Sombras da Eternidade
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A noite estava fria e úmida, e a névoa densa que pairava sobre a cidade abafava as luzes artificiais, dando à paisagem um tom fantasmagórico. A Universidade Kasetsart se erguia majestosa no centro de Bangkok, seu campus iluminado por postes amarelados que lançavam sombras alongadas no chão de concreto.
Kiettisak "Kiet" Thakral saiu da biblioteca, ajustando a gola do casaco preto. Seu olhar penetrante e postura impecável chamavam atenção naturalmente. Sua pele pálida contrastava com os cabelos negros ligeiramente desalinhados, e os olhos, de um castanho quase dourado, brilhavam sob a luz fraca da noite. Ele passou os dedos pela bolsa de couro que carregava, cheia de anotações sobre anatomia e fisiologia, tentando se concentrar nos estudos.
Mas havia algo errado naquela noite.
Ele sentiu antes mesmo de ver. O cheiro. Sangue.
Atravessando a alameda arborizada do campus, Kiet prendeu a respiração. Seu coração — se é que ainda podia chamá-lo assim — acelerou. O aroma metálico e quente atingiu seus sentidos com uma força inebriante. Ele já havia passado meses se controlando, mantendo sua sede sob controle. Mas aquele cheiro…
Kiet virou a esquina rapidamente e encontrou a origem do aroma.
Um jovem estava caído perto de um banco de pedra, uma expressão de dor no rosto. Seu uniforme de estudante estava manchado de vermelho, o tecido branco tingido pelo sangue que escorria de um corte profundo no braço.
Kiet sentiu seu instinto primal rugir dentro de si. Seus caninos latejaram, e ele fechou os punhos. Era uma armadilha? Um teste de sua resistência? Ou apenas o destino cruel brincando com ele?
O rapaz gemeu, tentando segurar a ferida. Ele ergueu o rosto, e foi nesse momento que Kiet viu os olhos do outro. Negros como a noite, grandes e expressivos.
— M-Merda… — o jovem murmurou, tentando se levantar.
A voz dele era suave, mas tingida de desespero.
Kiet hesitou por um segundo antes de dar um passo à frente.
— Você está machucado.
— O-obrigado por notar — respondeu o jovem com sarcasmo, tentando pressionar o corte. Ele respirava pesadamente.
Kiet desviou o olhar do sangue, concentrando-se no rosto do garoto. Ele parecia humano… e seu cheiro não indicava nada sobrenatural. Apenas um estudante normal que teve o azar de se machucar.
— Deixe-me ver.
O garoto hesitou, mas quando a dor apertou, cedeu. Kiet se ajoelhou ao lado dele e examinou a ferida. Um corte limpo, mas profundo.
— Você precisa de pontos — Kiet murmurou.
— É… eu imaginei — o garoto forçou um sorriso, os olhos semicerrados de dor. — Eu… estava distraído e tropecei nos degraus. A garrafa de vidro que eu carregava estilhaçou… sou um desastre.
Kiet ergueu uma sobrancelha.
— Idiota.
O jovem soltou uma risada fraca.
— Valeu pela empatia.
— Me chamo Kiet — ele disse, desviando o olhar.
— Pakin. Mas pode me chamar de Pak.
A troca de nomes pairou no ar por alguns instantes, como se selasse algo invisível entre os dois.
Kiet pegou um lenço limpo do bolso e pressionou contra o ferimento de Pak, tentando ignorar a pulsação do sangue quente sob seus dedos.
— Você tem um carro? — Kiet perguntou.
— Moto. Mas acho que dirigir agora não é uma boa ideia.
— Vou te levar ao hospital.
Pak ergueu uma sobrancelha.
— Você é sempre assim, mandão?
Kiet não respondeu. Ele apenas se levantou e estendeu a mão. Pak hesitou por um segundo, depois aceitou a ajuda. Assim que seus dedos tocaram os de Kiet, um arrepio percorreu seu corpo.
A pele do outro era gelada.
— Você tá com frio ou algo assim?
Kiet evitou responder, puxando Pak suavemente para que ele se apoiasse nele.
— Vamos.
Pak deixou escapar um suspiro, mas não discutiu. Ele se sentia estranhamente confortável ao lado daquele estranho de olhos dourados.
O encontro fatal havia acontecido. E mudaria as suas vidas para sempre.
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Atualizado até capítulo 45
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