado subir por sua espinha.
E Kiet, parado à sua frente, parecia aterrorizado.
Ele deu um passo para trás. Depois outro.
— Eu avisei — sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Antes que Pak pudesse reagir, Kiet desapareceu na escuridão.
De novo.
Pak ficou parado ali, o peito subindo e descendo rapidamente, o gosto metálico ainda em sua boca.
E agora ele sabia.
Não havia mais volta.
Ele estava mergulhando no abismo.
E Kiet estava caindo com ele.
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Atualizado até capítulo 45
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