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A noite estava fria, mas Pak sentia seu corpo em chamas.
O beijo ainda pulsava em seus lábios, um rastro invisível que o mantinha conectado a Kiet, mesmo quando o ar entre eles parecia carregado demais para se respirar direito.
Os olhos dourados de Kiet brilhavam sob a luz fraca da lua. Havia algo ali—um conflito interno que Pak ainda não conseguia decifrar.
Ele deveria se afastar.
Mas não conseguia.
E, pelo olhar intenso de Kiet, ele também não queria.
— Isso… não deveria ter acontecido — Pak sussurrou, a respiração instável.
— Eu sei — Kiet respondeu, mas não se afastou.
O coração de Pak martelava contra o peito. Ele sentia a presença de Kiet ao seu redor, aquela mistura de perigo e fascínio que o puxava como um ímã.
Ele deveria estar assustado. Mas, de alguma forma, ele só queria mais.
— Então por que eu quero fazer isso de novo?
Um pequeno sorriso curvou os lábios de Kiet. Ele ergueu a mão e tocou a nuca de Pak, os dedos frios roçando sua pele quente.
— Porque eu também quero.
Pak fechou os olhos por um segundo.
A brisa soprou, carregando consigo o cheiro da noite—frio, ferroso, diferente.
E então, um som cortou o silêncio.
Um estalo.
Um passo.
Pak se virou de imediato, seus instintos gritando alerta.
Eles não estavam sozinhos.
Sombras na Escuridão
O silêncio se estendeu por alguns segundos, denso e opressor.
Pak engoliu em seco.
— Tem alguém aqui?
Kiet não respondeu de imediato, mas seu corpo enrijeceu. Seus olhos, antes suaves, ficaram frios como gelo.
— Fique perto de mim — ele disse, a voz baixa, mas firme.
Pak sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Você está me assustando.
Kiet olhou para ele, os olhos queimando de algo intenso.
— Bom. Talvez seja melhor assim.
A escuridão ao redor parecia mais densa agora. O vento mudou, soprando mais forte. E então, ele apareceu.
Saindo das sombras, passos leves, olhos vermelhos brilhando na escuridão.
Pich.
Pak sentiu o nó em seu estômago apertar.
O vampiro sorria, divertido, satisfeito. Como se tivesse acabado de presenciar algo que lhe deu um tipo perverso de prazer.
— Que cena interessante — Pich disse, cruzando os braços. — Nosso querido Kiet quebrando suas próprias regras.
Kiet não se moveu, mas Pak pôde sentir a tensão irradiando dele.
— O que você quer? — Kiet perguntou, sua voz baixa, perigosa.
Pich deu de ombros.
— Nada demais. Só achei curioso ver você tão… envolvido.
Pak olhou de um para o outro, a sensação incômoda crescendo dentro de si.
Aquilo era pessoal.
Havia algo ali, um passado não resolvido entre Kiet e Pich.
E Pak não gostava do jeito como o outro vampiro o olhava—como se ele fosse um brinquedo em uma disputa que não entendia.
— Você estava nos observando? — Pak perguntou, sua voz saindo mais dura do que esperava.
Pich sorriu de canto, e seus olhos brilharam de maneira predatória.
— Eu estava passando por aqui. Mas vocês estavam tão distraídos que nem perceberam.
Pak sentiu um arrepio gelado. Ele estava ali o tempo todo?
Kiet deu um passo à frente, posicionando-se sutilmente entre ele e Pak.
— Se você veio só para provocar, pode ir embora.
Pich soltou um suspiro teatral.
— Ah, Kiet… Sempre tão sério.
Os olhos dele deslizaram lentamente até Pak, e o sorriso se alargou.
— Então este é o seu novo passatempo? Um humano?
Pak cerrou os punhos.
— Eu não sou um passatempo.
Pich ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo.
— Claro que não. Você é especial, não é? — Ele virou-se para Kiet. — O que você pretende fazer com ele? Você sabe que não pode simplesmente… brincar de ser humano, certo?
Pak olhou para Kiet, esperando uma resposta. Mas Kiet continuou em silêncio.
Pich riu baixo.
— Você está diferente, Kiet. Mais… vulnerável.
Kiet finalmente falou, sua voz fria como aço.
— Cuide da sua vida, Pich.
O outro vampiro inclinou a cabeça de lado, observando-os como um predador avaliando sua presa.
— Você sabe que há regras para a nossa espécie. Você realmente quer quebrá-las por um humano?
O estômago de Pak se revirou.
Regras?
Ele olhou para Kiet, mas o outro não devolveu seu olhar.
E, pela primeira vez, Pak sentiu o medo real se infiltrar em sua pele.
O que realmente significava quebrar essas regras?
Pich soltou um último sorriso antes de desaparecer na noite, tão rápido quanto apareceu.
Mas o peso de suas palavras ficou.
Pak engoliu em seco, sentindo seu coração disparado dentro do peito.
— Kiet… — ele chamou, hesitante.
O outro finalmente olhou para ele. E, pela primeira vez, Pak percebeu que havia um conflito ali.
Um medo real.
— O que ele quis dizer?
Kiet fechou os olhos por um segundo antes de responder:
— Que talvez estar com você seja mais perigoso do que eu imaginava.
Pak sentiu sua garganta secar.
Mas, no fundo, ele já sabia que não voltaria atrás.
Porque, apesar do perigo…
Ele já tinha mergulhado fundo demais.
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Atualizado até capítulo 45
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