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A varanda estava silenciosa, a única coisa que se ouvia era a respiração acelerada dele e de Kiet.
Eles estavam perto demais.
O frio da pele de Kiet contrastava com o calor de Pak, criando uma sensação viciante. O cheiro dele, um misto de algo amadeirado e levemente metálico, envolvia Pak de uma forma que o deixava atordoado.
O coração de Pak martelava forte no peito.
Ele queria mais.
Mas então, Kiet se afastou.
Rápido, como se tivesse sido queimado.
Seus olhos dourados estavam dilatados, cheios de um desejo intenso e algo mais…
Medo.
— Isso… não pode continuar — Kiet disse, a voz rouca, baixa.
Pak piscou, confuso.
Ele sentia o próprio corpo ainda tremendo, a pele quente onde Kiet o havia tocado.
— Por quê? — a pergunta escapou antes que pudesse se conter.
Kiet passou a língua pelos lábios, parecendo inquieto. Ele olhou para o chão por um momento, os punhos cerrados ao lado do corpo.
— Porque eu sou um vampiro — Kiet respondeu, finalmente, os olhos encontrando os de Pak de novo. — E você não entende o que isso significa.
Pak respirou fundo.
Ele já sabia o que Kiet era. Ele sabia que se envolver com ele era perigoso.
Mas, naquele momento, nada disso parecia importar.
Porque quando Kiet o beijou, ele não sentiu medo.
Sentiu vida.
— Então me faça entender — Pak disse, a voz firme.
Kiet soltou um suspiro pesado e passou a mão pelos cabelos, claramente lutando contra si mesmo.
Por fim, sem dizer mais nada, ele deu um passo para trás… e em um piscar de olhos, desapareceu na noite.
Pak ficou ali, sozinho, sentindo que algo dentro dele havia mudado.
Algo que não tinha mais volta.
Os dias seguintes foram um verdadeiro tormento.
Kiet sumiu.
Pak não o viu mais no campus, nem no refeitório, nem em lugar nenhum. Era como se ele tivesse evaporado da face da Terra.
E isso o deixava louco.
— Você tá agindo como um adolescente apaixonado — Nat comentou, enquanto estavam na biblioteca.
Pak bufou, virando a página do livro à sua frente sem realmente ler nada.
— Eu não estou apaixonado.
Nat ergueu uma sobrancelha.
— Não? Então por que você fica olhando pro nada com essa cara de cachorro abandonado toda vez que acha que ninguém tá vendo?
Pak jogou a caneta na mesa, irritado.
— Ele simplesmente sumiu. Sem explicação.
— Talvez seja melhor assim — Nat disse, dando de ombros. — Esse cara não me passa confiança, Pak.
Pak queria discutir, mas sabia que seu amigo tinha razão.
Ainda assim…
Ele não conseguia parar de pensar em Kiet.
E foi por isso que, naquela noite, tomou uma decisão impulsiva.
Ele ia procurá-lo.
Pak não sabia exatamente onde Kiet morava, mas sabia que ele costumava frequentar um bar no centro da cidade.
Então, foi para lá.
O lugar era discreto, quase escondido entre dois prédios antigos. As luzes eram baixas, o som da música era envolvente, e a clientela era… diferente.
Pak sentiu um arrepio na espinha ao perceber que havia mais vampiros ali.
Ele se sentou no balcão, pedindo um drink apenas para parecer casual. Seus olhos escaneavam o local, procurando por ele.
E então, ele o viu.
Kiet estava encostado em uma das paredes escuras do bar, mas ele não estava sozinho.
Uma mulher estava próxima a ele, muito próxima.
Pak sentiu o estômago revirar ao vê-la tocar o peito de Kiet com as unhas longas e afiadas. Ela sussurrou algo em seu ouvido, e Kiet sorriu…
Mas não era um sorriso verdadeiro.
Era um jogo.
Pak não conseguia desviar o olhar.
Foi então que Kiet levantou a cabeça e o viu.
Os olhos dourados brilharam por um instante.
E Pak viu algo mudar no rosto dele.
Kiet afastou a mulher de um jeito quase brusco e começou a andar em sua direção.
O coração de Pak disparou.
Ele deveria sair dali.
Ele deveria fugir.
Mas não conseguiu.
Porque ele queria Kiet ali.
E Kiet parou bem à sua frente, os olhos queimando os dele.
— Você não deveria estar aqui — Kiet murmurou.
Pak ergueu o queixo, desafiador.
— E você deveria?
O ar ao redor deles parecia pesado, carregado de algo indizível.
E então, sem aviso, Kiet segurou o braço de Pak e o puxou para fora do bar.
A noite estava fria, mas o corpo de Pak estava pegando fogo.
— O que diabos você está fazendo aqui, Pak? — Kiet perguntou, a voz cheia de tensão.
Pak arrancou o braço da mão dele.
— Procurando você.
Kiet passou as mãos pelo rosto, como se estivesse lutando contra si mesmo.
— Você não entende o que está fazendo.
— Então me explica! — Pak exclamou, sentindo a frustração transbordar.
Kiet parou.
Os olhos dele estavam escuros, intensos.
— Eu estou tentando te proteger — ele disse, a voz mais baixa agora. — De mim.
Pak sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
O silêncio entre os dois foi avassalador.
Então, Kiet deu um passo para trás.
E mais um.
Até que sumiu na escuridão.
De novo.
Pak sentiu o peito apertar.
Porque ele sabia que, por mais que tentasse resistir…
Ele já estava caindo no abismo.
E o pior?
Kiet também estava.
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Atualizado até capítulo 45
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